FÊMEA IRLANDESA DEU ORIGEM A URSO POLAR DA ATUALIDADE, DIZ ESTUDO. (comentado)

Uma análise do DNA de fósseis encontrados em cavernas da Irlanda mostra que os ursos polares da atualidade se originaram de um único ancestral.

Mais: ele seria uma fêmea de pelo marrom que teria cruzado com um urso polar, gerando filhotes híbridos.

A pesquisa liderada por Ceiridwen Edwards, atualmente na Universidade de Oxford, mas no Trinity College Dublin quando desenvolveu o estudo, comparou dentes e ossos de 17 animais antigos com DNAs de ursos marrons e polares modernos ou que já estão extintos.

Acreditava-se que a cruza ocorrera aproximadamente 14 mil anos no Alasca, mas essa nova análise, que envolveu o estudo dos genes de 242 ursos marrons e polares, atesta que a hibridação dos dois tipos de ursos ocorreu bem antes.

A hibridação, diz Edwards, deve ter ocorrido quando a Irlanda era coberta por gelo, há pelo menos 22 mil anos.

A pesquisadora Charlotte Lindqvist, da Universidade de Buffalo, em Nova York, não compartilha a mesma convicção. “Tenho certeza que há muito mais para falar sobre a evolução dos ursos. O problema é que temos poucos fósseis e a maioria são recentes, dos últimos 11 mil anos ou mais.”

Fonte: Folha

Resenha do autor

O DNA pode mostrar hibridização, mas híbridos geralmente não se reproduzem e quando ocorre geralmente dão origem a uma prole infértil. Há casos bastante inusitados como o das gaivotas argênteas que ao longo de sua migração pelo planeta tem uma conexão com outra espécies de gaivota através de um anel.. Em alguns casos na natureza o cariótipo não é problema para a reprodução como já demonstrado no texto  LA PULCE D’ACQUA È L’ANIMALE CON IL PIÙ VASTO PATRIMONIO GENETICO.

Uma espécie anel é uma forma intermediária entre duas espécies que se separaram e sobrevivem ao longo do tempo na mesma região geográfica daquela espécie que os une. Em termos mais biológicos é quando duas populações que vivem na mesma região trocam genes através de um anel geográfico estabelecido por uma população geneticamente compatível com as duas. Isso já foi evidenciado com salamandras na Califórnia, as gaivotas e uma evidência agora surge para os ursos embora seja uma hipótese bastante distante uma vez que o registro fóssil é muito escasso. Mas o registro é grande o suficiente para estender o tempo dos ursos para mais de 10 mil anos, o que garante que estamos falando realmente de fósseis.

O primeiro urso híbrido abatido pelo caçador Jim Martell em 2006 na Ilha Victoria.

Obvio que quando a gente pensa na possibilidade desta fêmea ser a origem dos polares é somente uma referência para uma população que faz um elo de ligação entre os ursos marrons e uma população branca. Mas seria possível um urso polar cruzar com um urso marrom? Sim há um registro deste bem recente de um caçador americano que abateu um urso na região polar com traços brancos e marrons, com o comportamento e anatomia de um urso marrom e geneticamente foi identificado como um híbrido. Esse caso foi tema até da National Geographic. Portanto há sim uma possibilidade mesmo que remota de que os ursos polares sejam uma variação direta dos ursos marrons e que o registro em questão seja um anel de ligação entre essas duas espécies. Isso ocorre da mesma forma como nas gaivotas argênteas e as gaivotas-de-asas-escuras que apresentam um intermediário entre essas duas espécies e que é uma evidencia da evolução. O que não é razoável pensar é que exatamente esta fêmea seja o ponto que diverge uma espécie de outra. Um exemplo clássico não de hibridismo mas de espécies que surgem a partir de fêmeas esta no livro do zoologo Richard Dawkins O rio que saia do Éden, mostrando a fêmea que saiu da africa e deu origem a espécies humana e que pode ser rastreada pela DNA mitocondrial.

Seria muita sorte se isso foi encontrado mesmo porque o limite entre onde termina um e começa outra espécie muitas vezes é subjetivo, afinal gaitovas-argenteas e de asas escuras são compatíveis graças aos seus anéis mas incompatíveis como espécies. Obviamente que há os casos em que o hibridismo torna os animais inférteis como os asnos e burros, o liger e outras anormalidades geneticamente distantes mas que ao se reproduzir ainda sim podem gerar uma prole mesmo que infértil.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Netnature, Rossetti, Hibrido, Espécie anel, Urso, Liger, Gaivotas, Salamandra

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