PORQUE O CRISTIANISMO DEU CERTO?

O cristianismo deu certo porque foi a mais nefasta de todas as religiões. Ela cortou tudo do ser humano e tornou a humanidade anencéfala por séculos de doutrinação.

O cristão se vangloria por fazer parte de uma religião que existe a mais de dois mil anos. Ora, não há orgulho algum em pertencer a uma religião que promoveu as maiores injustiças e destruição em massa na história da humanidade. Quando olhamos a história do cristianismo, ela esta recheada de teologias plagiadas e toda sua evolução foi marcada por vexames, repúdio, ódio, destruição e massacres em nome de Deus. (A HISTÓRIA OBSCURA DO CRISTIANISMO E SEUS PLÁGIOS TEOLÓGICOS. Parte I e Parte II)

O cristianismo deu certo por diversos motivos e não porque é uma religião antiga. O hinduísmo, o xintoísmo e até o xamanismo são religiões bem mais antigas que o cristianismo e até hoje existem por diversas razões e não porque são velhas ou verdadeiras. Todas essas religiões seguem o mesmo caminho que o cristianismo, a humilhação do homem diante de seus deuses ou a promoção da miséria como ocorre na divisão de castas na Índia.

Voltaire dizia que se não existisse Deus, seria preciso inventá-lo. Pois Deus e o estado trazem o mesmo tipo de dominação e de fato, andam de mãos dadas. O cristianismo surgiu neste contexto e isso até hoje não mudou. O cristianismo emergiu como uma revolução filosófica e política contra o estado dominado pelos judeus e romanos. João Batista, Jesus e seus irmãos foram mortos pelo rei Heródes taxados de revolucionários, bem como eram. Entretanto, o cristianismo emergiu, e mesmo sendo no passado um movimento revolucionário Constantino fez dele a religião oficial de seu império. Alias, em 325 no Concilio de Niceia ele definiu quais evangelhos seriam canônicos, usados até hoje.

Assim o cristianismo andou de mãos dadas com a monarquia e todo tipo de poder durante toda a idade média. Até hoje o cristianismo se associa ao Estado. É assim que ele se promove, basta olhar nos EUA o que o cristianismo puritano inglês fez com a política republicana. O candidato republicano ultra-conservador mórmon é adepto do capitalismo de destruição de Milton Friedman que foi conselheiro do general Pinochet no Golpe de estado no Chile.

Quando os primeiros portugueses pisaram no Brasil rezaram uma missa e começaram a converter a força os índios, barganharam espelinhos, massacraram a cultura, economia e etnia. Até hoje existe uma elite evangélica que gerencia esse país supostamente laico. Basta visualizar a bancada evangélica, os setores cristão ocupando cadeiras no senado (veja a lista completa aqui). A família garotinho enfiou suas crenças criacionistas pessoais goela abaixo dos alunos de escola publica no Rio de Janeiro.

Bancada evangélica de Brasilia.

A Itália é governada por cristãos até hoje, nada mudou em relação ao passado, a situação somente caiu no banal e os massacres causados pela igreja católica como os causados pelos protestantes simplesmente foram esquecidos da mesma forma com que as crianças que nasceram a partir de 2001 jamais enxergarão o onze de setembro como um marco na história. Tudo foi reduzido a mera história do passado, tudo foi esquecido e perdoado.

Basta um papa aparecer na mídia pedindo perdão por quase ter enforcado Galileu e as pessoas santificam umas as outras. O que Voltaire quis dizer é que a religião e o Estado dominam as massas. E o que o russo Bakunin diz em seu livro Deus e o Estado é justamente isso. Se o povo quer ser livre, o primeiro passo é abolir a religião. Algo muito parecido dizia o iluminista Adam Weishaupt.

Liberdade e religião não se combinam pelo simples fato de que enquanto houver alguém superior divino supostamente onisciente julgando sua conduta e ditando as regras, o homem jamais será livre. A abolição consiste no cessar da exploração que poucos tem sobre muitos. Isso não aconteceu até  momento pois uma pequena elite. Enquanto 1%  da população mundial detiver por 40% das riquezas do mundo e a metade mais pobre tem 1% da riqueza jamais poderemos falar sobre abolição. Ainda somos escravos dos sistema (OS TEMPOS MUDARAM E COM ELE MUDARAM AS TÁTICAS DE ESCRAVIDÃO).

