EXERCÍCIOS AERÓBICOS AUMENTAM O HIPOCAMPO, MELHORANDO A MEMÓRIA DOS ADULTOS MAIS VELHOS. (comentado)

Novo experimento controlado revela mais sobre como a atividade aeróbica pode ajudar a fortalecer o cérebro

por Katherine Harmon

Muitos estudos associam exercícios físicos a uma melhor saúde cerebral em idades mais avançadas. Agora, um novo experimento revela mais sobre como a atividade aeróbica pode ajudar a fortalecer o cérebro ao reforçar o hipocampo.

Conforme envelhecemos, partes do cérebro tendem a encolher – mesmo na ausência de doenças neurocognitivas como demência ou Alzheimer. A nova pesquisa mostra que pelo menos algumas partes do cérebro podem ser poupadas da atrofia – e até fortalecidas – por meio de atividade física em quantidades relativamente modestas em uma idade mais avançada. As descobertas foram publicadas online no dia 31 de janeiro no Proceedings of the National Academy of Sciences e podem ter implicações na prevenção da deterioração da memória no segmento da população mais velha nos Estados Unidos, que não para de crescer.

O grupo de pesquisadores descobriu que adultos com idade entre 55 e 80 anos que caminharam por 40 minutos três vezes por semana durante um ano, aumentaram o volume do seu hipocampo, a região do cérebro ligada a memória e raciocínio espacial. Os adultos mais velhos designados para uma rotina de alongamentos não apresentaram nenhum aumento do hipocampo.

Os 120 adultos recrutados para o estudo, anteriormente sedentários, ainda não apresentavam demência diagnosticável, mas estavam sofrendo a redução típica do hipocampo associada à idade, conforme ressonâncias magnéticas feitas antes do estudo. “Consideramos que a atrofia do hipocampo em idade mais avançada é quase inevitável”, afirmou Kirk Erickson, um professor de psicologia da University of Pittsburgh e co-autor do novo estudo. “Mas agora demonstramos que mesmo exercício moderado por um ano pode aumentar o tamanho dessa estrutura”.
O crescimento do hipocampo foi modesto, sendo de 2,12% no hipocampo esquerdo e de 1,97% no hipocampo direito, o que efetivamente, em termos de volume, faz o relógio voltar um ou dois anos no tempo. O grupo que apenas fez alongamentos, por outro lado, continuou experimentando a redução em linha com as perdas esperadas associadas à idade, perdendo em média 1,40% e 1,43% do volume dos hipocampos esquerdo e direito, respectivamente.

Quando submetidos a um teste de memória espacial computadorizado, tanto os sujeitos do grupo de caminhada quanto do alongamento melhoraram. Mas aqueles que estavam em melhor forma no início do estudo – e, portanto, também tendiam a ter um hipocampo maior – se saíram melhor nos testes de memória, sugerindo que “o maior volume do hipocampo após a interferência dos exercícios deveria se traduzir em melhor funcionamento da memória”, observaram os pesquisadores responsáveis pelo novo trabalho. E eles de fato descobriram que, para aqueles no grupo da caminhada, o crescimento no hipocampo esteve relacionado a melhores pontuações no teste de memória.

Apesar de descobertas quase diárias a respeito da impressionante plasticidade do cérebro, especialmente sua habilidade de mudar para compensar áreas danificadas, as novas descobertas mostram que, mesmo em idade relativamente avançada, “o cérebro nessa etapa permanece modificável” – mesmo em áreas estruturais chave, afirmou Erickson.

Além do aumento do tamanho do hipocampo, o grupo que fez exercícios aeróbicos também tendeu a ter um nível maior do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro [brain-derived neurotrophic factor] (BDNF), um composto que é associado a um maior hipocampo e melhor memória. Os pesquisadores não observaram nenhuma mudança no tálamo ou no núcleo caudado, duas outras partes do cérebro que estão ligadas ao senso espacial e a memória, respectivamente. Como somente o hipocampo pareceu ser afetado pela rotina de exercícios aeróbicos, os pesquisadores concluíram que a atividade pode agir especificamente em certas vias moleculares para estimular “proliferação celular ou ramificação de dendritos”, eles escreveram.

Os resultados do estudo deveriam ajudar a desenvolver um entendimento mais profundo dos exatos mecanismos biológicos que estão em jogo. As descobertas também sustentam a ideia de que, embora estar em melhor forma desde o início tenha ligação com uma melhor memória, “começar uma rotina de exercícios mais tarde na vida não é inútil, tanto para melhorar a cognição quanto para aumentar o volume do cérebro”, os pesquisadores concluíram. E embora o alongamento possa ser bom para a flexibilidade física e tranqüilidade, os exercícios aeróbicos parecem ser o melhor para a agilidade mental.

