MEDICINA DARWINIANA E PSICOLOGIA EVOLUTIVA. A PRESENÇA COTIDIANA DE DARWIN EM NOSSAS VIDAS. (comentado)

A medicina não depende da biologia evolutiva para existir, de fato, durante muitos anos a medicina foi exercida ora por grandes nomes da ciência a muitos séculos atrás, ora exercida junto com a alquimia. Mas não depende da biologia evolutiva para ocorrer. Erasmus Darwin, avô de Charles Darwin era médico, botânico e Lamarckista.

A Medicina Darwiniana envolve diferentes ramos da ciência, desde a biologia convencional como a genética, até outros ramos menos evidentes como a imunologia e parasitologia, e porque não dizer até a psicologia. Já citei vários exemplos de como a evolução pode estar presente no nosso cotidiano, sempre usando exemplos da criação de variedades de espécies de interesse na agricultura e pecuária, no controle de pragas e animais sinantrópicos, a adaptação de animais anteriormente silvestres e agora vivendo nas cidades e até mesmo como a seleção artificial permitiu a domesticação de animais a milhares de anos.

A medicina darwiniana estuda os modos como tanto as células e seus genes, o nosso organismo ou os organismos patológicos evoluem e se comportam segundo os ambientes em que estão inseridos.

A medicina darwiniana distingue-se da medicina convencional porque não se limita a enumerar e tratar os sintomas, mas também perceber o porquê estes aparecem em nossas vidas e como se originaram.

O organismo humano pode ser interpretado também como o meio ambiente para a microbiota, principalmente aqueles com alta grau de virulência e patogenicidade. Assim, a sintomatologia pode oferecer respostas adaptativas dos seres humanos aos invasores.

Isso é fundamental do ponto de vista médico, pois permite estabelecer diagnósticos e combate ao agente patogênico.

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Patologia

Um espirro por si só pode ser interpretado como uma adaptação defensiva humana a uma infecção.

Vírus, parasitas, bactérias e fungos tem co-evoluído conosco e com os animais a milhões de anos e vem permitido adaptações em nosso sistema imunológico. De fato, o sistema imunológico de um dragão de komodo é extremamente especifico e peculiar de acordo com a microbiota que ele carrega em sua saliva por exemplo. Ou até mesmo o sistema imunológico de um urubu, de acordo com sua biologia e dieta. Até as células que fazem parte do sistema imunológico de tubarões tem apresentado peculiaridades em relação aos demais animais.

Do ponto de vista genético é possível rastrear pelos marcadores moleculares mudanças hereditárias, genótipos, morfologia, virulência, transmissividade de hospedeiro e até a taxa de reprodução de parasitas. A transferência horizontal de genes levou os médicos a produzir novos antibióticos para bloquear os elementos moveis dessa microbiota patogênica.

Na patologia a transferência horizontal de genes em bacterias representa uma corrida armamentista. A transferência horizontal de genes foi descrita pela primeira vez no Japão numa publicação de 1959 que demonstrou a transferência de resistência a antibióticos entre espécies diferentes de bactérias. No entanto, o significado da sua pesquisa não foi devidamente apreciado no ocidente nos dez anos que se seguiram. Michael Syvanen foi um dos primeiros biólogos ocidentais a explorar o significado potencial da tranferência horizontal de genes. Syvanen publicou uma série de artigos sobre transferência horizontal de genes começando em 1984, prevendo que a transferência lateral de genes existe, tem significado biológico e que este processo moldou a história evolutiva desde o primórdios da vida na Terra. Transferência horizontal de genes é uma forma de engenharia genética e só pode ser completamente entendida combinando os conhecimentos dos mecanismos genéticos envolvidos, a dinâmica populacional procariótica e as condições seletivas que irão, conseqüentemente, determinar o destino dos eventos de transferência horizontal de genes na evolução dos procariotos. Fato esse que afeta toda a biodiversidade da Terra, uma vez que muitos procariotos estão diretamente relacionados à manutenção da vida de organismos “superiores” (puis entre aspas porque em biologia evolutiva o termo superior e inferior não tem sentido algum uma vez que todos estão vivos e portanto todos estão aptos a viver).

