A CIÊNCIA MATOU DEUS? E A FILOSOFIA ESTÁ MORTA?

Esses são assuntos delicados que movem o mundo atualmente. Será que a ciência é, ou foi capaz de matar Deus? E será que a filosofia morreu como afirma Stephen Hawkins em seu ultimo livro O grande projeto?

É evidente que essas perguntas detém conteúdos pesados e até mesmo publicitários, mas as pessoas tendem a confundir a ciência com ateísmo e diversas linhas de pensamento filosófico estão inseridas na ciência.

Novamente não falo na filosofia ateísta e muito menos do jargão criacionista que insiste em rotular os cientistas como naturalistas filosóficos ou de forma ampla de evolucionistas.

Sob a primeira concepção, é evidente que a ciência não matou Deus. Mesmo porque nem é sua função ou objetivo.

Erroneamente as pessoas atribuem a idéia do Big Bang e evolução biológica como mecanismos que destruíram Deus.

Essas duas linhas de pensamento por si só não excluem a existência de Deus. Se por um lado a religião oferece uma explicação tipicamente teológica para a origem do universo e da vida – e por mais que isso seja uma doutrinação – a ciência só oferece a essas perguntas as respostas sob outra concepção, o materialismo e a metodologia científica.

A concepção materialista diz que não é preciso um evento sobrenatural para explicar a origem de tudo, que por si só a natureza explica e é capaz de criar; e a metodologia que explica isso é científica, de verdades temporárias e não dogmáticas.

A ciência não matou Deus, seja qual deus for, porque ele simplesmente não é atingível pela ciência, ele não é material, razão pela qual o criacionismo não se justifica como ciência.

Stephen Hawking

É evidente que me foco na bíblia, que por si só não é uma reportagem sobre o passado da criação, mas sim um livro moral e portanto metafórico.

O que a ciência fez foi refutar apenas a criação metafórica da bíblia, da mesma forma com que mostrou que a Terra não é o centro do universo.

A ciência mostrou que a simplicidade de Gêneses não se comporta de acordo com as a evidências, e que a vida tem muito mais tempo do que se imaginava, que esta conectada entre si por milhões de anos através de um mecanismo puramente natural.

É evidente que o papel da ciência não é destruir Deus. É preciso compreender que os motivos que levam as pessoas a descrer em divindades se sobressaltam as razões cientificas.

Para tal requer muito mais do que simplesmente conhecer a mecânica quântica ou a biologia evolutiva. Talvez uma busca reflexiva sobre a história das religiões, o papel que as divindades têm no individuo, na sua psicologia, na cultura e sociedade, compreender diferentes linhas filosóficas e estruturas de construção de conhecimento distintas.

Mesmo assim, a conclusão é puramente pessoal, cada individuo tem suas interpretações e seus motivos epistêmicos para crer ou não em divindades, e sobre este ponto de vista, partimos para Hawking.

Em O grande projeto, Hawking dá um passo ousado ao afirmar que com a mecânica quântica a origem do cosmos será resolvida e a filosofia morre.

Ele afirma isso porque o homem busca a origem das coisas desde seus primórdios. Os filósofos sempre postularam o que era o cosmo, do que era feito, como se comportava o tempo e assim por diante.

De fato, pode ser que essas perguntas sejam respondidas pela física quântica, pelas descobertas do Colisor de partículas, pela descoberta do Bóson de Higgs, mas certamente isso não cessará a filosofia. Neste ponto discordo de Hawking.

As pessoas acreditam que a ciência se torna dona da verdade quando apresentam seus resultados matemáticos e estatísticos.

Erroneamente em ciência tudo deve ser redutível ao número, à unidade básica da ciência e aquilo que não o fizer passará a ser uma ilusão. O que é um erro, pois a capacidade de dialogar a discutir sobre esses dados é que esta o verdadeiro poder da ciência. É o que ela proporciona como material analítico. Os números da ciência são a pedra bruta, as discussões, contradições e conceitos a serem criados e destruídos equivale a lapidação do conhecimento que será adquirido.

A exigência clássica de pensar o pensamento, da auto-reflexão da razão, é geralmente posta de lado porque seu cumprimento a desviaria do imperativo de comandar a práxis. Dessa forma, o procedimento matemático tornou-se o próprio ritual do pensamento em um mundo matematizado.

