HOW RATIONAL IS AMERICA? (comentado)

The home of conspiracy theories, creationism and climate scepticism is also a scientific powerhouse. Neil Denny is on a road trip to explore this contradiction.

The Creation Museum in Petersburg, Kentucky, one of the stops on the Little Atoms Road Trip. Photograph; Jeff Haynes,AFP,Getty Images

This is the first of a short series of columns, so I’ll begin with a brief introduction. I’m the producer and presenter of a radio show and podcast called Little Atoms. It’s a talk show mainly concerned with popular science and rationalism, encompassing the “Sceptic” movement. We’re interested in how science and culture, and often science and religion, rub up against each other.

I’m not a scientist by training, my interest in science and scepticismcoming quite late in life. As a child in the 1970s I was obsessed by the space race, and I was a fan of the science fiction of the era, such as Star Wars and Close Encounters and Silent Running. I read a lot of post-apocalyptic science fiction. I’d therefore have claimed that I was interested in science, but what I would have really meant was weird phenomena: Bigfoot, UFOs, and the Bermuda Triangle.

I presumed all of these things to be, if not true exactly, then at least plausible and worthy of study by researchers. I certainly wouldn’t have been able to tell you the difference between palaeontologists searching for ancient bones, and the search for the Loch Ness Monster.

Then one day I accidentally bought Carl Sagan’s masterpiece The Demon Haunted World, presuming from the title that it was another book about unexplained phenomena. And it was, just not in the way I was expecting. Sagan calmly explains in the book that there are natural physical phenomena that are provable, and others that are not, and that there exists in the scientific method a mechanism for telling this stuff apart. This was a revelation to me.

At the risk of looking foolish, let me reiterate that I was in my mid-twenties when this happened. From then on I obsessively devoured all of the popular science I could get my hands on. Through reading Sagan I also discovered the work of James Randi and the idea of organised scepticism.

I’ve been an atheist as long as I can remember, and have been an observer of the UK sceptical movement for the best part of a decade. Having been introduced to that movement via the American version, I’m interested in the contrasts between sceptical and atheist campaigns in the UK and the US.

There is a familiar cliché in the UK media of an overtly religious, backward-looking, anti-intellectual and anti-science America, an America under sustained attack from the forces of irrationality.

It’s true that professing atheism in America is still considered to be a brave and transgressive act. American sceptics, atheists, scientists and science educators are engaged in numerous battles. Creationists continue to push for the teaching of “intelligent design” alongside evolution in science classes. Campaigners fight to protect the right to legal and safe abortion, for the use of stem cells in medical research, and against the growing anti-vaccination movement.

At the same time conspiracy theories about a wide range of events from 9/11 to the moon landings remain widespread, and climate change denial continues to be a significant political force. Yet it remains a fact that America was founded on explicitly Enlightenment principles, is a bona fide secular state, will remain for the foreseeable future the number one country for science research in the world and contains a significant proportion of the world’s top-rated universities. This contradiction has always interested me.

So on 12 May I’m travelling to America and embarking on a month-long, 6,000 mile road trip, with the aim of making a series of podcasts that present a wide-ranging overview of science and scepticism from an American perspective. I’ll be interviewing scientists working on groundbreaking, cutting-edge science, educators combatting the encroachment of anti-science and irrationality into politics and the classroom, and writers attempting to popularise amazing ideas and concepts to the wider public.

I’m flying in to San Francisco and passing through Los Angeles, Tucson, Phoenix, Santa Fe, Roswell, Oklahoma City, St Louis, Chicago, Cincinnati, Pittsburgh, Washington DC, Durham, Asheville, Philadelphia, New York and Ithaca en route to Boston. I’m going to be visiting the Seti Institute, the BEYOND Center for Fundamental Concepts in Science, theLos Alamos National Laboratory and the American Museum of Natural History. I’ll also be paying a visit to Kentucky’s Creation Museum.

