CÉTICISMO INCOERENTE COM AS EVIDÊNCIAS DA SELEÇÃO NATURAL.

Existem pessoas que não aceitam a veracidade da seleção natural. Por mais simples, lógico e óbvio que seja a sobrevivência dos aptos ainda há discursos céticos soltos pela mídia sensacionalista e especialmente na internet.

O fato é que mesmo os criacionistas não duvidam especificamente que a seleção natural seja uma falácia. Os criacionistas são céticos no que diz respeito á seleção natural ser um mecanismo gerador de novas espécies. O que alegam é que a seleção natural de fato ocorre, mas somente pode trabalhar no nível de micromutações, ou seja, variações que ocorrem somente ao nível da espécie e nunca extrapola-la a tal ponto de emergir uma nova. Portanto, sobre o ponto de vista microevolutivo a seleção natural é aceita até mesmo pelos céticos da biologia evolutiva. Entretanto, a seleção natural tem sim o poder de criar novas espécies. Não entrarei nos detalhes dessa discussão pelo fato de isso já ter sido longamente discutido e evidenciados com exemplos naturais no texto AS MARCAS DA ESPECIAÇÃO SE SOBREPONDO AO CONCEITO SUBJETIVO DE MACRO-EVOLUÇAO E ESPÉCIE.

O que apresento inicialmente é o ceticismo em relação á seleção natural pelo fato do conceito ter sido dado por Darwin, o maior representante da biologia evolutiva e erroneamente confundido com ateu. O fato de Darwin ter sido contemplado com o maior representante da evolução fez com que vertentes religiosas “satanizassem” todos seus conceitos, sua vida e suas ideias.

Ofereço aqui dois exemplos clássicos de seleção natural promovendo variações microevolutivas que evidenciam hoje que a concepção de seleção natural vai muito além daquela vista sob o nível da espécie e muito além do que Darwin ofereceu. De fato, o livro A origem das espécies é um livro denso (e por vezes chato) e bem recheado de exemplos de seleção natural coletados no mundo todo (leia DARWIN ANTES DO DARWINISMO e DARWINISMO DEPOIS DE DARWIN). O que Darwin ofereceu foi uma lei natural, um padrão, a luta pela vida que foi visualizada em todas as espécies que teve contato ao redor do mundo.

Com o advento da genética a evolução passou a ser melhor compreendida, embora atualmente passe por um período de turbulência conceitual visando a concepção de um novo paradigma reformulado, renovado e melhor.

O que ofereço inicialmente é um vídeo de um representante religioso cético e por vezes inconsolado com o fato da seleção natural ser um mecanismo evolutivo. É fundamental que os ouvintes deste vídeo, os evolucionistas e os leigos que se interessam pelo assunto vejam as duas propostas antes de se posicionar.

O que apresento aqui são dois exemplos de seleção natural. A primeira refere-se especificamente a grande discussão que teve o caso da mariposa Biston betularia, e o segundo trata-se de um mecanismo molecular que promoveu adaptações metabólicas.

Foi levantado um questionamento interessante a respeito da veracidade do melanismo industrial promovido por essa espécie de mariposa, especialmente no que diz respeito a metodologia adotada pelo autor do primeiro estudo (saiba mais aqui)

Em um artigo publicado na Biology Letters quatro pesquisadores publicaram os resultados de uma pesquisa feita por Michael Majerus que realizou de maneira rigorosa os experimentos de Bernard Kettlewell sobre a mariposa Biston betularia.

De acordo com a teoria, as mariposas mais claras morreriam já que eram visíveis a predadores e as mariposas mais escuras conseguiriam se camuflar. Com o tempo a tendência era encontrar mais mariposas pretas nas cidades e uma proporção menor de mariposas claras, e em florestas limpas ao redor da cidade o contrário ocorreria.