Sob o ponto de vista da saúde publica os geneticistas tem rastreado o vírus da gripe com amplas amostras de hospedeiros e identificado que grande parte das novas cepas que vem atacando a humanidade se desenvolve primeiro em animais silvestres que passam para animais domésticos e através de mutações cumulativas acabam se compatibilizando com a biologia do homem. Aves selvagens e porcos são fontes primarias desses vírus novos.

Influenza A (H5N1) Bird Flu (Avian Flu). Diferentes cepas de virus da gripe

A cepa H5N1, por exemplo, tem 8 segmentos genéticos exclusivos que podem ser recombinados e passados em diferentes linhagens hospedeiras.

Essa reconfiguração permite os patógenos esquivar-se da ação de antibióticos por exemplo.

A medicina darwiniana também explica porque o parto do Homo sapiens sempre deve ser assistido, ou seja, sempre depende de uma mãozinha de uma parteira, graças ao tamanho da pelves que quando comparada com outros primatas não acompanhou a alta e abrupta evolução na nossa espécie.

A droga Herceptin, por exemplo reduz em 25% um câncer de mama inicial mas podem causar problemas cardíacos. É possível saber com um simples genótipo da pessoa se ela pode desenvolver tal problema cardíaco ao usar a droga.

Sob o ponto de vista farmacológico os biólogos e médicos produzem genes intencionalmente mutados para verificar a proteína que é codificada e selecionar aquelas que tem melhor desempenho para uma rodada de testes farmacológicos por exemplo.

A vacina do papiloma vírus (HPV), e Hepatite C também tem respaldo evolutivo. Proteínas quiméricas podem ser 250 vezes mais efetiva em suprimir uma reprodução viral. A evolução a serviço da medicina.

A proteína humana P53 geneticamente melhorada pode suprimir tumores com muito mais efetividade do que a versão original.

A identificação de espécies de interesse farmacológico e rastreamento de espécies em risco de extinção pode ser baseada também na biologia evolutiva (veja:  ELEFANTES PODEM TER, EM BREVE, MESMO FIM QUE MAMUTES: EXTINÇÃO.)

Algumas espécies ainda são dotadas de uma capacidade muito peculiar, são chamados de animais metagenomicos.

Metagenoma é o nome dado ao genoma coletivo da microbiota total encontrada em um determinado habitat.

A metagenômica é a análise genômica da comunidade de microrganismos de um determinado ambiente por técnicas independentes de cultivo. Essa abordagem consiste na extração de DNA diretamente do ambiente e construção de uma biblioteca metagenômica com este genoma misto. Essa estratégia permite o acesso a genes de bactérias incultiváveis de inúmeros ambientes. Uma analise de metagenomicos mostrou que microorganismos do trato-intestinal do homem tem 100 ou mais genes diferentes do que encontrado em nosso próprio genoma. Existem mais de 300 espécies de microrganismos não identificados porque necessitam de tais culturas para serem obtidas.

A vaginose bacteriana associada ao parto prematuro e inflamação pélvica também é estudada sob a luz da medicina darwiniana assim como a recente explosão de super bactérias resistentes em hospitais em todo o mundo e aqui mesmo no Brasil.

Alguns indivíduos resistentes na Europa não tem a proteína que é utilizada como receptor de membrana pelo tipo III de HIV na Europa e essas pessoas são imunes a este vírus da aids. Ainda há casos de adaptações sobre a tolerância a lactose, ao PTC e uma infinidade de características que a medicina darwiniana tem explicado.

