NOVA ENGUIA TRAZ INDÍCIOS DE ESPÉCIE DE 200 MILHÕES DE ANOS ATRÁS (comentado)

Características de nova espécie de enguia são similares a ancestrais de 200 milhões de anos atrás

Uma nova espécie de enguia encontrada no interior de uma caverna submersa está sendo comparada pelos cientistas como sendo um “fóssil vivo”.

O motivo: suas características são similares às primeiras enguias que viveram na Terra 200 milhões de anos atrás.

 A enguia foi localizada a 35 metros de profundidade de uma caverna que pertence à República de Palau, na Micronésia, no oceano Pacífico, informa o jornal “Proceedings of the Royal Society B”.

O Instituto e Museu de História Natural de Chiba, no Japão, divulgou a imagem da enguia nesta terça-feira.

Fonte: Folha

 .

Resenha do autor

Vejamos que interessante, esta espécie é considerada um fóssil vivo, assim como o celacanto, as aranhas da família Liphistidae ou no reino das plantas com as Gink bilobas. Geneticamente elas são recentes, um fóssil vivo é um exemplar que carrega características morfológicas primitivas e não necessariamente genética primitiva. As aranhas Liphistidae, que ocorrem na Ásia por exemplo, apresentam as segmentações em seu abdômen semelhante aos aracnídeos datados do período Devoniano. O mesmo caso ocorre com esta enguia que é anatomicamente reconhecida como um enguia, mas com características semelhantes a sua versão primitiva.

Liphistidae

Isso ocorre com os samambaiaçus que eram utilizadas como alimento por dinossauros herbívoros no Cretáceo. A questão não é a ausência de pressão evolutiva, mas a consolidação genética de um plano corpóreo com valor adaptativo alto e o sucesso da espécie com suas estratégias de sobrevivência, seu comportamento e características biológicas.

Criacionistas tem discutido esta reportagem na internet afirmando que esta enguia é apenas uma versão microevolutiva de uma espécie qualquer e não evidencia a questão macro.

Nenhum animal hoje é geneticamente idêntico aos seus ancestrais. Embora carreguem informações ancestrais que conferem um plano corpóreo/anatômico primitivo ela carrega também acúmulos de variações em regiões gênomicas de pouco ou nenhum valor diferencial bioquímico (DNA junk) e outras com grandes valores adaptativos (DNA codificante).

Nenhuma espécie presente hoje no planeta é semelhante integralmente a genética de seus ancestrais, embora sejam a mesma espécie. As variações ocorrem, mas sob o ponto de vista genético, e com o embaralhar e reembaralhar das cartas (genes) a cada nova geração informações são perdidas (pela deriva genética por exemplo) e outras são criadas (troca de bases no DNA), assim novidade podem ou não surgir.

O que evidencia a evolução no registro fóssil, além do próprio registro fóssil é a capacidade que temos de encontrar espécies extintas que não estão mais presentes atualmente e espécies viventes atualmente que não se encontram em registros fósseis. Não encontramos ursos polares no Devoniano e nem trilobitas no Holoceno.

Essa variação faunística e florística de períodos de tempos distintos se mantém conectadas por um conjunto de indivíduos mortos e por vezes ainda vivos, mas ainda sim diferentes de seus ancestrais comuns.

Sabemos que os artrópodos já estavam presentes no mundo a mais de 450 milhões de anos porque encontramos fósseis com todas as características de artropodos datadas neste período. Isso é evidenciado pelos trilobitas por exemplo.

O límulo que também é um fóssil vivo apresenta características extremamente primitivas, inclusive ainda mantendo um padrão anatômico muito próximo de seus parentes trilobitas. O que o torna ainda vivo é o seu sucesso em estratégias de sobrevivência e talvez até mesmo a não variação de suas características morfológicas. Trilobitas se diferenciaram em diversos planos corpóreos, mas por pressões seletivas especificas acabaram tendo sua biologia inapta em algum período de tempo catastrófico e limitante.

Límulo

Não há razão alguma para acreditar que a evolução ocorre somente em nível macro. Não há artigos científicos, nem religiosos (criacionistas) que comprovem que as variações ocorrem somente no nível da espécie e que nunca podem gerar espécies diferentes.

De fato é isso que vemos na evolução, espécies e mais espécies interligadas por fósseis, por comparações e aproximações feitas pelo DNA, a fisiologia, cariótipos, morfologias, anatomia e até comportamento mostrando a aproximação das espécies ou seu distanciamento.

Vejamos um exemplo! Comumente as pessoas referem-se a evolução humana como um processo em que um macaco deu origem ao homem.

Essa questão reducionista criacionista “neomaltusiana” nefasta já foi discutida em A VISÃO REDUCIONISTA DA EVOLUÇÃO HUMANA. FALANDO SOBRE A FALA, mas o que aqui é pontuado é que o chimpanzé tem suas peculiaridades biológicas assim como o ser humano. Entretanto, mesmo assim eles são relativamente próximos porque existe um conjunto de várias (e não apenas uma) características que eles compartilham entre si.

A genética bastante semelhante, com 99% de semelhança (semelhante a um teste de paternidade, mas com uma técnica que aproxima espécies e não parentes). A diferença cromossômica, ou cariotípica é também muita pequena, de apenas dois cromossomos (LA PULCE D’ACQUA È L’ANIMALE CON IL PIÙ VASTO PATRIMONIO GENETICO).