Jerry Coyne, que é evolucionista foi um dos pesquisadores que mais criticou a metodologia experimental de Kettlewell. Criticou justamente a metodologia e não a hipótese que se mostra coerente e lógica. Em seu livro Why evolution is true? Coyne discute sobre os novos resultados obtidos em 6 anos de pesquisa de Majerus que não só compilou dados de experimentos, mas também observou as mariposas em repouso sobre os troncos das árvores durante o dia dando por encerrado a questão do melanismo industrial como um fato constatado cientificamente e não uma mera hipótese construída a partir de um experimento meia boca como vinha sendo alegado por criacionistas. Majerus testemunhou as mariposas sendo predadas por pássaros e viu a seleção natural em ação através do melanismo industrial em seus dados matemáticos.

Biston betularia typica e carbonaria\

Mariposas Biston betularia apresentam um polimorfismo interessante, uma versão typica que é branca com manchas pretas e marfim, e outra versão denominada carbonaria que é toda preta. Estas formas diferem por mutações em um único gene, sendo o alelo da carbonaria dominante (AA ou Aa) sobre a forma typica (aa).

No século XIX a Inglaterra iniciou o processo de industrialização e a forma carbonaria da mariposa aumentou sua frequência na população. De fato, a frequência da forma typica quase desapareceu em algumas localidades. Em florestas não poluídas as mariposas typica que repousavam sobre troncos de cor clara e se tornavam camufladas para aves predadores.

Com a deposição de fuligem e chuva ácida as mariposas typica anteriormente camufladas passaram a ser visíveis enquanto as carbonaria tornaram-se mais camufladas. Assim, a predação por aves com base na camuflagem foi sugerida para explicar por que o alelo preto atingiu altas frequências em áreas industriais. E isso é claramente a seleção natural em ação já que é definida como alteração genética com base em reprodução diferencial por sobrevivência de alelos.

Após a década de 50 as leis de controle da poluição estabeleceram limites a atividades industriais potencialmente poluidoras a forma typica começou novamente a aumentar sua frequência. Em muitos lugares esta forma é a predominante, chegando a 95% das capturas. Experimentos feitos usando mariposas e aves presas em uma gaiola mostraram os mesmos resultados. De fato, houve também reduções na frequência de formas melânica da subespécie Biston betularia cognataria no nordeste dos Estados Unidos com o declínio da poluição na segunda metade do século 20.

O que Marjerus fez antes de morrer foi redefinir a metodologia do experimento de Kettlewell. O primeiro experimento feito por Kettlewell consistia em fazer a soltura e posteriormente recaptura das mariposas. Ele liberava mariposas escuras e claras em florestas tanto poluídas como não poluídas na Inglaterra. Ele sempre recapturava mais das typica em florestas não poluídas e carbonaria em florestas poluídas. Isto sugeria que as aves estavam comendo as mariposas com as cores mais visíveis em ambos os tipos de florestas. O viés a respeito do experimento de Kettlewell esta no fato de terem sido mal planejado já que não fornecia informações sobre onde ás mariposas realmente descansavam durante o dia, que é o momento onde elas estão sujeitas a predação. Sem isso a contagem poderia ser feita usando outros indivíduos e a amostragem seria viciada.

Quando Coyne expos essas falhas do experimento os geneticistas e pesquisadores criticaram-no em peso, os criacionistas adoraram a novidade e uma jornalista científica chegou a alegar que Kettlewell havia fraudado resultados para apoiar o darwinismo.

Entre 2001 e 2007 Majerus coletou tanto mariposas Biston betularia carbonaria quanto typica, colocou cada mariposa em uma luva de malha em uma árvore, permitindo a elas repousassem em seus locais preferidos durante a noite. Posteriormente removeu as malhas antes do amanhecer. Como essas mariposas não voam durante o dia, qualquer uma que desaparecesse por quatro horas depois do amanhecer teria sido predada por aves. Ele também ficou de observação vendo quem tinha sido comida. O resultado mostrou que 26% das mariposas foram vistas sendo predadas por aves. Marjerus subia nas árvores para constatar se as não capturadas estavam lá e realmente estavam.

