PINGUINS COLONIZARAM A ÁFRICA (comentado)

A história dos pinguins na África é uma história de falsas origens. Os pioneiros, que se instalaram há milhões de anos lá, foram todos extintos.
 

O pinguim-africano (Spheniscus demersus) é o único pinguim africanoMas os pinguins não desistiram. Eles voltaram e repovoaram a costa africana, segundo as conclusões dos paleontólogos Daniel Ksepka e Daniel Thomas.

A África sempre foi o continente mais livre de pinguins do hemisfério sul. Esses animais só vieram para a África 30 milhões anos depois de terem se espalhado pela Austrália, Antártica e América do Sul. Hoje, apenas o pinguim-africano existe na África. Mas a diversidade de pinguins no continente nem sempre foi tão baixa. Paleontólogos desenterraram fósseis de mais quatro espécies de pinguins nas últimas décadas. Todos extintos hoje. 

Existem duas possíveis explicações para a presença de pinguins antigos e modernos na África. Ou diferentes espécies de pinguins migraram para a África em ocasiões diferentes, ou todos eles descendem de um único grupo de pinguins que chegou à África há muito tempo.

Biólogos chamam esse cenário de “radiação adaptativa” ou endêmica. Radiações acontecem quando uma única espécie coloniza uma ilha ou um continente. Os descendentes dessa espécie se adaptam a diferentes nichos e divergem em novas linhagens. Exemplos famosos de radiações adaptativas são os tentilhões de Darwin, que colonizaram Galápagos e evoluíram seus bicos de diferentes formas, ou os lêmures de Madagascar, que evoluíram para criaturas do tamanho de ratos e gorilas. 

O pinguim-africano e uma reconstrução de seu primo distante menor Inguza predemersus

Que explicação pode ser a mais próxima da história do pinguim atual vai depender da forma da árvore genealógica dos pinguins. Por exemplo, se todos os pinguins africanos estão mais próximos entre si do que com os outros pinguins, esta seria uma evidência de uma radiação endêmica. Se, por outro lado, os parentes mais próximos dos pinguins africanos vivem fora da África, é mais provável que eles tenham se estabelecido nesse continente por múltiplas vezes.

Kspeka e Thomas reconstruíram a árvore genealógica da família de pinguins africanos, comparando seus ossos. Dos pinguins africanos extintos, somente os esqueletos do grandeNucleornis insolitus e dos menores Inguza demersus estavam completos o suficiente para ser incluídos nessa análise. Pequenas diferenças em seus ossos levaram Ksepka e Thomas a concluir que os pinguins-africano, Inguza e Nucleornis não estão intimamente relacionados, indicando que cada uma dessas três espécies de pinguins teria colonizado a África por conta própria.

As correntes oceânicas também explicam por que os pinguins eram incapazes de se espalhar mais a norte e por que eles nunca chegaram a Madagascar (há exceções, claro). Tanto a leste quanto a oeste, as correntes oceânicas têm limitado a expansão do pinguim.

Correntes oceânicas que fluem da América do Sul levaram pinguins para a África pelo menos três vezes


Inguza e Nucleornis chegaram à África depois que o sistema de correntes oceânicas atual foi reorganizado, há 20 milhões de anos. Isso explicaria por que os pinguins teriam ido para a África tão tarde: as correntes oceânicas que compõem o corredor dos pinguins a caminho da África só se abriram há relativamente pouco tempo. 

A presença dos pinguins-africano na África é mais recente que a de Inguza e Nucleornis. Os mais antigos fósseis dessa espécie são de cerca de 300 mil anos. Poucos fósseis foram preservados nos anos seguintes, portanto ninguém realmente sabe quanto tempo Inguza, Nucleornis e os outros pinguins antigos realmente suportaram. Ksepka acredita que a mudança no nível do mar desempenhou um importante papel em sua extinção: 

“A África do Sul parece ter tido um melhor ambiente para os pinguins no passado do que hoje, já que a diversidade caiu de quatro espécies há 5.000 anos, para uma hoje. Uma causa possível é a mudança no nível do mar. Pinguins gostam de se reproduzir em lugares onde os predadores terrestres não possam alcançar seus ovos — portanto, pequenas ilhas rochosas são ideais. O nível do mar caiu ao longo dos últimos milhões de anos na África do Sul, e muitas ilhas que existiam há 5 milhões de anos são agora ligadas ao continente. Essas áreas podem ter sido perdidas como locais de nidificação”, conta Daniel Ksepka.

O pinguim-africano sentiu-se completamente em casa na África, apesar do baixo nível do mar hoje em dia. No entanto, o futuro não parece brilhante para eles. Pescadores comerciais e focas competem com esse pinguim por alimento.

Hoje, a carismática ave foi listada como uma espécie ameaçada de extinção. Se a história nos ensina alguma coisa, é que os pinguins-africanos foram vulneráveis a perturbações no passado. Devemos então valorizar esse único sobrevivente.

Fonte: Scientific american

 .

Resenha do autor

É natural ver que possíveis ilhas e ate mesmo continentes possam ser colonizados por animais que outro local. De fato quando o homem insere espécies de outros ambientes em ecossistemas novos eles podem se transformar uma praga sinantrópica.

No caso dos pingüins o evento foi natural e embora a África seja um local relativamente quente não afeta a biologia dos pingüins pelo menos a curto prazo.

O interessante é mostrar que grupos independentes de pingüins colonizaram a África embora por pouco tempo, e somente uma espécie ainda permanece lá. Isso mostra que a simples presença de um casal de animais recém chegada na ilha pode promover a disseminação desse animal por uma vasta área do continente.

Caso parecido ocorreu com lagartos que colonizaram duas ilhas na Croácia. A população de lagartos de uma ilha conseguiu chegar a outra. Ao longo de apenas 32 gerações surgiu estruturas anatomicas no sistema digestório. Um apêndice capaz de digerir celulose devido a nova dieta que os lagartos adotaram. Ele se modificaram de tal forma que não se reproduzem mais e já constituem espécies diferentes.

Algo parecido pode ocorrer com os pinguins que podem colonizar diversos locais uma vez que a água não é problema no seu processo de migração.

A ilha de Madagascar também revela esse mecanismo de surgimento de espécie uma vez que a grande maioria dos pesquisadores e evolucionistas tem evidencias que mostrem que a sua fauna e flora peculiar é fruto de sucessivas colonizações e não de um grupo ancestral que foi arrastado pela ilha e deu origem a tal biota de hoje.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Netnature, Rossetti, Pingüins, Croácia, Especiação.

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