I’ll be spending a weekend at the annual conference of the Orange County Freethought Alliance, and attending the 5th World Science Festival in New York. And I’ll be recording lots of interviews with scientists, a very short selection of which includes Leonard Susskind, Eugenie Scott, Sarah Hrdy, Kip Thorne, David Gross, Lucianne Walkowicz, Ann Druyan (Sagan’s widow), George Church, Priya Natarayan, Paul Offit, Sara Seager and Steven Pinker.

I’ll be posting a weekly dispatch on this blog while I’m travelling, and I’ll be returning home with enough material for around 40 podcast episodes, which will be published once a week in a new RSS feed. The first episode will go online on Friday 18 May.

You can find the feed here or search for Little Atoms Road Trip on iTunes, and also follow my progress on Twitter @littleatoms.

My trip has been made possible by a 2012 travelling fellowship from theWinston Churchill Memorial Trust. Each year the trust gives out around 110 travelling grants for worthwhile projects. The application process for 2012 opened this month. You should think of an idea and apply.

Fonte: The Guardian

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Resenha do autor

Os criacionistas continuam a empurrar o design inteligente no ensino público americano. A nova tática apresentada agora é a desmoralização dos cientistas do clima para afetar indiretamente a veracidade do evolucionismo (veja aqui), usando o sistema vouchers. (TENNESSEE BILL PROTECTS TEACHERS WHO CHALLENGE EVOLUTION AND CLIMATE CHANGE) Este último refere-se ao uso de dinheiro público em escolas administradas por setores privados. Semelhante aquilo que fez o economista Milton Friedman e seu capitalismo de destruição em Louisiana, Nova Orleans e sua parceria com o General Pinochet na ditadura do Chile (A DOUTRINA DO CHOQUE E O NEOCOLONIALISMO POR TRÁS DA FARSA DO AQUECIMENTO GLOBAL E DE CERTAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS.

Ora, se há um ceticismo em relação as mudanças climáticas globais elas devem ser debatidas no âmbito científico. Quem vos escreve não acredita na hipótese do aquecimento global não por razões religiosas, mas por razões puramente científicas.

O que mais intriga ao analisar o criacionismo é que conceito de designer inteligente e o de criacionismo na verdade não se fundem porque são exatamente a mesma coisa embora criacionista alguma aceite e embora sejam defensores dito designer.

Não há coincidências em ver um criacionista que acredita em um designer superior.

Todo criacionista alega que criacionismo e designer inteligente são conceitos distintos, mas todo criacionista discursa em defesa do design inteligente. Isso porque no fundo são a mesma doutrina apresentada de forma mascarada.

O criacionismo é a tentativa de aplicar conceitos de ciência para autenticar as passagens bíblicas. Passagens essas que são a inspiração do cristianismo (protestantismo) e reverenciam a criação de Deus, que no criacionismo é chamado de designer inteligente, um conceito supostamente científico.

Em curtas palavras, o criacionismo tende a cientificar os fenômenos sobrenaturais.

Essa tendência surgiu nas manobras americanas ultra-conservadoras em tentar burlar a I Emenda da Constituição Americana que restringe o favorecimento de uma doutrina religiosa no ensino público. O criacionismo não é algo recente (veja aqui) o conceito de designer inteligente é. oi criado na década de 80 com o livro Of pandas and people.

Por menos que isso, doutrinas como o espiritismo também são consideradas pseudo-ciências. Isso porque o formulador dessa doutrina viveu em um período de florescimento do método científico. Alan Kardec tentou justamente trabalhar ciência e religião da mesma maneira e criou algo que é considerado pseudo-ciência pois não segue uma pensamento sistemático e adota uma postura sobrenatural. ‘Sob essa concepção tanto o espiritismo quando o criacionismo estão em pé de igualdade.

O criacionismo faz o que se chama de tedeísmo. Por fazer isso se caracteriza das maneiras mais anti-científicas e anti-religiosas possíveis.

O criacionismo não é considerado ciência porque não apresenta uma metodologia científica e porque trabalha com verdades absolutas e não paradigmáticas. Não existe experimento que prove a existência de Deus, pois a ciência é materialista e Deus é sobrenatural, externo a criação.

