IMPACTANDO A FÉ. RESTRIÇÃO RELIGIOSA NO MUNDO.

A fé (emuná no Hebraico) só tem a interpretação atual graças a sua tradução das escrituras sagradas feitas por Habacuque. Sob o sistema Hebraico (anterior ao cristianismo) de interpretação emuná conota o sentido de fidelidade, confiança e lealdade muito bem evidenciados na Torah.

A fé sustenta uma verdade, uma verdade absoluta proposta por um sistema de religação com Deus independente da denominação religiosa. O fato é uma verdade absoluta, real, existente, inequívoca, incontestável e declarada. Mas a verdade religiosa não é absoluta embora seja baseada na fé. E talvez justamente por ser baseada na fé ela se torne falha. A fé cristã dizia que a Terra era o centro do universo, essa verdade absoluta cristã foi derrubada. Isso mostra que o absolutismo religioso não é a verdade absoluta.

Aqui faz-se necessário conceituar determinados mecanismos de busca da verdade.

Em o VERDADEIRO PROBLEMA DA VERDADE expus algumas propostas sobre o que se entende por verdade. A verdade absoluta realmente existe, mas nem a filosofia, nem a religião nem a ciência as detém, embora seja possível alcança-la por vezes, como veremos.

Esses sistema trabalham segundo mecanismos distintos de busca (veja: AS LIMITAÇÕES DOS SISTEMAS DE CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO). Tanto os cristão como os filósofos e os cientistas buscam por exemplo a verdade por trás da origem ou surgimento do universo. A ciência trabalha com bases empiristas e paradigmáticas, a filosofia com o uso da razão e a religião por mecanismos dogmáticos, pela fé.

O universo existe, nós existimos. Segundo Jean-Paul Sartre “Existir é assumir o seu ser, ser responsável por ele em vez de recebe-lo de fora como faz uma pedra”. Então o ser humano com toda sua curiosidade busca a origem do seu ser e do seu lugar.

Aqui existe a necessidade de diferenciar certas linhas de raciocínio, a fé e o fideismo.

O fideísmo é uma doutrina religiosa que prega que as verdades metafísicas, morais e religiosas, como base na existência de Deus. Assim, a justiça divina após a morte e a imortalidade são inalcançáveis através da razão e só serão compreendidas por intermédio da fé. O seja, o que sustenta essa justiça fideísta post morten é a fé. O que é falho uma vez que é evidente que Deus não trabalha de forma misteriosa, pelo contrário, ele é previsível, uma vez que as atitudes que ele toma no velho testamento se assemelham aquelas que nós tomamos no cotidiano (veja: DESIGNER INTELIGENTE NÃO ESCREVE CERTO EM LINHAS TORTAS – ELE É TÃO HUMANO QUANTO EU)

O fideísmo usa a fé como alcance da justiça divina. De fato, é um sistema de doutrinas que rejeita o emprego da razão para o exercício da fé, pregando a idéia de que a crença religiosa não deve ser apoiada pela razão. Só necessitamos da fé e nada mais para sustentar a existência e veracidade da existência de Deus, das verdades absolutas bíblicas. Os fideístas geralmente se esquivam de qualquer tipo de argumentação racional para que possam apoiar sua fé em Deus. Em suma, a crença em Deus não necessita de evidências.

Mas essa interpretação teológica cai em contradição quando analisamos o conceito de fé.

A fé é um mecanismo de crença sem evidências e como o pastor Silas malafaia vem dizendo tem sido bombardeada pela ciência a muito tempo, motivo pelo qual ele esta vendendo o Manual de Defesa da Fé. Um livro de última hora que trata justamente da defesa da fé que tem sido abalada sob o ponto de vista do sistema de busca pela verdade científico, e não somente cientifico mas também filosófico. É fundamental salientar que esses últimos mecanismo não são donos da verdade absoluta, e seu impacto na fé é embasado nos novos modos de busca pela verdade absoluta escondida nos mais minucioso eventos da vida e do universo e também por questões históricas. Isso ocorre porque é muito difícil sustentar uma verdade de mil ou dois mil anos atrás em uma sociedade com modos, tradições e culturas bastante distintas. Por exemplo, seria um absurdo hoje sustentarmos que a Terra é plana e o centro do universo, mas este modelo foi adotado pela religião cristã durante vários séculos. Assim como o sistema geocêntrico que foi destruído graças ao racionalismo filosófico e ao empirismo.

Como necessidade espiritual a fé é a crença sem evidências.

