ANIMAIS TÊM SENTIMENTOS? (comentado)

Quem tem um cãozinho sabe que não é difícil imaginar que os animais têm sentimentos: eles fazem cara de envergonhados quando lhes damos broncas, caras de dó quando querem ganhar algo, e parecem tristes ou alegres conforme o humor de seus donos.

Mas essas “expressões humanas” realmente querem dizer alguma coisa? Os cientistas foram atrás dessa resposta. Eles acreditam que certas células cerebrais em humanos, chamadas células fusiformes, são responsáveis pelo comportamento social humano e a interação entre pensamentos e sentimentos.

Estudos têm revelado que os cérebros dos chimpanzés, golfinhos e baleias também possuem células fusiformes. Segundo os pesquisadores, esses são animais podem agir como “pessoas”, mas a presença dessas células não significa que eles têm sentimentos.

Experimentos com macacos revelaram um comportamento que parece representar vários impulsos semelhantes a humanos. Em alguns testes, os chimpanzés demonstraram o que parecia ser altruísmo, contribuindo para a sua própria espécie e até mesmo outras espécies, sem a expectativa de uma recompensa. Em estado selvagem, mães chimpanzés já foram observadas carregando seus filhos mortos por semanas, parecendo chorar.

Mesmo os animais que não possuem células fusiformes, como os cães, já demonstraram comportamentos que podem sugerir um “sentido social humano”. Em experimentos recentes, cães puderam seguir o dedo apontado de um ser humano para encontrar um lanche. Os cientistas dizem que isso mostra que os cães são sensíveis a estímulos sociais e humanos, e são capazes de interpretá-los corretamente eles. Ainda assim, isso só prova que os cães sabem como encontrar comida, e não que eles têm sentimentos.

Outros experimentos têm dúvidas de que o comportamento animal pode confiantemente significar um sentimento subjacente. Em um estudo recente, pesquisadores testaram se os “olhares culpados” dos cães estavam ligados ao mau comportamento real.

Os proprietários dos cães mostraram-lhes um lanche, e disseram aos cães para não comê-lo. Os proprietários não foram autorizados a ver se seus animais de estimação tinham comido o lanche ou não, e foram instruídos a repreender os cães que “desobedeceram”. Os pesquisadores observaram que os cães repreendidos mostraram uma cara de culpado, independente de terem ou não feito algo errado.

Isso ilustra a dificuldade de interpretar com precisão o comportamento animal, baseado apenas em marcadores de sentimentos humanos. Um olhar culpado sugere um sentimento de culpa em um ser humano, mas não necessariamente em um cão.

Ou seja, qualquer comportamento dessa forma, que aparente tristeza, empatia, etc, não significa necessariamente que esses sentimentos estão presentes no cérebro dos animais. Isso do ponto de vista científico. Você pode continuar pensando que, sim, o seu cão está sorrindo porque está feliz em vê-lo. [LifesLittleMysteries]

Fonte: http://hypescience.com/animais-tem-sentimentos/comment-page-1/#comment-100408

Resenha do Autor

Porque os animais não teriam sentimentos? Nunca devemos menosprezar os animais, por vários motivos. Ele são seres vivos como nós, alias, temos parentescos com eles, uma evidencia é a capacidade passar características para a próxima geração. Características que muitas vezes são preservadas, não só anatomicamente ou fisiologicamente, mas do ponto de vista comportamental também.

Eu sugiro tr6es livros que tratam esses assuntos. Quando os elefantes choram, um clássico da psicanálise, o livro de Jeffrey Moussaieff Masson é baseado em estudos científicos e trabalhos de campo que trazem histórias escritas por biólogos, etólogos, treinadores e investigadores do comportamento animal revelando a profundidade com que os animais, selvagens ou não demonstram suas emoções em diferentes situações.

Outros dois livros que proponho é Eu, primata e A era da Impatia, ambos de do primatologista Frans de Waal.

Em “Eu, primata” Frans aponta que os descendentes de um primata que existiu há 5 milhões de anos deram origem ao que hoje são três espécies.

Uma estabelece hierarquias sociais com base na força física, é capaz de canibalismo e de organizar-se em bandos para aniquilar grupos rivais, são os chimpanzés.

A segunda espécie vive em sociedades matriarcais em que sexo é boa parte da comunicação – para repartir alegria, mitigar ira, afugentar medo ou porque deu vontade. Eles já foram conhecidos como chimpanzés-pigmeus, hoje são chamados de bonobos.

O terceiro descendente é menos peludo e capaz de façanhas como escrever e ler, o homem. Em capítulos que tratam de poder, sexo, violência e bondade, Frans de Waal mostra o quanto o homem tem em comum com os dois outros primatas. Ao fim da análise, o homem emerge como uma criatura bipolar, que pode ser mais violenta que os chimpanzés e mais gentil que os bonobos. Segundo o autor, a natureza do comportamento e até das emoções do humano devem ser levadas em conta para entender e nortear nossas sociedades.

Eu ainda não tive a oportunidade de ler “A era da Impatia”, mas a sinopse é bastante chamativa.

Em A era da empatia, Frans de Waal promete mostrar como diversos animais, incluindo os seres humanos, foram dotados pela evolução da capacidade de se colocar no lugar do próximo, de se apiedar da dor do vizinho e, em casos extremos, até de salvar-lhe a vida, colocando a própria em risco.
Esse “instinto da compaixão” se choca com a visão tradicional do “gene egoísta” de Richard Dawkins, segundo a qual os animais são programados apenas para satisfazer seus próprios interesses, ou passar seus genes para a próxima geração. Particularmente, creio que as emoções e os sentimentos são fruto da evolução e portanto podem ser apreciado em outros grupos de animais, sendo o mais evidente o grupo dos mamíferos, que é constituído por um neocortex anatomicamente e estrondosamente ligado a processos de sociais. Me lembro dos episódios da National  Geographic onde os presos do estado do Colorado pagam suas penas em solitárias, isolado por outros seres humanos durante décadas. As autoridades crêem que somente assim os presidiários conseguem entender que quem manda são os policias e a punição é passar por estágios de reabilitação em isolamento total. Cada comportamento inadequado faz o preso regredir anos de tratamento e aumenta sua pena na solitária. É comum ver os presos cometerem suicídio, de fato o suicídio é 13% maior nessas cadeias do que nas convencionais. Há muitos relatos de presidiários que depois de liberados tem dificuldade em vida publica, não conseguem se comportar diante de determinadas situações. Os presidiários se tornam mais agressivos. Em suma, a re-socialização não é obtida quando se trata presidiários em isolamento total.

Em a era da empatia Waal toma por base estudos com macacos-prego e chimpanzés, e mostra que o “gene egoísta” não se traduz em indivíduos ou sociedades egoístas. Ao contrário, parece haver, ao longo da evolução, uma tendência à empatia estabelecida há centenas de milhões de anos. Ao se colocar no lugar dos outros, os animais sociais ajudam a construir grupos mais coesos – o que, por sua vez, auxilia sua sobrevivência e tem um valor adaptativo alto. De Waal nos mostra camundongos piedosos, macacos socialistas, cachorros invejosos e chimpanzés que coçam as costas dos outros sem receberem nada em troca. Wall sempre usa casos instigantes, e ao mesmo tempo escreve em uma linguagem acessível e informal.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Emoções, psicanálise, sentimentos

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s