“PÉROLAS” CRIACIONISTAS.

Em uma alegação mal embasada cientificamente em pleno século XXI, no pós-moderno com a presença cotidiana da ciência para a sociedade, com acesso a informações de grande valor muitas vezes os desentendidos publicam textos absurdos, com pérolas inusitadas.

Aqui comento um texto criacionista que tentar levianamente tratar a questão do tempo geológico na escala de 10 mil anos e não em milhões de anos. Aqui demonstro como os pontos abordados pelo autor são fracos e muitas vezes descompromissados com a idéia da escala dos milhões de anos.

Até mesmo o maior representante do criacionismo alega a infantilidade de acreditar em uma escala tão absurda.

1. As galáxias rodam demasiado depressa

Uma alegação bastante comum dos criacionistas é de que “as estrelas da nossa Galáxia giram em torno do centro galáctica a velocidades diferentes”. Um desconhecimento clássico das leis da física. É o mesmo que não compreender porque existem mudanças geográficas ao viver próximo ao equador ou próximo do Alaska. Não compreende porque próximo aos pólos existe 6 meses de sol e 6 meses de escuridão, ou porque na Colômbia só existe as estações verão e inverno. A explicação é puramente espacial, geografia.

Nossa galáxia gira porque no centro dela há um buraco negro que geralmente é formado com o choque de duas estrelas com massa maior do que dez sóis ou a explosão de uma supernova. O achatamento das galáxias não ocorre devido à sua rotação, mas devido aos movimentos orbitais das estrelas no interior da galáxia. Sendo um aspecto dinâmico, é de esperar que o achatamento vá variando numa escala temporal cósmica, ou seja, numa escala de bilhões de anos. Nas galáxias do tipo espiral-barrada os braços parecem girar, não em torno do núcleo onde esta o buraco negro, mas m função do movimento de rotação da barra de estrelas formada por gases e poeiras.

Esse processo demora milhões de anos para ocorrer. A nossa galáxia vem a alguns milhões de anos engolindo duas pequenas galáxias satélites. Isso é visto e estudo pelos astrônomos há anos e evidencia como o universo trabalha na escala de bilhões de anos.

2. Há poucos restos de supernovas.

Ticho Brahe, um astrônomo dinamarquês viu no século XVI o momento da explosão de uma supernova que até hoje é monitorada pelos astrônomos. Existem diversas supernovas no espaço.

Existem até berçários de estrelas, talvez o mais evidente e mais antigo seja o M8, uma nebulosa de emissão localizada na constelação de Sagitário. Situa-se a cerca de 5.000 anos-luz da Terra.

É um autêntico berçário de estrelas. Muitas estrelas gigantes e  quentes do tipo “O” nasceram no seu interior. Um berçário que existe a bilhões de anos e que concentra um número grande de poeira vinda de explosões de milhares de supernovas.

3. Os cometas desintegram-se rapidamente.

Os criacionista dizem que os “cometas deveriam ter a mesma idade do sistema solar – cerca de 5 mil milhões de anos”.

Este é um argumento fraquíssimo pelo simples fato que não existe somente nosso Sistema Solar, e impactos de grandes proporções ocorrem em planetas arremessando milhares de fragmentos de rocha nos espaço. Basta olhar de sua casa mesmo para a lua e ver as suas crateras, ou a quantidade de meteoros que caem na terra anualmente. A datação desses meteoros levam a casa dos milhões de anos como o meteorito ALH84001, cuja estimativa seja de 11 milhões de anos.

No caso dos cometas existe varias classificações feitas com base na sua orbita. A classificação dos Cometas de longo período refere-se as órbitas com uma grande excentricidade em períodos variando dos 200 anos aos milhares ou mesmo milhões de anos como já foi registrado por astrônomos.

4. Não há lama suficiente no fundo do mar.

Os rios e as tempestades de poeira atiram para o mar lama a taxas mais rápidas… no entanto, de acordo com a mitologia evolutiva, a erosão e a subducção das placas ocorrem desde que os oceanos vieram a existir – alegadamente há 3 mil milhões de anos. Se isto fosse verdade, estas taxas implicariam que os oceanos estivesses totalmente engasgados com quilómetros de sedimentos.”