O cristianismo deu certo porque ele está sempre aliado ao poder do Estado. Acompanhado da associação ao estado o cristianismo teve sucesso porque passou a suprimir a liberdade de pensamento e a criticidade. Os gregos foram os verdadeiros filósofos, pois tinham sua mente aberta para todos os campos do pensamento. Em especial Aristóteles, que evitava ao máximo intrometer metafísica e conceitos teológicos em suas linhas de pensamento.

O cristianismo suprimiu isso. De fato, o cristianismo se transforma e acoplar tudo dos neoplatônicos, ao mesmo tempo reduz a filosofia a uma simples sugestão de pensamento. Nas palavras de Bakunin, o cristianismo prega que “o todo real é declarado nulo, e o nulo absoluto, o Todo. A sombra se torna o corpo e o corpo se desvanece como uma sombra”.

A falta de interpretatividade e de reflexão que as sociedades modernas desfrutam hoje é resultado de séculos e séculos de supressão filosófica causada pelo cristianismo na Idade média. A idade onde a filosofia era perigosa, onde os pensadores eram subversivos e onde a igreja católica matava em nome de Deus.

Nesse período a igreja católica e o Estado fizeram de tudo sobre o povo miserável. Roubavam os camponeses através de dízimos exploratórios e barganhas religiosas, estipulou que o lucro era um enorme pecado e principalmente, impediu a alfabetização do povo. Povo ignorante é fácil de ser dominado, assim, um povo que não sabia ler a bíblia era um povo facilmente explorado.

No século XVI ocorreu a reforma protestante. Essa revolta que se caracterizou por existir um grupo de religiosos que eram contrários ao poder da igreja católica. Aparentemente seriam revolucionários em busca de um espaço democrático religioso e laico, mas não foi o que aconteceu. Os protestantes eram tão radicais quanto os católicos e fundaram uma vertente cristã que hoje é chamada de evangélicos.

Na época da Pré-Reforma a denominação cristã do século XII ficou conhecida como Valdenses, foi o inicio dessa revolução cristã. A Pré-Reforma foi formada pelos seguidores de Pedro Valdo, um comerciante de Lyon, na França, que se converteu ao Cristianismo por volta de 1174. Ele decidiu encomendar uma tradução da Bíblia para a linguagem popular e começou a pregá-la ao povo sem ser sacerdote. Ao mesmo tempo, renunciou à sua atividade e aos bens, que repartiu entre os pobres. Ele exigia que o povo tivesse alfabetização e bíblias em suas respectivas línguas.

Eram pessoas que geralmente morriam nas mãos do tribunal do santo oficio. No século XIV o inglês John Wycliffe que foi considerado ao lado de Martinho Lutero o precursor da Reforma Protestante passou a questionar sobre questões controversas que envolviam o Cristianismo. Ele defendia que a Igreja deveria voltar as condições primitivas, como viviam os apóstolos e Jesus. Isso era incompatível com o poder político e do papa nesses dias, já que obtinham todo capital da Europa.

Wycliffe dizia que o poder da Igreja deviria ser limitado às questões espirituais sendo o poder político exercido pelo Estado, representado pelo rei. Em 1535 após a guerra dos camponeses, os anabatistas que faziam parte da ala fundamentalista cristã foram perseguidos e executados em países protestantes como a Holanda, cerca de 30 mil deles foram mortos em dez anos de guerra.

No fundo, as guerras santas travadas entre protestantes e evangélicos ou simplesmente cristãos e muçulmanos ou judeus e muçulmanos refletem a tentativa de lideres e sacerdotes em monopolizar Deus.

Durante anos a igreja deteve o monopólio da verdade sob todos os sentidos. Na escolástica, quando se faziam descobertas científicas perigosas ao poder da igreja, esta barganhava cargos bons e ótimos postos em universidades para que os autores se mantivessem omissos. Todo conhecimento científico ficou retiro ao cristianismo e séculos de estagnação científica se perpetuaram por uma situação de extrema doutrinação e intimidação.

Os últimos 200 anos tem acontecido um fluxo contrário a religião. (veja Ateus e agnósticos compõem 28% dos universitários de Portugal). A filosofia volta agora a caminhar sob suas próprias pernas ainda que vagarosamente e a ciência se desvencilha dos tentáculos religiosos. Isso tem provocado a revolta nos setores protestantes uma vez que o conhecimento produzido não corrobora as vocações religiosas.

A tendência então é que com o passar dos anos as pessoas passem a questionar mais os dogmas religiosos e consequentemente tenham maior independência intelectual e religiosa que os setores. Existe uma tendência que já se concretiza de que os fundamentalistas passem a tentar desmoralizar a ciência e qualquer tipo de pensamento oposto ao dogma. A igreja nos países de primeiro mundo esta sendo desinstitucionalizada.

