DNA DE NEANDERTAIS EM ‘HOMO SAPIENS’ VEIO DO MESMO ANCESTRAL E NÃO DE CRUZAMENTO (comentado)

Teoria de que grupos de hominídeos acasalaram em algum momento da evolução humana é derrubada por pesquisadores britânicos.

Garota observa réplica do crânio de homem Neandertal exposto em museu da Croácia; pesquisa da Universidade de Cambridge refuta tese de que homem moderno e Neandertais passaram por hibridização em algum momento da evolução humana (Nikola Solic/Reuters)

A teoria de que os Homo sapiens e os Neandertais acasalaram em algum momento da evolução humana – processo conhecido como hibridização – acaba de ser colocada em xeque por um grupo de pesquisadores do Reino Unido.

A tese da hibridização ganhou força após os cientistas descobrirem que a população da Eurásia e dos Neandertais continham de 1% a 4% de similaridade genética, o que comprovaria a hibridização em algum ponto da evolução humana. 

Agora, em um artigo publicado no periódico PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), pesquisadores da Universidade de Cambridge argumentam que a hipótese mais provável para explicar esse compartilhamento de DNAs é que os Neandertais e os Homo sapiens tiveram o mesmo ancestral – e não que passaram por hibridização.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores refizeram a linha evolutiva do homem moderno. Por simulações de recombinações genéticas, concluíram que é muito mais provável que a taxa de similaridade nos DNAs sejam consequência de uma mesma ancestralidade do que do cruzamento entre as espécies.

Linha evolutiva – Neandertais e Homo sapiens já tiveram um mesmo ancestral que, acredita-se, migrou da África para a Europa há meio milhão de anos. Mas, como atualmente há populações muito diversas na Europa, acredita-se que os descendentes daquele ancestral comum não se misturaram completamente pelo continente, mas entre grupos mais próximos. 

Entre 350 mil a 300 mil anos atrás, a linha evolutiva dessas populações se separou. O “nicho” europeu evoluiu para os Neandertais e o “nicho” africano evoluiu para o Homo sapiens. A partir desta base, os cientistas criaram um modelo para determinar como as semelhanças genéticas entre os Neandertais e os Homo sapiens, atribuídas anteriormente à hibridização, poderiam ser explicadas.

De acordo com a líder da pesquisa, Andrea Manica, o trabalho mostra que os padrões encontrados no genoma dos grupos não são excepcionais. “Eles estão em linha com o que esperávamos ver sem hibridação. É difícil afirmar categoricamente que nunca houve hibridização, mas se ocorreu, foi um fato mínimo, muito menor do que se disse até agora.”

Fonte: Veja

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Resenha do autor

A discussão sobre a questão do hibridismo da espécie humana sempre foi intrigante e cresceu muito nos últimos anos. A hipótese mais comum é que humanos e neanderthais são hominídeos distintos, ou seja, espécies diferentes. Outras linhas de pensamento acreditam que o neanderthal e o homem são na verdade a mesma espécie, porém, ecotipos (raças) distintas. A terceira hipótese sugere que geneticamente a espécies humana “engoliu” a de neanderthais e sobraram resquícios desse hibridismo no genoma humano.

De fato, é possível que humanos e neanderthais tenham estabelecido híbridos, embora ainda seja pouco provável e talvez pouco detectável na espécie humana. O que a hipótese da reportagem acima propõe é algo básico; antes de estabelecer a hipótese de hibridismo é fundamental verificar se elas não descendem do mesmo ancestral. Se descenderem do mesmo ancestral é obvio que a semelhança genética é estabelecida pela relação evolutiva e não por hibridismo. É como comparar genoma de humanos e chimpanzés. O fato de termos 99,2% de semelhança genética não implica em dizer que homens e chimpanzés estabeleceram híbridos, mas que em algum momento no passado (cerca de 7 ou 8 milhões de anos) houve uma espécie de primata diferente dos humanos e pouco parecida com os chimpanzés que foi um divisor de águas na evolução dos primatas. Ela originou dois caminhos evolutivos distintos que culminaram no padrão biológico que conhecemos hoje (e que não cessou, porque a evolução é um processo dinâmico).

O ancestral comum entre humanos e neanderthais é o Homo heidelbergensis que se originou a cerca de 800 mil anos e extinguiu-se a cerca de 150 mil. A discussão sobre esse hibridismo ficou bem mais intensa a partir de 2007 quando na Romênia foi encontrado um crânio de 36 mil anos de um humano com características modernas e outras semelhantes ao dos neanderthais. Hoje, acredita-se que o crânio seja de um humano, ou neanderthal que pode ter sofrido algum tipo de má formação. Se realmente foi um híbrido, certamente era incapaz de reproduzir-se.

Existem raros casos em que o hibridismo ocorre o indivíduo é fértil. Na grande maioria, o cariótipo, ou seja, o número de cromossomos e a sua disposição dentro da célula, os genes envolvidos no processo de formação do animal os torna infértil. Entertanto há registros de híbridos férteis, como ocorre com planta escocesa andarilha (Mimulus peregrines) fruto do cruzamento das espécies encontradas nos Estados Unidos e dos Andes; há duas espécies de patos de água doce, Anas platyrhinchos e Anas acuta que dão origem a um híbrido fértil; o Beefalo é o resultado da hibridização entre gados de corte e os búfalos. Em 1985, no parque Sea Life, no Havaí, uma fêmea de golfinho deu à luz um filhote parecido com uma orca. O bebê híbrido tinha características intermediárias. Ele possui 66 dentes sendo que a mãe tinha 88 e o pai 44. Além disso, é fértil e já teve três filhotes.

Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Hibridismo, Evolução Humana, Neanderthal, Homo sapiens, Homo heidelbergensis.

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