COMPREENDER HERANÇA MENDELIANA É COMPREENDER HERANÇA POLIGÊNICA.

Sabemos que os genes funcionam de forma dinâmica e bastante distinta. Como já exemplifiquei aqui um único gene pode determinar uma característica que é formada por vários genes.

Um gene pode controlar uma orquestra gênica chamada de cluster e que determina uma característica. Outras vezes um conjunto de genes atuando de forma sincronizada determina uma certa característica.

A seleção natural e as leis de Mendel explicam como essa herança é permitida. Um leigo não entende esse assunto, portanto merece compreender o funcionamento de tal mecanismo, um tolo diria que isso é impossível. Pois bem, a cor dos olhos é determinada por um gene, mas que tem diferentes versões, os alelos.

Usarei uma lei de Mendel para explicar como ela funciona, pois a lei de Mendel explica a herança poligênica. Para tal usarei um exemplo caseiro real.

Meu pai tem olhos azuis, e minha mãe olhos castanhos. Eu tenho olhos escuros e meu irmão tem olhos claros.

Obviamente que eu tenho em meu genoma a informação de como construir um olho azul, a questão é, ela poderá ser expressa na geração seguinte. Para tal, a pessoa com que eu tiver filhos tem de ter uma cópia desta informação (olho claro), mesmo que não seja expressa nela.

Caso eu me case com alguém que não tem a informação de olhos claros, meus filhos terão olhos escuros e poderá (ou não) herdar de mim (ou da mãe) a informação para olhos claros. Obviamente que a expressão de tal característica depende de fatores probabilísticos e ambientais. Recentemente um casal de negros teve um branco.

Black and white family; Francis and Arlette with Seth and Daniel.

Grande parte das pessoas tem informações para olhos claros, mas nem todas as pessoas tem olhos claros por questões de probabilidade e ambientais. Assim, uma característica pode se esconder em uma geração e aparecer em outra. Foi isso que mendel descobriu. Eventualmente características como essas podem se fixar numa espécie. Se um fenótipo confere uma característica que compromete a sobrevivência da prole ela não chegara a próxima geração, ela será punida com a morte e portando o gene ou o alelo que confere essa característica tende a desparecer ou ficar raro. Alelos letais são um exemplo de seleção.

Se um alelo que leva um individuo a morte se expressar antes de seu portador chegar a idade reprodutiva (que permitira esse alelo pular a geração seguinte) ele nunca se disseminará na população, afinal, ele mata o seu portador antes de pular a geração seguinte.

Uma característica poligênica também atua de acordo com a síntese neodarwiniana, ou seja, baseadas nas leis de Mendel e de Darwin sobre a seleção natural como mecanismo evolutivo.

Na interação gênica da herança poligênica os pares de genes somam ou acumulam seus efeitos.
A herança quantitativa é muito frequente na natureza. Algumas características de importância econômica, como a produção de carne em gado de corte, produção de milho etc., são exemplos desse tipo de herança. No homem, a estatura, a cor da pele e, inclusive, inteligência, são casos de herança poligênica.

Os exemplos de onde a herança poligênica ocorrem variam também na má formação congênita e são evidenciados em heredrogramas seguindo os modelos de herança mendeliana.

A cor da pele é um exemplo de herança poligênica e nem por isso não pode ser explicada sobre a luz da evolução. Por exemplo, se a combinação de dois, três, cinco ou dez genes confere uma característica, basta montar um quadro de cruzamento com todas as características, ou seja, todos os genes do genótipo fazer o cruzamento de todos eles e ver a quantidade de fenótipos existentes.

Segundo Davenport (1913), a cor da pele na espécie humana é resultante da ação de dois pares de genes (AaBb), sem dominância. Dessa forma, A e B determinam a produção da mesma quantidade do pigmento melanina e possuem efeito aditivo.

Obviamente que os outros estarão escondidos no embaralhamento genomico e podem se diluir na população caso não sejam expressos ou raramente expressos podendo um dia desaparecer. Um exemplo, o albinismo é raro, altos QI’s são raros, estaturas gigantescas ou acondroplasia são raros.

Algumas combinações raras por exemplo se referem a fissura no labial, uma má formação congênita que é causada pela herança poligênica, a presença de determinados genes e seu mal funcionamento durante o desenvolvimento embrionário podem gerar fissuras no lábio. No coração os defeitos ocorrem no septo atrial, tetralogia de Fallot, ducto arterioso patente e septo ventricular. No sistema nervoso central anencefalia, raquesquise, encefalocele, espinha bífida oculta (ou não). Na genitália pode gerar hipospadias, agenesia renal, disgenesia renal, além de outras deformações como luxação congênita do quadril, pés tortos e implantação baixa dos pavilhões auriculares.

Obviamente que no caso das características mais comuns como inteligência a todos indivíduos da espécie humana se torna uma característica que foi estabelecida pela seleção natural e a cor da pele também. No caso da inteligência a fixação dessa característica foi feita pela seleção natural agindo positivamente (Por consequência, se um alelo aumenta a aptidão mais do que outros alelos do mesmo gene, então em cada geração esse alelo se tornará mais comum dentro da população. Diz-se que estas características são “seleccionadas a favor ou positivamente). Ou seja, características vantajosas tendem a estender por todos os indivíduos da espécie, seja essa característica determinada por um ou vários genes. No caso dos vários genes ela é estabelecida devido a um fenótipo especifico, pois os outros foram perdidos por mecanismos evolutivos (deriva genética ou seleção natural punindo com a morte os menos aptos) já que não conferiam um valor adaptativo alto ou problemas graves que comprometiam a vida do individuo (antes da reprodução ou até mesmo após, se tornando neste ultimo caso, uma raridade).

Casualmente há raridades, como o albinismo e pessoas com super QI. Obviamente que ela depende da questão probabilística e ambiental. Einstein tinha um desenvolvimento cerebral na região responsável pelo raciocínio lógico e analítico/matemático bastante desenvolvido, fruto ou de uma situação probabilística que lhe conferiu isso (herança poligênica) ou que desenvolveu ao longo de sua vida no ambiente acadêmico em que viveu. Não há como duvidar que a herança poligênica não aconteça, afinal todos nós temos genes trabalhando em conjunto e nossos pais também, portanto, esses genes passaram deles para nós. Se eles tem e nós temos também significa que o mecanismo realmente ocorre, portanto é evidente.

Não há porque acreditar que a herança poligênica seja um desafio a evolução de Darwin sendo tão evidente na nossa familia, ela segue as mesmas características da herança mendeliana, a cor da pele humana é um exemplo de herança poligênica que depende de mais de um gene para ocorrer como mostrado no quadro de cruzamento acima. Obviamente que ela propõem alternativas fenotípicas e não unicamente um fenótipo. A cor clara pode favorecer que mora em climas frios a cor negro confere adaptações a quem vive em regiões de alta exposição a radiação solar, a inteligência favorece a todos os indivíduos dentro da espécie humana e mesmo assim, tanto a cor da pele quanto a inteligência são representações da herança poligênica que atua da mesma forma que a herança mendeliana. Assim, compreender a herança mendialiana é compreender a herança poligênica. Se alguém não compreende herança poligênica é porque não entendeu o básico da proposta de Mendel e portanto não tem competência para discutir hereditariedade, e evolução, já que a herança é processo fundamental na adaptação das espécies. Esse é um exemplo que não deve ser confundido com a seleção de grupo, que não tem nada a ver com a evolução, pelo contrario, a evolução de grupo acaba com a variabilidade genética.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Herança Poligênica, Genética, Evolução
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Referências:
Genética baseada em evidências – Sergio Peres & Zan Mustache
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