NEM TUDO É PAGANISMO.

Mesmo estudando teologia muitos pastores juntam tudo que é ímpio em um saco de gatos. Ora, então para que se formar em teologia e reduzir sua área de atuação em duas linhas de pensamento, aquela que acredito e o resto do mundo?

Para se tornar pastor as pessoas devem cursar teologia, que por muitas pessoas não é uma ciência, mas que deveria estudar o papel sócio/histórico e cultural que tiveram os deuses nas civilizações antigas e como influenciam as atuais. Isso deveria ter implicações psicológicas importantes na compreensão da estruturação das sociedades antigas e não ser tratada como fazem alguns pastores que usam sua formação em psicologia para afirmar que homossexualidade além de pecado é doença.

Mitra

O que vemos atualmente é uma generalização extrema por parte do protestantismo de acusar de paganismo tudo que é ímpio. Nada mais anti-teológico e desdenhoso com a própria formação acadêmica.

O caso mais clássico é de Baal que foi um dos principais deuses do panteão hebraico que deu origem ao judaísmo e posteriormente ao cristianismo, mas foi reduzido ao paganismo diante da fundamentalista reestruturação protestantista. Baal nunca foi um deus pagão e sim hebreu.

Mesmo na época de Cristo a cidade de Jerusalém passava por períodos de revolução teocrática intensa.

O paganismo foi apenas uma religião que existiu dentre os membros da sociedade da Jerusalém antiga. De fato, Jesus teve muitas doutrinas concorrentes em sua época e nos cem anos seguintes á sua morte. Talvez o mais conhecido tenha sido seu primo João Batista.

Jesus foi batizado por João Batista e segundo arqueólogos, após Herodes ordenar sua morte Jesus foi eleito o mestre que deveria prosseguir com tais ensinamentos de seu primo. Uma teologia que fez dele um messiah propagador da paz e dos votos de humildade. Jesus deu continuidade aos ensinamentos de João Batista mesmo que um grupo de seus seguidores não o aceitassem como um messiah. Esse grupo formou uma seita chamada de Mendeus.

Outro contemporâneo de Jesus foi o filósofo/teólogo Apolônio de Tiana. Nascido na Turquia com a idade bem próxima de Cristo, ele pregava para os soldados e a grandes elites romanas. O império romano chegou a erguer estátuas em sua homenagem embora seus ensinamentos tenham sido claramente comerciais.

Na época de Cristo, muitos judeus acreditavam que um homem de nome Simão de Bar kokhba (filho da estrela) era o messia judeu que tantos esperavam. Era assim visto justamente pelos seus ensinamentos revolucionários políticos e fundamentalistas. Ele liderou um exercito de judeu que expulsou e matou vários os soldados romanos de Jerusalém. Durante alguns anos, Jerusalém não fazia mais parte do império romano graças a esta rebelião. Simão se proclamou o messia e esse período terminou apenas quando o imperador enviou tropas para invadir novamente Jerusalém, matando Simão e seus seguidores.

Antes de Cristo nascer já haviam revolucionários teocratas tentando se apresentar como messias revolucionários. Vinte anos antes de Jesus nascer Simão de Peréa morreu como revolucionário político. De fato, Jesus pode ter encontrado em contato com seus ensinamentos e se proclamado messiah filho de Deus oferecendo sua vida como forma de pagar pelos pegados da humanidade.

Jesus teve muitos concorrentes teológicos durante a vida, inclusive o imperador que era uma manifestação divina das preferências dos deuses Júpiter e Vênus. Os soldados romanos chamavam os cristãos de incrédulos e ateus por não reconhecer a autoridade divinado imperador. Após a morte de Cristo o cristianismo quase desapareceu devido a outras religiões que existiam no império romano. Muitos cultos a deusa Isis aconteciam. Isis tinha características teológicas muito semelhantes a mãe de Jesus. A adoração da Isis levava a certa manifestação feminista e não era muito aceita pelos romanos pelo fato das seguidoras serem obrigadas a fazer votos de castidade em certos períodos do ano. Quem teve maior notoriedade durante a vida de Cristo e até mesmo após sua morte foi o mitraismo.

Mitra pertence às mitologias persa, indiana e greco-romana nasceu dia 25 de dezembro de uma mãe virgem. Tradição que foi plagiada pelo cristianismo após chegar ao poder já que há referências a Mitra desde 1400 anos antes de Cristo. Grande parte dos soldados romanos eram seguidores do mitraísmo. Muitas igrejas tinham estátuas e simbologias mitraicas. O mitraismo teve muito mais seguidores do que o cristianismo, mas era bem pouco vista pelo povo de Jerusalém, especialmente por ser uma religião que não aceitava a presença de mulheres.

De fato, o cristianismo só prevaleceu pela humildade que Cristo pregava e pela aceitação de mulheres apostolas como foi Maria Madalena. A posição de prostituta que ela tem atualmente foi criada pelo papa Inocêncio III. Paulo, que foi o principal divulgador da teologia de Cristo também encontrou desafiantes do cristianismo.

Um de seus maiores rivais teocratas foi Simão magus (Simão o mago ou feiticeiro) citado em atos dos apóstolos 8-9 “Ora, estava ali certo homem chamado Simão, que vinha exercendo naquela cidade a arte mágica, fazendo pasmar o povo da Samária, e dizendo ser ele uma grande personagem

Ora, Simão foi visto como um feiticeiro pelos cristãos, mas disseminava uma teologia simplesmente diferente a de Cristo. Algumas lendas dizem que ele Simão tentou comprar bênçãos de João, não obtendo sucesso, desafiou-o em Samária. Simão desafiou João em um duelo teológico, ele invocou seu Deus e começou a levitar diante de João. João então assustado passou a orar pedindo para Deus e Jesus mostrasse que seu poder era mais forte e Simão então caiu e perdeu toda a moral com seus súditos que migraram para o cristianismo.