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O câncer

A seleção natural as vezes é aplicada erroneamente ou até mesmo de forma extrema em certos pontos de vista. Sob o darwinismo social ela já foi descartada a muito tempo. Sob o ponto de vista da física alguns cosmologos usam a idéia de que todos os universos possíveis existem, mas somente aqueles com melhores características físicas e químicas poderia perpetuar-se e desenvolver-se em universos complexos e paralelos.

Essas aplicações da leia da biologia na física podem ser bastante polemicas e não vem ao caso. O destaque aqui é, se a seleção natural é capaz de criar complexas estruturas, como os olhos, através de pequenos e cumulativos passos, ou criar um exercito de células defensivas chamadas de sistema imunológico, porque não atuaria também dentro de um câncer?

Obviamente que a seleção natural favoreceu alguns mecanismos de defesa do nosso corpo.

O neutrófilo é a primeira linha de defesa que é responsável pela fagocitose do microorganismo.

Os eusinófilos, por exemplo, aumentam no inverno e só reagem na presença de vermes ou de processos alérgicos. Um aumento de 35% já indica infecção por vermes. Os basófilos também reagem a processos alérgicos e a enzima lactoferrina é quem faz a lise desses microorganismos a partir dos lisossomos. Na medula óssea os monócitos se dividem, recebem seus receptores específicos e no tecido se diferenciam em macrófagos, já que eles não ocorrem no sangue. No fígado dão origem as células de Kupffer, no pulmão macrófagos alveolares, no baço os macrófagos esplênicos além de macrófagos peritôniais e microglia no sistema nervoso central.

As células Natural Killer ou NK são exclusivas para tumores ou infecção viral

O grau de especificidade das células do sistema imunológicos e tão grande que cria “castas” de células com funções específicas.

Os linfócito T são divididos em várias categorias. Os TCD4 são diferenciados em células de memória e TH1 e TH2. Os TH1 auxiliam diferenciando monócitosem macrófago. Seinfectados, os macrófagos ele ativa células NK ou neutrófilos que o destroem. Os TH2 ativam linfócitos B.

Os TCD8 são linfócitos T citotóxicos específicos para células tumorais ou infecção celular (intracelular). As células TCD8 ainda se diferenciam em CLT que é responsável pela memória imunológica por exemplo.

A biologia evolutiva ainda esta longe de conseguir a cura do câncer, mas compreender a historia do câncer é uma dica fundamental para seu combate e assim poder estender a vida do ser humano com maior qualidade.

De fato até mesmo os alelos letais seguem a seleção natural. O alelo letal é aquele que quando expresso leva o individuo a morte. Se um alelo letal se expressa simplesmente antes da época reprodutiva do animal ele obviamente não pulara para a geração seguinte e portanto não perpetuará. A seleção agiu ate nos alelos letais, levando os a se expressar o mais tardio possível, dando tempo para seu portar se reproduzir e gerar uma prole com esse alelo.

Depois que os animais (e não a primeira forma de vida) surgiram a mais ou menos 700 milhões de anos as células do seu corpo continuaram a se reproduzir utilizando o maquinário bioquímico herdado de seus progenitores.

Isso permitiu a complexidade multicelular dos organismos (veja: EVOLUÇÃO DAS PLANTAS: O COMEÇO DE TUDO.) e o surgimento de novos genes (veja: LA PULCE D’ACQUA È L’ANIMALE CON IL PIÙ VASTO PATRIMONIO GENETICO.) capazes de controlar a reprodução dessas células. De certa forma o câncer reproduz em nós mesmo o processo evolutivo responsável pela adaptação dos animais no ambiente. A multicelularidade.

Mas um câncer é conceituado como uma massa celular sem uma função especifica.

Dentro de um tumor as células mais adaptadas tendem a superar a menos aptas que acabam morrendo e por si só um tumor pode se “implodir” graças a essa característica e a atuação do sistema imunológico também em conjunto. Não há milagre, existem casos, muitos casos registrados na literatura científica.

