FALHAS NO ARGUMENTO ONTOLÓGICO E COSMOLÓGICO.

O ARGUMENTO ONTOLÓGICO.

O argumento ontológico um argumento utilizado para demonstrar a existência de Deus a priori. O termo a priori são aquelas verdades adquiridas a partir do simples significado que entram nas leis da lógica. O que isso quer dizer?

Que definimos como um quadrado uma figura geométrica que possui 4 lados iguais. Você não precisa mais ver um quadrado para saber o que é um quadrado, pelo simples fato de imaginar uma figura com 4 retas de igual tamanho ligadas você passa a saber o que de fato é um quadrado. Ele existe sem a necessidade de uma situação experimental para vê-lo. A proposição a posteriori são justamente essas, as verdades que só podem ser estabelecidas recorrendo à experimentação.

Mas aqui não estamos trabalhando com verdades absolutas. O absolutismo é algo perigoso e, portanto a experimentação pode nos trazer conhecimento que antes não obtínhamos. Se a experimentação não tivesse sido criada ainda acharíamos que objetos mais pesados chegariam primeiro no solo quando comparada com um objeto mais leve.

O argumento ontológico parte do “Se eu idealizo algo, logo ele existe” no sentido de usar a idealização de algo para provar que ele existe é falacioso. Atenção, não é parecido com a idéia de “Cogito ergo sum” de Decartes. O sentido aqui é a idealização de algo, portanto ela existe. No entido de Descartes ele duvida da própria existência e comprova-a devido o poder que tem de pensar, associando o pensamento a existência. No sentido ontológico, o que idealizei passa a existir porque se idealizei algo supremo perfeito, afinal; como pode ele não existir?

Um projetista é assim. Os criacionistas, por exemplo, nunca o viram, mas ele existe, pelo menos para seus criadores, e veremos por que.

Deus existe a partir da mera análise do conceito de Deus, sem utilizar qualquer evidência com origem na experiência. Portanto, unicamente pela idealização de algo ele se torna existente. Por exemplo, você pode não aceitar, mas o Deus Jaraguá existe. Ele é o Deus que habita a região do Pico do Jaraguá muito antes da chegada dos primeiros bandeirantes aqui em São Paulo.

Porque ele existe? Porque a idealização de um ser cria-o, e toda sua trajetória histórica também, portanto, a partir do momento em que idealizei algo e passei a contextualiza-lo neste texto para que você leia, ele acabou de ser idealizado por você como um Deus que é a principal força motriz daquela região de São Paulo. Você pode não aceita-lo, ou não crer que ele existe, mas ele existe de acordo com o argumento ontológico.

Você nunca o viu, nem mesmo eu o vi, mas ele passou a existir no momento em que eu o criei aqui. Seguindo esta premissa então Deuses existem, o seu Deus existe, embora eu e mais um monte de religião não o aceitemos como o verdadeiro Deus.

Da mesma forma que para os criacionistas o Deus existe, eles tem de aceitar que Allah também existe e o Deus Jaraguá também. Idealizar por idealizar, então eu também crio Deus ou Deuses. Se pensar é existir a priori, sem a necessidade de evidências então eu posso tudo naquele que idealizo.

Para o argumento ideológico nada é impossível, pois a partir do momento que você cogita algo ele passa a existir. Basta pensar que ele existe, mesmo que seja somente uma interpretação da nossa capacidade de imaginar. Desta forma, o mostro do lago Ness existe, unicórnios também, saci também, e toda as criaturas folclóricas do mundo, Bugarus, chupa cabras, alienígenas, políticos honestos e tudo mais.

Desta forma, se no passado houve a destruição de povos que tinham outros deuses e nenhum desses registros históricos foram preservados, então hoje não sabemos da existência destes deuses, portanto, eles morreram para a humanidade.

Um exemplo clássico é a esposa do Deus do monoteísmo. Sim, O Deus do monoteísmo cristão, islâmico e Judeu que foi criado pela antiga tradição hebraica, Jafet tinha uma esposa. Portanto, ela passa a re-existir agora, pois acabei de resgatar essa informação que é desconhecida para os cristão, muçulmanos e judeus.

