DEFINIÇÕES SOBRE CIÊNCIA E RELIGIÃO. CONCEITOS BÁSICOS PARA UMA DISCUSSÃO INTELECTUALMENTE RICA.

Em minhas andanças e implicações com criacionistas tenho encontrado realmente cristãos bons de argumento, que sabem o que é e como trabalhar com ciência. Embora quando o assunto seja a origem de tamanha diversidade ele caia na questão criacionista em sua essência. Tive debates sadios e até conheci pessoas que duvidam e questionam o darwinismo seja do ponto de vista religioso ou até mesmo cientifico. Realmente, ser cientista não é ser evolucionista, mas se debruçar sob a criação para explicar a origem da diversidade é muita vezes anti-cientifico, considerando que a criação sob os aspectos do funcionamento da ciência ainda não se casaram e acredito que não se casarão devido a filosofia da revolução cientifica e aos aspectos ligados a história da ciência e história geral (ver sobre Iluminismo).

Entretanto as vezes encontro pessoas que teoricamente são criacionistas mas sob o ponto de vista cientifico pouco sabem argumentar e confundem claramente ciência com religião. Desconhecem as histórias da ciência e fazem confusões primarias que comprometem todos seus argumentos.

Aqui, faz-se necessário uma distinção clara que somente quem esta dentro do ambiente acadêmico tem competência para dizer. A diferença entre religião e ciência. Obviamente que não entrarei na estrutura de funcionamento da ciência pois aqui no site ela já foi abordada, de fato foi o primeiro texto postado no Netnature (HISTÓRIA E EPISTEMOLOGIA CIENTÍFICA. – https://netnature.wordpress.com/2010/12/28/historia-e-epistemologia-cientifica/). Sob os aspectos da crença, não devemos confundir ciência com religião. Ou seja, a discussão aqui é a diferença entre o mito e a ciência, a crença e a evidência, existência ou não existência.

Sob a questão do argumento ontológico eu já discuti suas falhas (FALHAS NO ARGUMENTO ONTOLÓGICO E COSMOLÓGICO. – https://netnature.wordpress.com/2011/03/28/falhas-no-argumento-ontologico-e-cosmologico/) e os filosofos sabem hoje que ele é uma afirmação leviana de confirmação da existência de um deus. De fato se você recorrer as premissas do argumento ontológico e trocar a palavra deus por o monstro do armário então você de qualquer forma conseguiria provar que monstro do armário existe, assim como acontece com a leviana aposta de Pascal. A questão da religião e que é uma das perguntas essenciais hoje é quem criou Deus? , na qual já discuti aqui também (”ORIGEM DE DEUS É QUESTÃO ABSURDA” (com resenha) – https://netnature.wordpress.com/2011/04/24/origem-de-deus-e-questao-absurda-com-resenha/) e outra questão, como afinal, Deus existe?

Sob o aspecto filosófico na qual Dale Jacquette propôs a questão da existência não esta simplesmente na afirmação de que algo existe ou de algo que é suportado por um livro sagrado. Segundo este filósofo algo existe quando suas propriedades são consistentes e completas. Por exemplo, uma mesa existe porque sabemos do que ela é feita, temos suas medidas, sabemos a sua cor e os elementos que a compõem. No caso do mostro do armário, ou de deus por exemplo essas propriedades não existem, jamais foram apresentadas, ou alguém realmente sabe a cor dos olhos de Deus? Não sabemos se ele tem a barba branca e anda com um cajado segundo a versão antropomorfizada que historicamente construímos. A lista de propriedades inerentes que compõem a deus ou ao monstro do armário é a mesma, ou seja, nula. Portanto, sob este ponto de vista filosófico nem deus nem o monstro do armário existe. Até o Saci trás uma versão falaciosa e folclórica que é mais rica em detalhes do que a da existência de um design inteligente.