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Psicologia evolutiva

Sempre que falo sobre darwinismo relacionado a evolução humana as pessoas acreditam que vou falar sobre genes e proteínas, anatomia e morfologia.

De fato, a evolução humana que se iniciou a 7 milhões de anos atuou por exemplo sobre o gene acido graxo sintase, que sofreu grandes modificações e possibilitou a confecção de novos ácidos graxos fundamentais na evolução do nosso sistema nervoso central.

Mas, percebo que tenho dado pouca atenção a etologia, o comportamento humano. Tenho falado mais sobre a etologia de animais, principalmente de aracnídeos, mas nunca da evolução humana.

A psicologia evolutiva não tem um caráter ligado diretamente a medicina darwiniana, mas tem uma aplicação que pode ser bastante útil para compreender nossas bases comportamentais, as bases de nosso pensamento. Não querendo entrar em aspectos básicos das emoções como esboçou Jean Paul Sartre quero aqui discorrer sobre algumas falácias a respeito da psicologia evolutiva humana.

Pleistoceno

A psicologia evolutiva é um ramo que vem sendo amplamente desenvolvido, inclusive aqui no Brasil e muitas vezes sendo acompanhado sob a perspectiva da primatologia. Fora do Brasil o primatologista Frans de Waal tem obtido bastante resultado a respeito do tema.

Na psicologia evolutiva o encéfalo é interpretado como um conjunto de engrenagens que evoluíram especializadas para solucionar problemas adaptativos de nossos ancestrais caçadores coletores por exemplo.

A seleção natural, sexual e outros mecanismos evolutivos permitiram não somente o desenvolvimento de órgãos, de sistemas imunes, mas também órgão mentais especializados na linguagem, representação facial conforme já supracitada por Darwin em A expressão das emoções em homens e animais, percepção espacial (vale a pena conhecer mais sobre memória espacial e córtex entorrinal, minha monografia de graduação) uso de ferramentas e atração do parceiro.

São todos mecanismos que dependem direta ou indiretamente do nosso alto poder cognitivo e portanto da psicologia evolutiva humana.

Essas características fazem parte da natureza universal humana e o desenvolvimento cultural e individual são frutos desses processos mentais.

Mas estudar psicologia evolutiva é difícil, principalmente na evolução humana e nos nossos ancestrais uma vez que o comportamento não se fossiliza.

Desta forma, vários equívocos vem sendo tomados com base na psicologia evolutiva humana.

Nossos parceiros ancestrais no período do Pleistoceno (entre 1 milhão e 806 mil e 11 mil e 500 anos atrás) eram obrigados  a escolher um parceiro com vigor reprodutivo e induzir o parceiro(a) a escolhe-lo. Essa descrição ainda é abstrata para fornecer interpretações a respeito das adaptações psicológicas da humanidade, isso porque atrair um parceiro é uma tarefa difícil para todas as espécies.

Os machos oferecem engodos para ganhar a fêmea, algumas espécies de opiliões oferecem um ninho, outras oferecem presas já capturadas como moeda de troca do sexo.

O pouco que se tem a respeito da psicologia evolutiva nesse ponto foi adquirido pelos paleontólogos que mostram principalmente as interações sociais dos grupos que caminhavam pelo planeta.

As sociedades caçadoras coletoras pouco informam sobre sua estrutura social, apresentando um estilo de vida bastante variável de grupo para grupo entre os que habitam ou deixaram de habitar a África. Para inferir algo na psicologia evolutiva sofisticada dos homens no Pleistoceno seria necessário estudar o comportamento dos hominídeos o que não é possível.

Sem saber o perfil psicológico dos nossos ancestrais não há como definir quais os mecanismos que a seleção natural impulsionou em nossas mentes atuais.

Geralmente os biólogos conseguem replicar as pressões que determinaram a evolução das espécies usando o método comparativo para estudar um grupo que descende de um ancestral em comum.