Há muito tempo fiz um desafio aos criacionistas. Pedi para que me apresentasse qualquer artigo científico reconhecido por alguma revista de publicação que me explique porque razões ou como o suposto designer inteligente criaria salamandras com olhos reduzidos e infuncionais em ecossistemas cavernícolas.

Jamais recebi qualquer resposta, artigo ou comentário apesar de sempre ter entrado em contato com esses defensores. As defesas criacionistas são feitas com base em crenças pessoais, pois se a ciência não explica um determinado fenômeno, por exclusão o designer passa a explicar. Assim ocorre a descontextualização da ciência; se ela explica um fenômeno o criacionista chama o cientista de dogmático, se ela não explica então o designer passa a valer e a ciência é desmoralizada. Esse pensamento autoritário e circular é claramente anti-científico e evidencia claramente como a linha de pensamento criacionista é profundamente desconhecedora das bases filosóficas e epistêmicas da produção cientifica.

Por outro lado, o criacionismo acaba não seguindo uma linha de pensamento religiosa, pois se entende primeiro que as lições bíblicas, divinas trazem um componente moral, e portanto metafórico na teologia cristã. Como saber qual passagem é metafórica e qual é literal? Devemos tratar Gêneses como uma reportagem divina sobre a criação?

Segundo, porque a base para a crença no Deus todo poderoso não é a constatação visual ou científica de sua existência, mas sim a fé, ou seja, a crença sem evidências. O crer pelo crer esta sendo substituído pelo crer pelo ver, como o apostolo Tomé.

A tendência criacionista é a busca desesperada por constatações materiais que possam suportar suas concepções individuais, são teologias pessoais que distorcem a realidade e no fundo podem representar o medo de que aquilo que acreditaram a vida toda pode não ser verdadeiro ou simplesmente contestado.

Portanto, essa busca incessante pela manutenção da crença nos aspectos mais inconsistentes pode ser reflexo do medo de que o metafísico não seja real diante da contestação dos argumentos. Dawkins diz claramente que as discussões mais difíceis de se ter é com fundamentalistas que tentam de tudo para validar suas crenças. Por essa razão são fundamentalistas.

As evidências científicas se voltam contra muitas premissas criacionistas.

Principalmente aquela demonstrada acima no Museu da Criação que afirma que o universo foi criado a 7 mil anos.

As evidencias paleontológicas, paleoantropologicas, arqueológicas e até mesmo da arqueologia bíblica demonstram que a datação se estende para mais do que meros 7 mil anos.

A civilização Inca que só foi descoberta a 500 anos atrás pelos conquistadores espanhóis emergiu a muito tempo, inclusive a muito mais tempo do que as cidades bíblicas encontradas em Israel. São civilizações que se desenvolveram de forma independente aquelas vistas no Crescente fértil e no miolo do Oriente Médio.

Um dos registros mais antigos, datados com o uso do Carbono 14 que é utilizado também na datação de documentos bíblicos mostrou que a civilização Inca já existia a cerca de 17 mil anos, na cidade de Tiahuanaco, na Bolívia.

A própria arqueologia bíblica demonstra que a cidade de Jericó surgiu a 12 mil anos. Ela é conhecida na tradição judaico-cristã como o lugar do retorno dos israelitas da escravidão no Egito, liderados por Josué, o sucessor de Moisés. (A HISTÓRIA OBSCURA DO CRISTIANISMO E SEUS PLÁGIOS TEOLÓGICOS. Parte I e Parte II)

Todos os fósseis de ancestrais humanos e até mesmo homens modernos datam mais de 11 mil anos. Toda megafauna do Pleistoceno é datada em mais de 11 mil anos.

O conceito de fóssil, que é um material reconhecido pelos criacionistas desmente a proposta da Terra-jovem criada por Henry M. Morris  em 74.

O processo de fossilização demora 11 mil anos para ocorrer. Isso quer dizer que a substituição de toda matéria orgânica por material mineralógico dos tecidos do animal ou vegetal demoram 11 mil anos para ocorrer (ANÁLISE CONCEITUAL DE FÓSSIL E ESTRATIGRAFIA DESMONTAM CERNE DO CRIACIONISMO).