Para não perder o prestígio e o poder outras ainda buscam unir ciência com religião, criando doutrinações híbridas incompatíveis com a fé cristã que trata a verdade como absoluta com a ciência, que segue hoje metodologias científicas independente as religiosas.

Essa libertação do domínio religioso que a ciência tradicional com sua metodologia da experimentação, empirismo e paradigmática esta vivendo é única na história da humanidade. Isso é um perigo aos domínios religiosos. O inquestionável passa a ser questionado e as verdades aparecem para substituir mitologias de dois mil anos atrás.

 .

Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Cristianismo, Estado, Católicos, Protestantes, Lutero, Religião, Filosofia.

7 thoughts on “PORQUE O CRISTIANISMO DEU CERTO?

  1. Caro Rossetti, o maior cego é o que não quer ver. Continua confundindo alhos com bugalhos.
    Se a religião é criminosa, O QUE SERIA A CIÊNCIA? Você confunde ações que são dos homens ou individualmente ou através de suas instituições temporais, COM MEROS ACERVOS DE CONHECIMENTOS. Nenhuma religião prega a guerra, NO MÁXIMO, A RELATA, nenhuma religião se propõe a ser ciência, as igrejas cobriam o vácuo da teoria científica ate a Era Capitalista. Os gregos expuseram a visão do entendimento da matéria que serve de referência até hoje, como Cristo na mesma época expos a visão do espírito, que ainda é referência até hoje. A ciência até o capitalismo eram ENGENHEIROS DE OBRAS, que funcionavam como empreiteiros sem “projetos”, estavam nas cabeças.
    A religião emergiu da “pajelança de governos”, os caciques eram os “religiosos” que davam suporte de “autoridade ou saber” ao cacique, que tinha o “carisma de comando”. Para isso, se desenvolveu a tática humana de MENTIR PARA GOVERNAR, A religião emergiu dos “religiosos ou mágicos” a partir da evolução da inteligência, QUE INTRODUZIU A LEITURA E ESCRITA, sem a qual ainda estaríamos nos informando por “tradições orais”, ainda que melhor do que as demais espécies, que sequer têm isso. Hoje os “pajés” são economistas e políticos, QUE ELEGERAM O NOVO “ÍDOLO DIVINO”, O DINHEIRO. Conhece algum cientista que vive de brisa?
    Nenhuma religião FAZ EVANGELIZAÇÃO DE NADA, quem faz são as igrejas através de seus “funcionários”, exatamente como qualquer empresa quando ‘manda’ seus funciionários para “domar” a clientela de outra nação, em geral, PELOS INTERESSES DE SEUS CAPITALISTAS OU ACIONISTAS.
    As guerras são frutos da “pajelança pelo poder”, pouco importa se o cacique seja um imbecil qualquer, ou religioso, ou um “sábio cientista”. O fundo é de moral e ética, QUE É PARADIGMA DE QUALQUER RELIGIÃO, na presunção clara e lógica de que SE CADA UM FOR MELHOR, A SOCIEDADE TAMBÉM O SERÁ. Não é a mesma moral e ética dos caciques e pajés, que ainda administram as empresas e instituições e governam as nações. Na natureza existem leis que todos obedecem NA AMARRA, o homem é a única especie que enfrenta as leis naturais, e APRENDE LEVANDO FERRO, aí estamos à beira de um colapso ambiental, É A FORMA BURRA DE AGIR CONFORME EVOLUI COM A PRÓPRIA INTELIGÊNCIA, Se há uma coisa paradoxal, é a burrice com a inteligência, PRECISA CACETE PARA APRENDER..
    E vai por aí afora, caro amigo, pior cego é o que não quer ver, coisa típica de “fanatismo religioso” QUE AINDA GRASSSA NOSSA ‘CLASSE PENSANTE’, antes apenas de religiosos!!

    arioba.