Atribui-se que o que cai dentro dos mares é apenas terra, o que é uma leviandade prevista na doutrina criacionista. Especulam se há o despejo de toneladas então supõem-se então que os mares estão assoreando. Essa leviandade não leva em consideração vários fatores ecossistêmicos e mais recentemente culturais. Usemos o nosso rio Amazonas como exemplo.

Amazônia delta

O rio amazonas despeja toneladas de sedimentos dentro do oceano atlântico, isso é evidente em fotos, mas no delta no Amazonas não há somente Terra.

O despejo de sedimentos do rio Amazonas no mar conta muito mais do que com terra, e sim matéria orgânica. Quando há o contato entre a água doce e salgada existe um gradiente de temperatura que forma um muco chamado de Cunha.

Esse contato se estende por mais de 200 quilômetros mar a dentro, favorecendo a biologia de diversas formas de vida aquática como zooxantela, algas, diatomáceas, e até os animais terrestres nos mangues.

A dinâmica dos correntes oceânicas e da atividade biológica dilui muito dessa matéria orgânica utilizando-a na sua biomassa. Um exemplo claro é o mar caribenho.

O Caribe tem uma biodiversidade marinha espetacular graças ao rio amazonas, uma vez que os sedimentos de nosso rio caem nas correntes marinhas que banham todo o golfo do México. Graças ao Rio amazonas o Caribe tem aquele espetacular visual. Essa e uma relação que demorou milhões de anos para ser estabelecida e que mostra a dinâmica e equilíbrio natural dos ecossistemas. Algo que devemos reparar é a própria proporção da quantidade de terra em relação a área do mar é desigual. Nosso planeta se chama terra mas deveria chamar-se água uma vez que 70% da superfície do planeta corresponde aos oceanos. Mesmo com toda terra dos continentes dentro do mar não ocorreria assoreamento.

5. Não há sódio suficiente nos mares.

A mesma coisa ocorre com o Sódio, o Fósforo e uma série de elementos químicos, necessários na fisiologia e metabolismo dos seres vivos.

Poderíamos usar até o exemplo do fósforo, que esta em crise, acabando devido a extração excessiva.

Esses elementos são bastante utilizados nos sistemas fisiológicos não somente dos seres humanos, mas também grande parte deste sódio fica no mar e favorece como micronutriente os animais e plantas que la vivem, principalmente a microbiota. Isso é evidenciado em um artigo italiano chamado STUDIARE IL SALE PER CAPIRE IL METEO na qual somente 3% do volume dos oceanos é preenchido pelo sal.

6. O campo magnético da Terra está a decair depressa demais.

Outra evidencia de que a Terra e a vida existe a bilhões de anos é dada pelo magnetismo da terra. Isso porque o magnetismo é evidenciado além do estudo da geografia.

É sabido que o campo magnético da Terra muda a cada magnético do planeta se inverte a uma média de 300 mil anos, o que já extrapola a idade proposta por criacionistas. Segundo os geólogos e geógrafos a última mudança ocorreu a cerca de 780 mil anos, o que pode significar que uma nova mudança é iminente.

Outra evidencia é que animais datados cuja origem é dada em milhões de anos utilizam o magnetismo da Terra como referência para se descolar no espaço (não no sentido quântico). Por exemplo, abelhas usam o magnetismo da terra para se deslocar no ambiente em busca de alimento. As bactérias magnetotáticas são capazes de responder a campos magnéticos devido à presença de nano-partículas ricas em ferro e envoltas por membrana em seu citoplasma, chamadas de magnetossomos. Existem outros exemplos que não vem ao caso, mas que evidenciam a escala de milhões de anos.

8. Material biológico decompõem-se demasiado depressa.

Há diversas formas de datação, dentre elas há especificamente uma baseada nos registros fósseis, com base no decaimento radioativo que é a mais precisa de todas e que são as mais comuns, e também há a datação por relógio molecular.

A datação por relógio molecular é uma técnica utilizada para relacionar o tempo de divergência entre duas espécies com o número de diferenças moleculares medidas entre as sequências de DNA ou proteínas. Quanto mais aparentados geneticamente, menor o tempo de separação entre duas espécies. Geralmente o relógio molecular oferece uma data mais extensa que a datação por radioisótopos.

Um exemplo; de acordo com o registro fóssil os xenartros tem sua origem a aproximadamente 65 milhões de anos. De acordo com a datação por relógio molecular essa origem se estende para 95 milhões de anos. Assim a datação por registro fóssil é muitas vezes utilizada para calibrar outros tipos de datação, como as moleculares.