Isso quer dizer que todos os fósseis que foram encontrados até o presente momento tem mais do que 11 mil anos e não representam um evento de extinção em massa causado pelo dilúvio.

O dilúvio por si só não tem consistência alguma considerando os elementos históricos usados para descrever tal mito, que remete ao tempo dos Sumérios na cidade de Ur, anterior a Abraão.

As evidências matérias também descartam qualquer relação com o mito uma vez que a água do dilúvio desapareceu subtamente, ou como as faunas foram estabelecidas após o dilúvio. Porque Dinossauros não foram acolhidos na arca. De fato, não nenhum fóssil que date os dinossauros em até 7 mil anos, ou um fóssil humano que date o Cretáceo, ou seja, mais de 65 milhões de anos. Portanto, a afirmação criacionista de que homens e humanos coexitiram (teoria dos Flintstones) é meramente ilusória e distorcida.

Não há evidência alguma da existência de uma arca. A única evidência foi encontrada no monte Ararat (Turquia) demonstrou que os achados não correspondiam a suposta arca de Noé que todos os arqueólogos cristão anunciaram ser.

De fato, existem muitos dados forjados, como esqueletos gigantes que supostamente pertencia aos povos antigos da bíblia como os Nefilins e filisteus. Não passavam de farsas (EL HOMBRE QUE CONFUNDIÓ UN DINOSAURIO CON EL ESCROTO DE UN GIGANTE)

Fica evidente que as passagens bíblicas são meramente simbólicas, que se apresentavam como lições de moral em um momento histórico distinto. Jesus Cristo falava por parábolas, e portanto o único valor histórico que os relatos criacionistas pode apresentar são lições de como chegar ao céu e não como ele tudo foi criado.

Não há razão alguma para pressupor que existam assinaturas divinas na composição química do universo ou complexidades irredutíveis no campo da biologia. De fato, a ideia de complexidade irredutível foi totalmente descartada em 2005 no julgamento  Kitzmiller v. Dover Area School District. Nenhum exemplo usado por Michael Behe compreende a complexidade irredutível (DESCARTANDO A COMPLEXIDADE IRREDUTÍVEL DO DESIGNER INTELIGENTE). Nada do que ele afirmou em seu livro A caixa preta de Darwin foi encontrado na prática.

A grande precursora do criacionismo no Brasil é a Igreja Adventista do Sétimo dia que assim como outras também sofrem com escândalos, tanto nacionais quanto internacionais.

No Brasil o mais recente envolve a ex-Deputada do PMDB Eurides Brito envolvida no caso mensalão em 2006, na qual faz parte também do rol de membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ela esta envolvida nas imundices feitas com a educação nas eras negras de Antony Garotinho e Rosinha garotinho que enfiaram goela a baixo o ensino do criacionismo nas escolas publicas do Rio de Janeiro. De fato, estes fazem hoje parte da bancada evangélica em Brasília ferindo a Constituição do país que estabelece a laicidade do estado.

Eurides Brito (PMDB) Ex-Deputada envolvida no caso do mensalão e membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Eurides é acusada de ter recebido propina do delator do esquema, Durval Barbosa.

Nos Estados Unidos a Igreja Adventista do Sétimo Dia já foi acusada de ser dona de 5 grandes seguradoras e uma escola de aviação. Além disto, cerca de 550 milhões de dólares adquiridos em dízimos foram investidos em ações de empresas.

Na década de 80 aconteceu o escândalo dessas inversões milionárias da igreja em frigoríficos, indústria cafeeira e fábricas de armamentos. A igreja era acionista de firmas que criavam porcos.

Até mesmo a precursora do movimento adventista Ellen G. White tinha ensinamentos muito polêmicos. Ela foi acusada algumas vezes de racismo, de plágio das obras de W. J. Conybeare/J. S. Howson 1852 e movimentos contra a masturbação que considerava uma fonte de debilidades físicas. Além disto, o consumo de carne de porco, que segundo ela, causaria doenças como a lepra.

