PERMEANDO A RELIGIÃO E A ESTRUTURA DE FUNCIONAMENTO DA CIÊNCIA PARA COMPREENDER A EVOLUÇÃO.

Sob muitos aspectos já discutidos discorri razões para não acreditar no criacionismo como ciência. Tanto pela ausência de metodologia e do que se entende por verdade em ciência e religião(veja aqui: HISTÓRIA E EPISTEMOLOGIA CIENTÍFICA), e até sob aspectos políticos (O CASO JOHN SCOPES. A LEI E O PRÓPRIO CRIACIONISMO SE EXPONDO COMO UMA NÃO-CIÊNCIA ).

Em um texto recente a Folha o físico Marcelo Gleiser diz que como primatas a principal característica de nossa espécie é a crença, como fruto direto da nossa consciência, ou da auto-consciência.

Em Crepúsculo dos Ídolos Nietzsche fala superficialmente como o conceito de finalidade é uma criação meramente humana. Se humanos não existissem não haveria a crença de que tudo foi ajustado para sustentar uma verdade divina, nem mesmo joelhos para se dobrar diante de Deus.

Em um aspecto muito leviano Nietzsche cita seu ceticismo quanto a proposta de Darwin dizendo que a evolução havia sido muito mais afirmada do que confirmada. É compreensível tal ceticismo de Nietzsche quando se olha o contexto social e histórico na qual foi dito. O crepúsculo dos ídolos foi escrito cerca de 28 anos após a primeira edição do livro A Origem das Espécies e a biologia evolutiva não contava com as evidencias genéticas de Mendel, nem com a síntese darwiniana ou a biologia molecular na qual dispomos hoje.

Acreditamos que a vida, o cosmos e tudo foi criado segundo uma finalidade, mas a finalidade é uma palavra criada pelo homem. (veja: AUSÊNCIA DE INTENCIONALIDADE E IMPERFEIÇÕES DESESTABILIZAM O CRIACIONISMO E FAVORECEM O VERDADEIRO DESIGNER). Não há intencionalidade ou plano para as orbita dos planetas do nossos sistema solar trabalharem da forma com que trabalham. Elas não assim ajustadas para a existência da vida.

O novo planeta semelhante a Terra chamado de Kepler 22-b é basicamente ajustado para a suportar a vida mas nem por isso a detém.

Descartes acreditava que Deus criou todas as leis da natureza, podendo falseá-las ou não, mas nunca alterar a natureza em si. Correndo o risco de ser ignorado descrevo que Descartes nesse aspecto foi um grande covarde, afinal se Descartes foi o pai do ceticismo, descrevendo a dúvida hiperbólica (veja aqui) e portanto deveria ser o primeiro questionar como Deus poderia fazer isso e aprofundar seu ceticismo nos aspecto da sua própria crença.

De fato, até mesmo Teofrasto, aluno de Aristóteles acreditava na existência da desordem física na natureza, e que a ordem deve ser provada ao invés de presumida. Uma posição que é bastante parecida com a de Nietzsche a respeito da evolução, mas que para Teofrasto se encaixava diretamente na questão teológica e hoje em especial ao criacionismo.

Os argumentos físico/teológicos e tambérm cosmológicos são empregados de diversas maneiras para demonstrar como se pode chegar ao conhecimento de Deus através da contemplação da ordem e da beleza de sua obra. Acreditar em Deus entendendo sua obra, assim a harmonia da natureza é tomada como o resultado do plano de Deus e é uma importante prova dele. Evidentemente que o argumento é circular embora ninguém pareça ter se importado muito com isso.

Abandonando o conceito de finalidade vemos que as coisas simplesmente acontecem, não há intencionalidade no mundo, nuvens são formadas de elementos aleatórios, assim como a órbita de planetas contam com elementos aleatórios. Em O andar do bêbado Leonardo Mlodinow dá exemplos de como a aleatoriedade e a casualidade estão profundamente presentes em nossas vidas no cotidiano.

