A COMPLEXA E INCOMPLETA HISTÓRIA EVOLUTIVA DOS QUELÔNIOS.

A história das tartarugas tem preciosos exemplos de como a evolução pode ter caminhado dentro do grupo desses animais. O grande problema é que os registros fósseis ainda não fecham as hipóteses de como esses animais se transformaram ao longo dos milhões de anos.

Estamos falando de um período de aproximadamente 250 milhões de anos em que os quelônios migraram duas ou três para ambientes terrestres e aquáticos.

Alguns fósseis justificam essas sucessivas migrações embora ainda sejam muito escassos, outros ainda são contraditórios. Por exemplo, os únicos répteis vivos anápsidos são os testudíneos, todos os outros clados estão extintos. Os fósseis mais antigos deste clado remontam ao Triássico, mas são muito semelhantes às tartarugas atuais, de modo que dificilmente se podem considerar como o início da linhagem destes animais.

O problema de não se saber o inicio da linhagem desses animais impede de dizer de quais grupos as tartarugas descendem.

Isso quer dizer que a origem das tartarugas a partir de sauropsídeos ancestrais ainda não está clara e os dados moleculares são parcialmente congruente com caracteres morfológicos presentes nos repteis diapsídeos ao invés anapsídeos. Os registros moleculares não batem com os fosseis justamente pela falta de registros que delimitem exatamente a origem dos quelônios no registro fóssil.

Posicionamento evolutivo incerto do quelônios.

Para a grande maioria dos acadêmicos trata-se os quelônios como animais anapsídeos.

As tartarugas marinhas são menos ligadas ao ambiente aquático do que as baleias e dugongos porque de certa forma ainda dependem da terra na época da desovar.

Mesmo voltando para a água, as tartarugas ainda respiram através de pulmões como todos os répteis, embora tenham desenvolvido sistemas respiratórios bastante sofisticados, talvez até melhor do que o das baleias.

Ela extrai oxigênio da água através de duas câmaras que possuem na extremidade posterior do corpo que é irrigada por diversos vasos sanguíneos. De fato a tartaruga fluvial australiana absorve a maior parte do oxigênio que usa em suas funções metabólicas através deste mecanismo embutido em seu traseiro.

A principal característica dos quelônios é o casco. Mas será possível um animal viver somente com maio casco? Como teria evoluído o casco das tartarugas.

Existem tartarugas com meio casco encontradas no registro fóssil, principalmente na China, datados do Triássico superior, cerca de 215 milhões de anos.

A Odontochelys semitestacea possui dentes e meio casco, somente a parte inferior e uma cauda bem longa.

Odontochelys semitestacea

O plastrão, ou o casco da parte inferior dessas tartarugas é exatamente o mesmo encontrado nas tartarugas modernas. A porção dorsal do corpo era comum, como a de um lagarto qualquer embora apresentasse estruturas ósseas ao longo da linha mediana dorsal como acontece nos crocodilos.

Os biólogos canadenses Robert Reisz e Jason Head comentaram a publicação do achado da Odontoquelis na revista Nature dizendo que o casco completo pode surgido quando elas conquistaram o ambiente terrestre antes de seus ancestrais terem voltado para a água ou talvez tenha perdido o casco ao voltar para a água.

Isso pode fazer sentido já que algumas tartarugas modernas como a tartaruga-de-couro perderam ou reduziram ao máximo o seu casco na porção superior.

A odontoquelis desenvolveu somente o plastrão justamente porque viveu em um ambiente aquático. Se ela vivia nadando próximo a superfície do oceano facilitando a respiração é provável que a seleção natural tenha sido positiva aqueles animais que tinham um enrijecimento da porção posterior do corpo, que formou o plastrão uma vez que os seus predadores atacariam-na por baixo.

Tubarões atacam tartarugas por baixo, e por vezes não tem sorte de come-las. Como é sabido, os ancestrais dos tubarões também viveram no mesmo ambiente aquático que a odontoquelis.

Se os pesquisadores chineses estiverem certos é bem provável também que o casco completo dos sucessores da odontoquelis tenham se desenvolvido tanto dentro quanto fora da água.

Se essa transformação ocorreu dentro da água é possível que os atuais jabutis sejam remanescentes de animais que um dia foram aquáticos.

De fato, essa é a hipótese mais aceita dentro da biologia evolutiva. Os jabutis são remanescentes de uma segunda ou terceira onda de migração de quelônios que colonizaram a terra.

Isso quer dizer que as tartarugas surgiram pela primeira vez a mais de 215 milhões de anos no ambiente terrestre, conquistaram seu lugar no mar, voltaram a terra e posteriormente colonizaram novamente o ambiente aquático.

Um estudo que usou comparações moleculares e visou montar uma árvore de parentesco entre todas as tartarugas e jabutis mostrou que quase todos os grupos são aquáticos.

Os jabutis compreendem o grupo dos Testudinidae e tem apenas um ramo na árvore evolutiva. Isso mostra que os jabutis vieram de ancestrais aquáticos semelhantes a odontoquelis.

Além dos testudinides há dois gêneros fosseis de tartarugas com o casco completo chamados Proganochelys e Palaeochersis.