A militância criacionista vem seguindo os mesmos moldes ultra-conservadores vistos nos Republicanos americanos. Inclusive apoiado pelo então candidato a presidência Mitt Romney que é solidário assumido dos ideais do capitalismo de devastação e sistema voucher de Mitt Romney para promover o criacionismo.

O criacionismo no Brasil, diferente do americano é reflexo do péssimo ensino público (BIÓLOGOS QUEREM REFORÇAR ENSINO DA EVOLUÇÃO). De fato, em muitos textos escritos por criacionistas conhecidos no Brasil é possível ver falhas conceituais graves no que tange a discussão criacionismo versus biologia evolutiva.

Muitos fenômenos são criados com a intenção de sustentar supostos fenômenos anti-evolutivos como o caso da língua do pica-pau verde da Europa (A EVOLUÇÃO BUSCA A COMPLEXIDADE? E O PILAR DA BIOLOGIA CORRE ALGUM RISCO?).

O criacionismo vem seguindo a mesma tendência degradativa dos outros setores do protestantismo aqui no Brasil. Envolvido em escândalos financeiros e polêmicas sociais (A ASCENSÃO HIPÓCRITA DOS EVANGÉLICOS BRASILEIROS).

 .

Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Criacionismo, Ultra-conservadorismo, Mitt Romney, Vouchers, Escândalos, Ellen White, Fundamentalismo, Ciência, Religião, Evolução.
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6 thoughts on “HOW RATIONAL IS AMERICA? (comentado)