Para os que não acreditam, eu proponho que conheçam Asera, ou Asherah, a esposa de Deus. A sua descoberta foi feita pela doutora Fracesca Stavrakopoulou, teóloga da universidade de Oxford, basta clicar aqui. Neste momento uma deusa, a esposa de Deus passar a novamente existir, não unicamente porque algum dia um ser humano a idealizou a priori, mas porque a posteriori temos evidências de sua criação.

Obviamente que neste ponto o argumento ontológico passa a ser visto como “algo que me convém” ele não vale para os outros, mas única e exclusivamente para o meu Deus. Os outros não existem, deuses (como Baal) passam a ser visto como demônios, ou pagãos. Existir unicamente por pensar que algo existe pode implicar em confusões quando se tem diferentes culturas com a mesma característica em comum, a capacidade de imaginar coisas que não existem e que passam a existir de acordo com o argumento ontológico.

Desta forma Deus existe, se considerarmos que o argumento ontológico é válido, mas, Deus provavelmente não existe quando refutamos empiricamente, cientificamente e filosoficamente as evidências de sua existência.

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O ARGUMENTO COSMOLÓGICO.

Algumas razões para a existência de um design universal, ou um projetista são facilmente descartadas. Um exemplo clássico, o argumento de que Deus existe porque em quase todas as sociedades as pessoas acreditam nele. A aceitação generalizada de uma crença não é uma boa razão para o aceitar, mesmo porque ha variedades de deuses e seus seguidores negam incessantemente deuses alheios. A ideia de “Maria vai com as outras” não é a viável, assim como a resposta mais rápida geralmente não é a correta e sim o senso comum agindo. Deixando a levianidade de fora e aprofundando no assunto vemos a essência das falhas dos argumentos que sustentam a existência de um Deus.

Aqui deixaremos de lado o argumento ontológico, para mostrar as falhas do argumento de que um projetista universal existe.

O argumento cosmológico geralmente é relacionado a existência de um projetista universal baseado na necessidade Universo ter sido criado por uma causa maior.

Existem três possibilidades. 1) O universo passou a existir por si só; 2) sempre existiu; 3) foi trazido para a existência por alguma força ou ser extremamente poderoso, um designer.

Santo agostinho, quem desenvolveu o argumento cosmológico para a existência de um Deus.

Geralmente o criacionista não acredita que o universo possa ter chegado onde estamos no presente apenas por si mesmo e acabam recorrendo a uma entidade sobrenatural.

Esses argumentos que tentam sustentar a existência de um Deus são chamados de provas cosmológicas da existência de Deus. São argumentos que visam evidenciar que tem de haver uma “primeira causa” de todo o universo.

O principal argumento cosmológico é que tudo acontece por uma causa. Por exemplo, algo que esta em movimento precisou de uma causa para começar a se movimentar. O grande fracasso deste argumento é que tudo que existe no universo não depende unicamente da causa, mas sim da casualidade, ou alguém acredita que tudo que acontece no mundo, a todo momento, acontece segundo uma causa maior? Que a casualidade não existe. Que tudo já foi é milimetricamente criado por um design e nada do que fazemos muda o final.

Vamos olhar para o Big Bang, ou melhor, o vácuo. O vácuo existe porque foi criado por uma causa inteligente? Mas qual a função do vácuo? Se um design é tão inteligente porque ele criaria o vácuo?

A existência do vácuo, não faz sentido sob a perspectiva da religião, afinal, é a ausência de matéria, e porque um design criaria a ausência de matéria que é o oposto da criação?

