SONO FRAGMENTADO PREJUDICA A MEMÓRIA. (Comentado)

Um sono interrompido afeta a capacidade de construir memórias. As descobertas da Academia Nacional de Ciências podem ajudar a explicar os problemas de memória ligados à doenças, incluindo mal de Alzheimer e apneia do sono.

No estudo realizado com ratos, o sono analisado foi fragmentado, mas não menor ou menos intenso do que o normal. Os pesquisadores enviaram pulsos de luz diretamente no cérebro de ratos enquanto dormiam. Isso significa que eles poderiam perturbar seu sono, sem afetar o tempo total ou a qualidade de sono.

Os animais foram então colocados em uma caixa com dois objetos, um já conhecido deles. Naturalmente eles passariam mais tempo examinando o novo objeto e aqueles que tinham o sono ininterrupto fizeram exatamente isso. Mas aqueles cujo sono foi interrompido estavam igualmente interessados em ambos os objetos, sugerindo que suas memórias tinham sido afetadas.

Como o cérebro usa o sono profundo para avaliar os eventos do dia e decidir o que manter guardado, a pesquisa concluiu que perturbações no sono dificultam o reconhecimento de objetos familiares para os animais.

A continuidade do sono, segundo os pesquisadores, é um dos principais fatores afetados em várias doenças que mexem com a memória, incluindo o Alzheimer e outros déficits cognitivos relacionados com a idade. O sono interrompido também afeta as pessoas viciadas em álcool e aquelas com apneia do sono – uma condição na qual a garganta estreita ou fecha repetidamente durante o sono, restringindo o oxigênio e fazendo com que o doente acorde.

E apesar de não haver evidências de um nexo de causalidade entre a interrupção do sono e qualquer uma dessas doenças, uma quantidade mínima de sono ininterrupto é crucial para a consolidação da memória.[BBC]

Fonte: Hypescience 

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Resenha do autor

O sono é de fundamental importância, pois faz parte das funções fisiológicas responsável pela manutenção da homeostase. O sono faz parte do ciclo vigília/sono ou ciclo circadiano. Assim sendo, quando dormimos nosso corpo faz diferentes ajustes que não somos capazes de perceber, no sistema nervoso ocorrem diversos eventos, tais como a liberação de diferentes hormônios como o cortisol, a melatonina ou até mesmo a consolidação de memória.

O primeiro estudo sistemático dos padrões eletroscilográfico foram descritos em humanos por volta de 1938 pelos fisiologistas Loomis, Harvey e Hobart. Nessa classificação passou despercebido a presença do sono dessincronizado, que só foi reconhecida em 1950 por Passsoaunt, que não lhe deu muita importância. De fato, a devida importância empregada por essa fase do sono tão peculiar só foi descrita em 1953 por Kleitman e Aserinsky que a reconheceram como uma importante fase a ser estudada. Inicialmente foi descrita como sono REM, devido aos rápidos movimentos oculares, então Jouvet descreveu esse sono em gatos e por definição diferenciou-se o sono de ondas lentas do sono REM. Então hoje o sono está dividido em várias etapas. Ao contrário do que se pensa, dormir não é desligar o cérebro, pelo contrário, durante o sono, principalmente o dessincronizado o padrão elétrico dos neurônios de determinadas áreas cerebrais são bastante ativos e atuam em conjunto com expressão de genes para a consolidação da memória adquirida durante a fase de vigia.

Vários estudos foram realizados com diversas espécies, havendo-se descrito o sono de gatos, macacos, cães, ratos, cobaias, camundongos e outros mamíferos e de diversas aves, entre as águias, galinhas, gralhas e pombos. Nas últimas décadas, passou-se a estudar também o sono de cetáceos, sobretudo de golfinhos, assim como o de répteis, anfíbios e até mesmo peixes, alem de invertebrados. Isso só foi possível graças ao registro eletroscilográfico dos potenciais, que nos permitem acompanhar a evolução do sono.

Segundo Sidarta Ribeiro (aquele que rompeu relações cientificas com Miguel Nicolelis) o gene zif-268 é expresso durante o sono dessincronizado em ratos que realizaram uma tarefa física em um ambiente enriquecido. Desta forma, a expressão deste gene produz proteínas que atuam como fatores de transcrição, regulando a expressão de outros genes responsáveis pela produção de proteínas tais como as sinapsinas, que são as proteínas mais presentes nas sinapses e que ramificam as árvores dendríticas criando um registro neuronal que consolida e pode evocar um evento mnemônico.

Ratos com o hipocampo inativo durante o sono dessincronizado impedem a expressão destes genes nesta estrutura e nas regiões neocorticais fundamentais para o consolidação da memória. Isso demonstra o íntimo envolvimento da atividade física na consolidação da memória via hipocampo/córtex.

Saiba mais em EXERCÍCIOS AERÓBICOS AUMENTAM O HIPOCAMPO, MELHORANDO A MEMÓRIA DOS ADULTOS MAIS VELHOS.

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Referências

ROSSETTI. V, VALLE, A. C. VICENTE, J. M. Y.; LESÃO ELETROLÍTICA DO CÓRTEX ENTORRINAL DE RATOS WISTAR. REABILITAÇÃO DA MEMÓRIA ESPACIAL A PARTIR DE ATIVIDADE MOTORA EM LABIRINTO PROPRIOCEPTIVO E ANÁLISE ELETROFISIOLOGIA. ). Instituto de neurociencia – FMUSP,  São Paulo, 2006.

VICENTE, J. M. Y.; MIRANDA, T. A. B.; ROSSETTI, V.; MARCON, R. M.; BALDO, M. V.; Valle, A. C. Evaluation of kinesiotherapeutics and proprioceptions resources applied in the motor recovery of Wistar rats submitted to moderate contusive spinal cord injury.Program of Experimental Physiopathology, FMUSP; Laboratory of Spinal Cord Injury, IOT HC FMUSP;  Department of Physiology and Biophysics, ICB-USP; 4Department of Pathology, FMUSP; 2007.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Memória, Hipocampo, Neocortex, Sono dessincronizado.

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