Nesse experimento, Majerus soltou os dois tipos de mariposas nas frequências em que ocorriam naturalmente em apenas florestas não poluídas, pois florestas poluídas não são mais encontradas na Inglaterra. Nas condições previstas por Majerus era de esperar que mais mariposas escuras seriam comidas do que mariposas claras.

Juntamente com a observação ele constatou que uma fração significativa das mariposas encontradas em sua posição natural de descanso durante o dia (35%) estavam repousando nos troncos das árvores como a hipótese de predação exigia, afinal, as aves tem de ver as mariposas para que possam se alimentar.

Isso mostra como em poucos anos é possível que determinados alelos que conferem sobrevivência aumentem sua frequência. Somente aqueles com alguma vantagem sobrevivem, por exemplo, alelos que conferem um determinado padrão de coloração relativo ao ambiente em que o animal vive.

Na verdade isso fica bastante evidente especialmente no grupo dos artrópodes, especificamente no caso dos lepidópteros em relação ao padrão de coloração de aviso em membros do grupo Heliconius e outras subfamílias que eventualmente tem uma padrão de coloração próximo.

Eventualmente, céticos da seleção natural afirmam que não há evidências moleculares que sustentem a ideia de que os membros com alguma vantagem sobrevivam. Ainda pensando em insetos e especialmente no grupo dos lepidópteros é que um exemplo de adaptação ao nível molecular ocorreu na relação planta hospedeiro.

Os insetos desenvolveram vários tipos de relações ecológicas com plantas, especialmente as borboletas com as angiospermas a cerca de 130 milhões de anos. Esse complexo co-evolutivo estabeleceu relações mútuas entre insetos polinizadores e plantas a serem polinizadas e eventualmente um combate entre predadores e presas. Plantas muito predadas acabaram desenvolvendo estratégias evolutivas a partir de substâncias químicas que co-evolutivamente forçaram muitas ordens de insetos a se ajustar as novas exigências ecológicas, ou seja, contra-estratégias de sobrevivência.

Um estudo publicado na revistaProceedings of the National Academy of Sciences mostrou uma comparação envolvendo 18 espécies de insetos de 15 distintos gêneros e a quatro ordens diferentes; borboletas e mariposas, moscas, percevejos e besouros. Esses insetos alimentam-se de plantas que produzem um grupo de compostos tóxicos conhecidos como cardenolídeos.

Esse composto atua sobre a membrana células, especificamente na bomba de sódio no mecanismo Na+/K+ ATPase e acaba promovendo a interrupção do transporte desses dois íon fundamentais para a manutenção do potenciais de repouso celular. Entretanto, a borboleta monarca Danaus plexippus tem uma mutação no códon que codifica o aminoácido 122 da subunidade α da enzima ATPase. Essa troca diminui a toxicidade dos cardenolídeos sobre a bomba proteica, conferindo resistência.

Monarcas

Ao examinarem a sequência referente a subunidade α do gene da ATPase nas 18 espécies de insetos os pesquisadores puderam constatar que a mesma mutação estava presente nas quatro ordens. Em 11 dessas espécies, os cientistas identificaram uma segunda mutação no aminoácido 111 da subunidade α que também conferia resistência às toxinas.

Pensando nisto, os cientistas inseriram as mesmas mutações em células de cultura cujos genes da ATPase não as possuíam originalmente e ao acrescentar cardenolideos às culturas puderam observar que quando introduzidas as duas mutações ao mesmo tempo dobravam a resistência individualmente e a aumentavam em cerca de 12 vezes em relação a sequência selvagem que não possuía quaisquer mutações.

Esse gene é altamente conservado entre os insetos e existindo em formas muito similares em grupos de animais como os mamíferos, tendo uma papel fundamental na sobrevivência. Sua forma particular entre os animais deve ter se estabelecido no  ancestral comum desses insetos a cerca de 600 milhões de anos. Com a origem das quatro ordens de insetos estudadas há cerca de 300 milhões de anos várias espécies evoluíram repetidamente e de maneira independente adquiriram as mesmas mutações em um processo denominado convergência evolutiva.

