HISTÓRIA DA FILOSOFIA

Durante milhares de anos o homem buscou muitas explicações para tudo que já ocorreu no mundo. E ainda faz isso, buscando a religião a ciência e tudo o quanto for explicação sobre os fenômenos naturais. Essa busca pelo conhecimento é uma característica muito forte da espécie humana. A curiosidade de saber o que é o cosmo e desvendar mistérios a respeito das diversas formas de vida são datadas de milhares de anos. Explicamos tudo hoje, seja da forma mais formal e racionalista possível ou até mesmo a mais ilusória (dependendo do ponto de vista e da cultura que estamos nos focando). Buscando as respostas da forma mais simples ou mais sofisticada possível.

O misticismo que o espaço oferece é a base pra muitas religiões e crenças do mundo( ver Uma Defesa de Deushttp://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/849051-uma-defesa-de-deus.shtml). Não só o espaço, mas a natureza em si (em breve desenvolverei um texto sobre natureza e o universo, não seria o universo em sua totalidade a natureza e o externo a ele o sobrenatural?). Vale lembrar que na história da humanidade os primeiros deuses eram na verdade as forças da natureza, e os xamãs faziam a ponte entre o mundo físico e o espiritual. Posteriormente quando os humanos começaram a viver em sociedades (Crescente fértil, 10 mil anos), os deuses deixaram de ser forças da natureza e passaram a apresentar características físicas quiméricas, misturando caracteres animais com humanas. Ao longo do tempo foram sendo humanizados, em algumas culturas e permanecem assim até hoje, basta ver o cristianismo, islamismo, judaísmo.

Talvez a primeira tentativa de explicar o que é o cosmo, do que ele é feito e as primeiras idéias sobre as ciências naturais foi dada por Tales de Mileto – Turquia. Sua proposta era estudar o cosmo com o uso da razão e não da religião. Esta etapa inicial dada em 600 a.C. foi decisiva para os personagens da história do homem. Ele acreditava que a matéria era constituída por água, pois poderia se transformar e é parte fundamental da vida. Também acreditava que o mundo estava vivo e as coisas eram governadas por deuses.
Apesar desta afirmação um tanto religiosa, Tales deu início a uma nova etapa na ciência ao dizer que a razão e não a fé, deve explicar os mistérios do mundo. A visão que se tinha de cosmos nessa época era diferente da que temos hoje. Cosmos para nós, hoje, significa espaço, a cosmologia estuda o espaço, a mecânica do universo. Para os gregos cosmos tinha um significado totalmente diferente. Cosmo era algo simétrico, cuja disposição dos elementos conotava simetria, disposição harmônica entre os elementos, onde um elemento estava disposto de forma harmônica em relação ao próximo, e de tão organizado e harmônico se tornava ao mesmo tempo belo, bom de se observar, de se ver e de se apreciar. Tanto que em nossa língua ainda existe um resquício dessa harmonia cosmológica dos gregos, a palavra “ cosmético”, vinculada a beleza.

O discípulo de Tales, Anaximandro (610-546 a.C.) discordava de seu mestre e acreditava que tudo surgia e fluía dentro de uma substância abstrata, o ilimitado. Anaximandro acreditava que tudo estava sempre em transformação. Anaximandro criou o modelo de que a Terra era o centro do universo e era cercada por rodas de carruagem na qual o deus Hélio puxava com seus cavalos. As estrelas e o sol eram o fogo que escapava por furinhos destas rodas. Anaximandro também postulo a geração espontânea ou abiogênese (ver texto História e epistemologia científica)

Anaximandro tinha um discípulo chamado Anaxímenes (585-528 a.C.) e propôs a volta das idéias de Tales. Anaxímenes dizia que ao invés de água, o ar é quem constituía o principal elemento universal. A partir do ar ele poderia ver gotículas de ar sendo formadas. O ar denso da origem ao material duro. Ele propôs que a Terra era circulada por cristais concêntricos e transparentes.

O filósofo Heráclito (540 – 470 a.C.) por volta de 480 a.C na cidade de Éfeso dizia que tudo eram formadas por um

Heráclito de Éfeso

princípio organizador chamado Logos.

Ele afirmava que todas as coisas eram na verdade manifestações de uma unidade da qual o homem fazia parte. De certa forma é coerente, afinal, os átomos compõe toda a matéria, como toda a matéria do Universo. Foi o primeiro filósofo a utilizar o principio da atratividade entre opostos. O principio da ação e reação. Dia e noite, claro escuro, paz guerra e etc. Após Heráclito, Empédocles por volta de 450 a.C foi o primeiro a discordar de todas as propostas e afirmar que tudo era formado pela combinação de Terra fogo água e ar. Ele utilizou a tendência do amor (água e sal) e da discórdia (decomposição), ou melhor, atração e repulsão.

Parmênides (530-460 a.C.) propôs a idéia de que o importante não é a transformação que ocorre no universo, mas sim algo permanecer estável. Os nossos sentidos nos enganam ao perceber a realidade. Tudo que interpretamos como verdade não passa de uma representação sensorial nossa. E de certa forma faz sentido,

Parmenides de Eléia

ou será que interpretaríamos o mundo da mesma forma se não tivessemos olhos? ou se nossos olhos fossem de uma mosca (olhos compostos multifacetados com sistema nervoso formado por pequenos gânglios). Por exemplo, pode ser que para um daltônico, a cor verde é interpretada como vermelho, isso é o que o sistema nervoso dele interpreta. Realidade é algo relativo e muito complicado para ser discutido aqui.

