DESCOBERTA EVIDÊNCIA TRANSFERÊNCIA DE DNA HUMANO PARA BACTÉRIA. (comentado)

Pesquisadores norte-americanos descobriram pela primeira vez evidências de transferência direta de fragmentos do DNA humano para o genoma da bactéria que provoca a gonorreia, aNeisseria gonorrhoeae. O estudo, publicado nesta segunda-feira, 14, revista mBio, descreve o que parece ser um evento recente da evolução dessa bactéria.

A descoberta sugere que a gonorreia tem a habilidade de adquirir DNA de seu hospedeiro para desenvolver novas cepas de si mesma, mas ainda é incerto se esse evento proporcionou uma vantagem evolutiva para a bactéria, segundo os cientistas.

Cultura de ‘Neisseria gonorrhoeae’, bactéria que provoca a gonorreia

Segundo os pesquisadores, essa descoberta é significativa por mostrar que as espécies podem dar grandes passos evolutivos quando conseguem “pegar” pedaços de DNA de outras espécies. Nesse caso, como a bactéria conseguiu pegar um pedaço do DNA de seu hospedeiro, isso pode ter diversas consequências em relação a quão bem ela pode se adaptar nos humanos.

A transferência de genes foi descoberta quando as sequências genômicas de diversas bactérias foram isoladas e três de 14 desses pedaços isolados continham sequências onde as bases de DNA eram idênticas a um elemento encontrado em humanos. Os pesquisadores sequenciaram esses trechos para confirmar que eram idênticos ao humano. A pesquisa também descobriu que essa sequência humana estava presente em cerca de 11% das culturas de bactérias estudadas.

Os pesquisadores também procuraram DNA humano na bactéria que causa a meningite, a Neisseria meningitidis, por ser muito similar à gonorreia, mas não encontraram nada. O que sugere que esse é um evento evolutivo muito recente. Segundo os pesquisadores, o próximo passo agora é compreender o que esse trecho de DNA humano realiza.

Os cientistas já tinham conhecimento do processo de transferência de DNA ocorrendo entre bactérias diferentes e entre bactérias e células de levedura, mas entre bactérias e DNA humano era um processo ainda desconhecido.

A descoberta oferece informações sobre a evolução da bactéria assim como sua habilidade de continuamente se adaptar e sobreviver em seus hospedeiros humanos. A gonorreia, que é transmitida pelo contato sexual, é uma das doenças mais antigas conhecidas e uma das poucas exclusivamente humanas.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,descoberta-pela-1a-vez-evidencia-transferencia-de-dna-humano-para-bacteria-,679396,0.htm

.

Resenha do autor

Olha que interessante esta reportagem, veja, o primeiro ponto é, existe uma corrida armamentista nesta situação. Uma briga coevolutiva, as bactérias de alguma forma absorvem um fragmento de DNA do homem que lhe permite sobreviver e pressiona  homem seletivamente a melhorar sua forma de defesa, que pressiona seletivamente a bactéria a buscar novas ferramentas de invasão ao homem.

Exemplo clássico de evolução. Agora repare no nome da bactéria que causa a gonorréia Neisseria gonorrhoeae, e depois compare com o nome da bactéria que causa a meningite; Neisseria meningitidis.

Porque os pesquisadores buscaram o mesmo mecanismo na bactéria da meningite?

Pelo simples fato das duas serem espécies próximas entre si, tanto que são do mesmo gênero Neisseria.

Muitos organismos aparentados preservam comportamentos e caracteres comuns porque tiveram o mesmo ancestral. Os cachorros são animais domesticados e dóceis, mas mantém um repertório de comportamento e estruturas anatômicas que ainda os aproximam de um lobo.

Os seres humanos apresentam características muito semelhantes aos chimpanzés, pois tiveram um ancestral em comum. Note que mesmo separados por alguns milhões de anos algumas características, principalmente em sua estrutura social são bem próximo (leia Eu, primata. Frans de Waal). Obviamente que seguimos caminhos evolutivos diferentes, nós falamos com uma persuasão fantástica, os chimpanzés não. Entretanto, os chimpanzés tem uma estrutural genital totalmente diferente da nossa, fruto de um evento evolutivo posterior a separação do mesmo ancestral comum com o homem.

Da mesma forma que chimpanzés compartilham estruturas anatômicas muito semelhantes com os bonobos, eles também tem comportamentos sociais totalmente diferentes, o primeiro resolvendo conflitos sociais com o uso da agressividade e violência para manter o status dentro do grupo, os últimos resolvem as diferenças fazendo sexo ativamente. Um bonobos tem 6 vezes mais relações sexuais do que um chimpanzé, sem contar que o líder do bando é uma fêmea e não um macho como nos chimpanzés.