Uma explicação para este padrão repetido de evolução é sugerida pela própria estabilidade evolutiva da ATPase na função fisiológica. Isso indica que tal sequência está sob forte controle da seleção purificadora já que a maioria das mutações neste gene poderiam causar riscos diretos a sobrevivência de seus carreadores, ou seja, qualquer variação eliminaria os mutantes. Isso explica como a convergência pode ter sido estabelecida nesses grupos de insetos.

Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Seleção Natural, Evolução, Mariposa, Biston Betularia, Carbonaria, Typica, Danaus plexxipus.

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Referências.

* Evolução convergente da resistência a toxinas vegetais em insetos. Pergunte ao evolucionismo.
* Rodrigo Veras. O triunfo do melanismo industrial. 11 fevereiro 2012.

6 thoughts on “CÉTICISMO INCOERENTE COM AS EVIDÊNCIAS DA SELEÇÃO NATURAL.

  1. Amigo, quanto à ‘descrença’ dos criacionistas na seleção natural estou pouco me lixando, mas quanto às evidências que você mostra, resonda as perguntas abaixo.

    a) Você está mostrando exemplos de adaptação de espécies a ambientes diferentes, e está “admitindo” que isso é seleção natural. Algum organismo sem inteligência, ou que não esteja vivo, pode ‘optar’ pela adaptação? A adaptação é algo que cai do céu por ordem e graça de Deus ou de um “nada” tão divino quanto? Algum indivíduo morto se adapta a alguma coisa? Quem, afinal, faz qualquer seleção pouco importa se natural ou não? Seria o acaso do “nada”, ou do Deus dos criacionistas? Ceticismo significa não acreditar em Papai Noel?
    b) Qual é o mecanismo biológico pelo qual um indivíduo enquanto vivo (morto cessa tudo) faz uma alteração no seu próprio DNA para gerar alguma adaptação, e mais ainda, gerar outro indivíduo de outra espécie? A tal replicação de Barro? E o que é de fato a replicação, uma teoria baseada em quê? Baseada na observação dos nossos sentidos, melhorados com a instrumentação, exato como Aristóteles sacou sua teoria do Geocentrismo? Como um “célula” faz para alterar seu próprio DNA para gerar outro indivíduo “mais adaptado”, ou outra espécie, e mais ainda, transferir isso para sua “descendência? Por telefone, e.mail etc.? DNA se altera por acaso? E o homem está, então, contrariando a “lei do acaso” quando altera as espécies?
    c) No caso dessas borboletas, como um borboleta fez para gerar outra borboleta “mais” adaptada ao ambiente onde está? Ela levou seu DNA num laboratório especializado para fazer a tal adaptação? E se ela vez isso, ou outra artimanha qualquer, NÃO PRECISOU DE SUA INTELIGÊNCIA PARA ISSO, porque borboleta não tem inteligência? Ou foi um acaso da natureza, cuja lei da entropia é que “natural ou espontaneamente” tudo só se desarruma? E selecionar para adaptar não é uma arrumação? Temos que acreditar que a lei não vale para a “seleção natural”, pois um organismo mais organizado surge de outro por mero acaso?

    Haja ceticismo para tanta lambança. Se a questão é acreditar em Papai Noel, ou seleção natural ou em Deus “arquiteto e artesão”, não se discute! Mas a questão são as justificativas para as crenças.

    arioba;

    • A) É exatamente isso que a seleção natural promove, sobrevivência em diversos ambientes para aqueles que tem algum diferencial e passam para gerações seguintes. Não tem a ver com inteligência ou opção. Não misture as coisas.
      Não optamos em não cair, a gravidade não aceita opiniões. São leis naturais, seleção natural e gravidade. Não confunda as coisas, as coisas caem e os inaptos morrem diante de ambientes. Isso é visualizado cotidianamente em ecologia e estudos ambientais.
      Ceticismo em sua base filosófica é o questionamento das bases de uma idéia. O cético não é aquele que não acredita em nada, mas que se insere na base dos argumentos e levanta questionamentos que podem derrubar tal idéia.