De forma teológica (embora certos ramos da ciência não concordem que a telogoia seja uma ciência pois não usa paradigmas e metodologias científicas) é a submissão do espírito as palavras de Jesus/Deus e a convicção de nosso espírito acerca de qualquer fato submetido a palavra de Deus, ou seja, as escrituras sagradas das respectivas religiões que adotam a fé como principio espiritual detém a verdade absoluta sobre tudo e inclusive as idéias de que a Terra é plana e o centro do universo. Obviamente que essa visão foi abandonada devido ao peso das evidências contra a falta de evidência. O pedido de desculpas feito pela igreja católica pela quase morte de Galileu em 1633 só foi feito em 1992.

A fé declara que só há uma criação, um único criador e que a palavra de Deus segundo os registros sagrados é verdadeira. A verdade absoluta que todos procuramos na ciência e na filosofia.

A fé leva as pessoas a acreditar que noé foi realmente engolido por uma baleia (embora seja tratada com um grande peixe) porque a Bíblia sagrado é a referência. Se a história de pinocchio de Luigi Comencini tivesse sido sanonizada acrditariamos um ser de madeira poderia ter encontrado Jonas no interior da baleia. A crença sem evidências.

Ao mesmo tempo em que a fé é um ato de submissão espiritual ao que Deus prega é a confiança na realidade que nos é apresentada. É a submissão as verdades religiosas tomadas como verdades absolutas sob o ponto de vista medieval, o abrir mão do benefício da dúvida. A dúvida é a uma heresia e sob o ponto de vista filosófico é a adoção de doutrina positivista e comportamentalista que Marx chamou de alienação e justificou a idéia de um Deus como um mecanismo de fuga da realidade devastadora da sociedade (estou falando da filosofia de Marx e não de comunismo como apelativamente  os criacionistas acusam).

Embora a fé seja um sistema de crença que busca validar a verdade absoluta das escrituras ela é diferente do fideísmo. A fé é uma crença sem evidências e somada a submissão da verdade, abolição do benefício da dúvida e do questionamento torna-se incoerente ao longo do tempo como no caso do geocentrismo.

É fundamental destacar que o fideísmo descarta o emprego da razão enquanto a fé, por mais que seja baseado na ausência de evidências segue o princípio da razão. Porque a razão é o que permite o ser humano estabelecer resultados e premissas a respeito de um assunto mesmo que seja baseado em um sistema mitológico.

A razão é a capacidade que o ser humano tem de estabelecer explicações e conclusões a respeito das causas e efeito. Então a fé é um sistema racional porque ela vê o efeito como resultado de uma causa maior denominada Deus que por sua vez é a definição de criação, inclusive da razão pela qual nós estamos aqui discutindo a fé. Embora esta fé seja a crença sem evidências ela é racional.

Porque sem evidências?

Segundo o que o astrônomo Carl Sagan afirmou em seu livro O mundo assombrado pelos demônios o argumento da autoridade tem pouco peso. Ou seja, só porque uma pessoa esta afirmando algo, não torna aquilo um fato. A predição quantitativa é um modo excelente de separar as idéias úteis das dispares. Um exemplo é o que aconteceu com os filósofos que elaboravam teorias com base na razão e na ausência do empirismo. Então era possível dizer que objetos com maior matéria teriam maior vontade de chegar ao solo do que objetos mais leves. Essa afirmação de Aristóteles foi rejeitada com Galileu. Mas isso não quer dizer que o empirismo é a única forma de construção de conhecimento. Demócrito que era da mesma época que Aristóteles afirmava que tudo no universo inclusive os seres humanos eram formados por pequenos corpos indivisíveis que ele chamou de átomo. Aristóteles rejeitava totalmente esta idéia embora hoje saibamos que os átomos não são mais indivisíveis e todos os átomos de todas as pessoas e objetos do universo contém quarks, e outras partículas como férmions, bósons, hádrons e assim vai a famosa casa de bonecas russa. Em ciência não se utiliza o argumento da autoridade, as verdades paradigmáticas (e não absolutas) da ciência podem ser rejeitadas pelos cidadãos ou religiosos sem restrição alguma, mas e as verdades absolutas religiosas? O livre arbítrio cai por terra com a criação mitologia medieval de hades.

Submissão e auto rebaixamento diante da existência baseado na falta de evidências.

