CAATINGA, O ECOSSISTEMA.

O Brasil possui não só uma diversidade de formas de vida, mas também uma enorme diversidade cultural, étnica e de ecossistemas. O Brasil apresenta diferentes tipos de ecossistemas que sob a concepção do geógrafo de Aziz Ab’saber chamamos de domínio.

Além de diferentes tipos de clima e relevo, essas regiões apresentam-se relacionadas umas as outras de forma intensa, tanto de espaço quanto de vegetação ou solo entre outros se divergindo em vários ambientes ao longo de todo território nacional.

Esses ecossistemas são denominados de domínios morfoclimáticos sob o ponto de vista da geografia.

Localização da Caatinga.

O termo morfoclimático é uma designação para as características morfológicas e climáticas encontradas nos diferentes ecossistemas.

Por isso são chamados de domínios, porque visam não somente as características da biodiversidade local, mas também as condições climatológicas e com esta modela a formação vegetal que ali existe. Além disso, os domínios morfoclimáticos brasileiros são definidos a partir das características botânicas, pedológicas, hidrológicas e fitogeográficas.

Com esses aspectos é possível delimitar seis domínios. Dentre eles, um dos mais conhecidos e pouco estudados sob o ponto de vista da conservação é a caatinga.

A caatinga ocorre na região nordestina do Brasil chamada de polígono das secas, é uma área depressiva com montanhas como a Serra na canastra, Serra caipó e diamantina. De clima semi-árido, seu território se estende por aproximadamente 850.000 km² pegando o estado do Ceará e partes da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí.

A caatinga ocupa cerca de 12% do território nacional e seu regime de chuvas influencia a vida de animais e vegetais diretamente.

A palavra Caatinga significa mata branca e está associado ao ressecamento das árvores. Além disto é formado por uma vegetação rasteira e árvores que perdem folhas e ficam com tonalidade esbranquiçada.

Esse clima tropical semi-árido pode se estender por 6 a 8 meses sem chuva. O padrão pluviométrico desse domínio é de cerca de 500 a 600 mm de chuva por ano. As regiões consideradas úmidas chegam a 800 e 1200 e ocorrem nas áreas de transições com outros biomas.

O relevo da região varia entre 200 e 800 metros altitude. Nessas áreas chove muito menos do que nas serras cuja media chega a 1000 mm por ano. Muitas áreas da caatinga são preservadas por Unidades de Conservação embora representem somente 1% do total. A caatinga é o único ecossistema que aumentou justamente devido pela descaracterização das floretas de cerrado, zonas da mata atlântica e de mata de cocais.

O relevo da caatinga apresenta duas formações dominantes, os planaltos e as grandes depressões, formados de fragmentos de rochas, muitas vezes de grandes dimensões.

As depressões são terrenos aplainados, normalmente mais baixos que as áreas em seu entorno. As maiores depressões da região são a Sanfranciscana, a Cearense e a do Meio Norte. Situadas nos estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas.

O planalto da Borborema  é uma formação que varia em média entre 650 e 1000 metros. Em alguns pontos como o pico de Jabre, na Paraíba, chega a 1.197 metros e o pico do Papagaio, em Pernambuco, a 1.260 metros.

Caatinga, ou Mato branco.

Esse planalto é uma grande barreira para as nuvens carregadas de umidade que vêm do oceano Atlântico em direção ao interior. Quando essas nuvens encontram este “paredão”, elas se condensam, provocando chuvas nas regiões mais baixas do lado voltado para o oceano. As nuvens não conseguem ultrapassar o planalto da Borborema. Isto dificulta a ocorrência de chuvas do lado oeste, que é marcado pela seca. Este lado seco é o que faz parte do bioma caatinga.

A região da caatinga foi colonizada por portugueses e holandeses. A história do povoamento da caatinga é bastante antiga.

A caatinga foi sempre palco de lutas por independência, seja do ponto de vista escravista ou nacionalista. Tornou-se uma região que abrigou muitos fugitivos opositores ao Reinado Português e ao Império Brasileiro.

Por ser uma ecorregião de clima seco abrigou grandes fortalezas construídas pelos famosos cangaceiros. Com isso os processos de povoamento instaurados nas décadas de 40 e 50 centrou-se nas áreas litorâneas.