      B)O indivíduo NÃO faz alteração em seu DNA e se modifica para se adequar a um meio. Vantagens que eventualmente possam surgir com mutações que fazem parte da variabilidade genética de qualquer espécie são transmitidas as futuras gerações, os mecanismos é que permitem a adaptação e são transmitidos aos filhos. A adaptação no nível genético é geralmente expressa na geração seguinte. Por exemplo, se no genoma de meu espermatozoide ocorrer alguma mutação em um gene que promova a digestão de certos compostos químicos, meus descendentes podem ter uma vantagem em relação aqueles que não conseguem digerir tal composto. Essas variações ocorrem naturalmente no genoma, a cada divisão celular seja mitose ou meiose, e variam de acordo com a idade dos pais e etc. Isso é uma vantagem que pode ser bastante significativa em um contexto ecológico especifico do futuro. Nenhum indivíduo muda seu DNA propositadamente para que nele mesmo haja vantagens. Isso não é seleção, nem evolução nem ficção. A seleção como mecanismo evolutivo trabalha ao longo de gerações e não de um único indivíduo. A morte é o cessar da atividade biológica, o que vem depois é mera especulação ou filosofia da teologia sob o ponto de vista transcendental, nada provado, nada cientifico e não faz parte da biologia estudar o que ocorre após a morte. Biologia é bio= vida logia= estudo. Bio+logia = estudo da vida.

      C)A variabilidade genética de mariposas permitiu isso, mariposas brancas tiveram vantagem em um contexto e pretas em outro. O melhor adaptado é aquele que consegue gerar filhos e transmitir seus genes a geração seguinte para que estas consigam perpetuar ao longo das gerações futuras. Por exemplo, borboletas Heliconius que é um dos maiores gêneros de borboletas e que existem no Brasil tem o mesmo aparato gênico para produzir a coloração das asas e dos olhos. Entretanto, elas tem padrões de coloração diferentes. O que faz essas borboletas terem cores diferentes ainda que tenham o mesmo aparato gênico é a forma (intensidade, frequencia, quando, como e onde) esses genes são expressos durante a vida, especialmente durante a metamorfose. Varia de acordo com a alimentação, com a expressão de outros genes, com mutações e uma série de elementos interno e externo que alteram o padrão de funcionamento criando fenótipos (características do animal) variados.

  2. b) Qual é o mecanismo biológico pelo qual um indivíduo enquanto vivo (morto cessa tudo) faz uma alteração no seu próprio DNA para gerar alguma adaptação, e mais ainda, gerar outro indivíduo de outra espécie?

    Vários mecanismos podem introduzir mutações no código genético. Um dos principais, a nível de duplicação celular, são as falhas que ocorrem a cada 100,000,000 nucleotídeos que são inerentes a própria síntese de uma nova cópia do DNA. Outros elementos como os xenobióticos, radiação UV ou compostos oxidativos criados pelo próprio organismo também são agentes causadores de mutações. Poderia citar eventos como a copia ou migração de retrovírus e transposons dentro do genoma que duplicam, deletam ou adicionam regiões aos cromossomos. Além disso temos duplicações genicas, inversões e etc… Todos esse mecanismo introduzem MUTAÇÕES!
    O seu grande problema conceitual é pensar que o objetivo das mutações de é gerar indivíduos mais adaptados. Não existe tal consciência molecular.

    b) 2 -E o que é de fato a replicação, uma teoria baseada em quê? Baseada na observação dos nossos sentidos, melhorados com a instrumentação, exato como Aristóteles sacou sua teoria do Geocentrismo?