Os comportamentos sociais também compartilhamos embora sejam modelados de acordo com a cultura de cada grupo. A morfologia é bastante semelhante entre os membros, a anatomia também inclusive com a adoção do posicionamento bípede parcial nos chimpanzés.

Embora a genitália deles tenha peculiaridades (sabe-se que essas características são exclusivas deles e de seus parentes bonobos, cuja a evolução não detalharei aqui devido a questões geográficas e a extensão do assunto). Finalmente, a fisiologia, com pequenas e sutis diferenças embora certas doenças podem ser até mesmo transmitidas ente essas espécies.

O que mostro aqui é que apesar de serem semelhantes genética e anatomicamente, cada espécie tem sua peculiaridade, o que era de se esperar, pois caso não tivessem seriam a mesma espécie. As sutis diferenças genéticas entre essas espécies e o que torna um chimpanzé um chimpanzé e o humano um humano (veja: PORQUE SOMOS HUMANOS E PARTE NEANDERTHAL? ).

É como comparar leões e gatos. É claramente visível que leões e gatos tem um parentesco em comum, afinal todos são felinos, assim como chimpanzés e humanos, sapos e salamandras, dinossauros e teiús, pombos, dodôs e extrapolando a situação o blues e o rockbilly (ESTUDO ATACA SUPOSTA EXISTÊNCIA DE UMA “GRAMÁTICA UNIVERSAL”), o cristianismo e judaísmo e islamismo (PASTOR TERRY JONES QUEMÓ EL CORÁN Y MUSULMANES RESPONDIERON CON MATANZA EN AFGANISTÁN) ou o idioma alemão e o Holandes.

Mas existe um abismo (que não precisa ser genético) de diferença entre o leão e o gato.

Anatomicamente são distintos, gatos (podem) ter evoluído para pequenas dimensões (ou) e leões para grandes dimensões (inseri “ou” e “podem” porque o ancestral entre eles pode ter dimensões medianas, grandes ou pequenas).

Morfologicamente são distintos, gatos tem uma face mais clara, limpa e sem a juba característica dos leões.

Não poderíamos dizer que não são parentes entre si porque visualmente a semelhança é intensa apesar de cada peculiaridade, mas mesmo com esse grau de distanciamento é possível inferir parentesco devido a diversas semelhanças. Um exemplo, estudos comportamentais evidenciam que tanto gatos quanto leões apresentam o mesmo comportamento de auto-limpeza. Isso quer dizer que as movimentações dos membros para fazer a limpeza do próprio corpo são idênticas nos dois grupos. Isso também foi evidenciado ao comparar comportamentos de auto-limpeza em diferentes espécies de aranhas Mygalomorphas e entre espécies diferentes (e parentes) de gafanhotos, formigas e moscas.

Somasse isso a grande semelhança anatomica, morfológica, genética, cariotípica e as evidencias dos registros fósseis então é possível considerar gatos e leões felinos e não o leão um felino e o gato um anfíbio.

Até mesmo entre grupos diferentes de animais isso ocorre, dinossauros e aves compartilham semelhanças muito grandes anatomicamente, corroborada por mais de 25 fósseis e podemos inferir a origem das aves por exemplo (UN TERMÓMETRO PARA MEDIR LA TEMPERATURA DE LOS DINOSAURIOS, DINOSSAUROS EVOLUÍDOS e A EVO-DEVO E A PRESENÇA COTIDIANA DOS DINOSSAUROS), e dos anfíbios (A GRANDE CONQUISTA). Há uma área da biologia evolutiva que estuda o compartilhamento de características, classificando-as em homologia, convergência, analogia, atavismo e regressão.

É fundamental que se tenha em mente que os limites de variação não se limitam a espécies (não há artigos científicos feitos por biólogos ou cientistas criacionistas) e podem transcorrer essa linha (que muitas vezes é subjetiva devido as peculiaridades da natureza. Veja: O que é uma espécie?) e gerar novas espécies, tanto naturalmente, em um processo bastante demorado onde a natureza e o nicho do animal são os fatores seletivos, ou visualmente; quanto artificialmente o homem seleciona as características (intencionalmente ou não. Veja: Medicina darwiniana).

Assim a evolução pode ser corroborada em nível macro por evidências (relembrando que a negação do darwinismo feita pelos criacionistas é com base no ferimento do dogma religioso e não por razões cientificas) de diversos campos da ciência.

Isso destaca também que criacionistas especulativos como os que estão na internet (na imensa maioria das vezes) não tem vivência acadêmica alguma, seja na teoria e/ou na prática dos estudos de biologia evolutiva. Portanto não lhes confere competência para ditar o fim da proposta da evolução e até mesmo soltar pérolas a respeito dos fósseis vivos. Afinal, o (neo)darwinismo ainda esta vivo, cotidianamente utilizado para a produção de grandes conhecimentos científicos e educacionais.

Saiba mais em:

FILOSOFIA DA CIÊNCIA. UMA ABORDAGEM A CONCEPÇÃO DE MICRO E MACROMUTAÇÃO E O CONCEITO DE ESPÉCIE. 

MEDICINA DARWINIANA E PSICOLOGIA EVOLUTIVA. A PRESENÇA COTIDIANA DE DARWIN EM NOSSAS VIDAS.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Fóssil vivo, Microevolução, Macroevolução, Evolução, Limulo, Trilobita, Liphistidae, Ginko Biloba, Samambaiaçu, Celacanto, Criacionismo.

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