HISTÓRIA E EPISTEMOLOGIA CIENTÍFICA.

O ser humano adora definir e classificar as coisas.

Nós estamos acostumados a classificar nós mesmos em altos e baixos, feios ou bonitos, carros como sujos ou limpos, disciplinas como fáceis ou difíceis e assim por diante. Aristóteles, que adorava estudar as formas de vida do oceano e era quase um oceanógrafo foi a primeira pessoa a dividir as formas de vida, vida animal e vida vegetal. Esta nomenclatura é utilizada até hoje, embora hoje saibamos que há muitas outras formas de vida que não se encaixam nesta classificação dualista. Obviamente que para certas coisas não há meio termo “Não existe mulher meio grávida”.

Para classsificar as coisas é necessário definir cada um desses adjetivos, feios bonitos, altos baixos e etc.

Quando digo que um carro é feio, estou dizendo que eu acho ele feio. E defino como feio não o oposto de bonito, mas sim como sendo algo que não me agrada ao ver, ou que não desperta interesse de minha parte, ou seja lá qual definição a pessoa der. O importante é que as opiniões divergirão sobre quem acha tal carro feio, mas a definição de feio torna-se um consenso entre aquelas pessoas que estão avaliando a beleza dos carros, Posteriormente criamos o oposto do feio.

Obviamente que esse contexto de feio e bonito muda de acordo com o período da história que observamos, por exemplo na Itália, quando os artistas pintavam as mulheres obesas e elas tinham a fala de ser lindas.

Da mesma forma não existe uma ciência, existem várias ciências.

A ciência de hoje é diferente da ciência do século passado e da ciência de Newton (1643 —1727), ou dos gregos. A ciência de Newton, ou física clássica era fácil de se estudar, era possível fazer experimentos dentro de casa, hoje, com a Física Relativista de Einstein e a Física Quântica poucas pessoas conseguem entender do que elas tratam ou o que são porque suas bases e experimentos são mais complicados e sofisticados, inalcançável as pessoas mais comuns.

Ciência, hoje, refere-se a qualquer conhecimento, ou a um sistema de adquirir conhecimento baseado em um método científico.

O método científico nada mais é caminho que fazemos para chegar até um resultado ( e não o final). É um conjuntoThomas Kuhn de regras básicas para desenvolver uma experiência com a finalidade de produzir novo conhecimento, corrigindo e integrando conhecimentos pré-concebidos.

A descrição mais antiga de um método é a de Galileu (1564 —1642) ), quando fez seus experimentos na torre de Pisa. Entretanto, pessoalmente, creio que Leonardo da Vinci foi o primeiro grande cientista a produzir conhecimento seguindo uma metodologia. Não temos documentos de Da Vinci mostrando sua metodologia, mas suas realizações demonstram claramente que ele seguiu regras básicas para alcançar alguns resultados interessantes. Possivelmente não tenha deixado metodologias escritas, pois a momento sócio/histórico e cultural em que se encontrava tornava tal prática perigosa.

De certa forma já definimos ciência e como ela trabalha.

Já fizemos um grande progresso considerando que há inúmeras perguntas que os Filósofos gregos e cientistas atuais fazem e que até hoje permanecem sem resposta; O que é o homem? O que é vida? Quando surge a vida? O que é natureza? O que é um gene?

Mas pra que serve a ciência? Bom, todos nós seres humanos criamos definições, criamos ma rede de pensamentos de acordo com o que vivenciamos e com nossa rede social. Este conhecimento criado não tem um método ou regras básicas para chegar a um resultado final, e isso chamamos de senso comum.

Hoje, vestimos, comemos, vemos e respiramos ciência. Lá atrás, no Neolítico, nossos ancestrais criaram as primeiras ferramentas sofisticadas de pedra lascada e tornaram sua vida muito melhor. Isso nada mais é do que pegar a ciência e por em prática, ou tecnologia. Hoje, tudo que fazemos esta ligado a ciência, você não se veste, não toma banho quente e nem anda de carro sem a Física, ou a Biologia ou qualquer outra ciência. É importante verificar que a mesma ciência que liga seu carro ou que cria um tratamento experimental para uma doença é a mesma que muitas vezes vai contra as nossas crenças mais íntimas.

Karl Popper (1902 —1994) acreditava que o sucesso da ciência se dava pelo seu método rigoroso.

Hoje, segundo o filósofo Kuhn (1922 – 1996) o sucesso da ciência se dá graças ao Paradigma. Ele definiu paradigmas como ”…realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante um tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes”, ou seja, estabelece um consenso a uma determinada comunidade, a de cientistas.

Para Kuhn, um paradigma antes de se estabelecer passa por diferentes etapas. A parte pré-paradgimática, onde escolas científicas permanecem disputando e discutindo entre si questões fundamentais. Posteriormente aprofundam-se em resolver um determinado quebra-cabeça e ampliar seus conhecimentos de um fato. Durante esse processo os cientistas percebem que sua pesquisa cresceu de forma cumulativa e finalmente pode propor novas teorias candidatas a ocupar o cargo de teorias antigas que não mais explicam, ou que explicam menos do que as novas teorias. Então esse novo paradigma deve ser aceito por uma comunidade de praticantes.

Muitas vezes as teorias permanecem vivas por tanto tempo, (ás vezes até séculos) e são suportadas por tantas evidências que passam a ser consideradas como fatos, por exemplo, a evolução biológica, que tem 200 anos de evidencias e hoje esta começando a ser vista como um fato e não mais uma teoria. Outras ficam vivas por muito tempo e depois despencam diante de novos paradigmas, por exemplo a teoria da geração, que foi postulada por Anaximandro (610 – 547 a.C.) e que colapsou quando o francês Louis Pasteur (1822 — 1895) demonstrou que só vida gera vida.

Do ponto de vista epistomológico a forma com que a ciência trabalha é fundamental para que nós possamos ver como diferentes seguimentos da nossa sociedade constroem conhecimentos das mais diferentes formas possíveis. Vimos o senso comum (rede de conhecimento criado de acordo com o que vivenciamos em nossa rede social), cuja a resposta mais rápida sem aprofundamento vem de acordo com o que vivenciamos socialmente,  vimos a ciência que é produção de conhecimento pela metodologia científica, podemos ver o mundo através do olhar da arte, ou até mesmo pelo olhar religioso, onde vemos a verdade absoluta através da revelação contida dentro de um livro sagrado, acreditando pela fé. Platão opunha conhecimento a crença. Defendendo que crença é um determinado ponto de vista e conhecimento é a crença verdadeira, porém justificada.

Aqui, neste momento cabe ao filósofo refletir sobre as razões epistemológicas que existem e suportam as crenças ou a verdade, se é que existe uma verdade, e se existe, será que ela pode ser alcançada em toda sua plenitude? Ou a verdade é individual? Por quais meios atingimos o conhecimento?

Scritto per Rossetti Victor.

FONTE: MENDONÇA, A. L O.A & VIDEIRA, A. A. P. REVOLUÇÀO DE KUHN, Ciência hoje, vol 32, n 189 Dezembro de 2002.

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