    Seja mais claro! qual o problema na definição! Está falando de replicação na mitose, meiose, replicação na cópia da informação genética ou replicação que envolve o desenvolvimento embrionário?

    b) 3 Como um “célula” faz para alterar seu próprio DNA para gerar outro indivíduo “mais adaptado”, ou outra espécie, e mais ainda, transferir isso para sua “descendência? Por telefone, e.mail etc.? DNA se altera por acaso? E o homem está, então, contrariando a “lei do acaso” quando altera as espécies?

    Várias variações nas espécies de vegetais, principalmente o milho utilizado na nossa alimentação, foram obtidas por mutações geradas aleatoriamente por mutagênese com UV pelos agricultores e pesquisadores! Isso é muito utilizado.
    Por exemplo:
    Seleciono milhares de sementes que não crescem em um determinado solo( ex: rico em alumínio) , irradio com UV e planto todas as sementes. Após isso seleciono apenas as que cresceram . Nesse caso ninguém sabe exatamente onde serão as mutações, mas como os indivíduos são prontamente selecionados por possuírem adaptação que conferiram fitness visíveis a tarefa fica fácil (Lembrando que nada garante que ele não sofra mutações em outras regiões ).
    Outro exemplo simples, é o da malária que não afeta pessoas que possuem uma mutação ÚNICA em um aminoácido da HEMOGLOBINA! Pessoas com essa mutação em áreas endêmicas dessa doença tem a maior capacidade de sobrevivência.(a diferença aqui é que a mutação não foi causada por UV e sim um erro celular da maquinaria de duplicação)

    • Bons exemplos Lucas, especialmente o do milho, que se não me engano agora parece que se espalha pelo Cerrado, no caso do solo rico em alumínio. Alias, os diversos tipos de cana de açucar agora, parece que são 27 variedades.
      Grande abraço!!!

  3. Bem, tive que pensar um pouco, porque enquanto falo no campo filosófico de idéias e pensamentos, você falam no campo prático onde atuam. A questão da biologia deve ser entendida seja por um biólogo, tanto quanto um físico ou um mecânico de automóveis, é nisso que nos distanciamos. Então, vou pincelar alguns pontos que aparecem nos dois, senão tenho que escrever uma cantilinária.
    a) SELEÇÃO NATURAL
    Se você levar uma “única semente” de que se reproduz sexuadamente, voce pode povoar a região com essa semente? Por exemplo, se plantar um único abacateiro que precisa de “macho e fêmea”, você consegue sequer frutos? JÁ FIZ A EXPERIÉNCIA, NÃO CONSEGUE, e onde está a seleção natural? PARA MIM, A REPRODUÇÃO É TRABALHO DO SER-VIVO QUE PRODUZ OUTRO, seleção natural não produz absolutamente nada, nem sequer adaptação ao que quer que seja. Senão, me explique como acoisa acontece. Não é o indivíduo que faz as alterações no seu próprio DNA para gerar outro ser-vivo igual ou difrerente de si mesmo? COMO ISSO É FEITO, POR MILAGRE DE NALGUM MÁGICO? O cruzamento de milho para gerar novas espécies, é feita por acaso da natureza? O vento, mesmo que acidental, não é agente do cruzamento, e o homem não faz exatamente isso nos laboratórios? Quando você modifica uma semente em laboratório com irradicação assim ou assada, e nao sabe no que vai dar, É PORQUE VOCÊ NÃO SEQUER O QUE ESTA FAZENDO, ESTÁ APENAS FAZENDO TESTES, você acha que quem colocou aqui o DNA na Terra há 4 billhões de anos atrás, não poderia estar fazendo testes iguais a você?E por puro acaso?
    O que gostaria que um biólogo me dissesse é COMO UM SER-VIVO FAZ PARA ALTERAR SEU PRÓPRIO DNA! Claro que o caminho mais conhecido é do sexo (não 1 mas 2 seres-vivos), mas a questão é que as células do ovo e do esperma já “saem programadas” do respectivos ser-vivo, POR ACASO DA NATUREZA? Uma dica que já dei aqui mesmo, é que o ser-vivo pode fazer isso através de sua própria inteligência que pode atuar na célula, que é o órgão unitário do organismo, e pelo pensamento, usa os micro-organismos que vivem da céula e ela deles, ALTERANDO O PRÓPRIO DNA. Já existe pelo menos um cientista fazendo textes para mostrar que virus podem alterar DNA na célula, o resto é juntar 2 mais 2. Isso me parece ser um idéia científica, e não imaginária!
    b) REPLICAÇÃO
    Quanto à replicação, estou usando termo como forma de entender a ‘vida’, como se expõe vem vários textos. Não estou entrando em detalhes de replicação a, b ou c, nem sequer na replicação cristalográfica, onde de fato se origna o termo. Apenas REPLICAÇÃO COMO ORIGEM DE VIDA, e se tiverem alguma forma de me explicar, isso, está aí para ser feito. O que vocês estão fazendo é tratando um simples argumento filosófico sobre vida, com “causos” práticos de suas profissões, que são importantes, mas não se encaixam nos argumentos. Eu não comentei o artigo pelos “causos”, mas pela tese filosófica que defente.
    c) Entretanto, continua aqui um desafio, que me definam ou explliquem o que entendem por Vida e por Morte!