Um erro bastante comum é interpretar o fideísmo como o convencimento de que a crença dos outros não tem nenhum valor. Ou até mesmo que somente uma crença sectária (ou o que os ateus com facilidade identificam como o proseletismo) é valorizada sem discussão possível. É possível discutir fé, há vários congressos e discussões em TV em que a fé é o foco, mas o fideísmo não, pois ele se esquiva, foge da razão já que ela é falha quando comparado a inteligência sobrenatural. Se pensarmos há até uma pitada de argumento ontológico (veja: FALHAS NO ARGUMENTO ONTOLÓGICO E COSMOLÓGICO.) mascarada no fideismo. A idéia de que Deus é a alguma coisa maior do que qualquer coisa, e os que negam a Deus, o tem em sua mente. E também aquilo que existe na realidade e na mente é maior do que existe somente na mente. Novamente aqui temos uma afirmação puramente recostada no argumento da autoridade, você precisa da fé para crer e somente isso. Para que entender? Para que duvidar? Foi o que os filósofos fizeram, abraçaram tal argumento até que Santo Tomas de Aquino destruiu tal argumento com extrema facilidade. Santo Anselmo, criador de tal argumento parte do pressuposto de que Deus é algo maior porque as pessoas o pensam desta forma. Um ateu por exemplo, não pensa em Deus com uma força maior e portanto ele não pode ser maior do que o ateu pensa e as premissas seguintes se implodem.

O simples ato de crer sem ter motivos pode fazer eu acreditar na veracidade do livro da morte dos egípcios (cujo os egípcios chamavam de Saída para a Luz do Dia).

Cabe aqui uma ressalva importante. Algumas pessoas anti-evolucionistas dizem que o neodarwinismo esta morto, o que é um erro grave. Lamarckismo esta morto, o geocentrismo esta morto porque dentro do meio acadêmico eles não são mais usados, por outro lado a proposta de Darwin permanece sadia uma vez que explica com o apoio da genética a grande diversidade de especies pelo mundo e favorece aplicações na tecnologia e uma infinidade de processos biológicos. Se é usada então uma ideia cientifica não pode esta morta. Por outro lado ela nunca chegou a nascer para os criacionistas que nunca aceitaram que a natureza por si só pode ser o mecanismo que atua como auto-reguladora e que a rejeitam, ou seja, mesmo sob a concepção dos criacionistas o darwinismo (neodarwinismo) nunca nasceu. Se não nasceu não pode morrer, se é uma ideia utilizada pela ciência até hoje então não esta morta e sim revigorando cotidianamente com seus princípios em artigos científicos. Da mesma forma ocorre com a fé. Sob a alegação de impacto a fé também não poderia dizer que ela esta morta porque sustenta a crença das pessoas, embora haja um distinção entre acreditar em uma proposta cientifica e crer na existência de Deus. Assim como não posso chamar isso de um ataque a fé porque não é uma tentativa desesperada como a que Silas fez em tentar defender a fé com seu manual de defesa que só pode ser adquirido em sua editora. Esse ataque é antigo e vem sendo respaldado pela filosofia e ciência.

Recentemente o professor Miguel Nicolelis (na qual já vi na Faculdade de Medicina da Usp) fez uma declaração bastante interessante na Revista Planeta de agosto de 2011. Ele declara que atualmente Abraão, Maomé e Jesus seriam tratados com Hadol, medicamento dado a esquizofrênicos, uma vez que seus pensamentos desencadearam regimes intolerantes e preconceituosos esculpindo interesses próprios, ideológicos e políticos. Assumidamente ateu, ele ainda reconhece que a religião faz parte do aparato neurológico humano e diz “Como o cérebro é um simulador da realidade, ele cria um modelo e uma ilusão de realidade para cada um de nós”. Dai criamos mitologias para desvendar o mistério de onde viemos. (para saber mais sobre o assunto veja POSSESSÃO DEMONÍACA OU DO ESPÍRITO SANTO? TANTO FAZ. e LA SCIENZA E LA RELIGIONE.)

A religião tem se tornado alvo em todo mundo, sofrido ataques intolerantes (não dos ateus, 2% da população mundial mas de outras religiões, principalmente cristianismo e islamismo, que tem fama de conversores, veja em Restrição a religiões cresce na maioria dos países, diz estudo)  Isso reflete cada vez mais a uma certa repulsa crescente em relação a dominação de povos e massas religiosas por vezes também intolerantes e principalmente (no caso do cristianismo) pela DECADÊNCIA E CRISE NO EVANGELHO na qual a industria da fé (veja: Terreno da nova sede da Mundial em SP deve R$ 1,53 milhão de IPTU) tem atuado em todos os segmentos, desde as religiões na Índia e o charlatanismo até no cristianismo/criacionismo com o envolvimento da antiga Deputada do PMDB Eurides Brito no caso mensalão em 2006, na qual faz parte também do rol de membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia e as imundices feitas com a educação nas eras negras de Antony Garotinho e Rosinha garotinho.

