O PESSIMISMO HUMANO É A RAZÃO EXISTENCIAL DO MAL METAFÍSICO.

O ser humano é essencialmente pessimista. Isso é evidente em frases de filosofia de fundo de quintal como “Para que o mal prevaleça, basta que o bem não faça nada!”.

Voltando a África, no momento em que a consciência surge (com a percepção de nossos atos e conseqüências) e percebemos que nossos pais, amigos e semelhantes ao redor morrem, percebemos que também vamos morrer. Obviamente que para não ficarmos paralisados, pensando nesta verdade absoluta criamos mecanismos psicológicos que desviam nossa atenção do “Você pode morrer no próximo minuto” para o “Vamos buscar o amor e a felicidade” ou “Essa vida passa, mas a vida eterna recheada de felicidade e amor me espera no segundo plano”.

O dia em que o primeiro espertalhão passou a perna no primeiro bocó, surgiu o primeiro deus. Obviamente que não antropomorfizados mas animalizados. Quando éramos xamanistas nossos deuses eram forças naturais, quando as primeiras civilizações surgiram nossos deuses eram quiméricos, meio animal meio homem e quando nos tornamos modernos o(s) Deus(es) viraram homens de verdade. Qual o próximo passo, um Deus Celeron dual core?

O pessimismo humano baseia-se nessa necessidade incessante de respostas e razão para suprimir o vazio existencial. Daí, recorremos ao pai castrado onisciente.

O ser humano é essencialmente pessimista, basta olhar o foco de atenção das pessoas, os grandes índices de audiência de jornalecos que mostram as desgraças diárias (repetitivas cotidianamente). Nosso foco de atenção sempre é a desgraça alheia que obviamente nos serve de referência para evitar passar por tal situação.

Nessa premissa nos focamos em motoqueiros atropelados, assassinatos, serial killer, seqüestro, fim do mundo e uma infinidade de desgraças desde as comuns as mais impossíveis.

Não estou dizendo que essas situações não ocorrem, ainda mais numa sociedade falida como a nossa. Onde a ausência de trabalho e o baixo grau de educação geram situações de subsistência.

O caso é que essas anormalidades são fatores de controle populacional, desde a morte em acidentes de transito, Tsunamis até a velhice. Todos nós quanto mais tempo vivemos mais corremos o risco de contrair doenças da idade, Alzheimer, câncer e outras patologias geriátricas e gerontológicas.

Assim, o mal que vemos no assalto e nos seqüestros é o que religiosamente são chamados de mal moral. De fato, um assaltante acaba sobressaltando o valor do objeto roubado do que a questão da justiça, que é manter o objeto (roubado) em posse de seu dono, que trabalhou e fez horas extras para comprar. De fato, isso é um problema social que vem carregado com outras situações como o tráfico de narcos e assaltos a corporativas. Não há nada de satânico nesses atos, e sim uma conduta anti-social que sempre que vemos na TV, alguém que foi roubado ou que levou um tiro porque se recusou a dar os seus ricos dez reais do bolso.

Cansei de ser assaltado, principalmente no dia em que enfiaram um 38 de cano cromado na minha cabeça acompanhado da doce frase “Perdeu Perdeu”.

Até hoje atribuo isso a uma falha social e não uma manifestação do mal metafísico atingindo minha pessoa socialmente. A questão chave da humanidade, a causa ou o efeito?

O mal metafísico é o mal inalcançável a nós (só pode ser atingido e morto por um deus), mas se manifesta no nosso cotidiano induzindo as pessoas a cometerem o mal moral segundo as tradições religiosas mais recentes.

A interpretação que se dá a isso é que Lúcifer é um brincalhão e fanfarrão semelhante ao sádico Loki, o deus da mitologia nórdica. Loki é o deus do fogo, da trapaça e da travessura, também está ligado à magia e pode assumir formas de vários animais. É significativamente representado no filme e no desenho The Mask (em português o engraçadíssimo O Máscara interpretado por Jim Carrey).

Loki, o deus da travessura.

Segundo a mitologia judaica-cristã Lúcifer é o mal metafísico que se manifesta nas pessoas de cabeça fraca invertendo os valores sociais, o roubo como um fator acima da justiça e da conduta de bem estar da social.

Mas qual é a função de Lúcifer?

Qualquer cristão diria que é roubar matar e destruir. Essa pergunta não deve ser respondida com base na teologia cristã, mas sim sob a perspectiva psicológica e histórica que suporta a evidencia de um deus. Vejamos como soaria a mesma pergunta no caso de inversão dos papéis.

Qual é a função de Deus? ou, Para que serve Deus?

Se você pensou que Deus é amor, é luz e o caminho para a verdade você não respondeu como um historiador ou psicólogo e sim como um crente (aquele que crê ou segue uma crença que é uma condição psicológica que se define pela sensação de convicção dada pela fé relativa a uma determinada idéia).

O que quero dizer quando exponho a idéia da função de Deus é que estou dizendo que quando mais convicção a pessoa tem em seu Deus maior é o grau de adoração dela em relação a Lúcifer.

Deus só tem uma função porque o demônio existe (ou porque o criamos).

Se não houvesse Hades o inferno, o fogo eterno e as maiores dores possíveis e impensáveis por qual motivo eu adoraria a Deus?

Segundo este princípio, duas forças complementares compõem tudo que existe, e do equilíbrio dinâmico entre elas surge todo movimento e mutação. Essas forças são: Yang: o princípio ativo, diurno, luminoso, quente. Yin: o princípio passivo, noturno, escuro, frio.