Leucipo (500 a.C.) e Demócrito (460-370 a.C) diziam que a matéria é formada por partículas indivisíveis chamadas átomos. Minúsculas partículas agregadas que enganam nossos sentidos, dando impressão de ser uma única coisa, mas que na verdade é formada por diversos elementos indivisiveis. Os átomos líquidos são arredondados e explica a fluidez dos líquidos.

Até hoje persistem as idéias destes filófosos. Sabemos que existem diversos átomos e que a combinação deles representam os elementos do Universo. Obviamente que novas partículas foram descobertas, neutros, prótons, elétrons e etc.

Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) que nasceu 14 anos antes de Demócrito morrer, era discípulo de Platão.

Aristóteles postulou que a matéria era formada por terra, fogo água e ar e o espaço por éter. Para ele o éter significava a perfeição. Aristóteles, fortemente influenciado por Parmênides construiu argumentos sobre os aspectos do mundo natural, sociedade, física, biologia e ética.

Ele afirmava que a combinações ou decomposição destes elementos geram elementos essenciais, que tudo tem um lugar natural e que se não estiver volta rapidamente em linha reta como as rochas e o solo. O fogo é leve, por isso sobe, a água cai do sol sobre a terra.

Desta forma os filósofos não viam mais o Universo regido por Deus, mas sim um mecanismo de causa e efeito que seguiam princípios lógicos e racionais (embora para nós pareça ser irracional pensar que a chuva caía do Sol, mas foi um passo fundamental, pois foi o inicio de um pensamento desmistificado).

Durante séculos as déias de Platão e Aristóteles foram adaptadas as verdades teológicas. Por um intervalo longo de tempo as descobertas filosóficas foram incorporadas pelas verdades religiosas, criando o sistema geocêntrico, onde a terra é o centro do universo, e tudo que existe nele gira em torno de nosso pequeno planeta.
Nicolau Copérnico (1473-1543) embora ainda que apresentasse bases religiosas fortes acreditava que as idéias aristotélicas deixavam a desejar, propondo o modelo heliocêntrico – o Sol é o centro do cosmo. Uma das contribuições mais importantes na física do espaço foi dada por Kepler e Galileu Galilei.
Os pobres dados de Copérnico levaram Johannes Kepler (1571-1630) a utilizar os dados coletados por Tycho Brahe (1546-1601) um dos mais famosos astrônomos da época e concluiu que os planetas tinham órbitas elípticas (órbitas ovais e não perfeitamente circulares) causadas por uma força chamada magnetismo. Galileu (1564-1642) com seu telescópio contribuiu com os achados de Kepler desvendando as superfícies de outros planetas. Por defender diversas idéias consideradas hereges Galileu quase foi morto pela inquisição. Giordano bruno não teve a mesma sorte e morreu em 17 de fevereiro de 1600.

Sir Isaac Newton

As primeiras idéias sobre o espaço surgem quando Sir Isaac Newton (1643-1727) baseia seu estudo nas idéias de Kepler e Galileu e cria o calculo diferencial integral, criando a física dos corpos – movimento inercial. As idéias de Newton são utilizadas até hoje e muitas delas se aplicam até em unidades biológicas, inclusive a gravidade. Newton descreveu três leis básicas do movimento no espaço: 1) um corpo em movimento inercial permanecerá neste movimento exceto se for perturbado por um agente interno ou externo; 2) a mudança de movimento é dada pela atuação de uma força. A força desse movimento é proporcional a sua aceleração e sua massa é proporcional a sua resistência; 3) cada ação corresponde a uma reação e mesma amplitude ou contrária.

Assim, Newton descarta a idéia de Aristóteles e de René Descartes (1596-1650) de que o cosmo é formado por éter. Entretanto, Newton acreditava que o espaço e o tempo eram absolutos.

Entra em cena então Albert Einstein (1879-1955) que desenvolveu a teoria da relatividade geral e especial. Einstein mostrou que o espaço é formado por três dimensões e a quarta dimensão é o tempo. Theodor Kaluza (1885-1954) tentou ainda mostrar que o espaço teria uma quinta dimensão, a dimensão circular, onde se andássemos em linha reta voltaríamos ao ponto inicial. Einstein permaneceu cético quanto a uma nova dimensão. Ele também mostrou a que o universo pode se curvar. Corpos de grande massa e gravidade distorciam as dimensões do espaço e provocava curvaturas. Então, a geometria do espaço é proporcional a matéria nele existente. Após vieram outros grandes cientistas como Edwin Hubble (1889-1953) que declarou que as nebulosas na realidade eram galáxias. Georges Lemaître (1894-1966) que desenvolveu a teoria da expansão do universo. E talvez o mais recente gênio da história da ciência Stephen Hawkins, discutindo sobre a unificação das leis da física e sua impossibilidade.

Assim sendo, o espaço é um cenário no qual fenômenos naturais ocorrem fluindo num rio que chamamos de tempo no qual muitos organismos no decorrer deste mesmo tempo desenvolveram estratégias evolutivas distintas de como se deslocar dentro destes planos que compõem todo o espaço.

Fonte: Poeira das estrelas. Marcelo Gleiser, Editora Globo. 2006

Scritto per Victor Rossetti.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s