É o mesmo encontrado na educação ambiental hoje, com uma trajetória “ecologizante” e “biologizante”, sem um comprometimento sério com a formação cidadã, sem estimular a s pessoas a participar da tomada de decisões da sociedade.

Pelo contrário, a visão leviana e banalizada da educação ambiental trata o adjetivo ambiental unicamente como foco ao estudo do meio ambiente, a ecologia e a biologia animal e vegetal. Assim a educação ambiental que teria originalmente o poder de transformar o tecido social se torna uma ferramenta que impede o desenvolvimento da cidadania, ética e respeito na sua forma mais ampla e holística possível. Ou seja, porque pensar se alguém pode pensar por mim?

Esse é um dos motivos pelos quais a filosofia não morre diante da ciência.

As respostas podem ser alcançadas pelo desenvolvimento tecnológico e científico, mas as reflexões ainda permeiam o amor pelo conhecimento, que é a essência da filosofia.

Assim como a própria estrutura de funcionamento da ciência também recorre a fundamentos filosóficos que foram tão discutidos por Kuhn, Kant, Adorno e Horkheimer e uma série de outros pensadores.

Deus não morreu nas mãos da ciência como afirmou Thomas H, Huxley á Darwin próximo a publicação do livro A origem das espécies. Os motivos que levam as pessoas a praticar o deicídio são muito mais originais e sensatos do que meramente a biologia evolutiva ou o Big Bang. E mesmo assim a filosofia ainda persiste, pois sempre haverão questões e portanto questionamentos, contradições levando a mais questões e alimentando esse ciclo vicioso.

Scritto da Rossetti

Palavra chave: Netnature, Rossetti, Ciência, Filosofia, religião, Deus, Hawking.

One thought on “A CIÊNCIA MATOU DEUS? E A FILOSOFIA ESTÁ MORTA?

  1. Caro Rossetti, vou apenas complementar seu texto.
    É claro que ciência não vai matar Deus, primeiro teria que o constatar, e isso nunca vai acontecer, é como constatar o ponto ou a reta, PODE-SE FIGURÁ-LOS, não constatá-lo a não ser como mente. Concordo com você. O que a ciência está matando porque também nunca existiu, SÃO OS ÍDOLOS OU MITOS QUE REPRESENTAM DEUS, é como mostrar que a intersecção de duas retas, FAZEM O PONTO, uma mera besteira.
    Os cientistas como Hawkin estão equivocados, porque confiam dogmaticamente no que os instrumentos podem mostrar, MAS MOSTRAM TUDO ERRADO, E POR ISSO EVOLUEM TODOS OS DIAS. A questão é apenas dogmática, VERDADES ADMITIDAS QUE NÃO EXISTEM. Como gurus, Dawkins e os gurus religiosos estão no mesmo plano.
    Você está certo que a Bíblia não é uma reportagem (usei isso mesmo noutra participação aqui mesmo, não se trata de plágio de nada, apenas observação). Se não é reportagem, o que a ciência faz em relação à Bíblia, É APENAS INTERPRETÁ-LA DE FORMA CORRETA,
    foi exatamente isso que os sábios gregos e Cristo quiseram mostrar à humanidade. ESCRITOS SÃO ESCRITOS NUMA DETERMINADA ÉPOCA E CIRCUNSTÂNCIAS, e quem conta um conto, pode estar aumentando um ponto (ou vários) e isso vale para as artes, religião e ciência. Burrice é discutir crenças que é convicção pessoal de cada um.
    Se Deus existe ou não, SEQUER ESTARÁ SE LIXANDO PELAS NOSSAS CRENÇAS E DISCUSSÕES ESTÚPIDAS, SUPÉRFLUAS E ABSURDAS.
    O que importa não é uma crença, MAS O QUE SE FAZ COM ESSA CRENÇA. Quando nos aproximamos da morte ou de seu entendimento, DEUS PASSAS A FAZER SENTIDO. Isso é fé, QUE MOVE MONTANHAS, ainda que em geral, se precise de muitas máquinas!! Foi exatamente isso que Cristo teria dito, não falou de crenças, mas de fé. Ainda se confundem crença com fé, religião com igreja, ainda que não se confunda mais ciência com empresa, É EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA APENAS ISSO.

    arioba

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