Cientificamente o vácuo representa muito, graças a experimentação, nele pode estar a resposta para muitas questões. O vácuo não é a ausência de matéria mas sim estado menor de energia, é nele que há a aniquilação da matéria pela antimatéria. Como qualquer aniquilação há a liberação de calor e de energia, que poderia explicar o Big Bang, por exemplo, que não depende de uma causa mas da casualidade. O aleatório esta presente no nosso cotidiano. Ou cada microssegundo da nossa vida é seguido como um filme? Seria nosso destino traçado pelo projetista que aparentemente nos deu o livre arbítrio, mas que na realidade não existe? Só parece que temos o controle de nossos caminhos, quando tudo na verdade já está escrito e nada do que fizermos muda o resultado final. Se for assim, então muita gente que vai a igreja não sabe que já esta condenada ao inferno, pois nada do que fizer vai mudar o resultado final. Se esta escrito no livro da vida que 2 meses antes de você morrer você vai cair no mundo profano novamente e vai perder sua chance da terra prometida, então porque ainda esta indo aos cultos de domingo?

O argumento teleológico também diz que a ordem no universo é característica da existência de um designer. Nada mais é do que o argumento central do criacionismo, ou seja, a idéia do relojoeiro de William Paley, ou a complexidade irredutível, ou a aposta de Pascal. Esses argumentos já discuti aqui e já foi descartado desde Darwin, até comissões científicas que descartaram Michael Behe em 2005 já que nunca foi encontrado um exemplo da complexidade irredutível. Diversas idéias criacionistas já foram descartadas como ciência.

Note que se para tudo existe uma causa, então Deus também deve ter uma causa. Afinal, ele existe, não é? Então de qualquer forma, reascendemos a questão mais quente de Dawkins, a da origem do projetista que criou tudo.

Quem criou Deus? Qual sua causa? Ou seria ele casual?

Vejamos. O tempo sagrado, ou seja, o tempo santo que dedicamos a nossa religião é um tempo de reflexão. Onde deixamos o tempo profano (a cotidianidade e a correria do dia a dia) e nos transcendemos até essa causa maior, o design, que por definição é o tempo e tudo que existe. Lá encontramos a resposta de tudo, a nossa visão se torna externa ao natural, por isso religião se chama religião.

Religião é re-ligação, um reencontro como criador, ou seja, em sua essência é uma manifestação mística, mental e não científica. Basta olhar o criacionismo, que apesar de tentar discutir o que é ciência, no fundo buscam as repostas nas verdades absolutas na morais, nas verdades cientificas, filosóficas e éticas de um único livro.

O argumento cosmológico não responde sobre a existência de Deus, porque Deus é eterno, ou seja, mitologicamente ele é sempre existiu e nunca morre. Não sei se faz sentido aos leitores, mas para mim, algo que não tem origem, não existe. É o principio da alegação especial, ou seja, o argumento cosmológico vale para tudo, esceto para Deus. O que na verdade não passa de uma alegação covarde que reverencia a incapacidade de explicar a origem de Deus.

O universo tem uma ou várias origens, a vida também, até o homem, mas e o projetista? Alegação especial.

O argumento ontológico sim responde a origem do projetista. Apenas uma manifestação da mente, a posteriori. Mas como assim da mente?

E porque não seria? Vejamos esta notícia “Dio? creazione del cervello” ou seja “”Deus, uma criação do cérebro?

Um grupo de cientistas descobriu uma área do cérebro que é ativada durante a meditação. O estudo realizado em San Diego e Carolina do Norte envolve neurologistas e o estudo da epilepsia e alucinógenos, que aparentemente produzem aparições místicas. No Canadá está sendo testado um capacete que estimula o cérebro com ondas magnéticas e as pessoas passam por experiências  espirituais. Nos EUA um grupo de cientistas esta em busca da origem da religião dentro do cérebro. Alguns cientistas americanos sequer chegaram a concluir que Deus é apenas uma criação do cérebro, mas o estudo vem estabelecendo desafios para os teólogos que têm se empenhado em uma batalha com a ciência.

Para Andrew Newborg da Filadélfia e Michael Persinger do Canadá e  outros como eles, essas são evidências fortes de que deus não existe.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, netnature, argumento cosmológico, argumento ontológico, agostinho.


6 thoughts on “FALHAS NO ARGUMENTO ONTOLÓGICO E COSMOLÓGICO.