Exemplos deste tipo a natureza esta cheia. Basta olhar para o grupo dos vertebrados, a inovação evolutiva foi tão significativa, com um valor adaptativo tão alto que se espalhou por todo o globo, por diferentes grupos de animais, inclusive humanos.

Grupo de Vertebrados.

Para um criacionista deve ser difícil explicar porque o projetista faria do homem um vertebrado assim como os outros animais. Porque ele faria grande parte dos animais com a mesma estrutura vertebral? Será que ele não teve imaginação para criar animais sustentados de outra forma ou criaria novas estruturas anatômicas ao invés desta que é única para peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos? Porque Um projetista universal não criou um ser humano de uma forma totalmente diferente da dos animais?

Não sei, mas me parece que a evolução explica isso melhor.

Outro estudo muito interessante fala sobre a migração dos primeiros homens para o resto do mundo que ocorreu a cerca de 50 ou 60 mil anos atrás. É interessante porque os seres humanos e o microorganismo Helicobacter pylori causador das úlceras têm um relacionamento íntimo há 60 mil anos, ele migrou para fora da África a bordo do estômago dos Homo sapiens que deixaram o continente para colonizar o mundo, coevoluindo juntamente à nossa espécie. Para aqueles que ainda tem duvidas do nosso relacionamento com os demais primatas, um estudo genético apresentado no livro O gene de Deus de Dean Hamer, as mudanças genéticas entre dois homens ocorre a cada aproximadamente 1000 pares de bases no DNA. Essa diferença entre humanos e chimpanzés ocorre a cada 100 pares de bases, ou seja, uma frenquencia dez vezes maior.

O que nos faz humanos é a diferença que existe entre homens e chimpanzés, os 1, 2%. Se compararmos o homem e o chimpanzé segundo suas semelhanças veremos que somos muito parecidos, mas se olharmos partindo da diferença temos uma evidêcia mais forte ainda da evolução. Um estudo comparou geneticamente o homem, um chimpanzé e uma galinha.

Em relação as diferenças existentes entre os três genomas foi demonstrado porque nós somos parentes dos outros primatas.

Quando olhamos este 1,2% de diferença estamos vendo o que nos faz humanos e que faz do chimpanzé um chimpanzé, porque a quantidade de mudanças de pares de bases entre eles é 15% maior do que um chimpanzé e uma galinha. Porque?

Montei este esquema para melhor visualizarmos a explicação. A cor amarela representa o que temos em comum com os chimpanzés. O vermelho mostra as diferenças. O bloco vermelho com listras verdes demonstra as diferenças e semelhanças. Coloquei verde como semelhanças e vermelho como diferentes. Veja que há uma diferença muito grande entre homens e chimpanzés. A baixo vemos uma comparação do chimpanzé com uma galinha. Veja que embora sejam bastante distintos, o chimpanzé teria muito mais em comum com a galinha do que com o homem.

Embora só sejamos 1,2% diferentes as mudanças que ocorrem nesses pares de bases são enormes, maiores do que as que diferenciam uma galinha e um chimpanzé. São muitas bases trocadas e em genes cruciais na formação do individuou. Mudanças em genes estruturais, principalmente durante a encefalização, ou seja, embora sejam só 1,2% as mudanças são bastante grandes quando comparada de um chimpanzé e uma galinha, que embora tenha muitas diferenças em seu genoma são mudanças pequenas.

Veja, a diferença entre um homem e um chimpanzé é muito maior do que um chimpanzé e uma galinha. Mas se olharmos pela diferença entre um chimpanzé e uma galinha poderíamos dizer que eles são mais próximos entre si porque a diferença entre os dois é menos significativa, mas é maior porque afeta grande parte da forma com que os genes trabalham, e porque grande parte pode estar localizada em DNA não codificante.

Se mudarmos um par de base de um gene que controla um cluster de genes, mudamos  a forma de criar um organismo. É como se trocamos a parte do cérebro de um maestro responsável por tocar Mozart e colocássemos uma informação de como tocar Singi’ in the Rain de Gene Kelly. Obviamente a canção vai mudar, mas o maestro e os musicistas são os mesmos. Assim ocorre em um gene que controle um cluster de genes, ele muda a forma de rege-los e constrói (ou não) um novo organismo.

Scritto da Rossetti
Palavras chave: Rossetti, humano, bactéria, chimpanzé, criacionismo

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s