A palavra mito, vem do grego mythos e representa uma narrativa simbólica relacionada a uma cultura específica. O mito procura explicar a realidade, os fenômenos naturais e as origens do mundo e do homem sob a perspectiva dos deuses, semi-deuses e heróis. O mito pode estar associado o rito que é o modo de se pôr em ação o mito na vida do homem através de cerimônias, danças, orações e sacrifícios. O termo mito em grande parte das vezes é utilizado de forma errônea e de forma pejorativa para se referir às crenças comuns (consideradas sem fundamento objetivo ou científico, e vistas apenas como histórias de um universo puramente maravilhoso) de diversas comunidades, quando na verdade é apenas a sustentação de verdades absolutas sustentadas por entidades sobrenaturais. No entanto, até nos acontecimentos históricos temos exemplo de mitos. Relacionados especificamente aos relatos das civilizações antigas que constituem a mitologia.

Desta forma verdades propostas pela ciência, sejam elas já consolidadas pelo consenso cientifico ou ainda paradigmáticas não constituem um mito, afinal a crença de que a evolução ocorre é baseada em dados empiricamente coletados e analisados sob a luz de uma metodologia. O Darwinismo não pode ser considerado um mito (tão pouco uma crença) porque Darwin propôs sua teoria (na época vitoriana) baseado em anos de coletas ao redor do mundo que foram aceitas pelos acadêmicos inclusive fazendo parte da The Royal Society ( veja:  DARWIN ANTES DO DARWINISMO. – https://netnature.wordpress.com/2011/05/19/darwin-antes-do-darwinismo/) Essa é uma confusão bastante comum. De certa forma, é fácil descrever porque darwinismo não é crença, afinal, se voce não acreditar no darwinismo voce não queimará no inferno, mas e o criacionismo? Aqui conseguimos diferenciar a crença religiosa e a proposta da ciência que é confundida como crença. Pessoas acreditam erroneamente que Darwinismo é um mito e a crença nele é baseada na fé. A fé é a crença sem evidências empíricas e sim baseada em passagens mitológicas e míticas, portanto é uma premissa anti-científica.

Sob a luz da filosofia e da epistemologia, a crença se define pela sensação de convicção relativa a uma determinada idéia. Seja ela a despeito de sua procedência ou possibilidade de verificação objetiva. Logo pode não ser fidedigna à realidade uma vez que representa o elemento subjetivo do conhecimento. A crença é sinônimo de fé e, assim como qualquer manifestação de convicção absoluta (em contrapartida aquela proposta pela ciência: a verdade temporária chamada de paradigma) acompanha absoluta abstinência à dúvida.

Assim, não há crença na evolução, pois as evidências que sustentam a evolução não provem de evidências mitológicas e sim materialistas embora fundamentalistas não concordem com tais afirmações.

Recentemente vi um vídeo de Wendy Wright, uma criacionista sendo entrevistada por Dawkins que obviamente expos as evidências em DNA e registro fóssil, comportamentos e que constantemente eram interpretadas não evidencias pela Wendy. A concepção de evidências é bastante relativa pelo menos para os criacionistas.

O DNA é uma evidencia fortíssima que mostra parentesco. Espécies anatomicamente e geograficamente próximas com comportamentos parecidos são evidencias forte de compartilhamento de relações históricas e podem ser corroboradas por registros fosseis e DNA. Neste caso o exame de DNA que vai mostrar a relação de proximidade baseado na molécula responsável pela hereditariedade, o exame atua praticamente como um exame de paternidade. Sob a perspectiva dos criacionistas isto não é uma evidencia, e sob a de Wendy não há evidencias materiais.

Obviamente que o registro fóssil muitas vezes não é completo, depende de novas descobertas de sorte e muitas vezes espécies surgem sem que hajam necessariamente intermediários.

Obviamente que algumas já foram bastante esclarecidas sob a questão evolutiva, como o caso da evolução dos anfíbios ( A GRANDE CONQUISTA. – https://netnature.wordpress.com/2011/05/15/a-grande-conquista/) ou das baleias (CRIAÇÃO E EVOLUÇÃO – DEBATE ENTRE UM BOING 747 E UMA BALEIA. –https://netnature.wordpress.com/2011/01/17/2-criacao-e-evolucao-%E2%80%93-debate-entre-um-boing-747-e-uma-baleia/) e as aves na qual não disponibilizei no site (e que será disponibilizada na próxima semana) e que contem mais de 25 espécies que mostram desde a origem da pena até a origem do vôo tudo evidenciado em registros fósseis analizados com os mais sofisticados programas e modelos matemáticos existentes no mundo. Basta ficar de olho na National Geographic que lá também passa tudo sobre estas evidências.

