1 – BREVE HISTÓRICO DO CRIACIONISMO. SUA ASCENSÃO E QUEDA.

Você conhece a história da criação? Obviamente que sim, mas conhece somente sob a luz da criação.

Ser criacionista é crer que a humanidade, a vida, a Terra e o universo foram criados por um agente sobrenatural. É uma motivação religiosa comumente usada para se referir à rejeição de certos ramos da ciência que propõem idéias, teorias e fatos que estão em desencontro com as verdades absolutas propostas por doutrinas religiosas comportamentalistas. É a tentativa cientifica de acreditar em algo sobrenatural como criador de tudo.

O criacionismo tem como base para seus argumentos o Design inteligente. A idéia de que certas características do universo e dos seres vivos são unicamente explicadas sob a luz de uma causa inteligente, e não por um processo não-direcionado como a seleção natural.

Ele é uma forma tradicional de tentar argumentar teologicamente a existência de um deus, utilizando especificações sobre a natureza e atribuindo isto a identidade do criador. A idéia foi desenvolvida por um grupo de americanos que reformulou o argumento em face à controvérsia da criação vs. evolução para contornar uma decisão judicial americana proibindo o ensino de criacionismo como ciência.

O criacionismo não é considerada uma ciência, e por isso não faz parte da grade curricular nas escolas. Na verdade, todas as idéias da criação são subordinadas a especulações e interpretações tendenciosas de tal forma a contemplar uma suposta divindade, muitas vezes se sujeitando a teorias de conspiração e coisas afim como veremos mais a frente em outros artigos que farão parte desta reportagem.

Sua primeira aparição foi na publicação do livro “Of Pandas and People”, um livro didático de 1989 publicado com a intenção de ser usado em aulas de biologia do ensino médio com afirmações tendenciosas. (para conhece o famoso caso do John Scopes em 1925: http://liberalspace.net/2008/12/14/creacionismo-vs-evolucionismo-na-escola-o-debate-chega-a-grande-imprensa-brasileira/)

William Paley (14 de julho de 1743 – 25 de maio de 1805)

A idéia de um criador universal surgiu com os argumentos do teólogo William Paley, argumentando que a complexidade e adaptações dos seres vivos eram prova da intervenção divina na criação, utilizando a analogia do relojoeiro.

A analogia do relojoeiro consiste na comparação da complexidade da natureza e das peculiaridades dos organismos vivos, com o funcionamento de um relógio. Um relógio, que tem a capacidade de marcar exatamente o nosso tempo é uma estrutura muito complexa, envolvendo, molas, quartzo, baterias e uma série de engrenagens que promovem o movimento preciso dos ponteiros, marcando os segundos, minutos e horas (saiba como um relógio funciona: http://ciencia.hsw.uol.com.br/relogios-de-pendulo.htm). Portanto, para Paley a natureza por si só seria incapaz de criar algo tão sofisticado e preciso, atribuindo assim a sua criação a um projetista sobrenatural.

Obviamente que na época em que essa idéia foi proposta não existia a teoria (e agora comprovada como fato) da evolução, e a única resposta que se tinha a respeito da diversidade biológica era a divindade.

Em 1859, Charles Darwin publicou o livro A origem das espécies e propôs uma solução a esse enigma que não necessitava recorrer a uma entidade sobrenatural, pelo contrário, dentro do nosso mundo natural era possível explicar que essa grande diversidade de formas de vida ocorria devido a evolução, e seu principal mecanismo é a seleção natural.

Tanto é verdade que ao longo dos anos, surgiu a ciência genética, a biologia molecular, os estudos de fósseis, de comportamento e uma infinidade de ferramentas que nos permitiu constatar que a evolução realmente ocorre. Quando raras mutações benéficas no genoma dos organismos ocorrem e trazem uma vantagem na capacidade de sobrevivência em relação a outros organismos, esse organismo tem maiores chances de sobreviver, e portanto passar essa vantagem para a geração seguinte através dos genes mutados. Essas pequenas mudanças aleatórias são acumuladas no DNA dos organismos e ao longo de milhares e milhões de anos de seleção natural não aleatória leva a mudanças drásticas nos indivíduos. De forma simples, os genes mudam (mutações aleatórias) os indivíduos são selecionados não aleatoriamente e adaptam-se, aqueles que não se adaptam são punidos com a morte e podados da arvore da vida. As mudanças ocorrem no nível molecular e a seleção age nos indivíduos que compõem aquela espécie.

Assim Darwin explica de forma natural a grande diversidade de vida que existe hoje, e mesmo que registros fósseis não ocorressem seria ainda sim possível postular a evolução devido as informações que nosso DNA carrega de eventos evolutivos passados, devido a semelhança anatômica, estrutural, comportamental e fisiológica que os animais mais próximos tem (evolutivamente falando). Essas semelhanças o criacionismo não explica, e jamais vai explicar pois não trabalha da mesma forma que a ciência trabalha (veja como a ciência trabalha: https://netnature.wordpress.com/2010/12/28/historia-e-epistemologia-cientifica/).

Scritto per Victor Rossetti

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