Fonte: Scientific american

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Resenha do autor

As vezes sinto saudade de trabalha no laboratório de neurociência da Faculdade de Medicina da USP na Dr Arnaldo. O laboratório do falecido professor Cesar na qual não tive a oportunidade de conhecer, mas que me despertou grande interesse em assuntos ligados a religião e sociedade e claro, a neurociência. Ainda me lembro dos experimentos em ratos utilizando drogas como a pilocarpina, da Gabriela, com auxilio da Dr Ângela e da Juliana. Eu estudava memória espacial, e tive um certo contato com as regiões hipocampais e entorrinais. Portanto este assunto me interessa demais, e como biólogo que sou, vamos começar pela evolução do hipocampo. Embora só rasparei em sua história evolutiva, pois em breve lançarei textos ligados a evolução única e exclusivamente do sistema nervoso central. Vejamos.

Em mamíferos o hipocampo vem sendo estudado desde 1883, desde então, muito se sabe sobre essa estrutura. É uma estrutura neural essencial na memória espacial principalmente pela sua capacidade de modular informações espaciais. Estudar memória espacial não depende só do hipocampo, mas de diversas estruturas, tais como o córtex entorrinal, pois ele faz parte daquilo que chamamos de sistema límbico.

O hipocampo se localizava na região dorsal em relação as proporções cerebrais nos animais mais antigos, e ainda persiste ao longo da história da vida, alcançando os mamíferos mais antigos. Com o surgimento dos primeiros mamíferos de pequeno porte, tais como os ratos e gatos, carregaram junto consigo um cérebro relativamente pequeno e simples. Foi então que hipocampo foi deslocado para a região lateral-posterior-inferior. Provavelmente sofreu esse deslocamento devido ao crescimento exacerbado do neocortex. Em primatas essas evidências são mais nítidas.

A figura representa a circuitaria trissináptica na região hipocampal e do Córtex entorrinal de um rato. Pode-se ver claramente como estão dispostas as fibras musgosas e as colaterais de Schaffer. As fibras musgosas partem das células granulares do giro denteado e projetam seus axônios até a região CA3, onde se encontram com células piramidais. Na porção inferior do lado direito pode-se visualizar a via perfurante (VP), na porção superior pode-se ver as conexão estabelecidas com regiões do manto cortical. Modificado de http://www.iop.kcl.ac.uk/iopweb/blob/downloads/locator/l_622_Neurogenesis.jpg

Acreditasse que, nesse momento da história da vida, que abrange a forma primitiva do hipocampo, tenha surgido uma estrutura no tecido nervoso responsável pelo processamento de informações a ponto de elaborar uma memória espacial. O córtex entorrinal surgiu margeando o hipocampo e mantém-se estável durante milhões de anos em mamíferos, apenas processando as informações ambientais e montando um mapa. Indo mais além, sabemos que o próprio hipocampo esta sujeito a mudanças citoarquitetônicas e estruturais.

Nos mamíferos e principalmente nos primatas e na espécie humana, o córtex entorrinal e o hipocampo se desenvolveu de forma abrupta. Durante milhões de anos o homem foi se desmembrando como pôde diante dos diversos desafios propostos pela natureza dando origem a um ser mais sofisticado e moderno, adquirindo e processando “pistas” e informações fornecidas pelo meio ambiente. A localização de alimento e água, reconhecimento do habitat, ocorrência de forageamento de espécies de um determinado local ou presença de organismos da mesma espécie e de possíveis predadores. Desta forma o córtex entorrinal foi se mantendo íntegro e indispensável para a existência destes indivíduos.

Quanto aos fatores neurotróficos, são proteínas produzidas pelas células do tecido nervoso, que estão presentes em grandes quantidades regulando o crescimento e a maturação dos neurônios, bem como propiciando o padrão adequado das conexões entre estas células, o que permitirá dar condições para o funcionamento normal do tecido nervoso após o nascimento.

O BDNF é um tipo de fator neurotrófico, em geral, essas moléculas favorecem a sobrevida de neurônios submetidos às agressões neurotóxicas (por substâncias químicas) e traumas.

Conclui-se que o BDNF regula moléculas de crescimento neuronal e potencializa sua habilidade de regeneração. O BDNF, liga-se aos receptores TrkB, e ativam proteínas G que favorece uma cascata de eventos bioquímicos permitindo o aumento da atividade de alguns tipos de receptores.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Hipocampo, Atividade física, fatores neurotróficos.

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