O MÉTODO CIENTÍFICO NÃO É MAIS AQUELE? (comentado)

Bem-vindos ao questões da ciência. Para inaugurar este espaço, a proposta é discutir um texto polêmico que aponta vulnerabilidades do método científico e que motivou bastante debate na blogosfera americana. O artigo “The Truth Wears Off” (algo como “A verdade se esvaece”) foi publicado na revista New Yorkerpelo jornalista Jonah Lehrer, conhecido de alguns leitores brasileiros como autor dos livros Proust foi um neurocientistae O momento decisivo.

Imagem – O químico britânico Michael Faraday (1791-1867) retratado em seu laboratório pela artista Harriet Jane Moore.

O artigo está disponível on-line (em inglês). O leitor que chegar ao fim das quase 5 mil palavras será recompensado com reflexões interessantes sobre como os pesquisadores chegam às suas conclusões e sobre como são construídos os consensos científicos que muitos tomam por verdade.

Lehrer apresenta em seu texto estudos cujos resultados entusiasmaram os cientistas num primeiro momento, mas que não puderam ser reproduzidos com sucesso posteriormente. Da psicologia à genética, passando pela física e pela zoologia, os casos reunidos por ele cobrem vários campos da ciência.

O exemplo mais emblemático é o de um conjunto de medicamentos psiquiátricos aprovados após resultados promissores em várias rodadas de testes clínicos e que, anos depois, tiveram sua eficácia sensivelmente reduzida, como se tivessem deixado de funcionar de repente.

Casos como esses preocupam porque contrariam um dos pilares da boa ciência: os resultados obtidos por uma equipe de pesquisadores devem ser passíveis de reprodução em outros laboratórios. Haveria então algo de errado com o método científico, como sugere o subtítulo do artigo de Lehrer?

Efeito de declínio

Em comum, os exemplos citados por Lehrer manifestam aquilo que ele chama de “efeito de declínio”, que poderia ser definido como a tendência de algumas alegações científicas de receberem cada vez menos respaldo pelos resultados experimentais com o passar do tempo.

O autor levanta algumas hipóteses para explicar esse efeito. Em alguns casos, ele poderia ser creditado a uma distorção estatística – se uma amostragem inadequada tiver sido escolhida nos testes iniciais, os resultados animadores não se repetirão à medida que o estudo for replicado em maior escala. Também contribui para a confusão a tendência dos cientistas de só publicarem resultados satisfatórios, relegando ao esquecimento os experimentos fracassados.

Nem todos se satisfizeram com as explicações aventadas por Lehrer. A publicação de seu artigo motivou várias críticas em blogs de ciência. O autor foi acusado de não levar em conta noções básicas de estatística e dar importância demasiada a um fenômeno com o qual os cientistas lidam corriqueiramente, como sugeriu Orac, pseudônimo do médico-blogueiro titular do Respectful Insolence.

“O efeito de declínio é algo que qualquer médico que trabalhe com pesquisa clínica conhece na prática, embora possa não se referir a ele nesses termos”, afirma o blogueiro em um longo post em que refuta os argumentos do artigo de Lehrer.

Já Steven Novella, do blog Neurologica, acusou o autor de agir como os negacionistas da ciência. “Lehrer se refere a aspectos da ciência que os céticos vêm apontando há anos (…) e chega à conclusão niilista de que é difícil provar qualquer coisa e que, em última análise, ‘ainda temos que escolher no que acreditar’”, argumenta ele.

Lehrer rebateu algumas dessas críticas nos sites da New Yorker e da Wired, da qual também é colaborador.

Muitas das reações ao artigo foram um tanto extremas. Talvez seja mais apropriado adotar o tom moderado do blogueiro Matthew Nisbet, do Age of Engagement, que vê no texto uma grande oportunidade para mostrar para o público leigo como funciona a ciência e como são tênues e transitórias as verdades científicas.

“O artigo de Lehrer é um exemplo notável de jornalismo científico de uma tradição que explica realidades complexas sobre a natureza social da prática científica e sobre como as descobertas científicas são relatadas e percebidas pelo público”, argumenta ele.

A discussão é boa. Voltaremos a ela em breve.

FONTE: http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/questoes-da-ciencia/geral/o-metodo-cientifico-nao-e-mais-aquele

Resenha do autor

Eu venho aqui dizendo sobre o que é consenso científico. De fato apontei em um texto aqui como as propostas de mudança climática vem sendo tratadas como verdades absolutas. Nada na ciência é verdade absoluta, há o consenso e dificilmente algo é fato na ciência.

Concordo em certa parte com “Lehrer se refere a aspectos da ciência que os céticos vêm apontando há anos (…) e chega à conclusão niilista de que é difícil provar qualquer coisa e que, em última análise, ‘ainda temos que escolher no que acreditar”

Rene Descartes escreveu o discurso do método, e foi o promissor no ceticismo. O cético não é aquele que duvida de tudo, mas aquele que questiona a essência, o coração, o cerne de algo que é tido como verdade. Eu tomaria até as palavras do filosofo brasileiro Paulo Ghiraldelli coma idéia de desbanalizar o banal.  A ciência desmistificando aquilo que o senso comum tornou banal.

Se Lehrer chega a uma conclusão Niihilista de provar qualquer coisa, e de fato essa conclusão que ele chega é algo que ele escolhe em acreditar. Eu acredito que isso seja necessário, você precisa ter um norte, uma referência, para seguir em frente. Você segue aquele caminho ele pode demonstrar que suas premissas estavam corretas ou dizer “este caminho não da em nada” Ai cabe a você seguir outra proposta ou não.

O fato é que temos de ter uma referencia para seguir em ciência, por isso temos de acreditar em algo, se a ciência vai confirmar ou refutar, basta seguir ate o fim do caminho. Ainda não vejo falhas no método cientifico. Vejo falhas em tornar certas coisas ciência.

A ciência ainda busca respostas sim, não sabemos de fato como ocorreu a origem da vida, se há vida inteligente fora da Terra, se é possível pessoas tem premonições. Também confirmou outras premissas, a Terra gira em torno do Sol, desbancou a idéia de geração espontânea…

Scritto da Rossetti

Palavras chaves: Rossetti, netnature, método científico, ciência, filosofia.

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