Existe um grau de aleatoriedade nas mutações que ocorrem no DNA e que podem proporcionar efeitos negativos, neutros ou positivos dentro de uma espécie. Mesmo assim determinadas regiões do DNA tem maior predisposição a sofrerem com essas mutações. Com que finalidade isso acontece? Simplesmente nenhuma, apenas acontece.

Assim vemos que mutações ocorrem de forma aleatória embora já se saiba o grau de pré-disposição de determinadas áreas. Entretanto não faz sentido dizer que a evolução é aleatória.

Isso não ocorre porque a seleção natural e diversos outros mecanismos evolutivos ocorrem obrigatoriamente nas espécies, basta estar vivo para estar sujeito a evolução.

Sob essa concepção trago um vídeo criacionista que trás uma quantidade de exemplos bastante interessantes de serem analisados sobre a luz da evolução e da ciência.

Nele podemos enxergar como sucessivos erros conceituais trazem informações extremamente tendenciosas e errôneas sob o que se entende por evolução biológica.

A evolução é tida como uma farsa no título, o que trás uma informação especialmente  negativa.

A evolução não é uma farsa, é uma explicação científica. Jamais poderia eu dizer que o modelo geocêntrico foi uma farsa, pois foi uma explicação matematicamente criada e sustentada por Ptolomeu por exemplo.

A evolução esta sujeita as regras da ciência e é suportada por evidencias no DNA, no comportamento, nos registros fósseis. Todas são evidencias materiais e não sobrenaturais como caracterizada na pseudo-ciência como a ufologia, criacionismo, cristalomancia ou espiritismo.

Farsa é uma mentira que tem como finalidade propor intencionalmente uma distorção de um fato. A evolução não tem a intenção de enganar as pessoas, ela apenas é resultado de evidencias.

A palavra evolucionismo surge como uma explicação científica muito antes de Darwin. Mesmo as idéias de Lamarck eram evolucionistas, o que havia de errado em seu modelo era justamente o mecanismo seletivo, as características não passavam por um processo de seleção, ou seja, todas tinham valor adaptativo. Anaximandro, que viveu 400 anos antes de Cristo tinha um pensamento bastante semelhante a proposta da evolução biológica que hoje conhecemos.

A evolução como um todo, é hoje no meio acadêmico aceita como um fato, consolidado por mais de 150 anos de evidencias cientificas, mesmo assim a biologia evolutiva esta repleta de modelos. Por exemplo, um modelo explicativo da evolução humana nos diz que somos primatas neotênicos, ou seja, que retemos características jovens em organismos adultos. Isso não é um fato, é uma explicação hipotética para nossa origem.

Não é obrigação nem da ciência nem da religião explicar tudo na natureza.

A religião não tem essa obrigação porque ela não deve trazer uma explicação para todos os enigmas do mundo. A religião trás passagens divinas explicando como devemos agir moralmente.

Galileu em debate com os lideres religiosos dizia que a religião serve para dizer como se vai para o céu e não como o céu vai. Gêneses não é uma reportagem sobre a origem do cosmo ou da vida. É evidente que este livro sagrado é trás uma linguagem simbólica. Nessa tendência tedeísta não se crê pela fé e sim pela explicação que um fenômeno natural pode ter e justificar a grandeza da sobrenaturalidade de um deus.

Daí cai-se em dois caminhos nefastos da crença excessiva. Embora a fé seja um sistema de crença baseado na razão crê-se tão profundamente que a razão é cegada pelas escrituras, afinal Gêneses foge absolutamente do racional uma vez que é evidente seu caráter metafórico. Por outro lado se a fé não precisa de evidencias para que se acredite em Deus e deixa de ter suas bases racionais como alguns acreditam, portanto ela é insustentada sob o ponto de vista teológico e deixa de ser válida caindo no que chamamos de fideísmo.

