DARWIN ANTES DO DARWINISMO.

Algumas vezes vemos alegações de que Darwin só criou a proposta da seleção natural devido a sua indignação com Deus diante da morte de sua filha, outras afirmam que Darwin não era cientista (embora fosse membro da The Royal Society) e alguns ainda alegam que Darwin era ateu.

Diante destas afirmações é que escrevo este texto dizendo de onde veio a ideia da seleção natural e mostrando que cada uma dessa afirmações são falaciosas e oportunistas.

Retrato retirado do Livro que traz retratos ilustrados de celebridades e políticos (16/05/2011) Foto: Anita Kunz / Taschen

Darwin após passar anos a bordo do Beagle fazendo a viagem cartográfica junto a comandante Fritzroy junto com o naturalista Robert Mackormik foi coletando material de pesquisa em vários locais do mundo, inclusive passando pelo Brasil.

Em uma de suas famosas passagens ele acaba se deparando com tentilhões, aves que se torna símbolo de sua pesquisa e formulação de sua teoria da seleção natural.

Obviamente Darwin não reconheceu os tentilhões como sendo todos parentes de um único tronco em comum embora tenha se deparado com adaptações a alimentação das formas mais variadas, desde trituradores de sementes até caçadores de insetos em cactos, que demanda adaptações muito especificas. A luz desse tronco só veio quando apresentou duas coletas após a volta do Beagle a um ornitólogo do Museu britânico que identificou os animais todos como tentilhões.

Em 1836 quando passou pela Austrália Darwin se perguntava Porque Deus em sua superioridade criaria um local como a Austrália, um país com tamanha diversidade de marsupiais mas que não apresentava peculiaridades climáticas ou geográficas alguma pra suporta-las. De fato, ele fez essas perguntas mas jamais se declarou ateu e é bem provável que neste momento o máximo que um cientista poderia propor é que fosse agnóstico, como seu amigo Thomas Henry Huxley, famoso pelo grande debate entre os biólogos evolucionários e os criacionistas Richard Owen e Samuel Wilbforce).

De volta a Londres, Darwin nunca havia postulado a teoria da evolução, para falar a verdade nem mesmo a proposta da seleção natural havia sido cogitada. Na realidade a ideia da seleção natural veio muito tempo depois da volta do Beagle.

Na verdade durante os dois primeiros anos de analises de dados coletados através de sua viagem Darwin ainda não encontrava uma explicação para a quantidade de espécies variadas existentes no mundo e como elas tinham tantas peculiaridades.

Nos registros de Darwin foram testadas, analisadas e descartadas muitas idéias e teorias. De fato, Darwin procurou respostas em diversos locais, pesquisando desde filósofos, poetas e até economistas.

Uma das idéias que Darwin trabalhou foi a que as espécies surgem com uma duração de vida pré-fixada e percorreu um caminho gradual e desordenado em direção a extinção por competição em um mundo de luta.

Darwin teve uma sacada bastante importante quando leu a obra de Adam Smith On the life and writing of Adam Smith e percebeu a crença básica dos economistas escoceses de que na estrutura social as ações de luta na realidade visam unicamente o êxito reprodutivo. Na visão do estatístico belga Adolf Quetelet encontrou respaldo nas suas idéias ao ver sua afirmações qualitativas reviam a proposta de Thomas Malthus de que a população cresce geometricamente e os recursos alimentares crescem aritmeticamente levando os indivíduos a disputarem a sobrevivência.

De fato Darwin diz em outubro de 1838

…quinze meses depois de eu ter iniciado minha pesquisa sistemática, tive oportunidade de ler a visão de Malthus sobre população e me preparar melhor para apreciar a luta pela existência que havia continuamente observado em toda a parte nos hábitos de animais e plantas e, de repente, me chamou a atenção que em circunstâncias favoráveis há variações que tendem a ser preservadas e as negativas a ser destruídas. O resultado do presente seria a criação de novas espécies. Aqui, então, eu tinha finalmente obtido uma teoria com a qual trabalhar”.

De fato Darwin também encontrou bastante suporte em um cientista social chamado Schweber. A seleção natural surgiu de forma indutiva as coletas que ele fez a bordo do Beagle. De fato Darwin chegou a sua interpretação sob aspectos indutivos e causais. Indutivos porque Darwin trabalhou empiricamente, ou seja com aspectos observacionais em sua viagem e por acumular pacientemente informações a respeito dos locais onde visitou.

