PLANTA CONSIDERADA ‘FÓSSIL VIVO’ É MAIS JOVEM DO QUE SE PENSAVA. (comentado)

‘Cicas’ conviveram com dinossauros, mas espécies atuais são diferentes. Pesquisa publicada na Science teve participação de brasileiro.

As cicas são um grupo de plantas que existem desde a época dos dinossauros. Comparando as espécies atuais com os registros fósseis, os cientistas nunca acharam grandes diferenças e, por isso, acreditavam que as plantas ainda fossem as mesmas de centenas de milhões de anos atrás.

Planta da espécie Cycas taitungensis

Uma pesquisa publicada pela Science nesta quinta-feira (20), no entanto, desfaz a imagem de que essas plantas seriam “fósseis vivos”.

O grupo responsável pelo estudo é liderado por Sarah Matthews, da Universidade Harvard, nos EUA, e conta com a presença do brasileiro Tiago Quental, da Universidade de São Paulo (USP).

Eles analisaram o DNA das plantas atuais e chegaram à conclusão de que elas não têm mais que 12 milhões de anos – a maior parte delas tem entre 5 milhões e 10 milhões.

“Neste estudo utilizamos tanto sequências de DNA quanto o registro fóssil para construir o que é chamado de cronograma — uma filogenia onde os comprimentos dos ramos é proporcional ao tempo. Esse cronograma — essa filogenia — nos permite ‘voltar no tempo’ e identificar quando as espécies evoluíram”, conta Quental.

“Os resultados mostram que o ancestral comum das espécies que compõem cada um dos gêneros estudados não é mais velho do que cerca de 10 milhões de anos. Dessa forma, esse resultado mostra que as espécies vivas hoje surgiram nos últimos 10 milhões de anos, o que, no tempo geológico, é muito recente”, explica o especialista.

“Isso indica que as espécies vivas hoje não podem ser consideradas ‘fósseis vivos’ e que certamente não estavam presentes ao mesmo tempo que os dinossauros, uma vez que estes se extinguiram há cerca de 65 milhões de anos. Isso não quer dizer que não existiam cicas no tempo dos dinossauros. O que isso quer dizer é que todas as cicas que coexistiram com os dinossauros estão extintas e hoje temos outras espécies. Dessa forma, temos que enxergar as cicas hoje como um grupo que se ‘re-diversificou'”, prossegue Quental.

“Um outro resultado importante do trabalho é que essa ‘re-diversificação’ das cicas nos últimos 10 milhões de anos ocorreu de forma sincronizada em todo o nosso planeta, o que sugere que um efeito global poderia ter causado esse padrão, provavelmente um efeito climático”, conclui o pesquisador.

Fonte: G1

 .

Resenha do autor.

O conceito de fóssil vivo muitas vezes é utilizado com certa banalização. Existe de fato diversas plantas e animais que são fósseis vivos, isso quer dizer que conservam certas características que os assemelham muito aos seus ancestrais. É evidente que o artrópodo Limulus é bastante parecido com um trilobita, ou que as Gink bilobas de hoje são exatamente idênticas aquelas de alguns milhões de anos atrás.

Mas ser um fóssil vivo não garante semelhança genética, me vem a cabeça o exemplo da família de aracnídeos Liphistidae que vive somente na Ásia.

As aranhas desta família apresentam segmentações em todo seu abdômen semelhante aos aracnídeos datados do período Devoniano a mais ou menos 400 milhões de anos. Recentemente uma enguia fóssil vivo foi descoberta. Outros animais como o celacanto também foram redescobertos já que acreditava-se que tinha sido extinto há alguns milhares de anos até de repente ser pescado e chocado o mundo científico.

Os samambaiaçus que eram utilizadas como alimento por dinossauros herbívoros no Cretáceo ainda vivem até hoje embora possivelmente siga uma variação genética que não confere mais uma característica idêntica a da versão ancestral de mais de 65 milhões de anos. A questão por trás de todos esses fósseis vivos não é a ausência de pressão evolutiva, mas a consolidação genética de um plano corpóreo com valor adaptativo alto e o sucesso da espécie com suas estratégias de sobrevivência, seu comportamento e características biológicas.

É importante que se desmistifique essas premissas de que tudo encontrado é um fóssil vivo, ou uma versão exatamente idêntica e essencialista de indivíduos de milhares de anos.

Essa diferença entre as novas versões e as antigas são expressas principalmente no genoma e por vezes modificando superficialmente a anatomia dos indivíduos mostram que as variações genéticas persistem e demonstra que a evolução ocorre ainda a todo vapor mesmo nos indivíduos com um plano corpóreo já.

O fato de ser semelhante anatomicamente não exprime semelhança genética, aliás, até mesmo em nível molecular isso ocorre, com substituições de bases nitrogenadas que conferem um códon para um aminoácido. Por exemplo; o códon UUU confere o acoplamento de um aminoácido chamado de fenilalanina. Caso ocorra uma variação que torne este códon uma UUC ainda sim o amionoácido acoplado a proteína será a fenilalanina. Entretanto ao comparar esse trecho do gene com a versão fóssil verifica-se essa variação e é possível datar com base no relógio molecular.

O mesmo pode ocorrer com uma informação que confira alguma pequena variação anatômica. Se for vantajosa ou neutra tente a se perpetuar na espécie, se for prejudicial interrompe o sucesso de sobrevivência do individuo.

Muitas vezes o acumulo de pequenas variações podem gerar efeitos relativamente drásticos, diferente dos famosos saltos criacionistas. Por isso afirma-se que a seleção natural trabalha em passos cumulativos e não aleatórios, afinal, basta estar vivo para estar sujeito a evolução.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Netnature, Rossetti, Aminoácido, Fóssil vivo, Evolução, Cycas.

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