No caso da ciência sim, sua função é explicar e não justificar.

A biologia evolutiva é amoral. Uma aranha Nephilengys cruentata disputa a toca de uma concorrente da mesma espécie que constrói suas teias amarelas próximas a luzes artificiais. Isso ocorre porque teias próximas a holofotes tendem a receber 30% mais insetos que teias em outros locais mais afastados da luminosidade. A teia então é constantemente invadida por outras fêmeas que disputam o local privilegiado.

Para aranhas isso é estritamente natural, é a busca pela sobrevivência e a biologia evolutiva explica. Se essa situação ocorresse em um sistema social como o dos humanos seria um absurdo e imoral invadir casa de outras pessoas. Isso porque nossa consciência e nossa sociedade nos impõem regras que tendem a nos direcionar a uma determinada conduta. Aqui caímos novamente numa tendência nietzschiniana de que a moral é plenamente circunstancial e que na verdade não existe.

A biologia evolutiva não tem teorias para cada mecanismo sofisticado que a evolução cria, mas não deixa de ser uma lei.

Este ano foi feita uma estimativa bem superficial que mostrou que atualmente existem cerca de 8,7 milhões de espécies de seres vivos no mundo (a estimativa foi feita com base em mamíferos, peixes e pássaros e inclui uma estimativa leviana de espécies de fungos, plantas, protozoários).

A biologia não tem conhecimento de grande parte desses indivíduos e como poderia montar modelos explicativos desses ramos da arvore da vida?

Nem mesmo os mais conhecidos pela ciência tem modelos explicativos, seja com a seleção natural como mecanismo evolutivo ou outros mecanismos.

Nem por isso a evolução deixa de ser válida já que explica a evolução de seres microscópios unicelulares até grandes máquinas com trilhões de células como as baleias, os elefantes, sequóias californianas ou lêmures.

Segundo Hawking uma Lei Natural é uma regra com base em alguma regularidade observada que oferece previsões que vão além das situações das quais ela deriva. Geralmente são expressas matematicamente e para não haver uma matematificação do mundo em uma visão puramente cientificista é que os resultados devem ser discutidos individual e coletivamente e não permanecer alienado a estereotipia dos números.

Os resultados matemáticos podem ser aproximados ou exatos, mas devem ser universalmente válidos exceto sob um conjunto de condições estipulados.

As leis de Newton são falhas por exemplo, em escalas da velocidade da luz. A física hoje busca unificar a física clássica ou newtoniana com a quântica, isso porque as leis devem ser as mesmas tanto na escala macroscópica no caso de uma galáxia quanto na escala subatômica, ou quântica. Esse é o maior desafio da física hoje, unificar essa duas leis em uma única só, juntando a gravidade, a eletromagnética força nuclear forte e fraca.

Para compreender agora onde quero chegar com todas essas informações é necessário assistir o vídeo para conhecer todo o argumento por trás do criacionismo.

 

Reflexões evolutivas

Nos primeiros momentos do documentário David Hames trás uma visão reducionista de sobre evolução e aleatoriedade, muitas vezes confusas e não fazendo reflexões com as feitas acima. O autor do documentário Dr. Jobes detalha que tanto as pessoas que trabalham na questão da origem do universo quando aquelas que afirmam que todos os seres vivos compartilham relações históricas são chamadas de evolucionistas.

A origem do universo é um mecanismo quântico, a expansão é uma forma de evolução do universo, mas a evolução cósmica não compartilha qualquer relação teórica com a biologia evolutiva. São mecanismos distintos de áreas distintas da ciência.

Vale lembrar que a evolução não explica a origem da vida e sim como ela se transformou ao longo dos milhões de anos. A origem da vida e suas teorias são explicadas pela química, pela bioquímica da vida e não pelas leis de Darwin.

Assim o autor se apresenta com o velho discurso estereotipado de quem foi evolucionista e na década de 70 encontrou-se com o criacionismo que jamais havia escutado falar.