Obviamente que para discutirmos como pardais geram pardais e gatos geram gatos precisamos ter em mente o conceito do que é uma espécie.

Para alguns teóricos amadores esse é um conceito que não tem necessidade de ser exposto, mas cientificamente isso tem muito valor, porque a linha que separa uma espécie de outra em grande parte é subjetiva. De fato, o mecanismo pela qual a evolução ocorre é nas espécies portanto saber o que é uma espécie é fundamental para discutir biologia evolutiva e criacionismo.

Quando uma espécie termina e outra começa é bastante complicado discutir. Biologicamente uma espécie e caracterizada por indivíduos geneticamente compatíveis que tem a capacidade de gerar descendentes férteis, ou seja, capaz de passar seus genes e suas informações genéticas a gerações futuras.

As empresas holandesas River Flowers e F.J Zandbergen & ZN possuem uma coleção completa de flores arco-íris, na qual cada pétala possui uma tonalidade diferente. Os produtores da nova espécie guardam o segredo de como obtê-las a sete-chaves.

Pardal gera pardal porque tem genes de pardais, mas os pardais não são todos irmãos gêmeos, cada um tem genes que podem lhe conferir vantagens em relação a outros pardais e a predadores de pardais. Essas pequenas variações ( em contra argumento a visão filosófica essencialista) podem levar a criação de uma nova espécie (que não precisa necessariamente de um elo de transição, embora haja ambos os casos documentados na literatura científica com bastante riqueza de detalhes). Um dos mecanismos que torna essa evolução possível é a seleção natural. O acumulo de mutações ao longo de milhares de anos pode gerar individuos bastante diferentes da sua linhagem ancestral. Basta olhar como mamíferos terrestres se transformaram em baleias (com evidencias até mesmo nas estruturas anatômicas e genéticas) como répteis com cones queratinizados formam plumas e penas que possibilitaram o vôo na origem das aves ou como peixes pulmonados ganharam a terra, um exemplo clássico vivo até hoje é o Periophthalmus argentilineatus ( A GRANDE CONQUISTA. – https://netnature.wordpress.com/2011/05/15/a-grande-conquista/). Obviamente que no grupo dos anfíbios por exemplo estamos vendo exemplos de não como uma espécie da origem da outra, mas como um grupo de animais da origem a outro, e essa transição é evidenciada não por uma mas por várias espécies.

Na Croácia há duas ilhotas que trazem um exemplo clássico de especiação e evolução a olho nu.

Em 1971 na ilha de Pod Kopiste havia uma população de lagartos da espécie Podarcis sicula que se alimentava de insetos presentes no mediterrâneo. Um grupo de pesquisadores pegou um par dessas espécies e depositou eles em uma ilha vizinha, a Pod Mrcaru.

Um grupo de pesquisadores alemães e belgas retornaram a ilha em 2008 e encontraram na ilha de Pod Mrcaru uma população de lagartos totalmente diferente, com um desenvolvimento da cabeça amplificado, uma dieta modificada a base de vegetais inclusive com o desenvolvimento de apêndice para auxiliar na digestão da celulose. Após analises de DNA verificou-se que a espécie de lagarto recém descoberta era derivada de uma leva ancestral de 5 indivíduos que colonizou a ilha 38 anos atrás. De fato, esse é um exemplo de variação dentro de uma espécie e que esta em rumo de uma nova espécie.

Existem exemplos clássicos deste processo, onde uma espécie pode dar origem a outra.

A linha que separa uma espécie de outra é bastante tênue. Por exemplo; a espécie Rattus rattus, apresenta polimorfismo cromossômicos dentro da mesma espécie. Isso significa que no Paquistão  por exemplo, o genoma de um individuo diplóide, ou seja 2N (duas copias do genoma) pode conter 40 Cromossomos, no Brasil o 2N pode conter 38 Cromossomos e na Ásia o 2N pode ser de  42 Cromossomos. Mesmo assim são animais da mesma espécie e que conseguem reproduzir entre si. Durante a produção das células reprodutivas ocorre uma divisão desigual que resulta em uma prole com 40 ou 38 ou 42 cromossomos.

