TARTARUGA URBANA

Nas areias branquinhas da Praia de Intermares, um dos cenários cinematográficos da Paraíba, a organização não governamental Associação Guajiru desenvolve um incrível trabalho de preservação das tartarugas marinhas

“Por aqui, já conseguimos auxiliar na desova e conduzir para o mar mais de 93 mil tartaruguinhas. Nossa média de sobrevivência é de 50%, enquanto a média mundial é de 20%”.

Pequena, limpa, segura e cheia de charme, João Pessoa, a capital da Paraíba, tem o seu ponto alto nas exuberantes praias que se espalham pelos 130 quilômetros que integram o seu litoral. Com águas translúcidas e areias branquinhas, cada uma delas apresenta uma beleza diferenciada. A Praia de Intermares não é uma exceção. Situada em Cabedelo, no litoral norte, tem ondas maneiras e é o ponto de encontro de quem gosta de surfar. Mas, mesmo quem não pratica o surfe, vale a pena ir até lá e conhecer o Bar do Surfista. Com um pouquinho de sorte, ali é possível testemunhar o nascimento de centenas de tartaruguinhas. No local, funciona o Projeto Tartarugas Urbanas, da Associação Guajiru, uma ONG criada por Valdi Silva Moreira e pelo casal de biólogos Douglas Zeppelini Filho e Rita Mascarenhas.

Informalmente, o projeto começou em 2001, quando Valdi descobriu vários ninhos de tartaruga na areia. Querendo proteger os ovinhos, porém sem ter nenhum conhecimento sobre o assunto, ele entrou em contato com o Projeto Tamar de Fernando de Noronha. “Não sabia nada sobre as tartarugas. Então, toda hora ligava para lá, pedindo para o pessoal me orientar”, recorda. “Comecei protegendo os ninhos com cercas. Depois disso, nunca mais parei”, conta.

A tarefa não é fácil. A partir de setembro, quando começa o período da desova – sobretudo da tartaruga-de-pente (a mais comum que surge naquelas paisagens, embora por lá também apareçam a verde e a oliva) –, todos os dias às 6 horas, Valdi sai em peregrinação pelas areias em busca de rastros de tartaruga. Após encontrar os ninhos, o primeiro passo é cercá-los, impedindo que os ovinhos sejam pisoteados ou esmagados por bicicletas.

“Em média, uma tartaruga faz de três a cinco ninhos, depositando aproximadamente 150 ovos em cada um deles, num total de cerca de 750 ovinhos. No entanto, infelizmente apenas um filhotinho de cada ninho sobrevive”, diz Valdi. “Geralmente, as tartarugas vivem 100 anos”, acrescenta a bióloga Rita Mascarenhas. “Por aqui, já conseguimos auxiliar na desova e conduzir para o mar mais de 93 mil tartaruguinhas. Nossa média de sobrevivência é de 50%, enquanto a média mundial é de 20%”, orgulha-se ela.

“já conseguimos auxiliar na desova e conduzir para o mar mais de 93 mil tartaruguinhas”

O monitoramento de ninhos e a desova assistida são trabalhos árduos que exigem muito amor e respeito à natureza e uma dose ainda maior de dedicação. Para conseguir fazer a desova assistida, a equipe tem de ficar atenta à eclosão dos ovos, muitas vezes antecipando-a, a fim de impedir que as tartaruguinhas nasçam à noite e caminhem em direção oposta ao mar, rumando para a claridade das luzes da avenida, onde morrem atropeladas.

Sem qualquer apoio governamental ou da iniciativa privada, a ONG sobrevive apenas com o auxílio de uns poucos voluntários e da comercialização de artesanato e camisetas. Apesar disso, de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 11 horas, os biólogos Douglas e Rita se revezam nas aulas gratuitas de educação ambiental ministradas a “crianças” de todas as idades, de 3 a 100 anos. Ao lado de Valdi, eles também dão orientação e refeições a algumas crianças pobres do bairro.

Localizada próxima a uma das regiões mais carentes de João Pessoa, a ONG procura impedir que as crianças do bairro se tornem futuros marginais. “Gostaríamos de poder ajudar um número maior de meninos, mas temos poucos recursos e nenhum apoio financeiro de empresas ou de órgãos governamentais”, afirma Rita. A bióloga acrescenta que ali toda e qualquer ajuda é muito bem-vinda, do trabalho voluntário e doação de livros (no local funciona uma pequena biblioteca), de alimentos e bens em geral até o auxílio financeiro.

Depois de ter testemunhado o trabalho desenvolvido pela ONG (a equipe permanentemente cuida de uma tartaruga – chama- se Olívia – que não pode ser devolvida para o mar porque não sobreviveria), aproveite e desfrute da beleza ao seu redor. Sente-se na areia e grave em sua memória um dos inesquecíveis cartões-postais de João Pessoa: veja o sol banhar as águas do Oceano Atlântico com seus raios rosa, alaranjado e amarelo, tingindo a imensidão do mar que se estende à sua frente de cores multicoloridas. A paisagem é um brinde à natureza e à vida. Simplesmente inesquecível!

Para saber mais

Bar do Surfista:

Praia de Intermares, 10, Cabedelo, www.bardosurfista.blogspot.com.

Projetos Tartarugas Urbanas e SOS Tartarugas:

Tel. para informações e emergências

(83) 9129-7496.

FONTE: Revista Planeta: http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/459/artigo206602-1.htm

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s