REDES NEURAIS.

De um modo geral, os primeiros mamíferos se apresentavam pequenos, como os ratos, gatos e junto consigo carregando um cérebro relativamente pequeno. Isso ocorreu porque eles eram oprimidos pela presença de grandes bestas no Triássico e no Cretáceo

O hipocampo esta localizado na região dorsal em relação as proporções cerebrais, e ainda persiste muito tempo ao longa da história da vida, alcançando até os mamíferos mais antigos. Eles só foram deslocados lateralmente e inferiormente após o desenvolvimento do córtex. Assim como as amígdalas além de expressarem emoções começaram a apresentar comportamentos de luta e fuga, alerta e vegetativas diante de certas situações que os animais se encontravam e que favoreceram a sobrevivência. Então a partir desse ponto a evolução veio favorecendo o desenvolvimento de um novo córtex cada vez maior e mais conectado de forma direta ou indireta a quase todas as funções do corpo.

Entre estes mamíferos pode ser observado claramente o desenvolvimento do neocortex

Esse neocortex começou a se modificar a aproximadamente 230 milhões de anos e permitiu uma especialização fenomenal dos sentidos. A complexidade desses sentidos foi ganhando proporções corticais e se tornando cada vez mais refinadas. Diante dessa nova situação o sistema nervoso central precisava modular todas essas informações, o que desencadeou o surgimento do tálamo, localizado logo acima do hipotálamo.

Então o desenvolvimento do tálamo foi acompanhando o crescimento dos hemisférios cerebrais justamente por essas estruturas estarem intimamente ligadas. O tálamo adquire a função de receber as informações de forma discriminada por meio de vias específicas e que terminam em núcleos talâmicos distintos e já possibilita que ocorram percepções também em parte discriminadas em nível subcortical, deixando para o córtex a execução de um papel mais analítico, modulador e integrador com outras áreas corticais.

Interessante é notar que em alguns estudos de citoarquitetura sugerem que os córtices mais antigos, constituídos pelo arquicórtex (hipocampo) e pelo paleocortex (córtex piriforme ou olfatório) dos répteis primitivos originaram ao seu redor um córtex intermediário que posteriormente gerou um primeiro anel concêntrico constituído por um córtex mais diferenciado em seis camadas.

Os primeiros sulcos que surgem na superfície cerebral ao longo da filogênese são os sulcos hipocampais. Diante desses novos passos evolutivos começou a surgir novos tratos que ligavam o tálamo a diferentes pontos do córtex ligando diferentes núcleos dentro do sistema nervoso.

Os primeiros primatas surgiram no Eoceno, a aproximadamente 60 milhões. Na África os primatas que permaneceram nas florestas deram origem aos gorilas, orangotango e chimpanzé. Os primatas que foram para as savanas africanas deram origem aos nossos ancestrais. Durante o desenvolvimento dos primatas ocorre um aumento expressivo do córtex principalmente dos sentidos mais usados. A integração dos dois olhos para formação da imagem foi essencial para ter noção de profundidade, caracterizando uma visão binocular tridimensional. O lobo frontal é responsável por diversas funções como tomada de decisão, expressão artística, expressão emocional, controle motor e como veremos agora, o controle da linguagem.

Os estímulos visuais e sensoriais de uma forma geral permitem constantemente uma remodelação do volume cortical, permitindo que ele aumentasse e favorecesse mudanças no corpo caloso por exemplo. Um feixe de fibras que ligam os dois hemisférios. Quanto ao lobo frontal é interessante notar que em geral ele ocupa cerca de 36,3% da superfície cortical, 30,5% nos primatas, 21,4% no gibão. O volume do lobo frontal no homem corresponde a cerca de 38,3% de um total, 39%em chimpanzés. Algunsestudos afirmam que o lobo frontal não só dos humanos, mas entre os primatas em geral é relativamente mais largo, cada um se alargou de acordo com os eventos evolutivos que enfrentaram. Esses estudos também sustentam a visão proposta pela evolução humana de que o homem tem semelhanças muito grandes com os outros primatas. Essas semelhanças não se restringem unicamente a genética e a anatomia mas durante o desenvolvimento embrionário, proporções cerebrais e ao nível citoarquitetônico também.

O aumento cerebral do humano e sua ligação com o desenvolvimento da fala esta ligado a sua jornada evolutiva. Além disso, diversos eventos genéticos podem ter-lo moldado durante os últimos milhões de anos. Se olharmos em outros primatas perceberemos ver que o lobo frontal dos orangotangos são relativamente menores que o dos chimpanzés, mostrando grandes diferenças no volume.

Pesquisadores utilizam cálculos do tamanho do cérebro em relação a massa corpórea para ter uma idéia sobre o grau de inteligência dos primatas extintos. Os cérebros largos não representam apenas versões grandes de cérebros pequenos, existe uma interação muito intensa entre os neurônios com o ambiente na qual se vive. Essa plasticidade é o que confere a sobrevivência. A evolução das espécies pode ser vista de forma clara quando se analisa a relação neurológica que existe com o ambiente que você vive.

Uma prova muito importante para a evolução é que é muito difícil encontrar uma mamífero na Terra que apresente seu encéfalo simples ou que assegure as características básicas de um sistema nervoso simples. Isso mostra de forma clara a interação que existe em nosso corpo e o local onde vivemos ou os hábitos que adotamos. Ao nos tornarmos bípedes durante nosso desenvolvimento humano (e não evolutivo) depois que deixamos de engatinhar, nosso cérebro perde uma quantidade enorme de neurônios.