O ataque contra a fé não é um acontecimento programado nem recente mas sim caracterizado desde o processo de produção de conhecimento (seja ele de qual forma for) natural ao ser humano e que tem demonstrado que as verdades absolutas da religião são afetadas pela razão filosófica ou o empirismo cientifico por exemplo. Portanto o texto vem trazendo reflexões a respeito do conceito de fé e como ela é auto-impactante ao compararmos a sua aplicação em qualquer proposta sobrenatural. Aqui evidenciamos como ela foi impactada ao longo da historia da humanidade uma vez que toma como princípio que a existência de um ser sobrenatural é embasada na falta de evidências ou evidenciadas em livros mitológicos. Portanto qualquer Deus pode existir com base na fé ou com base no argumento ontológico. Tanto na fé quanto no argumento ontológico de Santo Anselmo a troca da palavra Deus por um personagem folclórico como o Saci passam a existir já que o que suporta sua existência á a crença sem evidencias e o simples fato de pensar na perfeição como evidencia de existência.

Em conclusão o fideísmo recorre a fé para sustentar sua verdade absoluta já que se esquiva dos argumentos racionais. Entretanto a fé é um argumento racional mesmo sendo uma crença sem evidências já que a fé recorre ao racionalismo humano. Portanto o fideísmo não tem embasamento anti-racional já que a fé é o seu pilar de sustentação e a fé é o uso das faculdades intelectuais humanas para estabelecer explicações sem basear-se em evidencias para sustentar a crença em Deus. Isso ocorre já que não é possível provar filosoficamente ou cientificamente que Jesus andou sobre a água uma vez que o argumento de autoridade não suporta uma verdade. Sob o ponto de vista da fé as pessoas crêem sem evidencias, sob o fideísmo a fé explica.

A fé também é bastante limitada. Por mais fé que um pastor como o Silas tenha, ele sempre vai olhar para os dois lados da rua antes de atravessa-lá. Se Deus mandasse um pastor matar seu filho com a finalidade de provar sua fé será que ele mataria? Se a fé é tão forte porque as pessoas com câncer procuram quimioterapia ao invés de um padre para que alimente com a fé?

Até que ponto a fé das pessoas se sustenta, até que ponto essa submissão e convicção do bom e do melhor da existência e da felicidade eterna se sustentam diante desses desafios? A fé parece ser uma mascara religiosa para um pensamento bastante cômodo. A ideia de que pensar positivo ajuda é sustentada por um engodo sobrenatural para apoiar a nossa bravura e espantar o medo, afinal sendo justo ou não o mundo as pessoas sempre querem a justiça para si, para sustentar o seu narcicismo. Para aqueles que já assistiram o engodado documentário com bases criacionista chamado The secret sabe o que quer dizer. Peça ao universo, se você for bom ele será bom com você. Seja o Sim,senhor de Jim Carrey. Acreditar em algo subsidiado pela ausência de evidência trás dúvidas sobre a confiabilidade de uma verdade. O ato de crer por crer apoiar a idéias de que  parece ser mais palpável acreditar em deuses grecos ou na mitologia chinesa que afirma que tudo surgiu da morte do ser primordial P´an-ku. Suas partes do corpo deram origem as montanhas, seus olhos deram origem ao Sol e a Lua, sua carne a Terra e seus cabelos as árvores e plantas e o homem são advindos de suas pulgas. Não há algo mais submisso do que uma pulga. Se ser temente a Deus significa ser submisso a um pai castrado talvez outros deuses sejam melhores candidatos. Nào ha nada mais submisso do que ser um príon (proteína infuncional causadora de doenças como a vaca-louca e que biologicamente não é considerado um ser vido) ou sejamos então as fezes de Deus. Essa submissão nos rebaixa mais ainda em nome de Deus. A fé sempre vai existir, porque sempre as pessoas vão explicar tudo com falta de evidências. Sob essa concepção a fé concorda com a sua forma escrita no idioma italiano. La fede.

Sugestão de leituraReligião e estupidez no Brasil  texto do filósofo Paulo Ghiraldelli.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Fé, Fideísmo, Argumento da autoridade, Argumento ontológico, razão.
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2 comentários sobre “IMPACTANDO A FÉ. RESTRIÇÃO RELIGIOSA NO MUNDO.

  1. “A ciência incha, mas o amor edifica. Se alguém pensa saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber. Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele. I Co 8:1-3

    • Grande falaciosa. Não existe um ser imaginário que vive no céu. Teu Deus, aquele que existe na tua cabeça, morre contigo. Não existe uma recompensa após a morte, viva tua vida de verdade, como ela será e após tua morte, será como antes de você ter nascido.

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