Isso soa estranho para um ex-evolucionista americano na década de 70 já que os EUA fervilhavam com a segunda tentativa criacionista de invadir escolas no início desta mesma década. Será que Jobes como evolucionista nunca havia escutado falar sobre Scopes? e sobre a nova tentativa de tornar o criacionismo uma ciência?

Dizer que as rochas são muito antigas com base em suposições não faz sentido já que as evidencias apontam para uma datação antiga das rochas. Basta estudar o decaimento radioativo dos elementos presentes na rocha com base no calculo de meia vida dos elementos que a compõem que se tem evidencias físicas, solidas e não suposições.

No caso do besouro bombardeiro não é citado que o peróxido de hidrogênio e a hidroquinona são resultados metabólicos da química do corpo e não foram criados especificamente para tal função. Eles apenas foram acumulados em câmaras e ganharam uma função ao longo da evolução graças a presença de um catalisador. Obviamente que os intermediários evolutivos desses animais não explodiam graças a necessidade de um catalisador citado pelo próprio autor. Se em momento algum a evolução desses besouros não permitisse a criação de um catalisador química certamente essas reservas de hidroquinona e peróxido de hidrogênio seriam apenas resquícios metabólicos armazenados, bem como se o catalisador fosse produzido junto com os dois reagentes realmente não teríamos besouro bombardeiro e sim pedaço dele.

É estranho ver exemplos como o do besouro bombardeiro neste vídeo já que um dos principais autores criacionistas Michael Behe acha que a idéia da evolução ou de um universo com bilhões de anos muito convincente. (veja: DESCARTANDO A COMPLEXIDADE IRREDUTÍVEL DO DESIGNER INTELIGENTE. )

No caso da girafa os mecanismos fisiológicos que fazem parte de seu sistema circulatório evidentemente surgem junto com todo o processo evolutivo que originou tal espécie e suas características. Sob a perspectiva criacionista a girafa é criada na forma adulta e com suas características fisiológicas. No caso da evolução os mecanismos fisiológicos da circulação se originaram assim como qualquer outra estrutura e não quando surge a necessidade imediata de sua presença. As válvulas nas arteríolas e o tecido esponjoso na base do crânio surgem na constituição da espécie.

Um argumento é dizer que foram criadas com estruturas para tal finalidade outra é afirmar que essas estruturas foram surgindo ao mesmo tempo que as projeções corpóreas do pescoço surgem também. Os mecanismos fisiológicos de contenção da pressão arterial do pescoço estão presentes na girafa devido a sua grande altura, mas duvido que estejam presentes na espécies irmã das girafas, as Ocapis que tem somente a metade da altura das primeiras.

Isso demonstra que os mecanismos evolutivos surgem diante do contexto ambiental e das variações genéticas que a espécies esta sujeita e é possível que até mesmo o corpo faça ajustes a nossa constituição fisiológica já que o corpo responde as necessidades. Por exemplo, no inverno ocorre o aumento de 30% dos eosinófilos, diante da maior probabilidade de infecções.

Da mesma forma ocorre com o tecido esponjoso na base do crânio das girafas. Ela não surge sobrenaturalmente projetada como mecanismo reparador da circulação, assim como o elefante tem um tecido conjuntivo na cavidade interna das costelas que permite fixar os pulmões com muito mais integridade.

Isso ocorre porque durante toda a evolução deste animal, sua tromba expandiu-se acompanhando dentre tantas funções sugar a água e portando o vácuo e a pressão do ar dentro dos pulmões acabou servido como uma pressão seletiva que levou a produção excessiva de um tecido conjuntivo amplo e auxiliar aos pulmões prendendo-os as costelas auxiliando suas funções básicas. Ainda nos elefantes os três músculos da barriga formam uma estrutura cruzada para suportar o peso das vísceras e um tecido dorso ventral, graças ao aumento de suas dimensões ao longo dos últimos 60 milhões de anos.