Outras vezes o isolamento genético não há, mas a causa é um comportamento. Na Europa o gafanhoto Chorthippus brunneus e o Chorthippus guttulus são tão próximas que até os entomologistas tem dificuldade de identifica-las. Embora sejam geneticamente compatíveis, na natureza elas não se cruzam graças a um isolamento na freqüência de vocalização das fêmeas. Em um experimento laboratorial onde foi estimulado artificialmente uma mudança no padrão de vocalização de uma das espécies e mostrou que geneticamente elas eram compatíveis e o que separava essas duas populações eram unicamente a vocalização.

Muitas vezes encontramos variedades dentro de uma espécie, como nos lagartos da Croácia, mas muitas vezes as variedades se distanciam tanto que geram novas espécies.

De fato o processo de surgimento de uma nova espécie baseia-se na separação em variações geográficas que podem tonar espécies diferentes, posteriormente gêneros diferentes, posteriormente famílias diferentes e depois ordens diferentes e assim por diante até o surgimento de um filo novo. Existe uma estimativa que diz que uma espécie vive em média um milhão de anos, embora haja desvios de padrão grandes.

Se olharmos para todos os grandes passos notaremos que do ponto de vista biológico existe 6 grandes eventos que devem ser considerados. O primeiro foi a origem da vida e os outros 5 referem-se a questão do surgimento dos grandes grupos biológicos, peixes, anfíbios, repteis e aves e os mamíferos. É fundamental lembrarmos que para que esses 6 grandes eventos ocorrerem foram necessário mais de 3,5 bilhões de anos, portanto, são eventos raros, mas que são bem evidenciados na paleontologia. O surgimento de filos, classes, ordens, famílias e gêneros é bastante raro. Até mesmo espécies é raro embora haja casos documentados. O surgimento de reinos é bastante difícil de definir considerando que o reino dos animais e vegetais na verdade ‘um termo criado por Aristóteles a mais de 2 mil anos atrás e que ainda é mantido embora saiba-se que do ponto de vista microbiológico é possível haver diversos reinos desconhecidos.

Sob o aspecto da seleção artificial, ou seja a seleção direcionada pelo homem que é o agente seletor das características há bastante dados de criação de novas espécies. A seleção natural e a artificial na realidade é o mesmo mecanismo a diferença é que na seleção artificial o agente seletor é o homem (seja a seleção feita conscientemente ou as vezes inconscientemente como no caso de superbacterias). No caso da seleção natural o agente seletor é o ambiente onde o animal vive, as relações ecológicas dele com a comunidade, as pressões seletivas do bioma e da geografia local, as relações entre e intra-espécies. Tudo isso deve ser considerado ao analisar a evolução das espécies. Só assim é possível recriar e compreender como foi a evolução no pré-Cambriano ou a evolução da fauna Ediacariana por exemplo.

É sabido que a mais de 4 mil anos e até de 11 mil anos que no Oriente médio os homens já haviam criados espécies de plantas através da domesticação.

De fato, algumas variedades do teosinto, a versão silvestre do milho já não se isolou geneticamente de seu ancestral, caracterizando uma nova espécie.

Rosa azul, que foi desenvolvida pela empresa japonesa Suntory e demorou mais de 18 anos para se tornar realidade.

No mundo todo, há cerca de 50 mil espécies de orquídeas, 20 mil encontradas diretamente na natureza e outras 30 mil criadas em laboratório, a partir do cruzamento de espécies diferentes. O Brasil é um dos países mais ricos nesse tipo de planta. Por aqui, deve haver perto de 3 500 espécies.

O javali da espécie Sus scrofa é um porco domestico, de fato, o porco que conhecemos já é considerado uma espécie diferente, o Sus domesticus.

Se a seleção artificial pode criar novas espécies porque a natural não o faria? Na realidade a seleção artificial pode ser interpretada como uma aceleração da seleção natural e mostra claramente como espécies podem ser criadas.