As diferenças existentes entre essas grupos que derivam de um ancestral comum geralmente expressam as diferentes exigências impostas pelo ambiente em que viviam. Assim quando dois grupos compartilham a mesma característica significa que estavam expostos a exigências ambientais semelhantes.

A linguagem é uma adaptação humana.

Como ela evoluiu? Ou seja, de que adaptação ela resultou só é possível obter ao se identificar as funções nas quais ela serviu os nossos ancestrais não sabemos. Nossos parentes mais próximos vivos hoje são os chimpanzés, mas neles não há traços psicológicos e cognitivos complexos que figurem a linguagem como a nossa.

Assim, (ainda) não é possível identificar as exigências ambientais comuns a nós e nossos parentes próximos que desencadearam traços psicológicos comuns aos quais nos adaptamos. Talvez dados sobre a ecologia de nossos ancestrais pudessem explicar tal característica.

Entretanto, o método comparativo fornece dicas a respeito de nossa evolução. Isso determina traços humanos universais, como o gene da anemia falciforme o a tendência dos homens em escolher mulheres com traços mais juvenis e as mulheres escolher homens mais fortes. Isso são traços desencadeados pelos hormônios e são características universais da humanidade embora o excesso de testosterona no homem pode afetar o seus sistema imunológico e fornecer a dica falsa de que o homem seja saudável mas fisiologicamente seja debilitado pelo excesso de tal hormônio.

As pessoas acreditam que o homem moderno contém comportamentos da idade das pedras. Uma imagem equivocada uma vez que os mecanismos psicológicos humanos sem duvida surgiram no Pleistoceno embora outros mecanismos tenham sido herdados de tempos mais remotos.

Jaak Panksepp da Bownling Green State University identificou sete sistemas emocionais em humanos que viveram anteriormente ao Pleistoceno. O cuidado, pânico e ação remontam a origem dos primatas enquanto a raiva, medo, perseguição e prazer tem origem nos pré-mamíferos.

As estratégias de conquista do parceiro sexual aprecem ter surgido realmente no Pleistoceno. Quando o resultado reprodutivo de um relacionamento supera os custos em potencial essas adaptações levam a infidelidade por exemplo.

Bonobos e chimpanzés são espécies promiscuas, e compartilham conosco parte desses comportamentos. Isso é evidenciado no livro de Frans de Waal Eu, primata!

Assim, as características humanas construídas ao longo da evolução humana foram criadas com base nessa promiscuidade embora hoje grande parte da humanidade (principalmente no Ocidente) adote um sistema monogâmico com constituição de família nuclear, embora outros sistemas tenham sido adotados pela humanidade em outros locais do mundo, como o poligamia, poliginia e poliandria, variando de acordo com a cultura e tradição.

Alguns sistemas emocionais evoluiram com base na estimulação de estabelecimento de relações sociais e culturas mais efetivas.

Grande parte de nossos sistemas emocionais surgiram independentemente daqueles que surgiram durante o Pleistoceno e muitos evoluíram e se divergiram dos comportamentos ancestrais.

De fato em apenas 18 gerações, ou mais ou menos 450 anos é possível mudar o comportamento individual e coletivo de um grupo de humanos.

É de se pensar que a 450 anos atrás a concepção que se tinha do amor é bastante diferente daquele que se tem hoje.

A primeira manifestação que se tem do amor dentro da espécie humana, ou o que hoje caracterizamos como amor, foi a ornamentação dos mortos e os enterros bastante comuns e bastante evidenciados nos últimos 40 mil anos. Período que os antropólogos acreditam ser o pico máximo de desenvolvimento da criatividade humana.

Na Grécia antiga a sociedade patriarcal patriarcal tinha uma forma rudimentar de convivência. As mulheres não podiam ler e escrever, o amor Romântico não existia. Só viria a surgir no século XII.

Com o amor cortes, no feudalismo, surge o precursor da forma de amor que sentimos hoje, o amor inalcançável e inacessível, confundido geralmente com o amor platônico. Amor não entrava no casamento, casava-se por interesse de bens, o amor só entra casamento a partir do século XIX.