  1. Aptidão significa a capacidade de sobreviver diante de uma situação ecológica que pune com a morte os seres. Aptidão em um deserto pode ser aquele animal que tem uma pele mais espessa e evita a perda de água, Os de pele fina morrem desidratados, como consequência vivem os de pele espessa. Aptidão em relação a um ambiental de temperatura hostil, e outros que se parecem mais com o substrato que estão, ou que metabolicamente estoca gordura, ou que auxilia na digestão de certas substâncias, ou que expressa um comportamento mimico diante de um predador. Aptidão é a sobrevivência diante de uma situação ecológica hostil, assim como bactérias resistentes conseguem sobreviver a antibióticos e levam a uma geração nova que eventualmente pode seguir se diferenciando e isolar geneticamente de seus ancestrais.
    Vamos saber diferenciar o conceito de verdades científicas.
    Não gosto de esticar esses comentários mas vamos em frente.
    Existe uma diferença entre o modelo científico evolutivo e a evolução como fato. Se pensarmos que a ciência consegue alcançar fatos (realidade) como a Terra girando em torno do Sol, então temos dogmas? Talvez sim; mas qual a diferença entre fato e dogma?
    Quando algo é considerado fato? Quando é realidade? Um dogma é um fato sob uma perspectiva religiosa, então caímos numa definição terminológica que a ciência rejeita unicamente porque dogma é um termo coloquial religioso.
    Agora existe a diferença entre evolução como fato e como teoria.
    Considera-se a evolução como um fato quando se reconhece que existe uma teia de diversas teorias e hipóteses que sustentam a ideias de que as espécies se relacionam parentalmente. É tratada como fato quando se verifica que em diferentes níveis existem evidencias que sustentam tais ideias em diferentes grupos de seres vivos através de fósseis, os elos de transição (embora o termo seja errado), a genética, as semelhanças estruturais, morfológicas e comportamentais. Por exemplo, biologicamente o homem tem um relacionamento evolutivo com o neanderthal, sob diversos aspectos anatômicos, morfológicos, genéticos e os fósseis evidenciam isso. Geneticamente homens e neanderthais são semelhantes 99,5%. Se voltarmos no tempo a 8 ou 9 milhões de anos quando o ancestral em comum entre o homem viveu é possível verificar porque o chimpanzé tem 99,1% de semelhança com o homem moderno. Voltando mais ainda ao tempo dos gorilas, temos 98,2% de semelhança, mais atrás a 18 milhões os orangotangos com 97% de semelhança. Não são somente evidencias genéticas, mas sim conjuntos de referencias que permitem traçar a evolução humana ou animal, vegetal, unicelular como um fato.
    Diversos grupos animais apresentam tais relacionamentos, e atualmente alguns processos macroevolutivos tem sido reconhecidos nas espécies anel, que é o momento exato onde duas espécies se separam e passam a trilhar caminhos evolutivos separados.
    O sistema de classificação biológica criado por Lineu no século 18 já se baseava nessa semelhança, Lamarck reavaliou algumas dessas classificações e posteriormente tantos outros biólogos, bem como Darwin. Os dados tem sido cada vez mais refinados.
    São 150 anos de pesquisas que suportam a idéia de que as espécies estão relacionadas evolutivamente.
    Existem evidencias que são opostas ao darwinismo? Claro, sempre existiram, não só com Darwin, mas com Einstein, Hawkins. Cerca de 1/3 dos russos não acredita que a terra gira em torno do Sol.
    O caso da evolução das espécies do Cambriano é uma delas, mas que vem sendo desmistificada pelos paleontólogos.
    Desmistificar um fenômeno não significa usar somente ciência como objeto que alcança a “verdade”. Existem outras explicações na filosofia ou mecanismo de construção de conhecimento como voce mesmo falou anteriormente, os acervos de construção de conhecimento da humanidade. Não podemos rejeitar. Existem definições poéticas e filosóficas a respeito do que é a luz e a escuridão que são tão belas quanto a explicação cientifica ou o prisma de Newton.