O único animal que conhecemos que tem um sistema nervoso simples, com células pouco diferenciadas, camadas pouco diferenciadas é o Tenrec. O córtex dos terrencideos  é dividido em pequenas áreas. Apresentam um córtex somato-sensorial ligado a uma ou algumas áreas olfatórias e córtex visual primário e secundário. Sua arquitetura é simples quando comparada com o homem, por exemplo, que tem mais de 20 áreas do cérebro associadas de forma direta ou indireta ao processamento de estímulos visuais distribuídos em mais de 300 circuitarias diferentes. O importante é que o Tenrec apresenta um típico cérebro mamíferos.

Este primeiro animal simpático é o Tenrec, apresenta o sistema nervoso mais simples dentre os mamíferos primatas. O segundo é um Galago, os olhos indicam um aparente comportamento noturno.

Os primatas apresentam os cérebros mais largos que os outros mamíferos em geral porque usufruem mais e são mais dependentes do sistema visual. Os primeiros primatas foram noturnos, semelhantes aos Társios, Lóris e Lêmures. Isso garante a sobrevivência deles durante a noite diante de diversos predadores. Outro animal que representa uma importância evolutiva é o Gálago. Apesar de mais sofisticado também é simples quando comparado com os mamíferos atuais, sua importância evolutiva se dá pelo fato de apresentarem características cerebrais encontradas em prossimios e antropóides. Alguns experimentos realizados com primatas e homem chegaram a conclusão que o processamento da informação visual é distribuído de maneiras diferentes nos homens e primatas.

Apesar da proximidade com os humanos os primatas apresentam diferentes aspectos que fazem parte de histórias evolutivas diferentes, mas com um ancestral em comum.

Os antropóides além de apresentarem o cérebro relativamente grande em relação ao corpo, também apresentam os olhos relativamente grandes. Nós antropóides (gorilas, chimpanzés, bonobos, orangotangos, gibões e humanos) apresentamos uma área cortical ligada ao processamento de informação visual muito maior que os mamíferosem geral. Aalta acuidade visual dos antropóides ocorre graças a mudança de habito noturno para diurno. Isso possibilitou enxergar muito bem graças as pequenas pupilas que focam muito bem, que também aumentou a capacidade de focar objetos mais profundos. O importante foi que ao alargar os olhos o número de fotorreceptores aumentou permitindo uma visão lateralizada mais aguçada. O surgimento dos antropóides ocorreu graças ao desenvolvimento dos olhos e de suas circuitarias envolvidas no processamento.

Os inputs visuais que os antropóides receberam e continuam a receber moldaram a circuitaria neuronal responsável pelo processamento das informações, assim como o número de células gânglionares presentes nos olhos e que fazem parte dessa circuitaria tão intrincada. Outro fator importantíssimo a ser levado em consideração que possibilitou a “encefalização” dos primatas foi a dieta, principalmente no que diz respeito aos carnívoros, além do estilo de sociedade que eles estabelecem entre si, fatores ecológicos também entram nesse contexto. Certa vez li um artigo muito interessante demonstrando como uma corrida armamentista demonstrando que na Costa do Marfim primatas da floresta de Taï sofriam pressões seletivas graças ao ataque de leopardos (Panthera pardus).

No entanto o interessante é que era uma corrida armamentista envolvendo quatro animais, o leopardo que caçava chimpanzés que por sua vez se alimentava de 8 espécies de macacos que também serviam de alimento para os leopardos, além da presença de águias Stephanoaetus coronatus. Em situações ecológicas como esta de grande quantidade de predadores é notável que aqueles mais aptos sobrevivam, e aptidão neste caso deve ser uma boa acuidade visual e boas estratégias de fuga.   As áreas visuais corticais dos macacos Saimiri, Aotus, Callithrix e Galago representam cerca de 30 a 40% do encéfalo, sendo que a área do neocortex em primatas pode variar muito, tendo uma média de 41 a 80% do total do encéfalo. Existem algumas exceções como por exemplo, a Macaca mulatta que corresponde a 39%.

É muito importante reconhecer que dependendo do primata o volume encefálico aumentou de 3 a4 vezes em apenas 6 milhões de anos.  Este aumento se deu mais às custas de conexões do que de neurônios, essas conexão ocorreram sejam próximos ou distantes entre si. Na evolução da espécie humana as mudanças oronasofaríngeas necessárias para a emissão de sons em particular foram também possibilitadas e desencadeadas pela adoção da postura ereta (para saber mais sobre a fisiologia e evolução da fala em humanos e a desbanalização da visão reducionista de primatas e macacos veja A VISÃO REDUCIONISTA DA EVOLUÇÃO HUMANA. FALANDO SOBRE A FALA. – https://netnature.wordpress.com/2011/05/17/a-visao-reducionista-da-evolucao-humana-falando-sobre-a-fala/).

Desta forma o homem pode adquirir a linguagem. As vias neurais para a linguagem são várias, comumente dizemos que é a área de Wernick e Broca. A área de Broca oferece toda a circuitaria neural para a formação das palavras, nesse local o plano e padrões motores para a execução de palavras individuais ou de sentenças é elaborado. Está área se localiza no córtex frontal, mas se projeta para á área de Wernick, responsável pela modulação de aspectos intelectuais importantes principalmente na compreensão da linguagem escrita, dando sentidos a sequencia de palavras. Trabalha associado a estímulos auditivos, físicos e visuais. Ambas as área não funcionariam se não fossem algumas áreas de associação que dão suporte a suas funções principais.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Sistema nervoso, Córtex, Hipocampo.

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Veja também

PRIMORDIOS NEURAIS – https://netnature.wordpress.com/2011/05/25/primordios-neurais/

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