Cada animal tem sua peculiaridade na natureza sob o ponto de vista biológico. Para o biólogo tanto o peculiar sistema circulatório anastomoseado de um crocodilo quanto a simplicidade fisiológica de um pardal tem valor zoológico.

Para o criacionista o desafio se restringe aos animais com peculiaridades. Assim evidencia-se o argumento oposto; se para o criacionista a peculiaridade de um sistema biológico como o besouro bombardeiro é evidencia da existência de um designer criador a simplicidade e a falta de peculiaridade da biologia de um pardal ou de uma minhoca é evidencia de que não há criador já que uma minhoca não é anatomicamente peculiar quanto um besouro bombardeiro.

Nesse caso vemos o criacionismo recorrer ao projetista como um deus de lacuna que somente explica onde a ciência não tem teorias.

É evidente que o documentário acima deve ser antigo uma vez que alguns dos exemplos já são explicados pela biologia evolutiva, é o ocaso da evolução do sistema eletro-receptivo de ornitorrincos já foi discutido em diversos livros de evolução (veja: O CURIOSO CASO DO ORNITORRINCO. FISIOLOGIA COMPARADA E EVOLUÇÃO) e que também existem em arraias e outros peixes.

 .

O caso pica pau

Citar o pica pau também não evidencia a presença de um designer universal embora a biologia evolutiva já reconheça a existência de sua ordem a mais de 3 milhões de anos.

Tanto pica paus quanto araras e até mesmo tucanos tem patas com dois dedos.

Rotacionar estruturas não é uma característica nova na evolução, alguns moluscos tiveram grande parte de seu corpo e de suas conchas deslocadas mais de 180 graus. A mudança do caminho da língua não é uma exceção quando comparamos com o deslocamento do hipocampo entre os próprios mamíferos e entre eles as aves.

Nos mamíferos a distribuição topográfica das estruturas que compõem a formação hipocampal segue uma ordem; giro denteado, cornos de Amon, subículo e córtex entorrinal. A mesma organização é encontrada em répteis squamata eem tartarugas. Entretanto, curiosamente em aves essa organização encontra-se invertida, aparecendo em primeiro lugar á área em .V. (correspondendo ao Corno de Amon), seguida da união da área medial e área dorso medial (correspondendo ao giro denteado), em seguida a área lateral (correspondendo ao subículo) e, no fim, a área Spf (correspondendo ao córtex entorrinal).

Ao olharmos a distribuição das camadas neuronais vemos claramente uma inversão da sua disposição provavelmente dada pelo aumento do volume encefálico dos mamíferos e posteriormente em primatas.

Mudanças no orifício respiratório ocorreram nos crocodilianos, o deslocamento do orifício nasal ocorreu varias vezes na natureza, com os cetáceos, com crocodilianos protosuchia, mesosuchia e eusuchia.

A trajetória da língua pode ter se modificado assim como No caso do nervo laríngeo recorrente das girafas. Em peixes eles teriam uma ligação direta com os brotos embrionários especificamente com as guelras. Ao longo de evolução e da mudança dos planos corpóreos esse nervo foi arrastado ao longo de todo o pescoço da girafa, assim como o vas deferent do sistema urinário/reprodutor. Erros de projeto de um designer inteligente ou confecção de acordo com a evolução?

Todas as características do pica pau foram desenvolvidas segundo o contexto ecológico que seus ancestrais viveram de acordo com sua alimentação com o nicho ecológico que comtemplavam.

Mas o caso do pica pau é mais grave do que se imagina.

O pica pau verde da Europa cujo nome cientifico não é dito no documentário trás uma evidente característica sobre como vem sendo o debate ente criação e evolução.

Não dispor o nome cientifico co pica pau verde da Europa foi uma estratégia bem articulada do organizador do documentário acima.