Qualquer pegar qualquer livro de Stephen Jay gould , Dawkins, Frans de Waal ou qualquer livro evolucionistas se deparará com pilhas e pilhas de evidências materiais que sustentam a visão de Darwin sob o contexto cientifico e não mitológico ou da crença.

Na realidade não há um artigo cientifico criacionista que proponha uma explicação melhor para a existência de tamanha biodiversidade no mundo todo. Isso ocorre porque no meio acadêmico as evidências devem ser empíricas e baseadas em dados analisados sob a metodologia cientifica e não na simples crença por crer.

Essa é a grande diferença entre ciência e misticismo. O misticismo baseia-se basicamente no que um livro sagrado diz, e qualquer livro pode ser sagrado desde que carrega consigo uma entidade sobrenatural. De fato a palavra sagrado no cristianismo vem do mesmo significado de santo ou sanctum que deriva das raízes judias na qual o sagrado é chamado de Kadosh. O Sabbath é um tempo santo ou o Kadosh. Todas essas religiões Abraamicas derivam de uma religião pagã, a hebraica que trazem consigo essas realidades mitológicas de 2 mil anos atrás que ficam incoerentes com o regime social presente. As incoerências vêem acompanhadas das formas mais bizarras possíveis como as recentes afirmações escatológicas de Harold Camping e as diversas outras afirmações feitas desde o século X (O FIM DA ESCATOLOGIA E DA EPOLOGÉTICA. MAIS SINAIS PARA O FIM DO MUNDO? – https://netnature.wordpress.com/2011/03/25/o-fim-da-escatologiae-da-epologetica-mais-sinais-para-o-fim-do-mundo/) baseando-se hoje inclusive em Newton que é fazia parte da The Royal Society na qual Darwin pertenceu séculos depois. Diga-se de passagem que Newton que é adorado pelos criacionistas (devido a sua previsão escatológica de fim de mundo para 2060) era maçon, sociedade na qual os criacionistas repudiam mas não mencionam seja lá por qual motivo for (ESCATOLOGIA OPORTUNISTA. CONHECENDO JEAN THEOPHILUS DESAGULIER. – https://netnature.wordpress.com/2011/04/25/escatologia-oportunista-conhecendo-jean-theophilus-desagulier/) Ou para ver todas as datas com previsões bíblicas para o fim do mundo veja http://ahduvido.com.br/as-profecias-do-fim-do-mundo-que-falharam/) É um apanhado de profecias (muitas delas bíblicas) que foram feitas e nunca se concretizaram. De fato aqui faz-se outra digressão necessária. Ciência trabalha com modelos e verdades temporárias chamas de paradigmas e não com profecias como as pessoas cristãs leigas afirmam.

João na ilha de Patmos recebendo um insight sobre o fim do mundo.

A profecia é um relato com conotação religiosa no qual se prevê acontecimentos catastróficos futuros através de visões, sonhos (como no livro do apocalipse ou seja, nas revelações segundo a visão de João da ilha de Patmos) ou até mesmo encontros com um ser sobrenatural. A palavra profecia deriva de profetas que faz essas previsões através de inspirações divinas e não com evidências científicas. Profecias raramente são concluídas, de fato, seria muita mais fácil Nostradamus acertar alguma previsão futura do que uma previsão escatológica apologeta cristã. Assim, qualquer afirmação científica não deve ser interpretada como profecia e sim como um modelo. Modelos são susceptíveis a erros a  previsão do tempo é um modelo climático baseado em dados coletados e que pode ser falho considerando que as condições climáticas são dinâmicas e não estáticas, por isso a ciência trabalha com modelos e não profecias. Uma verdade em ciência só surge após consenso científico na qual todas sua base de sustentação tem confirmação empirica. Um exemplo, hoje sabemos que a Terra gira em torno do Sol, conforme anos e anos de evidências físicas, materiais e matemáticas em contrapartida a antiga visão cristã que acreditava que a Terra o centro do universo e a morte era certa para quem negasse isso.

