“O BIG BANG NÃO PRECISOU DE DEUS”, DIZEM CIENTISTAS. (comentado)

No eterno debate sobre a existência de Deus, há quem argumente que, sem um Criador, o próprio Big Bang não teria existido. Para o astrofísico Alex Filippenko, da Universidade da Califórnia (EUA), porém, não é bem por aí. “O Big Bang pode ter ocorrido simplesmente graças às leis da Física”, disse recentemente durante a SETICon 2 (sigla em inglês para “2ª Conferência da Busca de Inteligência Extraterrestre”).

No bizarro mundo da Física Quântica – que opera em escala sub-atômica –, matéria e energia aparecem e somem de repente, sem qualquer explicação. E isso, sugerem alguns pesquisadores, pode estar por trás da origem do universo.

“Se aqui nesta sala você ‘torcesse’ o tempo e o espaço da maneira certa, poderia muito bem criar um novo universo. Talvez não conseguisse entrar nele, mas iria criá-lo”, sugeriu o astrônomo Seth Shostak, do Instituto SETI, durante a conferência.

Antes que os ateus possam levantar e dizer “ahá!”, Filippenko ressaltou que há uma grande distância entre mostrar que Deus não foi necessário para o Big Bang e provar que ele não existe de fato. “Não acho que você possa usar a ciência para provar a existência ou não existência de Deus”, opinou.

Além disso, se o universo surgiu simplesmente a partir das Leis da Física, de onde surgiram as próprias Leis? Se Deus as criou, de onde Ele veio? E o debate continua…[Live Science]

Fonte: Hypescience

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Resenha do autor

A proposta da física quântica é que mesmo o nada (sob o ponto de vista da física) pode ser “matéria-prima” para a origem da matéria. Porque o “nada” sob o ponto de vista da física é tratado como a ausência de matéria, ou seja, o vácuo.

O vácuo é simplesmente a destruição da matéria pela anti-matéria, ou seja, um processo que não deixa resíduos da destruição (ou muito pouco) e por isso esse fenômeno é chamado de aniquilação. (veja mais aqui)

Mas mesmo a aniquilação da matéria pela anti-matéria tem como resultado a emissão de luz, que é formada por partículas, que se comportam em forma de ondas. A luz é um tipo de energia e seguindo os conceitos de Einstein energia e matéria estão intimamente relacionados. (veja mais aqui e aqui)

É exatamente este tipo de formação, e essas partículas que os físicos procuram nos colisores de partículas. Desta forma, a origem do universo é resultado da ausência de um padrão de criação proposital cuja humanidade atribui valores finos e tendenciosos seguindo uma previsão teleológica pela própria natureza psíquica do homem como ser dotado de razão e consciência (capacidade de se enxergar como ser pensante).

A reportagem falha ao afirmar que “a matéria e energia aparecem e somem de repente” quando isso trás uma implicação de espontaneidade. A energia do universo obedece as Leis da Termodinâmica e a matéria é resultado do processo de expansão acelerada do universo inflacionário. Questiona-se então a origem das leis. Ora, o exemplo mais comum que me vem a cabeça é da própria biologia. Se há presença de vida, e para se manter viva ela precisa de uma fonte de entrada de energia que vem dos alimentos é obvio que os seres vivos vão procurar essa fonte, e a competição por ela é resultado da existência da vida. A lei não é um estatuto criado propositalmente. Adotamos determinados regramentos na sociedade que são chamados de “conceitos de moralidade” mas que em nenhum momento foi decretado conscientemente.

A lei, dentro da sociedade humana é criada por um legislador e ela trabalho eliminando parte de nossa liberdade em prol do bem comum a todos. A moral não é estabelecida por lei, ela é adotada de acordo com a individualidade da pessoa e por isso é variável. O que é moral para mim é imoral orientais que vivem em meus pais. Para isso existem leis criadas. A moral surge como um processo natural sem que tenha sido criada propositalmente e conscientemente. Assim surgem as características físico-químicas do universo que cientificamente chamamos de leis, mas que ocorrem naturalmente como a moral.

