OLHANDO PARA OS SUMÉRIOS. DESCARACTERIZANDO A ESCATOLOGIA, MAS NÃO A CORAGEM DOS ESCATOLOGISTAS.

Se primatas de grande porte extintos como o Ouranopithecus que viveu na Grécia ainda tivessem um sistema social e cognitivo avançado teria criado mitos e historias a respeito do fim do mundo. Do ponto de vista religioso o fim do mundo representa uma metáfora para explicar uma interpretação egoísta e narcisista. Isso porque nos estudos apocalípticos, apologéticos e escatológicos o fim do mundo representa o fim da humanidade.

Todos tem medo do fim, a morte é o fim, apesar de ser um mecanismo extremamente injusto e por razões que não justifica-se neste textos.

O mundo já teve vários fins antes mesmo de nós existirmos. Animais já foram extintos em grandes eventos climatológicos, geológicos e naturais. Nenhuma espécie hoje é geneticamente idêntica aquelas de 400 milhões de anos atrás.

Por mais que aranhas da família Liphistiidae ainda apresentem as mesmas características anatômicas de seus ancestrais do Devoniano, como a segmentação abdominal, elas não são geneticamente idênticas. O mesmo ocorre com outras espécies, a Ginko Biloba, os o celacanto fóssil vivo.

Nenhuma forma de vida hoje é geneticamente idêntica aos seus ancestrais embora compartilhem o mesmo rio de genes de seus pais e permitam traçar um perfil evolutivo bastante interessante.

Sob essa concepção cabe até a idéia de Heráclito de Éfeso que dizia que não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, Panta rei (Tudo flui)

Nós, e uma série de animais que compartilham o mesmo tempo de existência aqui na Terra atualmente, provavelmente não viveremos para a eternidade, e esse medo é o que justifica a necessidade da mitologia. O fim apocalíptico interpretado como a manifestação do mal metafísico, um evento final onde o deus aparecera para a humanidade abraçara aqueles que o seguem e os que não o seguem verão o demônio.

A epifania chamada de Apocalipse (revelação) por João de Patmus suporta essa mitologia, mas o que suporta sua epifania?

Livros como o apocalipse não são exclusividade do cristianismo. Por quase todas as religiões há relatos de futuros tempos de tribulação, de destruição e morte trazidos pelo inimigo.

Apocalipse é uma passagem antes de tudo, judaica (hebraica) e não cristã. De fato, o cristianismo não tem uma filosofia autentica, ele coopta as tradições do judaísmo, reverte-as em um Deus bondoso graças a Paulo de Tarso na qual Nietszche culpa pela fracasso filosófico, e ganha uma característica exclusiva somente a partir do momento em que Jesus, o prometido filho de deus pisa na Terra.

Relatos como o do dilúvio também não são exclusividade cristã.

Utnapishtim, ou Ziusudra era o herói mitológico babilônico cooptado dos sumérios, referido como rei e sacerdote de Shurrupak, filho de Ubara-Tutu, (aquele que viu a vida).

Escrita Sumeria

Sua lenda está inserida no poema Enuma Elish, a cosmogonia suméria que antecede a bíblia em cerca de 1000 anos e que narra como o deus Enlil desgostoso da maldade dos homens decidiu eliminá-los da face da terra ordenando uma grande inundação. Como Utnapishtim fosse protegido do deus Enki, foi por ele prevenido do desastre e instruído a construir uma arca e nela embarcar sua família e um casal de cada um e todos os animais.
Grande parte das passagens bíblicas são cooptadas de outras mitologias assim como o pensamento cristão é baseado na filosofia grega e o direito baseado no estado romano.

Assumir que doenças, guerras, destruição de recursos naturais, eventos sismológicos e astronômicos são evidencias de um possível retorno de deus é falso.

Isso porque estes eventos sempre ocorreram ao longo de toda a história da humanidade e até antes dela. Se o ser humano não tivesse nascido, não haveria discussão sobre a veracidade das afirmações sobre deus e mesmo assim haveria doenças, eventos sismológicos, impactos de meteoros e assim por diante.

Que venha o dia do juízo final, se esse é o momento que tanto esperam as pessoas que acreditam em deus então deveriam permitir que o mundo se desintegrasse estimulando a destruição das sociedades, das relações pessoas, ou perpetuar o modelo de desenvolvimento econômico atual e permanecer inerte aos problemas ambientais.