O material biológico realmente se decompõem depressa, mas a velocidade de decomposição é variável, pois é condicionada pelo ambiente em que o animal morreu.

A taxa de decomposição é diferente entre um pântano ou uma floresta ombrófila como a Amazônia ou a Mata atlântica e um deserto seco. Independente da taxa de decomposição o fato é que os registros fósseis existem.

Não foi eu, ou o designer inteligente que desenhou o animal fossilizado nas rochas. Portanto, apesar de muitas vez o material se decompor rapidamente é possível que em situações muito especiais haja um registro “fotográfico” da anatomia do animal e por vezes até mesmo material genético.

Os processos de fossilização foram discutidos mais precisamente do texto ANÁLISE CONCEITUAL DE FÓSSIL E ESTRATIGRAFIA DESMONTAM CERNE DO CRIACIONISMO e a escala de tempo e o conceito de fóssil como instrumento desmistificador do criacionismo como ciência foi descrito no vídeo desta mesma reportagem.

9. A radioactividade fóssil reduz as “eras” geológicas para apenas alguns anos.

Este tema ja foi abordado aqui no site, uma vez que o autor desta frase (pérola) acima não sabe o que é ciência. Em uma reportagem denominada INTERPRETAÇÕES ABSURDAS EMBASADAS NO CRIACIONISMO.

O autor da frase acima cita um estudo da revista científica Proceedings of the Royal Society B.  e trata de um tecido fossilizado datado cientificamente em 50 million year-old (cinqüenta milhões de anos).

A conclusão obtida pelo autor do site é que o fóssil esta de acordo com as escrituras sagradas embora o autor do artigo que fez o decaimento do material fossilizado tenha errado em milhões de anos a datação, e ainda cita conclui que:

Mas este fóssil mostra milhares (e não milhões) de anos de decaimento

Cientificamente falando, em uma tese de doutorado em ciencias biologicas voce utilizaria uma datação dada pelo decaimento radioativo feito por cientistas ou uma dataçao feita com base no livro de Gênesis?

O registro fóssil é bastante preciso (diferente de perfeito). Se a meia vida do carbono é de meros 5.730 mil anos e é possível datar registros da arqueologia bíblica porque não seria no caso de outros elementos de meia-vida maiores?

É possível usar outros elementos cuja meia-vida seja maior, por exemplo, isótopos de Plutônio cujo decaimento radioativo é de 24.360 anos.

Isso ocorre também com outros elementos de meia-vida muito maior como o Urânio238 que decai para chumbo 206 em 4,5 bilhões de anos. O método urânio/chumbo e potássio/argônio são os elementos utilizados para datar fósseis que viveram em longa escala de tempo geológico. Assim, a datação por radioisótopos pode ser tirada não por um único elemento, mas vários, sendo um utilizado para calibrar o outro.

10. Há demasiado hélio nos minerais.

Hélio há em grande concentrações no universo, olhe para o funcionamento de uma estrela e vera uma bomba de produção de hélio

A estrela emite luz e calor através das reações termonucleares que ocorrem em toda sua massa e superfície. Ou seja, a luz que enxergamos e o calor que recebemos aqui na Terra é o resultado de dois átomos de hidrogênio que se fundiram no Sol e liberaram energia e calor formando o hélio.

A falta de atenção e de destreza científica impede muitas vezes as pessoas de raciocinar comopesquisadores. O autor desta “pérola” afirma que:

“O urânio e o tório geram átomos de hélio à medida de decaem para chumbo. Um estudo publicado no “Journal of Geophysical Research” mostrou que o tal hélio produzido em cristais de zircão provenientes de rochas graníticas pré-câmbricas não teve tempo suficiente para escapar.”

Essa frase citada pelo criacionista acima corrobora exatamente o pressuposto científico de que o tempo se mede na escala de milhões de anos. O hélio não teve tempo para “escapar” justamente porque a meia vida do urânio238 para chumbo é de 4,5 bilhões de ano e o autor cita o tempo pré-cambriano, que foi a meio bilhão de anos atrás.

