DEJA VU: BRASIL CAMINHA PARA MAIS UM VEXAME AMBIENTAL?
O Deja vu é uma sensação que transmite a ideia de que alguém já esteve naquele lugar antes ou já viu determinada pessoa. Sob o ponto de vista neurológico é facilmente explicado mas o que quero dizer como Deja vu aqui é o que ele literalmente diz, já visto.
O que quero dizer é que no passado nosso país já passou por diversos vexames no que diz respeito a temática ambiental.
É sabido que desde a época de D. Pedro II o Brasil tem pouca tradição na questão ambiental embora hoje seja o pais com uma das maiores áreas verdes do mundo (embora pouco protegidas).
D. Pedro II 1m 1850 estabeleceu a lei 601 que proibiu a exploração florestal uma vez que o pau-brasil estava em risco de extinção. A lei foi ignorada e a monocultura de café foi implantada no país. Isso mostra que antes mesmo de Brasil se tornar Brasil as suas raízes já demonstravam pouco interesse pela temática ambiental, fruto de sua colonização européia e que foi mantida e apresenta seus resultados e resquícios até hoje
A maior gafe brasileira na questão da temática ambiental ocorreu em 1972 após a emissão do relatório The Limits of growth do Clube de Roma. Esse documento se mostrou ao mundo como uma denuncia ao crescimento econômico e das sociedades além de estimar como seria o mundo caso não houvesse uma mudança nos nossos costumes e tradições sociais. Os políticos em todo o mundo ignoraram tal relatório embora mais tarde no mesmo ano tenha ocorrido a Conferência de Estocolmo na Suécia trazendo a declaração dos direitos humanos e um Plano de ação mundial.
Embora tenha se definido a recomendação numero 96 predizendo a Educação ambiental como elemento crítico no combate a crise ambiental o Brasil teve frouxa atuação. De fato o Brasil correu na contramão se mostrando ao mundo aberto ao crescimento insustentável. Representantes do país todo pediram poluição dizendo que não se importavam com a poluição, afirmando que não se importavam com o preço da degradação ambiental desde que o Produto Nacional Bruto (hoje o PIB) fosse aumentado. O Brasil chocou o mundo nessa ocasião.
Em 1977 na Conferencia de Tbilise na Geórgia foi estabelecido novos projetos para culminar com a primeira fase de um projeto Plano Internacional de Educação Ambiental. Novas diretrizes da educação ambiental e como ela deveria ser tratada na sociedade e escolas foram traçados. O Departamento de ensino Médio do MEC e a CETESB publicaram o documento Ecologia com uma tendência reducionista e que ignorava os aspectos sociais, culturais, éticos, econômicos e políticos indo totalmente contra o que havia sido estabelecido como diretriz na Conferência da Geórgia. Essa tendência reducionista só foi retirada de jogo em 1997 com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) divulgada pelo MEC.
Em 1987 em Moscou o Congresso internacional da UNESCO e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) trouxe as conquistas e dificuldades criadas ao traçar os parâmetros da educação ambiental desde a conferência de Tbilise. Cada pais trouxe seu relatório apontando esses pontos positivos e as dificuldades, o Brasil não apresentou relatório algum. Vale a pena lembrar que neste mesmo ano ocorreu em Goiânia a morte de 4 pessoas e dezenas de pessoas ficaram contaminadas com o trágico acidente com o Césio 137 que evidenciou claramente o analfabetismo ambiental que nosso pais estava passando.
Atualmente estamos participando de conferências ambientais em vários países, firmando compromissos, estabelecendo metas contra o desmatamento e proteção de áreas verdes, mas da mesma forma que o Brasil vem crescendo economicamente mostrando o aquecimento da economia também estamos passando por um período que vai contra todos esses compromissos estabelecidos nesses encontros.
A votação desse novo código florestal insustentável e que afeta Áreas de Preservação Permanentes, áreas de risco, diminuição de regiões de proteção de mata ciliar para favorecer a economia do pais com base na agricultura se tornem presentes no nosso cotidiano.
É uma visão que esta novamente em contramão com o mundo, sabemos que a TRANSIÇÃO PARA UMA ECONOMIA VERDE CUSTARÁ US$ 2 TRI POR ANO, segundo a ONU.
Criamos um novo empecilho.
O primeiro código florestal foi criado em 1931 e aceito em 1934 seguindo a lei 23.973, o código atual foi criado na década de 80 e que não vem sendo cumprindo. Quando a evolução dessa questão ambiental ocorre e há um estímulo para o seu cumprimento, nós (nossos políticos, exatamente o ALDO REBELO DO PCdoB) o barramos para que ele seja repensado de tal forma a prevalecer o valor econômico dos ruralistas (veja: BRASIL GASTA MENOS COM PRESERVAÇÃO DE FLORESTAS DO QUE PAÍSES SEMELHANTES).
Países como a China e os EUA que são os maiores poluidores do mundo estão apresentando projetos internos mais coerentes com os compromissos estabelecidos internacionalmente do que o Brasil (veja este exemplo aqui: NEVADA SOLAR ONE: UM EXEMPLO DO PAÍS QUE MAIS POLUI NO MUNDO).
O Brasil tem corrido na contramão com esse novo Código florestal fajuto (veja: ESTUDO MOSTRA QUE CÓDIGO FLORESTAL PÕE VÁRIAS ESPÉCIES DE AVES EM RISCO) e não vem cumprindo compromissos internacionais. Veja um outro exemplo claro, a ALEMANHA ANUNCIA FIM DA ENERGIA NUCLEAR ATÉ 2022. enquanto nós aqui no Brasil estamos planejando a construção de Angra III.
Passaremos por mais um vexame internacional?
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Para saber mais veja:
DATAFOLHA REVELA QUE BRASILEIROS SÃO CONTRA ANISTIA AO DESMATAMENTO ILEGAL
FLORESTA EM PÉ VALE MAIS DO QUE SOJA.
MÁ FAMA: REINO UNIDO RECUPERA TEMPO PERDIDO PARA CUIDAR DO MEIO AMBIENTE
ACORDO SEM AVAL DO GOVERNO LIBERA 420 MIL KM2 DE ÁREAS PROTEGIDAS
Scritto da Rossetti