    A ciência ela é um mecanismo materialista. Ela é essencialmente materialista e não reconhece divindades como explicadoras de sistemas naturais pelo simples fato de que divindades não são acessíveis ao método científico. A ciência é cega para Deus.
    Não se prova que Deus existe com experimentos. Infere-se que haja uma causa inteligente por trás de tudo porque aparentemente as estruturas anatômicas dos seres vivos ou o caráter físico-químico do universo parece conspirar para a existência das coisas. Tanto que os defensores do Design inteligente dizem que sua linha de pensamento é cientifica porque dão outra interpretação para os resultados científicos. Ora, dão uma interpretação pessoal, puramente mística. Misticismo não é ciência, assim como filosofia não é arte. Elas tratam das mesmas coisas porém existe uma definição clara entre elas.
    Mas estruturas podem surgir sem a necessidade de um criador especial. A cegueira do relojoeiro de Dawkins explica isso no caso da biologia evolutiva. Aleatoriedade é a ausência de padrão.
    A biologia como teoria ela suporta explicações temporárias. Por isso a ciência não deve ser tratada como um dogma, porque ela trabalha com modelos explicativos. Ela oferece a liberdade de um modelo ser substituído por outro. Um modelo suporta até um determinado limite, em certo momento ele para porque a ciência é materialista.
    É possível explicar a existências dessa diversidade de espécies usando simplesmente sistemas naturais que a ciência usa cálculos para medir e estatísticas, somente isto. É possível que o urso panda seja geneticamente semelhante aos guaxinins como demonstrado a alguns anos. De fato, durante um século de pesquisa essa foi a teoria mais aceita.
    Essas teorias são derrubadas e isso é fazer ciência. Substituir paradigmas por outros que explicam tão bem, ou melhor o que o anterior explicava. Por isso a teoria mais aceita hoje é de que pandas sejam realmente ursídeos, ou seja, parentes antigos dos ursos atuais. Novamente um modelo, que é explicado por evidências fortes, anatômicas principalmente. Alguns casos como o da baleia e das antas por exemplo tem explicações que se encaixam perfeitamente. Isso sustenta a biologia evolutiva como um todo, como um fato.
    É possível que a evolução darwiniana esteja errada. Obviamente ela será substituída por outro modelo cientifico e não místico. A comunidade cientifica preferiria ficar sem um modelo explicativo sob a origem das espécies do que simplesmente retratar tal origem como um fenômeno milagroso. Por essa razão o criacionismo ainda é visto como um preenchedor de lacunas que aos poucos vai perdendo espaço para as explicações evolutivas.
    O meu ceticismo em relação a existência de Deus, pessoalmente falando, não é embasado pela ciência. A ciência por si só não tem a capacidade de dizer que Deus existe ou que não existe. Darwin e o Big Bang somente tem o potencial de descartar Gêneses.
    O que me faz ser ateu vai além das explicações científicas.
    Não sou contra as pessoas acreditarem que o mundo foi criado em 6 dias, ou que a vida veio do barro. Nem que acreditem que o homem tem um relacionamento evolutivo com outros primatas antropoides. A diferença é que eu tenho liberdade para questionar a ciência sem temer o mármore do inferno, coisa que a religião não permite.
    Isso é um posicionamento religioso e pessoal e pouco me importa isso. As pessoas tem liberdade de decidir em quem acreditar. O caso é que essas explicações não são científicas e sim teológicas. Precisa fazer essa distinção; não se conta as frutas de uma salada de fruta todas como maças.
    Por isso deixo argumentações como a sua, de Cícero, sejam elas biológicas, criacionistas ou céticas a ambos os seus preciosos textos diários. Justamente para que as pessoas entrem em contato com essas discussões e participar, expressar sua posição.