    • Então mostre o erro, a definição que propõe o argumento ontológico por si só já são desconsideradas por filósofos a anos pelo simples fato de que se trocar a palavra deus por qualquer outra entidade sobrenatural ela funciona do mesmo jeito. Fale com qualquer filosofo de verdade e voce verá os motivos filosóficos que descartam a impossibilidade de existência de deus sob este argumento fraco e derrubado a séculos.
      Se penso em algo sobrenatural a ideia de que deus seja maior do que isso não significa que ele realmente exista. Pensar que algo existe não significa necessariamente que ele exista. Após Anselmo começar a disseminar esse argumento o próprio monge Gaunilo de Marmoutier já descartou a veracidade de tal argumento.
      Não distorça o que foi dito, a frase “Cogito ergo sum” é uma conclusão do Descartes e esta descrito no texto que nao tem nada a ver com minha citação. Descartes duvidou da sua própria existência que filosoficamente é comprovada ao ver que pode pensar e consequentemente ser um ser pensante e que indubitavelmente existe. A idéias do René eram simplesmente para fundamentar o conhecimento humano em bases sólidas e seguras e com isso utilizou o questionamento colocando em duvida todo o conhecimento aceito como correto e verdadeiro inclusive utilizando-se do ceticismo como método.
      O argumento ontológico a priori em sua essencia é a dizer que é um argumento constituído apenas por proposições a priori que constituem algo que pode ser determinado sem recorrer à experiência.
      Pensar em si, significa que idealizar algo significa que ele existe já que acabou de cria-lo em sua concepção pessoal, mostre o que voce pensou existe sob a concepção do material por exemplo? E seja honesto, não distorça o que esta no texto! Erro filosofico esta em voce que não sabe nem descartes!! Vá estudar
      A idéia do penso logo existo tem um foco diferente.

    • Porque todo mundo adora o Craig? rsrsrsrs Sinceramente, se quer discutir essas baboseiras craiguistas, procure um ateu que gosta de perder tempo com ele, não estou aqui pra mostrar que Deus não existe, antes de qualquer coisa que voce diga, a minha briga e contra pessoas que acreditam que criacionismo é ciência. Quando voces se baseiam em teorias de conspiração para o fim do mundo e verdades supostamente científicas por trás da bíblia estão fazendo algo totalmente anticientífico, portanto deve ser rebatido. Se tem birra porque os ateus criticam voces va conversas com o Sottomaior e o ateus do Brasil
      Não to aqui pra ficar pregando ateísmo, estou pra rebater o cristianismo pseudocientífico.

  1. Interessante e esclarecedor o texto aqui postado.Argumentos com esse tipo de fundamentação tendem a incorrer nos sofismas. “Penso logo existo” é diferente de “acredito em algo,logo esse algo existe”,mas como você disse,é parecido.Isso é o que se pode nomear de fronteira de pensamento?

    • Paulo, boa pergunta. Eu não me atrevo além da interpretação do Cogito ergo sum e do argumento ontológico porque a base filósofica tem de ser densa, talvez daria uma tese. A Fronteira do pensamento ou das emoções ou da consciência como fruto da emoção é algo que talvez Jean-Paul Sartre ajudaria. Tem um livreto desse filosofo que é uma teoria para a emoções. É de filosofia e psicanalise, cara é chato pra caramba, mas ele trás a concepção da emoção como mecanismo criador da consciência. A fronteira do pensamento é mais complicado. Alias, o que voce quer dizer com fronteira do pensamento? Como voce a definiria?
      Mas o argumento ontológico parte do principio que se voce pensa em algo perfeito e maior d que tudo, ele existe. e pensamos que deus é a coisa mais perfeita então ele existe, mas para uma teu por exemplo, Deus não é maior, portanto não existiria. O penso logo existo parte da duvida hiporbólica, se penso em algo a partir daquele momento ele passa a existir. Materialmente o saci não existe, é fruto do folclore nacional. Mas passa a existir (obviamente que não materialmente, mas metafisicamente) quando caracterizamos ele, seu comportamento sua anatomia suas peripécias e etc. Alias a palavra perere do saci tem a mesma conotação da perereca (o animal rsrs), ou seja o perere é uma interpretação indígena de “andar aos saltos”.
      Abraço Paulo!!!

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