    • Não, a religião não surge da pajelança de governos estatais. Ela se torna isso bem depois.
      Ela é muito mais antiga do que a concepção de sociedade na qual conhecemos hoje ou até mesmo que os gregos tinham. A religião, como religação com Deus é uma forma que o homem tem de interpretar o mundo desde que o homem se entende como homem. Pensando paleoantropologicamente poderíamos dizer que ela é mais antiga que o próprio homem quando vemos que traços de espiritualidade e de rituais eram praticados por neanderthais a milhares de anos antes do Homo sapiens surgir.
      Ela não prega a guerra, mas ela cria guerras com ímpio, veja a situação do oriente médio que é uma situação de guerra desde a época de cristo e que envolve hoje até motivos políticos. Tem três coisas no mundo que incitam a guerra; motivos econômicos, ideologias e religião.
      A religião trás sim a explicação dos fenômenos naturais (embora recorra ao sobrenatural) e hoje ganhou um valor político muito forte. Hoje ela se torna uma explicação de lacunas a medida que certos fenômenos e linhas de pensamento são respondidos por outros setores do conhecimento, veja o caso do geocentrismo.
      A ciência tem um passado sujo como tem a religião, especialmente no iluminismo onde desenvolve-se a infantil ideia de dominação da natureza que é tao antropocêntrica quando as passagens de Gêneses e até o próprio geocentrismo. O problema não é isso acontecer, o problema é ter ciência de que no passado tanto a ciência quanto a religião foram usadas erroneamente e a partir dai melhor essa relação. A questão não é ser conivente, mas conhecer a história desses setores para que isso não se repita, para que as mortes do passado não tenham sido em vão.
      Pode haver uma distinção clara enter religião e igreja, mas essa religião com Deus é estabelecida pelos senhores que dominam a religião através das igrejas e selecionam o que é valido dentro da religião. Ou seja, a religião é fruto da expressão das pessoas, dos sacerdotes que são meramente humanos. Falar em religião de forma genérica ou especifica é falar de um sistema que religa o homem com Deus segundo uma perspectiva pessoal criada por um sacerdote. A religião é fortemente influenciada pela igreja, ou seja, pelo homem, basta voltar ao Concilio de Niceia e vamos ver que o que cremos nos últimos 2 mil anos foi um bando de livros selecionados intencionalmente para reunificar o Império Romano, ou seja, interesses próprios, políticos. O que faz dos livros canônicos sagrados e os outros apócrifos? Ora, o puro jogo de interesse político. A visão gnóstica de cristo apresentada pelo evangelho apócrifo de Judas por exemplo, é muito mais “charmosa” e teologicamente mais consistente do que a visão atual de jesus como uma santidade sobrenatural, no entanto, ainda seguimos o cristianismo tradicional cujo o simbolo é uma pessoa crucificada pelas mãos e pés, açoitado, com a cabeça e as costelas furadas. Como podemos pensar em amar o próximo quando o símbolo da religião é a desgraça e deshumanização do homem?
      Quando vejo isso discordo de Nietzsche que dizia que Jesus era um pateta, um bobo de sua época. Pessoalmente, acho que venerando um Deus cuja religião trás como simbolo é uma pessoa crucificada significa que nós estamos tornando jesus um pateta, que morreu em vão por uma religião que de oprimida passou e continua a ser opressora.

  2. Tirando o fato de que “historicamente” nós tomamos “partidos diferentes” sobre a origem da religião, NO RESTO FICA QUE CIÊNCIA, RELIGIÃO E TAMBÉM AS ARTES, QUANDO USADAS MAL, SÃO UM MAL, mas o mal não está nem na ciência, nem na religião e muito menos nas artes, ESTÁ NOS HOMENS QUE FAZEM IGREJAS, EMPRESAS, INSTITUIÇÕES, ROUBALHEIRAS, ASSASSINTAOS, CORRUPÇÃO ETC. ETC.
    Se você tentar definir o que seja religião, ciência e artes, de forma compreensível, VERÁ QUE ESTAMOS FALANDO A MESMA COISA, apenas que como Marx, que colocou a culpa DA PAJELANÇA FEUDAL QUE DOMINOU E AINDA DOMINA O CAPITALISMA, NO PRÓPRIO CAPITALISMO, QUE É APENAS UM SISTEMA DE PRODUÇÃO, e nada mais. É como imaginar que a culpa pela falência de uma empresa, É UM MÉTODO QUALQUER DE ADMINISTRAÇÃO QUE SE USEM e não o imbecil que o usa! Não tem nada a ver.
    Coisa errada é errada, ponto final, estou de acordo com você, entretanto, “colocar a culpa” NUM MERO ACERVO DE CONHECIMENTOS, QUE TANTO É A RELIGIÃO COMO A CIÊNCIA OU ARTES, e não consigo ver outro “arquivo” de conhecimentos humanos, a não ser esses três, É O EQUÍVOCO QUE VOCÊ E MUITOS OUTROS “ANTI-RELIGIOSOS” fazem, como se fizesse sentido ter também alguém ser “anti-cientistas” ou “anti-artistas”, e é exatamente isso que vocês fazem. Qualquer UM condena o lançamento da bomba atômica, FOI A RELIGIÃO QUE FEZ ISSO? OU FOI A CIÊNCIA? OU AS ARTES? “Alhos com bugalhos”, mais nada!
    Se você acredita no que acha, não o critico, é um direito de cada um, estou contestando razões para isso, apenas.
    arioba.