De fato, as pessoas (em grande parte inconscientemente) em seu cotidiano preferem muito mais acreditar nos modelos científicos do que nas profecias e na fé. Basta ver como até mesmo as pessoas de maior fé em deus olham para os lados antes de através uma rua, ou como as pessoas buscam na meteorologia a previsão (e não profecia) do tempo. Ou alguém procura um pastor para fazer uma profecia sobre o clima no próximo final de semana? Obviamente que a questão da temática ambiental ainda não é uma verdade consolidada pela ciência porque os estudos de climatologia ao nível global são bastante recentes (ambiguas e contraditórias) embora a visão passada a população é que realmente haja um aquecimento global, na qual particularmente sou contra e já expus meus argumentos (AQUECIMENTO GLOBAL, SERÁ? – https://netnature.wordpress.com/2010/12/28/47/) e também pelos motivos baseados na estrutura de funcionamento da ciência.

Assim, em contra ponto a visão reducionista do criacionismo (especificamente ao mito de gênesis) fica claro diferenciar religião de ciência.

Escrevi este texto com a finalidade de propor certos conceitos que possam servir de base para discussões cientificas com alto teor de conhecimento. Sob a perspectiva de quem não tem embasamento cientifico a tal ponto de não discutir a definição de espécie ou a diferença entre fé e evidências não há como discutir qualquer possibilidade séria da proposta cientifica da biologia evolutiva e a proposta mitológica mística de gêneses como verdade absoluta. Assim para os leigos fica mais fácil compreender a estrutura de funcionamento de uma das brigas seculares do conhecimento. Talvez leigos e indecisos possam tomar parte do debate e participar das discussões científicos e religiosas com muito mais competência e apreço do que alguns criacionistas (e não todos).

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Evolução, Criação, Espécies

9 thoughts on “DEFINIÇÕES SOBRE CIÊNCIA E RELIGIÃO. CONCEITOS BÁSICOS PARA UMA DISCUSSÃO INTELECTUALMENTE RICA.

  1. bom eu tenho comigo uma teoria e ponho em pratica não acredito em uma só palavra de outro homem mas interpreto sempre e faço comparações mesmo não acreditando em religiões ainda assim eu tenho fé em deus mas acredito na ciência sou um lider que se fosse um pastor morreria de fome pois eu não faço nenhum esforço para acreditar em mim mas que cada ser humano deve acreditar em si próprio este é o meu dever de lider não criar um povo dependente mas sim um povo que sabe resolver seus próprios medos ok

    • Legal, mas isso trás uma questão básica. Se não acredita em uma só palavra que o homem diz, como acredita em uma escritura sagrada? Nem deus nem jesus escreveram uma só palavra do que esta na bíblia, os texto canonizados (e não canonizados) foram escritos por pessoas que viveram la no miolo do oriente médio onde originou-se as religiões abraâmicas e a história (ou estória) de Jesus como filho do homem.
      Até que ponto a sua desconfiança abrange a palavra de um homem? Longe de querer questionar a sua religiosidade ou a existência de Deus, mas é uma pergunta pessoal que talvez ajude eu e as pessoas a entender onde esta este limite.

  2. Resumindo: mito é aquilo que tu acreditas como falso, e “ciência” é aquilo que tu arbitrariamente qualificas de “ciência”.

    Repito o que já disse: a questão não é a distinção entre ciência e crença: a questão é vocês evolucionistas ateus quererem transformar as vossas crenças em “ciência”.

    1. Abiogénese – crença

    2. Evolução química – crença

    3. Evolução da baleia a partir dum animal terrestre – crença

    4. Dinossauros que evoluem para pássaros – crença ridícula refutada pela ciência

    5. Naturalismo filosófico – crença.

    6. Aquecimento global antropogénico – crença

    etc, etc.

    Não confundas o que pode ser empiricamente observado a ocorrer com mitos àcerca do que supostamente aconteceu há “milhões de anos atrás”.-

    Ciência operacional: observa-se, testa-se, repete-se, demonstra-se

    Ciência histórica: testam-se hipóteses relativas a eventos que não podem ser repetidos. O Criacionismo Científico encontra-se aqui.