    • Então as especies são fixas, imutáveis criadas por alguma força sobrenatural e os indivíduos morrem porque tem de morrer?
      Ora, Darwin escreveu um livro com 20 anos de coleta de dados e visualização da seleção natural em prática, inclusive mo Brasil.
      Se a ciência é formada de frases desconexas então não sei porque criamos antibióticos contra bactérias e todas essas inovações tecnológicas. Será que as frases soltas e desconexas da ciência são capazes de criar antibióticos e bombas nucleares?
      Ora, a ciência que explica e usa a energia para esquentar seu chuveiro ou ligar seu carro e a mesma que explica o universo!!
      Essa sua discordância é que segue desconexa caro Ariovaldo.
      Os dados da seleção estão no livro de Darwin, há 150 anos de publicações que corroboram tais ideias; estruturas anatômicas e morfológicas semelhantes, junto com as genéticas, com uso de DNA mitocondrial, comportamentos semelhantes e um monte de fósseis, além dos experimentos de seleção artificial. Os dois diálogos estão ai, quem entrar em contato com eles tem então os dois posicionamentos.
      Abraço!!!

      • O que a ciência diz com o termo espécie é que um conjunto de seres vivos que tem a capacidade de se reproduzir e gerar descendentes férteis. Isso é uma espécie, espécies distintas são seres vivos incapazes de se reproduzir e esse termo foi criado segundo a verificação empírica e cientifica sim.
        Cães se reproduzem com cadelas e gatos com gatas, isso define duas espécies distintas porque gatos são incompatíveis com cães sob diversos motivos biológicos.
        O sistema de classificação da biologia é baseado no grau de diversificação que os animais tem entre si. O conceito de espécie esta intimamente ligado com a capacidade de reprodução dos seres vivos.
        Esses seres vivos que reproduzem entre si podem vir a se tornar ecotipos distintos (erroneamente chamado de raças). Conforme o distanciamento evolutivo ocorre ao longo dos milhões de anos surgem espécies distintas, posteriormente gêneros distintos, famílias distintas, ordens distintas, classes distintas e filos distintos. O problema é que existe uma subjetividade onde termina uma espécie e começa outra em determinados casos, coisa que já trateie m outros textos. em especial citaria o caso dos animais que se reproduzem sem o sexo, como os microrganismos que são seres vivos que são definidos como espécies sobre outro critério, o genético e morfológico.
        Dois exemplo da seleção criando espécies novas: experimentalmente citaria o caso da Drosophila pseudoobscura criada na década de 80 e pela seleção sexual no caso dos gafanhotos Chorthippus brunneus e Chorthippus biguttulus e de seleção natural citaria o caso das salamandras da Califórnia que vem se separando evolutivamente no processo de especiação onde cada uma segue um caminho evolutivo distinto e a seleção natural pune com a morte cada um delas que não tem aptidão de sobreviver na ecologia local. O distanciamento evolutivo surgiu pela população ancestral que se espalhou por uma área em que cada uma delas ficou sujeita a pressões seletivas distintas. Sim, a seleção natural fala sobre a capacidade de uma espécie perpetuar, mas a seleção age sobre os indivíduos, ou seja, os seres vivos que compõem a espécie.
        Não sei se espécies não tem nada disso que voce falou… alias, os exames de paternidade não são uma ilusão dos cientistas… eles são feitos por membros da espécie humana para saber quem é o pai da criança. Se voce não concorda com o fixismo e não concorda que haja DNA, como concordaria com a árvore da vida sendo ela embasada nesses conceitos?
        Não é que biólogos sejam donos da ciência. Poucos são os químicos que se envolvem na questão biológica da evolução. Ha muitos matemáticos, estatísticos que trabalham com DNA mitocondrial que trabalham com biologia evolutiva. O que disse em relação ao chuveiro é que a física que discorre teorias e explicações sob o Big Bang é a mesma que proporcionou a conquista de tecnologias. Assim como a biologia evolutiva também permitiu a criação de antibióticos, de tecnologias agropecuarias, na medicina com base no conceito de sobrevivência dos aptos.
        Darwin usou exemplos de mariposa, dos tentilhões de galápagos, de escaravelhos, abelhas…Lá ha variações exemplos de sobrevivência dos mais aptos e como isso permite ao longo do tempo a separação em novas espécies pelo gradualismo. Foi um palpite embasado em pesquisadores e estatísticos que explicou naturalmente como as espécies surgem.
        Se estamos discutindo evolução e biologia como não usaria conhecimentos de biologia para rebater seus argumentos? Estou usando os exemplos da biologia para rebater seus argumentos contra a biologia.
        Sob o seu posicionamento pessoal do que é inteligencia também há um erro conceitual. Inteligencia não é a capacidade de aprender e sim a capacidade de atribuir valores a situações distintas. O ser humano aprende quando criança a sentar na cadeira e sua inteligencia também o permite reconhecer que um sofá, a guia da rua ou um tronco também pode servir como um lugar para sentar. Ele atribui valores em contextos distintos. Os animais também aprendem e também são inteligentes… um burro que prende o pé e cai ao tentar passar pelo mata-burro aprende que se ele tentar fazer aquilo novamente vai sentir a mesma dor que sentiu antes. Orangotangos do sudeste de sumatra aprenderam sozinhos a construir ferramentas para abrir a fruta Nessia. São inteligentes e não estúpidos.

        Sinto muito se o meu posicionamento não lhe agrada, e de alguma forma tais discussões acabam caindo em um posicionamento pessoal e ai fica a critério de cada um. Jamais quis ofender sua posição e se ofendi peço desculpas.
        Quem sabe um dia, eu encontre uma posição que explica melhor essas coisas. E de fato eu descarto a existência de um entes sobrenaturais por diversas razões e apostaria minhas fichas na biologia evolutiva como ciência. Reconheço seu ceticismo em relação a biologia evolutiva e ao criacionismo sem problemas pessoais algum com sua pessoa.
        Grande abraço!!

      • Mas não é diferente, o homem não é o único ser inteligente, os animais também são. Pode haver outras concepções de inteligencia em organismos como as plantas? Acho que sim, é possível.. jamais vi algum artigo neste sentido.. mas vivemos em uma sociedade antropomórfico e zoomorfica. Alias, o Ocidente é assim.
        O meu questionamento é sobre se realmente há um criador por de trás da criação das leis naturais, da criação do universo, da criação humana e etc. Ao que parece não somos especiais pela nossa inteligencia ou consciência. Se a inteligencia é uma característica que nos torna especial creio que a lingua pegajosa de um tamanduá o faz tao especial quanto nós.
        Se há ou não, cientificamente ele não interessa, e sim a teologia. Defendo a separação de ciência e religião, somente isto. O fato de existir animais com estruturas anatômicas que sustentariam a necessidade de um designer inteligente para cria-las é unicamente aparente, mesmo porque essas estruturas não são perfeitas.
        E fique a vontade para por suas criticas, não estou querendo suprimi-las… pelo contrario, os espaços para comentários estão aqui para serem feitos

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