Há cerca 20 milhões de brasileiros vivendo dentro da Caatinga.

Quando não chove, o homem do sertão e sua família precisam caminhar quilômetros em busca da água dos açudes. A irregularidade climática é um dos fatores que mais interferem na vida do sertanejo.

Mesmo quando chove, o solo pedregoso não consegue armazenar a água que cai e a temperatura elevada (médias entre 25°C e 29°C) provoca intensa evaporação. Na longa estiagem os sertões são, muitas vezes, semi-desertos que apesar do tempo nublado não costumam receber chuva.

A caatinga sofre até hoje com problemas sociais e naturais, isso faz com que muitos habitantes migrem para regiões como a Amazônia e o sudeste brasileiro.

O solo é raso e pedregoso, sujeito a intemperismo físico e pouca erosão. A textura dos solos da caatinga passa de argilosa para uma textura média alem de variar de acordo com ambientes como o sertão e o agreste.

Mesmo tendo aspectos de um solo pobre, a caatinga é rica e basta irrigar o solo para florescer a cultura implantada.

A maioria dos rios são sazonais aos períodos de chuva. Ocorrem em um curto intervalo durante o ano.

Para enfrentar a falta de água nas estações secas, os moradores da caatinga constroem poços, cacimbas e açudes. Mesmo com estes mecanismos, na maior parte das vezes, só conseguem obter água salobra, imprópria para consumo.

O Rio São Francisco atua como um oasis nessa área. Ele parte da região central do Brasil e irriga grandes áreas da caatinga transformando suas margens num solo muito fértil.

Bacia do Sao Francisco. Clique para ampliar.

A caatinga apresenta uma vegetação sertaneja, que sobrevive em épocas de estiagem e em razão disso sua casca é dura e seca, conservando a umidade em seu interior. Assim, a região é caracterizada por uma vegetação herbácea tortuosa, com grupos de plantas cactáceas, o famoso mandacaru, amburana, aroeira, umbu, baraúna, maniçoba, macambira, juazeiro e o xique-xique.

A Caatinga apresenta três estratos, o arbóreo de 8 a 12 metros de altura, arbustivo de 2 a 5 metros e o herbáceo abaixo de 2 metros. As folhas das plantas são finas ou inexistentes.

Algumas espécies de plantas desenvolvem raízes na superfície, o que lhes permite, no período das chuvas, absorver o máximo possível da água que cai sobre os terrenos.

A diversidade de espécies é menor quando comparado a outros biomas brasileiros como a Mata Atlântica e a Amazônia, mas estudos recentes revelam um alto número de espécies endêmicas.

A grande maioria dos animais de cerrado tem hábitos noturnos justamente evitando o calor excessivo. Há cerca de 47 espécies de lagartos catalogados pela ciência e outras 45 de serpentes, sendo a cascavel a mais comum.

Há um endemismo muito grande aves, como o carcará, asa-branca e a gralha-canção. A ararinha azul que vivia na caatinga foi vista pela última em 2000 e considerada extinta pelo IBAMA.

A arara-azul-de-lear também encontra-se em estado crítico, só é encontrada em uma pequena área no interior da Bahia, no município de Canudos, Euclides da Cunha e Jeremoabo.

A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari)

Esta ameaçada pela perda do hábitat e captura para exportação, ela vive nas palmeiras licuri (Syagrus coronata), cujos frutos são seu principal alimento, e faz seus ninhos em cavidades nos paredões de arenito.

Os anfíbios são animais numerosos na caatinga, além do sapo cururu e a jia de parede. Um dos mais impressionantes exemplos da caatinga são os sapos Bufo granulosus que ficam enterrados no solo de beira de açudes em regiões da caatinga onde raramente chove. Eles afloram justamente nas épocas de chuva para se reproduzirem. Se cavarmos regiões como esta a uma profundidade de dois metros onde o solo esta úmido os encontramos escondidos do calor da caatinga.

Também existem muitos mamíferos na caatinga, como onças, gatos selvagens, capivaras, gambás, preás, macacos-prego e o veado catingueiro.

Devido o homem não intervir de significativa maneira em seu habitat, o ambiente natural da caatinga encontra-se pouco devastado. Sua região poderia ser ocupada mais a nível agrícola, em virtude do seu solo possuir boas condições de manejo, só necessitando de irrigação artificial. De fato a transposição do São Francisco tentou viabilizar isto embora o planejamento e a execução do projeto tenham causado mais impacto ambiental a esse ecossistema frágil.