11. Demasiado carbono14 nos estratos geológicos profundos.

É de se esperar que o Carbono diminua a cada meia vida. Teoricamente nunca chegaria a zero, mas o meia vida do carbono tem limites. Se o universo não parar de se expandir, e o tempo for infinito o urânio (meia vida de 4,5 bilhões de anos) um dia pode ser inútil para representar o tempo de um universo de 50 bilhões de anos, ou em trilhões de anos. No caso do carbono14 o seu tempo é muito pequeno.

A cada 5470 anos ele perde metade de seu elemento radioativo, ou seja, ele começa a decair quando tem 100% de seu elemento, então 5740 anos depois tem somente 50% de sua capacidade radioativa, depois de mais 5740 anos somente 25% (em relação a quantidade inicial), então temos ao longo do tempo 12,5%, 6,25%, 3.125%, 1,56,25%, 0,78125%, 0,390625%, 0,1953125% e assim por diante.

Nesse calculo seriamos incapaz de chegar a casa dos 50 mil anos.

Isso não significa que o carbono não possa existir a milhões de anos. O petróleo que utilizamos hoje para produzir nossos combustíveis são chamados de “combustíveis fósseis” justamente porque remete o período Carbonífero onde grande parte das primeiras e maiores plantas surgiram e morreram sendo soterradas e após milhões de anos de sedimentação. A pressão a altas temperaturas formou o que chamamos de petróleo.

Em nosso cotidiano utilizamos elementos retirados do registro fóssil e datados em milhões de anos, ainda mais considerando que a busca pelo petróleo é extremamente difícil uma vez que encontram-se enterrados sob pressão em assoalhos de oceano por exemplo. Isso é uma evidencia clara do tempo geológico medido em milhões de anos. Ou teria sido o petróleo implantado por um designer inteligente?

12. Não há esqueletos da Idade da Pedra suficientes .

O fato de não encontrar registros fósseis de todos os homens que existiram a alguns milhares de anos não implica que eles não tenham existido. Assim como dizer que nunca vi design inteligente não implica em dizer que ele não existe. O ceticismo em relação ao designer inteligente é dado com base nas falhas epistêmicas que suportam sua existência como uma proposta científica. Nem todo o corpo se fossiliza, nem todo ser humano que morre de forma natural e é enterrado de forma simbólica ou tem suas partes preservadas. O processo de fossilização exige rigorosas situações para ocorrer.

O caso é que há fósseis de Homo sapiens datados em 200 mil anos, isso é provado cientificamente com base na física da datação e não em uma datação feita com base na especulação mitológica de Gênesis. Aqui entra a falha do dono das pérolas, a incapacidade de diferenciar ciência de religião.

Vale a pena lembrar que população humana era de somente 4 milhões de seres humanos distribuídos na África e Ásia a 40 mil anos atrás e não 10 milhões de pessoas a 185 mil anos atrás como devaneia o criacionista citado acima. Há 200 mil anos atrás surgia como espécie o homem moderno, a apenas 15 mil anos não conquistaria uma densidade populacional tão expressiva quanto cidade pelo autor.

13. Agricultura é demasiado recente.

“Segundo a mitologia evolutiva, o homem existiu como caçador e colector durante 185,000 anos durante a Idade da Pedra. Isto supostamente ocorreu antes da “descoberta” da agricultura há 10,000 anos atrás (Deevey, E. S., The human population, Scientific American 203:194–204 (September 1960).No entanto, as evidências arqueológicas mostram que os homem da Idade da Pedra era tão inteligente como o homem actual. Dado isto, é muito pouco provável que nenhum dos 8 mil milhões de seres humanos que alegadamente existiram durante a Idade da Pedra tenha reparado que as plantas crescem a partir de sementes. Faz mais sentido acreditar que o homem tenha estado por um pouco de tempo sem agricultura logo após o Diluvio de Noé (Dritt, J. O., Man’s earliest beginnings: discrepancies in evolutionary timetables, Proceedings of the Second International Conference on Creationism, vol. II, Creation Science Fellowship (1991), Pittsburgh, PA, pp. 73–78, order from http://www.creationicc.org/).”

De fato, a população humana era bastante inteligente, mas a agricultura surge não por espontaneidade, mas por necessidade. No Crescente fértil a agricultura surge como uma necessidade a suprir uma novidade social que persiste como característica humana até os dias de hoje, as primeiras cidades.