Sob esse aspecto busquei a informação sobre a anatomia da língua do pica pau verde da Europa e se realmente era possível que os olhos de um pica pau saltem para fora durante o comportamento de bicar a madeira.

Uma colega minha da graduação que é ornitologa no Museu de Zoologia da USP pesquisou em sua literatura e não há menção alguma sobre um pica pau com essa estrutura anatômica peculiar. De fato nem é do conhecimento dos especialistas que a força da bicada seja capaz de expulsar os olhos das orbitas do pequeno animal mesmo porque toda a pressão é aplicada em um único ponto, e a energia é transferida do bico para a o tronco a ser bicado.

Em uma tentativa de descobrir o mistério da língua do pica pau descobrimos que existe sim o pica pau verde europeu cuja espécie é Picus viridis.

Pesquisando no catalogo de aves The Internet BIRD Collection http://ibc.lynxeds.com/  (IBC) que tem catalogada os aves da Europa, Ásia e África encontramos 5 subespécies; Picus viridis, P. sharpei, P. karelini, P. vaillantii e P. innominatus.

Dessas, somente três ocorrem na Europa que são as variedades viridis, sharpei e karelini sendo as outras duas de ocorrência na África e no Oriente médio próximo ao Irã.

O catalogo Europeu ainda trás vídeos sobre o animal e informações sobre sua biologia e ecologia e em momento algum é citado a peculiaridade de sua língua.

Essas informações a respeito de seu bico foram criadas intencionalmente para incitar um aspecto anatômico extremo na qual não pudesse conferir a evolução criar e portanto ser sustentada por um design inteligente. Entretanto como citado a cima a rotação e deslocamento de estruturas ocorre sim na natureza e já é evidenciada na comunidade acadêmica.

No caso do curioso pássaro australiano o autor despreza uma serie de características. A percepção da temperatura do solo assim como uma infinidade de outras características demanda sistemas de percepção que vão além da nossa biologia. Da mesma forma que o pássaro incubador australiano tem a capacidade de perceber a temperatura exata para a postura de ovos algumas cigarras ficam soterradas durante dezessete anos antes de brotar do solo se reproduzir e morrer. Porque isto acontece? Será o planejamento inteligente ou será que a evolução explica?

Essas cigarras saem exatamente a cada dezessete anos porque seus estágios larvais se alimentam da seiva presente nas raízes das árvores e quando a composição química da seiva muda serve como estímulo para o amadurecimento e a reprodução da espécie.

Existem estímulos que fazem parte da biologia do animal, muitas vezes freqüências de som que não são audíveis por nós, ou a liberação de hormônios e feromônios, vibração do solo como fazem as aranhas.

Dizer que eles foram projetados e que não se conhece o sistema pelo qual os fenômenos acontecem e portanto a evolução não explica e assim corroborar a versão criacionista é simplesmente substituir um mistério por outro. Isto na é fazer ciência, e sim teologia barata por essa dentre tantas outras razões o criacionismo não é visto como ci6encia.

O autor ainda cita aspectos da biologia de aranhas Argiope que se utilizam da técnica de balonismo para dispersar-se. É evidente que as aranhas não tem a consciência de que devem praticar o balonismo mas que o simples ato de produzir um fio guia e ter dimensões muito pequenas permite que uma leve brisa ou o mais terrível dos ventos as leve a grandes distancias.

Existem aspectos sob o comportamento que o autor não compreende, como a diferença entre comportamentos fixos e estereotipados. Da mesma forma com que uma aranha pratica o balonismo sem nunca ter passado por tal situação nossos bebes ao nascerem fecham a respiração quando jogados em uma piscina bem como da mesma maneira borboletas monarcas sabem o trajeto correto de 5 mil quilometros que tem de percorrer dos EUA até o México.