A física aplica esses conceitos de fenômenos quânticos seguindo o regramento científico para explicar a origem do ponto quente de densidade infinita que deu origem a explosão denominada Big Bang. Esta representa o pontapé inicial da evolução do universo, ou seja, a transformação da matéria e o seu condensamento em aglomerados. Considera-se então que densidade infinita não seja uma densidade sem fim, mas uma densidade finita cujo valor em si é desconhecido. Infinito é um termo usado para quando não se conhece o valor real de um fenômeno.

Filippenko ressalta algo fundamental; provar que o universo é resultado de fenômenos quânticos não significa que Deus não existe. Isso apenas evidencia que o discurso da criação no cristianismo é um mito e não descaracteriza a existência de um Deus. Em outras palavras, ele demonstraria que o discurso de Gêneses não passa de um discurso folclórico que pode ter uma abordagem metafórica a respeito da grandeza de um Deus segundo uma perspectiva judia de dois milênios atrás.

Obviamente, é natural que ao ser aplicada como princípio da verdade, seguramente não se encaixa nas evidências descobertas pela física atual dada a concentração de descobertas e revoluções que ocorreram nos últimos dois mil anos. Tanto na ciência quanto na própria teologia cristã. Outra questão que os criacionistas distorcem, mas simplesmente não ousam responder é a natural real da origem do Deus. Ora, nada pode existir simplesmente por existir. Para tudo que existe deve naturalmente haver uma origem. A vida não surge espontaneamente, mesmo que não se saiba a real circunstância onde ela surgiu no universo ou quando surge durante a gestação.

O cristianismo se origina com a morte de Cristo, então, obviamente Deus deve ter uma origem. Se o criacionista estiver realmente disposto a se mostrar como ciência, deve estar disposto a tratar seu conceito de Deus em designer inteligente como uma hipótese e predisposto a pressupor que existe origem para as coisas assim como faz a ciência ao tratar os fenômenos físicos do universo. Se Deus não tem origem ou surge do nada (sem causa alguma como em Colossenses), a obrigação do criacionista que se vê como cientista é provar antes de tudo que criacionismo é ciência e cientificamente provar seu tedeísmo afoito explica a origem de Deus.

Como aplicar a metodologia científica para provar a existência e origem de uma entidade sobrenatural é um problema conflitante que eles devem resolver e que particularmente não veja como. Como provar materialmente sob o ponto de vista natural que o sobrenatural existe é um dos problemas centrais do criacionismo já que são campos distintos. Razão pela qual a ciência mundial não vê o criacionismo como ciência, apenas os seguidores de determinadas doutrinas teológicas se vem como cientistas.

Religião pensa em como adquirir o caminho do céu através da salvação e a ciência estuda os fenômenos naturais. Assim volta a questão, onde está a origem de Deus? Como considerar a origem de uma entidade sobrenatural pensando e aplicando uma metodologia estritamente natural e materialista?

A esquiva de criacionistas por enquanto só mostra um Deus que sempre existiu individualmente, como a velha proposta da geração espontânea. São explicações teleológicas que não tem fundamentação científica alguma. Dizer que Deus não precisa de causa para surgir e que Ele é a causa de todas as coisas como dito em Colossenses 1:16 prova que ele existe sob o ponto de vista da teologia cristã e não da ciência. Onde esta a fundamentação científica em Colossenses?

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Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Origem do Universo, Física quântica, Big Bang, Criacionismo, Religião, Deus, Filosofia.
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4 thoughts on ““O BIG BANG NÃO PRECISOU DE DEUS”, DIZEM CIENTISTAS. (comentado)