Os seres humanos não viviam em cidades e sim em bandos, o que é claramente diferente. A agricultura surge como estratégia de sobrevivência, pode não ter existido antes (embora o registro paleoantropológico esteja aberto para todas as possibilidades) devido a não necessidade. O antigo império egípcio surgiu nessa onda, a de estabelecer cidades a partir da junção de povos que viviam ali no antigo Crescente fértil.

Até mesmo algumas civilizações indígenas não utilizam a agricultura e adotam a sistema caçador/coletor como estratégia, outros mesclam.

Vale lembrar também que a 40 mil anos atrás foi o pico de desenvolvimento da criatividade do homem, onde a grande maioria das principais pinturas rupestres expõem o top cognitivo da expressão artística do Homo sapiens.

14. A História é demasiado recente.

“O homem “pré-histórico” construiu monumentos megalíticos, fez pinturas rupestres bonitas, e deixou registos das fases da lua. Porque é que ele esperaria milhares de séculos até começar a usar as mesmas capacidades para escrever registos históricos?”

Apesar dos erros de português é evidente que se pinturas rupestres não são registros históricos então criacionistas e cientistas tem concepções diferentes do que se entende por evidencias.

Vale lembrar como dito acima a criatividade humana atingiu seu ápice a 40 mil anos através. O que não significa que não haja registros mais antigos, Há pinturas mais antigas que 40 mil anos e até mesmo de outros hominídeos com uma capacidade cognitiva e criativa bastante evidente a dos homens e com datação estimada em um tempo maior a do Homo sapiens. Isso evidencia a capacidade cognitiva do homem desde que surgiu como espécie e que não foi a única espécies criativa, parte de tal criatividade foi compartilhada com Neanderthais por exemplo, conforme registros de caverna e rituais de sepultamento.

Conclusão

Outras incoerências cientificas entram nestes quatorze pontos citados acima. Talvez a principal dela seja confundir ciência com religião na qual discuti e foi desbanalizada no texto DEFINIÇÕES SOBRE CIÊNCIA E RELIGIÃO. CONCEITOS BÁSICOS PARA UMA DISCUSSÃO INTELECTUALMENTE RICA.

Essa incapacidade de diferenciar mitologia e metodologia, ciência e religião evidente nos textos acima foi tema do caso Scopes em 1925. Um professor de matemática que lecionou biologia evolutiva no Tennessee e foi a julgamento devido a interferência criacionista. A primeira emenda americana interferiu na tentativa de fazer do criacionismo uma ciência e uma disciplina escolar uma vez que fere a constituição:

“Congress shall make no law respecting an establishment of religion, or prohibiting the free exercise thereof; or abridging the freedom of speech, or of the press; or the right of the people peaceably to assemble, and to petition the Government for a redress of grievances.”

“O congresso não deve fazer leis a respeito de se estabelecer uma religião, ou proibir o seu livre exercício; ou diminuir a liberdade de expressão, ou da imprensa; ou sobre o direito das pessoas de se reunirem pacificamente, e de fazerem pedidos ao governo para que sejam feitas reparações por ofensas.”

Nem mesmo no país mais cristão do mundo, onde o fundamentalismo é mais expressivo, o criacionismo é visto como ciência. Para saber mais veja: O CASO JOHN SCOPES. A LEI E O PRÓPRIO CRIACIONISMO SE EXPONDO COMO UMA NÃO-CIÊNCIA. Vale lembrar que até Michael Behe, o principal representante do criacionismo no mundo se mostra cético quando a idade da terra proposta pelos criacionistas. “Acho a idéia de ascendência comum (que todos os organismos tiveram um mesmo ancestral) muito convincente e não tenho razão particular para pô-la em duvida” e também seu ceticismo em relação a idade da Terra “…a Terra foi formada há apenas dez mil anos, uma interpretação Bíblica ainda muito popular” (A caixa preta de Darwin, página 15).

Os argumentos criacionistas baseados na complexidade irredutível como evidência de um designer inteligente foi negado também pela corte americana no caso Tammy Kitzmiller em 2005.  Portanto conclui-se que não há sequer razões cientificas, jurídicas ou históricas para creditar o título de ciência ao criacionismo. Definitivamente, o criacionismo passa longe de ciência.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Criacionismo, Falhas de argumento, Universo, Evolução, Química, Fósseis, Homo sapiens

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Referências:

WILLIAM H. CALVIN . Scientific American Brasil Especial. A Evolução do Pensamento. Edição especial. Número 17.

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