Além destas religiões, houve também os cristãos gnósticos que viam Jesus como um templo de sabedoria que conectaria a alma humana com Deus. Sendo assim, Jesus era apenas um humano com uma filosofia teísta interessante e não uma manifestação divina na Terra.

Ora, em um período de 100 anos temos um conjunto de religiões e seitas que são muito mais expressivas que o paganismo. Na época de cristo tivemos o cristianismo tradicional, o cristianismo gnóstico, judaísmo, paganismo, mitraismo, a teologia de Apolônio, Simão o mago, Simão de bar kokhba, cultos a Isis e ao imperador. É muita presunção reduzir todos os deuses e religiões desta época a um mero paganismo, suprimindo todos a simples mitologias enquanto o cristianismo permanece como verdade absoluta. Porque o cristianismo não é uma mitologia também?

Porque existe a mais de 2 mil anos? Ora, então deveríamos pressupor que o xamanismo, hinduísmo, vedanismo e xintoísmo sejam tão verdadeiros quanto o Deus cristão. Ora, tudo hoje se tornou sinônimo de satanismo. O ocultismo, paganismo, xamanismo, animismo, druidísmo, bruxarias, candomblé e umbanda são reduzidos ao mero satanismo por pessoas formadas em teologia que apenas são formadas por interesses próprios.

Cada postura teológica destas teve um significado social, cultural pois refere-se a períodos distintos. A bíblia mesmo tem seu valor literário que retrata teologicamente sociedades com costumes e tradições distintas.

Digo teologicamente porque como registro histórico ela tem pouco valor uma vez que suas passagens são floreadas por eventos sobrenaturais que a arqueologia vem mostrando ser uma manifestação puramente metafórica, e pelo fato de terem sido escritas em épocas distintas com interpolações feitas na idade média.

Essa caracterização hoje vista nos setores evangélicos é justamente um reflexo do fundamentalismo e do positivismo teológico que mostra a existência de Deus como um fato e não como uma manifestação cultural de um período de tempo passado, ou simplesmente um reflexo do inconsciente coletivo extremamente presente na humanidade. Apocalipse é um livro simbólico extremamente aberto a todas as interpretações possíveis. Arqueólogos que mostraram que ele foi escrito por alguém desconhecido chamado João de Patmos, que não tem relação alguma com o apostolo João. Muitos arqueólogos acreditam que em períodos de turbulência social textos apocalípticos eram escritos não com intuito pessimista, mas sim como fonte de esperança e perseverança social.

Ora, para converter as pessoas a sistemas doutrinários positivistas é preciso eliminar qualquer variável que traduza uma concepção distinta ou simplesmente a verdade. Por isso, durante tantos anos o cristianismo se tornou uma religião obscurantista extremamente machista, associada ao poder econômico e político desde Constantino, que matou em nome de Cristo qualquer pessoa ou instituição que se apresentasse herege.

Porque herege? Porque heresia vem do grego e designa a capacidade de escolha ou opções. É então, qualquer linha de pensamento oposta de um credo doutrinário, em especial o religioso.

 .

Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Jesus Cristo, Hebreus, Judeus, Apolônio de Tiana, Mitra, Simão de Perea, Simão mago, Simão Bar Kokhba, Isis, Xamanismo, Druidismo, Animismo, Bruxaria, Candomblé, Umbanda, Teologia, Protestantismo.

One thought on “NEM TUDO É PAGANISMO.

  1. Absolutamente de acordo com você caro Rossetti, exceto nos conceitos apresentados. IGREJA NÃO É RELIGIÃO, TENHO DITO ISSO AQUI INÚMERAS VEZES, E VOCÊ CONTINUA CONFUNDINDO.
    Os pastores “aprendem” teologia como alguém que entra na Petrobrás aprende as regras da empresa. Nenhuma religião tem “teologia”, só as igrejas têm! As religiões falam de Deus, como falam do pecado, da virtude, da moral, de uma “história da criação do Mundo” e vai por aí afora. AS IGREJAS INTEPRETAM AS COISAS A SEU MODO, como a empresa interpreta a ciência com suas próprias regras e processos.
    Os mitos foram “deuses’ que se originaram do “caciques e pajés”, onde os pajés de fato eram os “religiosos” que formam igrejas, e que continuam a té hoje. Cristo fez alguma “imagem de Deus”? Criou alguma igreja? E, no entanto, praticava sua igreja onde contrestava seus “religiosos”? Não foi a mesma coisa fizeram os gregos na área material? E qual o problema de “conhecimentos” virem de outros conhecimentos anteriores? É assim que a inteligência do homem evolui!
    A religião nasceu da igreja, como a ciência nasceu das “obras de engenharia”, mas da mesma forma que ciência não é obra de engenharia, religião não obra de igreja através de seus templos e rituais!! Artes, religião e ciência sempre existiram na natureza, estão aí as colméias, as construções dos castores, as pirâmides, etc. As distinções “acadêmicas” são obras do homem à medida que evolui com sua inteligência, é isso o que você está constatando, na sua não menos confusão de balaios de gatos de igreja com religião.
    É exatamente isso que tenho dito o tempo todo a respeito aqui no seu site.
    arioba.

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