  1. Porque as leis deveriam ter se estabelecido por uma mente inteligente? Sobrevivência por aptidão por exemplo é uma lei estupidamente simples e xucra que é vergonho pensar “como ninguém pensou nisto antes?”. Me parece lógico e estupidamente simples ver que sobrevive o que corre mais rápido que o caçador. As leis não foram pre-determinadas antes da criação, seja ela mística ou científica.
    Pensar que todas as leias estavam concentradas em um único ponto de densidade infinita que deu origem ao Big Bang é um resquício de pensamento monoteísta perfectibilista da tradição que estamos acostumados, mesmo com físicos como o Hawkins sendo ateus. Einstein e os físicos quânticos hoje tentam ainda unificar as leis da física e uma unica só. Eu particularmente acho difícil, elas podem ter sido definidas ao longo da explosão Big Bang. Ao longo de alguns picosegndos, microssegundos, ou milhões de anos elas podem ter sido estabelecidas em um condicionamento imperfeito, diferente da tradição judaica-cristã que nos infecta o modo de pensar. A questão é que já se sabe que é possível que em determinados locais do espaço as “leis” tenham valores diferentes. Isso dificulta estabelecer a criação das leis. mas tem alguns textos científicos que explicitam teorias quânticas sobre isso.
    Nem sempre as leis ou as normas são criadas conscientemente. Por isso usei a analogia da moral na sociedade humana, que muitas vezes emerge inconscientemente, e até mesmo no grupo dos animais.

    E e F) Me desculpe, mas a religião defende a existência de Deus sim, afinal, para que fazer teologia então? A ciência não pode negar Deus, bem como não pode prova-lo, exceto se ele se manifestar de tal forma que seja visível ao método cientifico, caso contrário ela é cega e isso não significa que não exista Deus. Alguém algum dia disse que a ausência de evidencia não é evidencia de inexistência de Deus. Filosoficamente, o simples fato de estarmos aqui discutindo a existência ou não de um Deus já poderíamos dizer que ele existe.

  2. Leis são criadas propositadamente para estabelecer o bem comum, moralidade não se escolhe, não existe um tribunal onde se estabeleça que é imoral certas coisas e moral outras. São determinados de acordo com o contexto histórico que a humanidade viveu. Não precisamos receber uma ordem divina para saber que matar o próximo é uma atitude bárbara. O desvio de conduta na sociedade humana é visto como imoral e por vezes individualmente não se concorda, ai surge a contradição do indivíduo com a sociedade. Não se escolhe intencionalmente que nossa sociedade hoje considere um absurdo tratar com indiferença os asiáticos por exemplo. Isso emergiu em algum momento nos últimos 150 ou 200 anos. Abandonou-se essa idéia de alguma forma que a sociedade talvez não tenha percebido isso, e quando alguém trata um asiático com indiferença a sociedade se manifesta dizendo que ele é tão humano quanto os outros. Isso foi estabelecido por um movimento natural da historia da humanidade.
    Geralmente acreditamos que tudo foi desenhado para um propósito porque nós somos designers. Se desenvolvermos a capacidade de criar e desenvolver conceitos e coisas acreditamos que tudo deva ter sido criado da mesma forma. Esse pensamento foca a constituição do universo em uma finalidade, a mesma com que nós criamos as coisas.
    Agora, nós passamos por uma crise ambiental atualmente, será que entramos nessa cientes do que iria acontecer ou será que esse foi um movimento natural que a humanidade tomou?
    Não há intencionalidade nas coisas, elas não seguem um padrão, também não significa que seja aleatórias, significa que seja natural assim como um rio que corta caminho entre as pedras.

    Não creio que misture, porque embora as religiões existam, elas foram criadas, mantidas e reconstruídas conceitualmente pelo homem. Jesus foi antes de tudo humano, isso constatamos, pela historia dele, e pela sua morte e o que sabemos dele vem de terceiros. ou seja, ele não escreveu nada do que esta na bíblia. Os livros sagrados foram estabelecidos como tal no Concilio di Nicéia, varias interpolações e reinterpretações foram feitas na idade média e posteriormente na reforma, na tradução dela para o alemão. O que hoje se estabelece como religião cristã por exemplo, é resultado das manifestações da igreja, ou dos homens ao longo da história. Se realmente existe um criador, como realmente pode ser que exista (e portanto não descarto a possibilidade) certamente não é aquele estabelecido pelo homem ou pela religião.