Se eu vejo o mal moral como sendo uma manifestação física ou social do mal metafísico estou me focando no mal para me dirigir ao bem (Yin-Yang). Desta forma a verdadeira adoração do ser humano não é Deus e sim o mal ou mau, ou Lúcifer, Hades, Satã (do hebreu inimigo) Leviatã ou humoristicamente conhecido como capiroto.

O mal suporta a crença em uma divindade e dá razões (intolerantes) para seguir o lado bom, mesmo que para isso seja necessário desconsiderar que o mal ou o bom seja relativo culturalmente.

Porque as razões são intolerantes? Porque você deve crer e perder o benefício da dúvida, do questionamento. Abandone a dúvida mundana e se torne um positivista, doutrinado, alienado e comportamentalista. Uma alma enlatada ao reino dos céus.

O batismo é um ritual de passagem, de separação da vida mundana ou imunda a uma vida consagrada, santa de comunhão com um deus, ou seja, a sua vida agora passa a ser vivida com a finalidade de buscar a eternidade ao lado do pai metafísico, longe do pai castrado de Freud.

Vejamos um exemplo clássico no próprio filme chamado O ritual cujo Anthony Hopkins interpreta magnificamente o padre Lucas possuído por Baal (que sob a mitologia cristã é um demônio e sob a perspectiva hebraica era um deus do mesmo panteão do Deus [Jafet ou Yameh] dos cristãos de hoje).

Quando Baal possuindo a Lucas enquadra o padre Michael Novak na parede e pergunta se ele agora acreditava no demônio. O pobre e fraco capelão então responde que acredita e quando parece que o jovem padre será possuído ele simplismente racionaliza:

 “Sim acredito no demônio, portanto acredito em Deus e o aceito…”

 Veja que o padre aceita a Deus como verdade absoluta somente quando ele percebe que o demônio existe. Primeiro, existe um raciocínio lógico por trás disso. Ele racionalmente pensou e por definição acreditou. O que ele tomou como evidência da existência de deus? O demônio.

Sob esta perspectiva é evidente que a grande maioria dos casos de possessão demoníaca seja na verdade manifestações psicopatológicas (POSSESSÃO DEMONÍACA OU DO ESPÍRITO SANTO? TANTO FAZ. – https://netnature.wordpress.com/2011/04/20/possessao-demoniaca-ou-do-espirito-santo-tanto-faz/) ao invés de problemas espirituais. Sob essa perspectiva a igreja católica trabalha de uma maneira melhor considerando que um caso só pode ser definido como possessão quando todas as explicações científicas foram descartadas.

A Ufologia também trabalha assim, entretanto em 90% dos casos as aparições são na verdade eventos naturais e explicados pela ciência. Não significa que os outros 10% seja casos de discos voadores, mas podem ser eventos astronômicos e naturais ainda não descritos pela ciência. Considerando que há diversas fontes emissoras e receptoras de sinais do espaço que buscam justamente encontrar vida extraterrestre inteligente e que nunca receberam um sinal padronizado podemos dizer que até agora com segurança que não há seres intelectualmente superiores a nós em nenhum dos quatro cantos do universo (e outras propostas que suportam isto também mas que não vem ao caso pois foge da discussão).

Sob a perspectiva da igreja evangélica que tem fama de exorcizar pessoas com muito mais freqüência o caso parece seguir para o mesmo caminho.

O grande fato é que o caminho que usamos para a adoração de um deus em particular é o espelho de nosso medo e portanto nosso foco de vida no maléfico, no mal moral fruto da suposta manifestação do mal metafísico.

Sob este ponto de vista o mal sempre vai existir, portanto sempre haverá motivos para se acreditar mais e mais em um deus para nos salvar das mortes do transito, das desgraças escatológicas e apologéticas, da injustiça e do nosso mal interno e nos premiar com o reforço positivo e/ou condicionamento clássico Pavloviano do reino dos céus. Uma esquizofrenia social/coletiva chamada paraíso e inferno, bom e mal, Deus e demônio.

Os demônios que assombram nosso cotidiano são frutos de nossa imaginação e da nossa falta de responsabilidade, incompetência e de uma infinidade de falhas humanas que causam problemas físicos e não metafísicos.

A razão para ser bom não precisa ser espelhada na presença do mal ou do bem. Existe a falácia de que somente o crente é moralmente correto. Nem Analectos de Confúcio (Kung-Fu-Tsu) alcança a moralidade em sua plenitude, porque o modelo cristocentrico alcançaria?

A crença de que fazer o bem leva ao prêmio máximo, a bolada da mega sena de viver no céu com a felicidade eterna é a busca incessante por merecer o melhor. Essa ilusão ou utopia vem mascarada em documentários podres como The secret. A felicidade e o amor são distrações para fugir do motivo máximo de nossa existência e a certeza absoluta da morte. Essa busca incessante pelo merecimento do melhor não é a busca pela excelência na moralidade, isso se chama narcisismo.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Morte, Mal, Metafísica, Pessimismo.

One thought on “O PESSIMISMO HUMANO É A RAZÃO EXISTENCIAL DO MAL METAFÍSICO.

  1. Nascer do Seio Real da Pureza em Meio Há tantas Impurezas a Senhora do Senhor Realeza do Seu Ventre Materno Minha Rainha Me Faz Princesa Criatura Pequenina è O que Sou Eu E a dor Vinda Do Ventre da Senhora Minha Criatura Pequenina É o Que Sou Eu E Amor Bianca Viveiros

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