De certa forma o amor que sentimos hoje é uma construção social fruto da revolução industrial, da criação da exclusividade, da monogamia e famílias radicalmente nucleares que vinham saindo das regiões rurais e tomando conta da cidade. A partir de cerca de 1940 ocorrem casamentos por amor. (veja: SEXO: DA NECESSIDADE AO PRAZER. AMOR, REAL OU CONSTRUÇÃO BIOPSICOSSOCIAL?)

O amor romântico vem crescendo no bojo da revolução industrial e construindo umconjunto de ideais e expectativas que englobam a exclusividade sexual, satisfação mutua do amor, o desejo sexual por uma única pessoa. São no fundo expectativas mentirosas que geram o sofrimento. A tendência é que no futuro as relações se tornem frouxas e abertas, sem o amor romântico sem a exclusividade no amor e que comportamentos homossexuais sejam mais aceitos pela sociedade, principalmente no Ocidente.

Sem dúvida o Plesitoceno nos modelou psicologicamente embora outros eventos da história da humanidade também o tenha feito. A revolução agrícola e industrial certamente modelaram nossa psicologia e comportamento individual e coletivo, além de impor novos obstáculos e pressões seletivas. A criação de abrigos, da educação certamente fazem parte do processo de construção da psicologia humana.

O ciúme evoluiu como alarme emocional sobre a possibilidade de traição e minimizar a perda de investimentos genéticos e reprodutivos. De fato elas trazem conseqüências distintas para os sexos.

Para o homem a infidelidade representa investimentos parentais em um filho que não é dele. Para a mulher o envolvimento emocional do parceiro com outra fêmea ameaça a perda de recursos.

A mente masculina moldada pela psicologia evolutiva o torna mais susceptível a traição e a mente feminina a impactos emocionais. De fato pesquisas mostram que para o homem a infidelidade da mulher é mais perturbadora do que a infidelidade emocional, embora esses dados impossibilitem traçar um perfil psicológico da evolução humana.

Isso mostra que homens tem mais inclinação a atos sexual sem vínculo emocional e a mulher uma inclinação a traição com base em laços emocionais mais evidentes.

No caso dos homossexuais, eles tem menos inclinação a ver a traição sendo perturbadora do que a emocional. De fato o estudo mostra que os homossexuais são menos inclinados a achar que a infidelidade sexual possa ser uma ameaça ao relacionamento.

Ainda faltam muitos estudos paleontológicos que possam permitir traçar um perfil psicológico com base na evolução humana uma vez que comportamentos e psicologia não fossilizam. Mas com o que temos registrado é possível inferir algumas premissas que suportam respostas temporárias. O que é mais evidente é que a psicologia evolutiva e a medicina darwiniana estão presentes cotidianamente em nossas vidas

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Referências.

Buller. D. J. Equívocos da psicologia evolutiva popular. Scientific american. Fevereiro de 2009. Pagina 62.

Mindell. D. P. Evolução expressa no cotidiano. Scientific american. Fevereiro de 2009 Pagina 70.

Zimmer. C. Pistas evolutivas do Câncer. Scientific american. Fevereiro de 2007 Pagina 54.

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Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Medicina Darwiniana, Evolução, Patologia, Psicologia evolutiva, Câncer, Seleção natural.

One thought on “MEDICINA DARWINIANA E PSICOLOGIA EVOLUTIVA. A PRESENÇA COTIDIANA DE DARWIN EM NOSSAS VIDAS. (comentado)

  1. Na medicina de hoje, altamente virada para o comercio farmacológico, estamos a esquecer a funcionalidade cerebral desde o ponto de vista evolutivo, esquecendo dos medos e outros fatores evolutivos. E algumas sociedades ainda são tão covardes como para proscrever a Nova Medicina Germanica do Dr. Hamer.

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