A Proganochelys cujo principal representante era a Proganochelys quenstedti é a segunda espécie mais antiga da tartaruga descoberta até hoje, conhecida apenas a partir de fósseis encontrados na Alemanha e na Tailândia, em estratos do Triássico Superior, datando de cerca de 210 milhões de anos atrás. Ela possui vários representantes como a Chelytherium chamada de tartaruga-fera, Psammochelys ou tartaruga da areia, Stegochelys tartaruga telhado e Triassochelys tartaruga do Triássico.

Os Proganochelys tinham cerca de 1 metro de comprimento e eram semelhantes às tartarugas modernas em muitos aspectos. Não tinham dentes, somente um tinha um bico. Tiveram o casco fortemente reforçado, o casco era formado por placas ósseas e os reforços eram como uma gaiola sólida que ficava em torno dos órgãos internos.

As placas que constituem a carapaça e do plastrão já estavam como nas tartarugas atuais, embora não houvesse placas adicionais ao longo das margens do casco, que teriam servido para proteger as pernas.

Também ao contrário de todas as espécies modernas de tartaruga, sua cauda era longa, tinha pontas com espinhos e terminava em um único e pequeno espinho, Sua cabeça não podia ser recolhida sob a casca, porém seu pescoço estava protegido por espinhos. Enquanto não tinha dentes na sua boca, ela teve pequenos dentinhos no palato.

Antes do Odontoquelis esses eram os mais antigos ancestrais das tartarugas, viveram no Triássico por volta de 200 milhões de anos.

Os biólogos Walter Joyce e Jacques Gauthier da Universidade de Yale fizeram três medições dos ossos do braço e da mão de 71 espécies de quelônios vivos. Eram todos jabutis e não tartarugas aquáticas. Quando cruzou e comparou com os dados da Odontoquelis descobriu embora tenha evoluído na terra os cascos já estavam presentes em jabutis cerca de 15 milhões de anos depois.

Alguns jabutis com o casco voltaram para a água e outros permaneceram em terra firme e extinguiram. Posteriormente algumas tartarugas marinhas colonizaram a terra e originaram os jabutis modernos que conhecemos. Então, apesar do grupo dos quelônios terem surgido na terra eles migraram para o mar, depois voltaram para a terra, posteriormente invadiram novamente o mar e pode ser que uma terceira leva tenha voltado a terra e culminou na origem dos jabutis modernos. Assim, o grupo dos Proganochelys e Palaeochersis representam os membros da segunda leva terrestre.

Assim ficam três hipóteses a respeito da evolução dos quelônios.

A primeira postula que a Proganochelys e Palaeochersis podem ter sido sobreviventes dos animais terrícolas que haviam anteriormente mandado alguns representantes para o mar, entre eles os ancestrais do Odontochelys. Esta hipótese sugeriria que o casco evoluiu antes em terra firme e que o Odontochelys perdeu a carapaça na água, conservando o plastrão ventral.

A segunda suporta que o casco pode ter evoluído na água, como dizem os pesquisadores chineses. Primeiro teria evoluído o plastrão que reveste o ventre, e depois a carapaça que protege o dorso. Neste caso, como explicar o Proganochelys e o Palaeochersis, que viveram em terra depois do Odontochelys, com seu meio casco, ter vivido na água? Talvez o Proganochelys e o Palaeochersis tenham adquirido o caso independentemente na evolução. Mas há outra possibilidade.

A terceira diz que a Proganochelys e Palaeochersis poderiam representar um retorno anterior da água para terra firme.

Tudo esta em aberto, pois a evolução dos quelônios ainda permanece um mistério para a biologia evolutiva. Ela não está tão bem embasada como ocorre em outros grupos de animais como os rinocerontes ou baleias. Há buracos no registro fóssil e muitos dados faltam ara sustentar exatamente o perfil evolutivo desse grupo de animais.

Sobre as formas de água doce e salobra que chamamos de cágados. Elas são primos próximos do jabuti e teriam seus ancestrais mudados diretamente da água do mar para a água salobra e então para água doce. Mas são somente hipóteses, pois os fosseis pouco explicam a respeito da evolução dos cágados.

Outro problema que cerca as explicações evolutivas a respeito dos quelônios é a migração feita por animais como a tartaruga-verde Chelonia mydas que por algum motivo sabe exatamente migra para a Ilha de Ascensão no meio do atlântico. Como fazem isso é um mistério embora as prováveis explicações já tenham surgido (DISMINUYEN LAS HECTÁREAS OCUPADAS POR LA MARIPOSA MONARCA EN MÉXICO)

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Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Quelônios, Chelonios, Odontochelys, Proganochelys, Palaeochersis, Jabutis, Cágados.

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Referências

* MOON P. F.; HERNANDEZ-DIVERS S. M.; Reptiles: Aquatic Turtles (Chelonians). International Veterinary Information Service, Ithaca, New York, USA, 2001 artigo
* LI C, WU X-C, RIEPPEL O, WANG L-T, ZHAO L-J 2008. An ancestral turtle from the Late Triassic of southwestern China. Nature 456: 497-501.
* DAWKINS R. O maior espetáculo da Terra. Companhia das letras. 2009.

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