A ORIGEM DA VIDA: PESQUISADORES CRIAM MOLÉCULA DE RNA AUTO-REPLICANTE. (comentado)

O começo da vida na Terra é um mistério que ainda não foi de todo solucionado. Como realmente surgiram os primeiros “blocos de construção de vida”, como os cientistas o chamam?

Pesquisadores criaram moléculas sintéticas, cópias de material genético, em laboratório. A enzima criada, tC19Z, pode ser uma versão artificial de uma das primeiras enzimas que existiu em nosso planeta há três bilhões de anos, e uma pista de como a própria vida começou. O objetivo da pesquisa é criar moléculas totalmente auto-replicadas de RNA em laboratório.

A teoria dominante de como a vida começou envolve o surgimento de um “auto-replicador”, uma molécula original de vida – um RNA – que pode fazer cópias de outros RNAs, incluindo ele mesmo.

Conforme a evolução avançou, esta molécula auto-replicante deixou de existir, e a maioria dos organismos vivos da Terra passaram a usar o DNA para armazenar suas informações genéticas (com outras enzimas copiando a si mesmas).

A teoria é chamada de “hipótese de mundo de RNA”, e sugere que a vida foi originalmente baseada não no DNA, mas em um produto químico relacionado chamado RNA, que pode transportar informação genética e se dobrar em três dimensões e formas, além de funcionar como uma enzima, o catalisador biológico que acelera determinadas reações químicas.

Como o espaço é cheio de açúcares que formam a ribose, a espinha dorsal do RNA, não há nenhuma razão para o sistema de DNA e RNA, que forma a vida na Terra, ser limitado a nossa biosfera.

Essa teoria dá a entender que o RNA é o que deu à estrutura primitiva celular o catalisador necessário para se tornar vida. Com um universo cheio de açúcar, não há nenhuma razão para que outros mundos (uma das 100 bilhões de galáxias estimadas no universo observável) não tenham evoluído vida com RNA à sua própria maneira original.

Os pesquisadores começaram a estudar uma enzima chamada R18, que pode fazer cópias de outras peças curtas de RNA, embora com erros. Para ampliar esse R18 inicial, o grupo criou 50 milhões de clones, cada um contendo mudanças genéticas aleatórias na sequência de RNA, para em seguida selecionar os com melhor capacidade de cópia de RNA. E, repetindo este processo várias vezes, eles geraram enzimas cada vez mais poderosas.

Até agora, a única cópia conhecida de RNA era a molécula R18, que só podia copiar segmentos de RNA de até 14 “letras”, e só funcionava em certas sequências.

Depois de selecionar todas as mutações benéficas que tinham se acumulado a partir dos experimentos, separar o que era útil e o que não era, e combinar tudo isso em uma única molécula, os pesquisadores criaram a enzima de RNA tC19Z, que funciona como uma auto-replicadora.

A tC19Z é confiável e pode copiar sequências de RNA de até 95 letras, um aumento de sete vezes em relação a R18. Seu desempenho varia de acordo com a sequência que está copiando, mas é muito menos exigente do que a R18.

A tC19Z pode copiar pedaços de RNA que são quase metade do seu tamanho (48%). Para copiar a si mesma, tem que ser capaz de copiar sequências de seu próprio tamanho; e ela já está se aproximando desse objetivo.

A enzima também pode fazer cópias de uma outra enzima RNA, que funciona corretamente. Isso sugere que, uma vez que o primeiro RNA auto-replicante apareceu, ele foi capaz de “agregar equipamentos moleculares”, possibilitando a evolução de vidas mais complexas. [DailyGalaxy]

Fonte: http://hypescience.com/a-origem-da-vida-pesquisadores-criam-molecula-de-rna-auto-replicante/

 .

Resenha do autor

O único comentário que poderia fazer a respeito desta reportagem é que ela por si só não precisa de comentários.

Se em um laboratório foi possível criar essa molécula de RNA auto-replicante, imagine a 3 quase 4 bilhões de anos atrás quando a Terra era (e ainda é) um todo laboratório gigantesco. Bem, correndo o risco de ser leviano vou fazer 2 comentários pertinentes a esta matéria.

O primeiro é facil percepção, quem realmente prestou atenção e leu a reportagem começou prestando atençao no título dela, que diz que os cientistas criaram uma forma de RNA que é auto-replicadora, com clareza voz digo que os cientistas experimentaram a capacidade de autoreplicaçao de uma molécula e não como uma molécula foi criada a 3 ou 4 bilhões de anos atrás. Existe um universo de diferença entre criar uma molécula auto-replicadora e criar a primeira molécula. Ou seja, o RNA embora possa ter sido a molécula responsável pela hereditariedade não desapareceu como os criacionistas acreditam que tenha acontecido. Basta olhar sobre o que estamos discutindo, o RNA que ainda esta presente no dia a dia mas não diretamente ligado a hereditariedade.

O segundo é que se a vida surgiu a 3,5 ou quase 4 bilhoes de anos é bem provável que a Terra tenha se formado um bilhão de anos antes, portanto a 5 ou 4,5 bilhões de anos, sendo fruto de um processo de acreção que se iniciou a alguns milhões de anos. Existiu um intervalo de meio bilhão e um bilhão de anos para a primeira molécula auto-replicadora surgir, este tempo é entre 4,5 bilhões de anos e 3,5 bilhões de anos onde o registro fóssil microscópico revela o fóssil mais antigo de uma célula. Algo bem discutido no X São Paulo Reserch Conferences “Origens da vida” realizado em 2008 no teatro da Faculdade de arquitetura e Urbanismo da USP, onde tive o prazer de conhecer o mexicano Antonio Lazcano ex aluno de doutorado de Stanley Muller.

Sem mais necessidade de comentar, tire você as conclusões.

 Scritto da Rossetti

Palavras chaves: Rossetti, Netnature, RNA, Molécula, Auto-replicação.

2 thoughts on “A ORIGEM DA VIDA: PESQUISADORES CRIAM MOLÉCULA DE RNA AUTO-REPLICANTE. (comentado)

  1. Gostaria de começassem a partir de material abiótico, uma vez que era a única forma de originar a molécula replicante no ambiente esterilizado pelo big bang. Assim a coincidência de um ser vivo com míseros 200.000 nucleotídeos e mais de 325 genes codificadores de proteína surgir de maneira não inteligente me daria um alívio enorme para dar vazão aos meus instintos mais censuráveis. No entanto, como não tenho tanta fé quantos os evolucionistas, não posso acreditar que uma coincidência venha de braços dados com um código (sistema integrado de informações) que armazena e seleciona características hábeis a sobreviver e reproduzir-se nos mais variados biomas.

    • Na sessão Bioquimica e Biopoese do blog há vários textos sobre a origem desses blocos de construção básico.
      Não é preciso ter fé para ser evolucionista. A biologia evolutiva trabalha como qualquer outra ciência, baseando-se em evidencias, experimentação, constatação, teste de inferências, modelos temporários e não dogmáticos.
      A concepção de fé no sentido religioso não se encaixa na concepção de ciência. Se o conceito de fé que vc atribui for o mesmo proposto pelos hebreus ou gregos (Emunah ou pistis) então temos fé para tudo, nao se restringindo somente a esfera teológica. Podemos ter fé que amanha fará sol. Se sua proposta é enxergar a evolução com fé no sentido religioso ela não se encaixa porque fé é a crença sem evidências, e a ciência trabalha com evidências, portanto, não é religiosa ou dogmática.

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