IDOLATRIA CONTEMPORÂNEA.

Sabias palavras de Nietzsche “Há mais ídolos que realidades no mundo”. Embora Nietzsche abordasse a idolatria num aspecto filosófico e não banalizado do mundo em Crepúsculo dos ídolos é evidente que o homem enxerga o prazer em idolatrar certos hábitos.

O homem cria ídolos não somente em pessoas, artistas, mas em objetos, a metafísica, a ciência, a nação, os animais, a natureza, antropomorfizando-os como um ser divino dotado de toda beleza e soberania.

Com a morte de Steve Jobs apareceram pessoas de todos os lugares do mundo para exaltar o seu intelecto dentro da sua área de atuação.

O sensacionalismo invade a mente das pessoas, Jobs passa a ser visto como o hippie budista que visitou a Índia e fez de sua garagem um estímulo para o desenvolvimento de sua genialidade. Um homem humilde, simples e honesto. O homem passa a ser uma divindade, um exemplo, um espelho, até esquece-se que ele rejeitou o seu primeiro filho, que tratava mal sua mulher, que dividiu a Apple e a Macintoshi estimulando brigas e perseguições, esquece-se de seu comportamento tirano e egocêntrico que passa a ser mascarado pelo bom e pobre homem canceroso.

Com Itamar Franco ocorreu o mesmo após sua morte (Veja: NOTA ÁCIDA: CONSIDERAÇÃO A RESPEITO DA MORTE DE POLÍTICOS). As pessoas conhecidas passam a ser vistas como mártir. Até mesmo a nação vira alvo da idolatria, a bandeira do país.

Virou símbolo de honradez dar a vida por seu país. Não há nada mais glorioso do que morrer pelo Brasil, um país de povo bom, receptivo que aceita o futebol de bom grado como a política de panem et circen (pão e circo). Viva o terceiro pais que mais mata na América do Sul, o maior em numero de homicídios. Viva o Itaquerão, mais um Coliseu a ser construído para dar alegria e pão ao povo ignorante, vejamos os times digladiar. Amemos os chutes cruzados do Gaúcho, as firulas de Neymar, os progressos que o país terá graças a Copa.

Amemos os animais, levemos eles para tomar banho semanalmente, compremos ração importada, chamaremo-os de Dolce e Gabana em um complexo denominado de Tereza Cristina, a novela onde as fantasias dos telespectadores se torna realidade. Onde o pobre e humilde fica rico da noite para o dia e o rico mesquinho fica pobre.

O que importa o resto, o pobre na rua, o assalariado ou o autônomo, afinal eu tenho vidros blindados. Meu dinheiro, meu cão e meu blindado me torna amado, respeitado e intocável.

Amenos a natureza, tornaremo-as intocadas, como um quadro de Picasso. Cerquemos as áreas verdes já que não sabemos utiliza-las com sabedoria pois o homem é o poço da destruição. Incentivemos o racismo ambiental, a exclusão do homem aos recursos naturais (veja: ENSAIOS FILOSÓFICOS (OU ANTI-FILOSÓFICOS) SOBRE AS BANALIZAÇÕES NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA. (Parte I) e ENSAIOS FILOSÓFICOS (OU ANTI-FILOSÓFICOS) SOBRE AS BANALIZAÇÕES NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA. (Parte II)).

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Netnature, Rossetti, Idolatria.

Gostou da reportagem? Então vote nela, basta clicar nesse botão azul aqui em baixo:

2 thoughts on “IDOLATRIA CONTEMPORÂNEA.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s