    Concordo que elas se completam, ou que se completem, mas não há motivos para pressupor que o criacionismo seja ciência já que suas afirmações são meramente teológicas. Não é uma discussão inútil como voce diz, é precisa saber diferenciar linhas de pensamento, métodos de construção de conhecimento. A ciência de uma forma a religião de outra, se a pessoa acredita em Gêneses e não no Big Bang isso é uma constatação teológica dela e ponto acabou, que ela seja feliz. Ela não é obrigada a acreditar no Big Bang, não precisa nem saber o que significa tal conceito. Isso não muda o fato de que há evidencias fortes de que ele tenha acontecido, especialmente para aqueles que trabalham diretamente com essas evidências.

    • Veja bem, as leis dos homens foram criadas como uma interpretação dos fenômenos naturais. Existiam forças naturais que representavam a chuva o trovão, o sol e etc. A referencia é a natureza, pelo menos em sociedades formadas por indivíduos caçadores e coletores. Com a formação das primeiras cidades os Deuses se tornaram quiméricos, metade homem e metade animal como visto nos egípcios, nas ruínas maias e Incas, nas descobertas de Gobekli tepe e ao redor do mundo. De fato, são reflexos da nossa inteligencia e por sermos capazes de elaborar esses sistemas de crença ou de interpretação da natureza é que temos a falsa impressão de que tudo foi criado segundo um designer. Vemos um designer porque somos seres designers. Assim como queremos que todos animais tenham algum tipo de comunicação, porque temos comunicação. A questão é, porque deveria a natureza ser inteligente. Porque o sistema funciona dessa forma, com indivíduos matando uns aos outros para sobreviver. A natureza é bela quando nos serve, mas ela é horrível quando vemos um gnu sendo destruído na áfrica. Me lembra até o filme anti-christo que trás a concepção de que a natureza seria uma criação do demônio justificada pelas atrocidades que ocorre. Se um autor tem a capacidade de interpretar a natureza como algo belo e inteligente pode interpretar ela como sendo claramente maldita e opressiva. É uma interpretação meramente baseada na nossa visão de mundo, na visão de quem tem capacidade criar e modificar, ai acreditamos que tudo foi criado para um propósito, e pode ser modificada para se adequar ao modo de vida do homem.

      Religião e igrejas estão relacionados. A religião cristã, seja na igreja católica ou evangélica segue um livro cujos textos foi selecionado por um representante da igreja. Toda a crença da religião crista hoje é resultado de uma manobra da igreja no Concilio de Nicéia. Não da pra falar em religião sem falar em como as igrejas remontam essa religação com Deus. Alias, elas estão longe dessa religação já que perderam a essência do cristianismo, alias, qual é a essência do cristianismo? Livros canônicos? Quem garante que os livros realmente foram escritos sob comandos divinos?

      Realmente, o Big Bang foi um palpite, mas não veja palpites como algo ruim, muitos deles se tornam consistentes hipóteses científicas. E eu não que o Big bang foi um palpite ruim dado o tanto de evidencias que os astronomos tem coletado. Dentro da física como ciência, ele é um fato assim como a evolução para a biologia. A questão é que mesmo se fosse ruim, o Big Bang ainda persiste e ninguém apresentou uma proposta melhor a respeito de como tudo surgiu. Seu conceito não diz que Deus não existe, ele apenas demonstra que a criação do universo não passou a existir conforme esta escrito literalmente em Gêneses.

  3. O autor da resenha comete alguns enganos, a saber: (1) considera Deus parte do Universo, um elemento da natureza quando escreveu: “A vida não surge espontaneamente, mesmo que não se saiba a real circunstância onde ela surgiu no universo ou quando surge durante a gestação”. (2) pergunta sobre a origem de Deus, mas não faz sentido perguntar a origem de um elemento que precede a origem do tempo e nem perguntar de onde veio um elemento que precede a origem do espaço. (3) Se refere ao Criador como sendo o deus pregado pelas religiões e pelos criacionistas, não entrando no mérito de analizar a existência de um Criador independente (Deus, se existir, não tem nada a ver com a religião, a religião é que tem a ver com Deus).
    Sendo assim, existe um Criador?

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