A caatinga teria condições de desenvolver-se economicamente com a agricultura, que seria de suma importância para acabar com a miséria existente desde que seja feita de forma responsável e não como é feita no sistema político econômico que o país desfruta.

Victor Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Caatinga, Ecossistema, Geografia, Relevo, Clima, Domínios morfoclimaticos, Biodiversidade, Ecologia.

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Referências.

* A Caatinga. WWF (World Wildlife Fund)
* Aziz Ab’saber. Os domínios de Natureza no Brasil. Editora Ateliê. 2003.
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5 thoughts on “CAATINGA, O ECOSSISTEMA.

  1. Caro Rossetti, uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. Por que temos que “acreditar” que a Terra tenha que continuar como era, ou como vai ser, se nem sequer sabemos como era? Isso decorre do arcaísmo da seleção natural, que tem como origem o ambiente “burro e ocasional”, no dizer do famoso Dawkins. Suponhamos, que pelo contrário, seja obra inteligente de alguém, que pouco importa saber quem, pois nem sequer de fato ainda sabemos como é.
    O CEO de uma fábrica não “opera a fábrica”, ele estabelece a ‘forma’ como a fábrica tem que produzir, a turma “de baixo” é que opera. Daí surgem as leis e processos, que estabelecem os rumos, não necessariamete as formas. Imagine se o CEO tivesse também que apertar parafusos!! Difícil de entender?
    Mas isso é numa fabriquinha pequena, mais complicado e complexo numa organização tipo GM ou Igreja Católica, e imagine agora na organização chamada Universo!
    A Terra habitada é um “planeta tornado” habitado por inteligências que atuam exatamente como no caso da fábrica, a “peãozada” que opera tornos e vassouras, também têm certo grau de liberdade de fazerem seus trabalhos, apenas que cumprindo as “leis ou processos”.
    Assim, a Terra nasceu sendo operada por “seres vivos” cuja inteligência é a mesma de todas as espécies, EXCETO A DO HOMEM ADÂMICO, até lá, o próprio homo-sapiens era outra mera espécie viva que apenas VIVIA E PROCRIAVA. E aí surge o homem adâmico que é “condenado” a viver de sua própria inteligência, E COMO FARIA ISSO SEM “MUDAR” O AMBIENTE DA TERRA? Basta apenas colocar nossa cuca para funcionar.

    A outra questão, contudo, é DE MORAL E ÉTICA. Se o peão da fábrica não entender que precisa cumprir as leis e os processos, ACABAM SEUS GRAUS DE LIBERDADE, e na melhor das hipóteses, se tornar um “desempregado”, na pior, UM MORTO NO CEMITÉRIO. Na natureza não exisetem desempregados, mas mortos no cemitério existem aos bilhões, é só consultar a história e a própria biologia é testemunha das espécies que desapareceram por aboluta inutilidade, e não POR AUTO-SELEÇÃO NATURAL DE PORCARIA NENHUMA.

    Então, É MISSÃO DO HOMEM ALTERAR O AMBIENTE DA TERRA SIM SENHOR, APENAS QUE PARA ISSO PRECISA DA MORAL E DA ÉTICA DE CUMPRIR LEIS QUE NÃO FORAM SUAS, E NAS QUAIS ESTÁ INSERIDO, e afinal, SEM SUA VONTADE.

    Ou será que “cada um de nós escolhe como quer nascer”? E O PIOR É QUE ESCOLHE, mas é assunto para outro diálogo.

    Os Israelense não transformaram desertos em áreas produtivas? Basta que se cumpram as leis da natureza, que estão acima das leis “polítiqueiras” dos homens. O cerrado é algo “decretado por Deus como imutável”? Onde está escrito isso? E se ao homem foi dada a inteligência para evoluir, VAI EVOLUIR COMO? Rezando para Deus?

    Então, caro Rossetti, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa! A coisa não pode ser apenas tecnológica, mas também que ser MORAL E ÉTICA, e aí apenas estaremos cumprindo as leis de Deus e seus processos. A evolução não é objetivo, É CONSEQUÊNCIA.

    arioba.

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