    • Mito refere-se necessariamente a religião, se não conhece a palavra mito da mitologia de origem grega (conforme escrito no texto e voce ou por ignorância ou por pachorra não ve) então sugiro que vá fazer letras ou procure um dicionário.
      Mito, religião, crença e profecias são coisas ligadas a deuses. Entre num ambiente acadêmico e vá estudar a mitologia do aquecimento global e tente apresentar um projeto de pesquisa assim. Experimente!!!
      Se não sabe a diferença entre religião e ciência sugiro que apague seu site e começe de novo do zero. Por isso tem um monte de biólogos que se recusam a participar de debates de criacionismo e biologia evolutiva, porque o pape é sempre o mesmo, o básico o leviano o superficial, tem de ensinar o termo certo e etc
      Se mito pode ser empiricamente observado? Ok, transforme agua em vinho para mim? Alias, pra mim não porque não bebo…

  3. Rosseti,

    Mito refere-se necessariamente a religião, se não conhece a palavra mito da mitologia de origem grega (conforme escrito no texto e voce ou por ignorância ou por pachorra não ve) então sugiro que vá fazer letras ou procure um dicionário.

    A palavra mito tem o entendimento que o contexto lhe dá – não esquecendo o original. Quando dizemos que Pélé é um mito, isto é dito de forma religiosa?

    Tu tens que aprender que o sentido das palavras é-nos fornecido pelo seu uso.

    Dito isto, o título de mito à teoria da evolução encaixa no sentido religioso da definição. A fé que os evolucionistas tem em Darwin é uma fé religiosa, tal como disseram Julian Huxley e Michael Ruse.

    • Se uma palavra tem entendimento no contexto em que se está , então para que criar dicionário? Se a palavra mito ou mitologia nao pode ser usada para explicar a simbologia por trás da existencia de deuses e semi-deuses porque criar a palavra mitologia, neste contexto entao vou trocar a palavra mitologia por alegoria.

      Acho que TU é que TENS de aprender, voce não sabe diferenciar ciência de religião, como quer discutir darwinismo? Alias, deve aprender a ouvir mais e falar menos no seu site. Que feio ficar apaando mensagens do Lucas, minhas e do Eduardo, só porque falamos coisas que vão contra sua doutrina religiosa. Fazer ciência é discutir e não omitir opiniões, afinal pra que criar um site com comentarios então?

      Me mostre como duvidar da evolução ou nega-la leva um “crente evolucionista” ao inferno? Porque um evolucionista seria um ímpio? Sua visão de religião é a mais sensivel do mundo. Se acredito que hoje de noite vai chover isso não faz de mim um crente e sim alguém que acredita numa previsão.

  4. Rosseti,
    Quando digo “Pelé é um mito”; isto é dito em sentido religioso? Se não, então a palavra “Mito” pode ser usada com outro sentido, certo? Ou não?

    Repito: eu posso muito bem usar a definição “mito” para a teoria da evolução porque é isso que ela é.

    • Pelé não é mito, pelé existe, dizem quem é mito porque é uma metáfora. Pegue a definição de mito e a origem da palavra e voce vera que ele não é segundo a definição de mito para nós, para a estrutura linguística do portugues e para os gregos. A sua rejeição ao darwinismo é devido a questões suas mas não por questão de definição, desacreditar no darwinismo é normal, chamar de mitologia é errôneo pela estrutura de funcionamento (que caracteriza a definição) de um mito ou do misticismo e da ciência. Nem filosofia da pra discutir se não souber o que é um mito.

      Posso então definir maradona como quimera então? é uma definiçao errada mas eu posso coopta-la para a feiura animal e ignorância e humana de Maradonna. Nem por isso ele é meio animal e meio humano portanto foge da proposta de definição do grego ao que se refere uma quimera.

      Bom, segundo seu raciocínio infantil eu posso usar a palavra CRIANÇIonismo (de criançice) ao me referir ao criacionismo porque é infantilidade crer no sobrenatural como sabichão que é baseado num livro de 2 mil anos atrás que nunca falou uma palavra que combine com a ciência.

  5. Diga-se de passagem que a bíblia não é livro de ciência, mas de comportamento religioso. Existe sim algumas referências científicas, no livro de Levíticos cap. 11, indicação de algumas carnes impróprias para alimentação e cap.13 ver.44,45,46, separação dos leprosos.

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