A ORIGEM E A CARACTERIZAÇÃO MORFOCLIMATICA DA CORDILHEIRA DOS ANDES.

Não há nada mais impressionante do que os Andes. Não somente sua formação geológica ou suas características fitogeográficas e morfoclimáticas, mas também as tradições. Sob muitos aspectos podem ser mais interessante visitar um país como o Peru ou a Colômbia do que um país europeu como a França. Digo isso devido as características climáticas que podem ser tão formosas quanto as da Grécia mas também pelo encanto de poder andar em uma região de formação geológica tão interessante  e com a presença de um povo que faz parte da história de nossa colonização. Não aquela colonização renascentistas, mas a verdadeira colonização das Américas, pelos primeiros povos que viajaram pelo estreito de Bering e majestosamente deram origem a tantos povos como os Yanomamis na fronteira com a Venezuela ou até mesmo as belas canções feitas com aquelas pequenas flautas andinas. Enquanto escrevo este texto escuto Mark Knopfler (Get lucky e So far from the Clyde) onde há uma flauta que de longe lembra este espírito andino. Quem dera pudesse estar sentado em uma rocha, mascando uma folha de coca com meu notebook no colo escrevendo em tempo real o que vejo nos Andes.

A cordilheira dos Andes é uma grande cadeia de montanhas que se estende por 7.500 quilômetros através da grande maioria de países da America do sul vindo desde a Colômbia até a Patagônia. Ela acompanha a costa ocidental da América do Sul, banhada pelo oceano Pacífico bem próxima a uma falha geológica.

Tem uma largura média é de 240 km embora varie muito ao longo de sua extensão onde é mais evidente na porção central. Neste ponto ela forma um planalto nos países como o Peru, Bolívia e Chile com mais de 600 quilômetros no sentido leste-oeste. Sua altitude média atinge 3.500 metros. O ponto do Aconcágua na Argentina, com 6.962 metros demonstra o seu pico máximo de altura.

A cordilheira dos Andes é resultado de um choque ocorrido no interior da Terra, entre duas placas tectônicas. Essas placas flutuam no magma incandescente de rocha fundida a uma temperatura de até 1.550°C. As vezes esse material é lançado na superfície terrestre através de fendas e crateras vulcânicas. Essas rochas recebem o nome de xenólitos e os espirros incandescentes são chamamos de materiais piroplásticos.

O movimento de placas tectônicas é resultado da movimentação dos fluidos interno do planeta Terra. O magma gira e ao girar cria correntes de convecção que empurram as placas em um certo sentido, uma contra a outra, latero-lateralmente ou afastando-as.

Há milhões de anos, a do Pacífico moveu-se de encontro à placa sul-americana, e como é mais pesada, entrou por baixo fazendo-a subir e dando origem, assim, ao longo encadeamento das elevações que hoje formam a cordilheira dos Andes.

Em evidência a cordilheira no Equador, Peru, Colômbia e Venezuela. Partes brancas mostram as baixas temperaturas das altas altitudes

Durante anos os pesquisadores acreditaram que o soerguimento da cordilheira dos Andes ocorreu lentamente ou seja, um processo gradual. Pesquisas de geológos americanos em 2008 reformulam esta teoria e confirmaram que a cordilheira dos Andes que se estende desde a fronteira com o Caribe à Terra do Fogo, surgiu abruptamente.

Na teoria mais antiga, os cientistas acreditavam que a cordilheira dos Andes havia nascido há 40 milhões de anos.

Ao haver o choque entre duas placas tectônicas, elas sofrem deformações e a placa mais densa sofre subsidência, ou seja, mergulha internamente no magma incandescente do manto. Neste fenômeno deformacional das placas, há a origem de uma raiz de montanhas que é a deformação negativa de uma convergência entre os continentes. A deformação positiva são as próprias montanhas. Seria uma formação montanhosa para o interior da Terra mergulhada no magma.

Nessa proposta trazida pelos geólogos a raiz de uma montanha, em vez de sofrer erosão lentamente, se desprende e cai no incandescente manto do interior do planeta. O alívio deste peso resulta no se erguimento, e no caso dos Andes, esse levantamento foi de cerca de quatro mil metros em menos de quatro milhões de anos, sobre o ponto de vista geológico é um soerguimento abrupto.

As técnicas aplicadas pelos cientistas consistem em determinar a alteração da composição química de uma cadeia montanhosa devido às precipitações pluviais e de neve. Mediante esta análise e de conchas sedimentarias dos Andes, o grupo cientista pôde determinar quando e a que altura esses sedimentos foram depositados. Isso porque nesses eventos é possível que fundos de mar sejam soerguidos até o topo de montanhas como evidenciado nos Andes, ou no livro do paleontólogo Stephen Jay Gould A montanha de moluscos de Leonardo da Vinci ou até mesmo na montanha com milhares de fósseis encontradas na China. De fato no Brasil é possível formações bastante parecidas. Em alguns locais do estado da Bahia, desde a praia até entre 150 e 200 quilometros para dentro do continente é possível cavar o solo e encontrar conchas e animais fossilizados devido a mudanças do volume de água do oceano em períodos de aquecimento e resfriamento global.