    • Só pra deixar claro, não estou dizendo que a religião é o mal da humanidade. Estou dizendo que o segmento do cristianismo surgiu sustentando uma base viciada, ou seja, nada divina, puramente política. Se as pessoas se sentem bem seguindo, ou se pouco importam em ser guiadas por esse sistema doutrinário é uma opção dela que devo respeitar. Que sejam felizes!!! Mesmo porque algumas vertentes religiosas fazem trabalhos sociais bastante interessantes, independente das motivações que levam elas a fazer isso. Ou seja, se esperam ir para o céu por fazer o bem. Essa é uma outra conversa!
      Mas não acredito que somente a religião, ciência e artes sejam os únicos acervos do conhecimento humano. Eu citaria ainda a filosofia e o próprio senso comum que por mais que nos ofereça uma impressão superficial ainda sim é substrato para engendrar um aprimoramento do conhecimento.
      Pensando filosoficamente, sob a perspectiva de Sócrates, o desconhecimento ou a ignorância é uma virtude já que ela oferece o espaço para que a gente construa e preencha a ignorância com conhecimento. A ignorância como algo pejorativo e motivo de sátira ou raiva é uma criação platônica. A ignorância ainda sim é uma virtude pois abre espaço para a construção e aprimoramento do conhecimento de vasta amplitude, seja na filosofia na ciência, na religião, no senso comum, artes, no desenvolvimento do conhecimento a partir da criticidade estimulada e desenvolvida pela simples leitura…enfim.
      O mal não esta na religião, nem na ciência mas na forma com que se administra esses acervos, e independente da linha de pensamento que as pessoas seguem, todos esses acervos de alguma forma tem alguma mancha negra no passado. A religião pelas mortes em nome de Deus, a ciência como elemento fomentador do que hoje é claramente preconceituoso (a filosofa Hanna Arednt explica muito bem que o preconceito de hoje foi uma verdade no passado), ou até a falta de limites das expressões artísticas como dizia Nietzsche, a forma com que se justificou certas coisas em nome da filosofia e até do senso comum.
      Em um texto sobre sobre o filme Alexandria as pessoas não captaram essa ideia, de fato, acham que estou sendo intolerante ao parabenizar o cristianismo por justificar todas as mortes que não foram em vão! Na verdade estou apenas apontando que as mortes não foram em vão se essa radicalismo de ideias for abandonado, ou seja, na construção de uma linha teológica menos agressiva e mais humana. Acredito que a religião, o cristianismo deve superar seus dogmas bregas de 2 mil anos atrás. Estamos em uma nova era, precisamos de referencias novas, assim como código penal novo e um sistema politico econômico menos antropocêntrico e mais ecocêntrico, humanista fundado na espiritualidade, democratização da sociedade e respeito mútuo.

      • Como vê, acertando os pontos de partida falamos a mesma coisa. O QUE COMENTO É EXATAMENTE ESSES PONTOS DE PARTIDA.
        Todos os outros conhecimentos (e na realidade estou falando dos conhecimentos como registros, não se pode dizer que a tradição que não se registrada seja algum conhecimento explícito como entendemos hoje, que os defensores da ciência de fato defendem) não fazem parte dos três mencionados?. As artes se registra tanto pelas obras como pelos escritos, DESENHAR É TAMBÉM ESCREVER, tanto quanto a ciência pelos artefatos, a religião pelos rituais e templos, e assim por diante.
        Se a religião não é culpada de nada, como também a ciência, POR QUE ESTABELECER CULPA NELAS?
        É exatamente isso que questiono!
        arioba.

  3. Linda aula de História, de disputas homéricas que se travam até os dias de hoje e com a mesma compreensão e entendimento da Idade Média! Ainda que seja lindo os escritos, estão parados nos ‘ Padres da igreja ‘! Já está mais que na hora de cortar esse cordão umbilical! Tem coisas mais lindas para serem interpretadas!
    Gostei Rossetti do teu exposto e também do Arioba, ambos tem pensamentos melhores para interpretar o Universo, que está antes dos Padres! Abraços Romeu Filósofo de Spinoza.

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