Existe um mistério por trás de cada fenômeno, isso não significa que ele seja sobrenatural e sim apenas desconhecido. Antes de algum fenômeno ser taxado de sobrenatural deve-se ter certeza de que ele não faça parte da esfera natural, para isso utiliza-se a ciência. (veja:  LA SCIENZA E LA RELIGIONE)

Em conclusão, o documentário apresenta-se com uma visão estritamente leviana quanto a biologia e ecologia dos animais citados. Muitas vezes é ignorado o fato de que os animais sentem, recebem estímulos e reagem ao ambiente através de seus orgões sensoriais, a atividade hormonal de cada um.

O elemento que identifica a principal fraqueza do documentário é ressaltar características que os animais não detém como no caso do pica pau.

Existem realmente desafios a evolução como o sistema circulatório anastomoseado dos crocodilianos do qual ainda não tive contato com nenhuma teoria que postulasse a evolução de tal sistema.

Criar características é um delito grave. Ao se fazer ciência dados falsos são logos descobertos quando a metodologia utilizada não combina com os resultados obtidos em novos experimentos que utilizem as conclusões de artigos falsificados. No caso do criacionismo a informação é utilizada uma vez que o publico que geralmente tem contato com tal informação não tem conhecimento básico sobre a biologia básica e o comporrtamento de tais animais.

Públicos leigos podem ser enganados com certa facilidade. De certa forma até comm a ajude de um ornitólogo e com a literutra foi difícil descobrir tal informação uma vez que o autor do documentário propositadamente não cita o nome cientifico da espécie, o que conferiria uma referencia importante na busca sobre tais características.

Na própria historia dos EUA onde se vê tentativas de ascensão do criacionismo como ciência vemos manobras que tentam driblar a primeira emenda americana mascarando informações sobre o que se entende por criacionismo. Isso fica evidente no caso da professora Susan Epperson. A alegação principal dada pelos criacionistas é que agora eles não eram a favor da exclusão do evolucionismo das escolas, mas recorriam a Lei de Tratamento Equivalente/Igualitário da Ciência da Criação e da Ciência da Evolução em Escola Públicas, eles se propuseram como alternativa a evolução, cunhando a idéia do criacionismo como uma ciência e evidentemente foi rejeitada até mesmo nos EUA onde o criacionismo é mais vigente.

Nem mesmo o país com maior número de criacionistas do mundo considera juridicamente o criacionismo como ciência

Scritto da Rossetti

Palavra chave: Netnature, Rossetti, Criacionismo, Filme, Evolução, Ciência, Religião.
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3 thoughts on “PERMEANDO A RELIGIÃO E A ESTRUTURA DE FUNCIONAMENTO DA CIÊNCIA PARA COMPREENDER A EVOLUÇÃO.

  1. Como pode alguém acreditar em um mito, que evidentemente foi criado por humanos, sem lógica, e entre tantos outros do tipo. Há muitas religiões, muitos deuses, frutos da criação humana e do desejo de ser protegido e amado. Se existe uma inteligência por trás de tudo, quem garante que ela queiro o nosso bem? É melhor viver sem ninguém nos observando, no controle de nossas vidas e fazendo com que o mundo seja um ótimo lugar, reproduzir e dar a chance de outra pessoa aproveitar esse mundo. Para isso não precisamos de ninguém sobrenatural. Se devemos respeitar alguém é a natureza, da onde viemos, nossa verdadeira origem. É ridículo misturar essas historinhas de milênios atrás com a ciência, conhecimento baseado em evidência, experimentação. Essa coisa de criacionismo não tem evidências, não é ciência e só atrapalha.

    • Concordo, só queria ressaltar uma coisa gabriel nem todo o conhecimento é baseado em experimentação. A ci6encia nao explica tudo e portanto sempre haverá absurdos como este que voce citou. Legal seu comentário!
      Abraço!!

    • Sem problema, eu estou com pouco tempo para responder os comentários, as aulas começaram e esta difícil.
      Bom, pode postar a vontade seus comentários. A intenção é justamente que as pessoas questionem.
      Abraço!!!

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