Outros evolucionistas tentaram sobre outros meios tentativas falhas de explicar o que Darwin explicou, geralmente baseando-se em tendências de aperfeiçoamento interno e direcionamento tendenciosos. Darwin obviamente cometeu alguns pequenos deslizes em suas afirmações, pois ao tinha recursos que hoje temos. Infelizmente Darwin não conheceu o trabalho de Mendel embora parece que há registros históricos dizendo que ele sabia que havia uma pessoa fazendo experimentos com ervilhas. Mas Darwin não sabia como as características eram passadas para a geração seguinte, ele apenas sabia que a seleção natural tenderia a favorecer aqueles indivíduos mais aptos. E esses indivíduos tendem a passar suas características a próxima geração de uma forma na qual ele não saberia e que só foi descoberta (ou redescoberta) em 1900 com os botânicos K. Correns da Alemanha, E. Tschermak da Áustria e H. de Vries.

1 Lei de Mendel

A teoria de Darwin sobre a seleção natural foi brilhante até onde pôde, mas logo se chocou contra um obstáculo sério. Segundo as observações de Darwin, as características pessoais são passadas dos pais para sua prole em medidas iguais: dessa maneira, uma mãe inteligente e um pai estúpido produziriam filhos de inteligência mediana. Isso colocou um problema para a seleção natural. Pois ainda que um indivíduo “superior” aparecesse em uma espécie, essa característica superior seria gradualmente diluída através da reprodução.

Darwin, entretanto, havia suposto que as mudanças evolucionárias aconteciam gradualmente; essa hipótese logo foi provada falsa. William Bateson, na Inglaterra, e Hugo de Vries, na Holanda, descobriram que as espécies parecem evoluir em passos bruscos e descontínuos, chamados por de Vries, em 1900, de mutações.

Por sete anos, de 1856 a 1863, Mendel cruzou e produziu híbridos de plantas com características distintas – plantas altas com plantas anãs, ervilhas amarelas com ervilhas verdes e assim por diante. Ele observou com surpresa que tais características não são diluídas nem resultam em meio-termo, mas se mantêm distintas: a prole híbrida de uma planta alta e de uma anã era sempre alto, não de tamanho médio.

Quando Mendel misturava os híbridos altos, a geração seguinte retinha as características distintivas encontradas nas plantas “avós”: a maioria era alta, porém mais ou menos um quarto delas eram anãs. Da mesma forma, a terceira geração de plantas do cruzamento amarelo/verde eram 75 por cento amarelas e 25 por cento verdes.

2 Lei de Mendel

Mendel logo deduziu a matemática por trás desse fenômeno. Tanto plantas como os mamíferos, têm dois pais e cada um aparentemente contribui com características para as gerações subseqüentes. Portanto, embora a característica de tamanho pequeno possa desaparecer na segunda geração, ela vai aparecer em alguns indivíduos da terceira; dessa maneira, a segunda geração (híbridos altos) deve ainda conter “instruções” para produzir indivíduos pequenos.

Mendel chamou isso de lei da segregação onde as características herdadas são passadas igualmente por cada um dos pais, e, em vez de se misturarem, elas se mantêm separadas, algumas expressas e outras não. Isto é, cada uma das características é gerada por um par de instruções.

De acordo com essa lei existe também a lei da variação independente de Mendel, a contribuição de cada pai com um fator é algo governado pelas leis da probabilidade – fatores dominantes não têm maior probabilidade de serem passados adiante do que os recessivos. As características herdadas também são independentes, ou seja,  as instruções para altura não têm nada a ver com as instruções para a cor. (para saber mais sobre as ervilhas:

Desta forma nasce a Síntese Neodarwiniana (ou  Neodarwinismo ou ainda Síntese evolutiva moderna) que suportou a proposta de Darwin e vem ganhando força sob os aspectos moleculares com o surgimento da biologia molecular em 1953 e corroborada por evidencias fossilíferas desde antes mesmo de Darwin.

Portanto, Darwin não era ateu (até onde se sabe) embora sua tese tenha dado uma reposta puramente naturalista e materialista. Além disso todo seu trabalho foi baseado em observações e coleta de dados como característico de uma ciência verdadeira, e Darwin não baseou sua teoria em uma afronta a Deus sob a suspeita da morte de sua filha e sim sob aspectos científicos, o que torna Darwin um cientista como Einstein. Note que assim como Darwin falhou em alguns pontos de sua tese Einstein também, afinal as leis da física de Einstein parecem atuar de forma diferente em escalas microscópicas e macroscópicas, evidenciadas pelos físicos que ainda hoje buscam unificar as leis da física

Victor Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Darwin, Beagle, Evolução.

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