O dia do juízo final é esperado e anunciado desde o século X, mas até o momento o fim nem se mostra perto. Os colapsos da bolsa, as falcatruas da FMI permanecem, os problemas sociais sempre existiram, os choques entre religiões também. Nada de incomum tem ocorrido em comparação ao passado. A historia simplesmente continua a ocorrer, os eventos escorrem ao longo do tempo e o juízo final parece cada vez mais distante. O mercantilismo e feudalismo não são mais modelos vigentes, as relações econômicas mudaram, as guerras diminuíram embora o arsenal esteja tecnologicamente melhorado…

Que venha o dia do juízo final, enquanto os alarmes falsos são dados a respeito do fim do mundo (veja aqui) mais incoerente fica a escatologia cristã e mais corajosa ela se torna.

A bíblia descreve todas as respostas do mundo, como é possível criar o mundo em 6 suaves prestações, como a humanidade pode ser criada pela geração espontânea, como devemos agir moralmente, e apontando passagens sobrenaturais interpretadas literalmente. Mas a bíblia é um livro covarde, porque ela tem a resposta de todas as perguntas da humanidade, exceto das principais perguntas. Qual a origem de Deus? e Quando será o fim do mundo?

Vejamos outro exemplo. Recentemente uma reportagem em um dos mais visitados sites criacionistas mostrou que a genética pode confirmar um relato Bíblico, as viagens do rei Salomão e sua visita a Rainha de Sabá. A genética neste caso poderia sustentar cientificamente esse relato bíblico. E é interessante, pois é fundamental aplicar ciência para conhecer os relatos bíblicos e sustenta-los ou não, embora estes sejam realizados por cientistas e não criacionistas.

O documento baseia-se em dois estudos de análises genômicas para traçar a história do povo judeu através do DNA. O neurobiólogo e geneticista de Havard Dean Hamer autor do livro O gene de Deus fez um trabalho parecido, mostrando como o povo judeu é fiel as suas tradições. O caso é que a análise evidência unicamente o grau de parentesco entre os povos diferentes que ocupam o Oriente Médio e não a existência de uma entidade divina. Golias de Gate pode ter existido realmente, basta encontrar evidências genéticas ou corpos de 3 metros de altura, mas isso não significa que ele fosse filho de um humano com uma entidade divina. O interessante é que por mais que o estudo seja puramente arqueológico, ele é oportunamente usado pelos criacionistas para tentar validar cientificamente o criacionismo embora não tenha evidência alguma da existência de um criador. Aqui chegamos no ponto na qual eu abordei no texto ESCATOLOGIA OPORTUNISTA. CONHECENDO JEAN THEOPHILUS DESAGULIER. A idéia do oportunismo.

Na reportagem a pesquisadora responsável pelo estudo diz:

Termos como “genética”, “populações” e “ancestral comum” são estruturas técnicas que baseiam o estudo das populações e como elas evoluem. Termos evolutivos aplicados na arqueologia oportunamente utilizados por criacionistas. Não há problema algum para a ciência aplicar conceitos e técnicas utilizadas em genética de populações de povos bíblicos ou no estudo da evolução, mas e para os criacionistas? Se a aplicação das técnicas e metodologias são validas para se estudar as populações descritas nos relatos Bíblicos deve ser válida também para a evolução. Se houver uma apelação criacionista de que o estudo e mapeamento da genética de populações pode ser obtido para fins bíblicos e não evolutivos claramente estamos vendo um oportunismo criacionista que poderíamos até caracteriza-lo como a famosa Falácia do Escocês. Por outro lado, a aceitação na ocasião Bíblica implica na aceitação de que a técnica pode ser valida para estudos evolutivos. Afinal, tudo esta em constante mudança, as tradições, a sociedade, a música, a vida e até mesmo a religião cuja evolução já abordei até em árvores genealógicas, veja aqui.

Esse oportunismo e especulação tem sido a chave e a essência do criacionismo e por isso é anti-científico. Em ciencia é possível identificar por exemplo em que circunstancias a vida surgiu, na Terra ou em algum lugar no espaço. Através de estudos de planetas e sistemas solares é possível identificar locais onde ha possibilidade de surgimento da vida. A ciência pode buscar isso. O criacionismo nem ao menos pode especificar uma data para o fim do mundo que eles tanto almejam, pela vinda do filho do Homem. As datas calculadas de forma mais ou menos cientifizadas erraram, e a desculpa dada é que na bíblia não ha essa data especificada.

Corajosos são os escatologistas que sem evidências alguma conseguem mesmo que erroneamente calcular datas para o juízo final. São muito mais sensatos do que os covardes que acreditam que a bíblia fornece todas as respostas do mundo, exceto a data do dia do juízo final. Quanto a origem do designer inteligente, permanece sem resposta. Uma pergunta que para os covardes não pode ser respondida e que para os corajosos existe a possibilidade de se tentar…

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Apocalipse, Sumérios, Juízo Final, Cristianismo, Escatologia

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