Um outro exemplo Brasileiro é que a 16 milhões de anos atrás a água do rio Amazonas brotou e foi bloqueada pelos Andes, e demorou 6 milhões de anos para chegar até o Atlântico, a depressão no centro da Amazônia fez surgir um lago imenso que recebe o escoamento do solo rico dos anos a pelo menos 10 milhões de anos. Os Andes diminuíram um pouco seu tamanho e deixaram seus resquícios na Amazônia. Se os Andes não tivessem se formado o Rio Amazonas não teria surgido e mesmo se tivesse surgido seu fluxo seria direcionado para o Pacifico e não o Atlântico.

O registro das mudanças de altitude mostra que os Andes se elevaram de maneira progressiva durante dezenas de milhões de anos e depois, repentinamente, o maciço montanhoso sofreu um brusco salto entre seis e dez milhões de anos atrás quando teve sua formação geológica e tectônica concluída.

O estudo foi publicado na revista Science. Com relatórios publicados na revista Earth and Planetary Science Letters.

Cordilheira na prção Sul da America do Sul. É possível visualizar as partes mais altas e largas com baixa temperatura.

Do lado oriental os Andes apresentam um declive suave embora na região sul consista em uma série de morros e elevações não muito altas. As suas maiores elevações ocorrem no centro onde esta o Chile e parte da Argentina e uma porção ao norte até a Colômbia formando um alto e largo planalto enxertado por várias cordilheiras e elevados picos vulcânicos ativos e outros extintos. Entre eles o vulcão Ojos Del Salgado com 6.893 metros de altitude, considerado o mais alto vulcão do mundo, situado na fronteira entre Chile e Argentina.

Os Andes Patagônicos formam um arquipélago rochoso que penetra no continente em forma de uma série de cadeias transversais e montanhas isoladas, cuja altitude vai aumentando à medida que avançam para o norte. Já no Chile e Argentina ou seja do sul até a Bolívia apresenta somente uma única cadeia maciça com mais de 100km de largura. Nele estão os picos mais elevados do sistema, o Aconcágua e o Mercedário com 6.798m.

Na Bolívia há a maior seção do sistema com duas cadeias quase paralelas que têm entre si o planalto onde se situam o lago Titicaca.

Na cadeia ocidental que tem 4.950m de altura nascem os afluentes do Madeira que é um braço do Amazonas. No Peru o cadeia é formada por um sistema montanhoso mais complexo com três cadeias paralelas que convergem para a fronteira do Equador, lá realmente esta a nascente do Amazonas

No Equador os Andes formam duas cadeias montanhosas unidas por várias montanhas transversais com profundos vales e planaltos elevados com grandes números de vulcões

Na Colômbia os Andes se estendem em forma de leque para o norte, formando três cadeias distintas; uma avançando até o istmo do Panamá onde se finaliza, uma central que finaliza-se morre nas planícies dos rios Cauca e Madalena e a porção oriental que avança em parte da Venezuela e se aplaina na costa do Atlântico.

A cordilheira é composta por diversos tipos de rochas, havendo, nas regiões próximas aos vulcões, recobrimento de lavas, cinzas e materiais vulcânicos. Em outras porções há o depósito de minerais importantes como o ouro, a prata e o estanho.

O clima dos Andes é muito depende da latitude e da altitude e portanto é variável. Acima de 2 mil metros a temperatura começa a cair para valores muito baixos a ponto dos seus picos mais elevados se encontrarem sempre cobertos de neve.

A vegetação é rica e bastante variável com características tropicais. Acima de 1.500m, de altura ocorre um aparente cinturão subtropical que se estende até os 3.300m, onde crescem a chinchona, os fetos e as palmeiras.

Para o sul onde há pouquíssima chuva e a vegetação é mais pobre e por vezes rasteira e quase exclusivamente formada por liquens.

A fauna acompanha estas variações, encontrando-se ao norte, jaguares (evidenciado em filmes como Apocalipto), pumas, ursos, onças e macacos, além de grande variedade de pássaros. No sul a fauna empobrece e abrem espaço para o lhama, a alpaca, guanaco,  vicunha e o condor.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Cordilheira dos Andes, Peru, Colômbia, Venezuela, Amazonas, Patagônia, Argentina, Bolívia, Equador, Geologia, Clima.
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5 thoughts on “A ORIGEM E A CARACTERIZAÇÃO MORFOCLIMATICA DA CORDILHEIRA DOS ANDES.

  1. Olá Rossetti,
    Tudo bem?

    Eu gostaria de saber quais referências você utilizou para escrever o artigo. Estou fazendo um trabalho no qual é necessário saber exatamente a orogênese e a data “exata” do soerguimento dos Andes e gostaria de ler os trabalhos que você citou, inclusive o da Science. Você, por favor, poderia postá-los para mim? Ou ao menos escrever um dos autores para que eu possa achar os trabalhos…

    Obrigada desde já!
    Gisele

    • Claro, tem muita coisa a respeito no O livro de Ouro da Amazônia que fala sobre a formação Andina e como ela influenciou o ecossistema amazônico. Foi escrito por João Meirelles Filho.
      O artigo da science é restrito, se tem de retirar nas Universidades (http://www.sciencedirect.com/science/journal/0012821X). Eu tinha usado outro texto mas não estou encontrando, mas tratava mais das características genéricas dos andes.
      Boa pesquisa!!!

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