    arioba

    • Não, esta errado. Suas concepções de seleção natural não estão sendo vistas sob a ótica do sexo.
      Não é o ser vivo que faz as alterações nele mesmo, estamos falando de um mecanismo darwinista e não lamarckista.
      Não existe essa intenção e nem se escolhe isso. As mutações são aleatórias, ninguém determina o local onde elas ocorrem, onde o mecanismo molecular vai errar. Há determinadas partes do DNA que tem maior susceptibilidade, outras, mais condensadas tem menos probabilidade. A mutação é aleatória, a seleção natural não, ela é obrigatória, basta estar vivo para estar sujeito a ela. Vamos ver o mecanismo molecular dela.
      Alterações ocorrem naturalmente no DNA, por falhas em mecanismos moleculares de reparo. Naturalmente há erros de duplicação no DNA e existe uma aparato celular que conserta estes erros, embora eventualmente eles passem para as células germinativas. Existem diferentes variações desta mutação que varia de acordo com o grupo animal e com a idade.
      Alguns animais são mais susceptíveis a erro de maquinaria molecular, outros tem uma porcentagem maior ou menor de sofrer com mutações vantajosas ou desvantajosas e a idade na qual o macho se reproduz também é um fator que determina o numero de variações no genoma.
      Uma pessoa acima dos 30 anos fornece um espermatozóide com maior número de variações do que uma pessoa mais jovem. Isso ocorre porque o homem constantemente esta promovendo a formação de esperrmatozóide nos testículos, por um processo de gametogênese ou esperamatogênese. A mulher não, seus óvulos são formados ainda na gestão e eles só ficam dispostos a partis do momento em que a mulher fica fértil e apta a ter filhos.
      Seu raciocínio esta errado Arioba. Se o ser é sexuado obviamente que a seleção precisa do sexo oposto para gerar a geração seguinte, mas o sexo é um mecanismo evolutivo que surgiu a partir da reprodução assexuada.
      Seres que se duplicam, como bactérias tinham um grau de variação menor e a geração seguinte certamente era quase identifica a geração anterior, salvo por essas pequenas variações ou a transferência horizontal de genes que ocorre até hoje e inclusive formam as superbacterias que surtam epidemias nos hospitais.
      Seu modelo de uma única planta nunca vai estar sujeito a passar as características a geração seguinte, sua planta só vai demonstrar o fenótipo das informações de seu genoma que ela adquiriu ao longa da sua historia evolutiva. Ela não vai produzir adaptação nenhuma, ela vai expressar adaptação que ela carrega em seu genoma. Se ela for uma planta decídua, ou seja, que perde as folhas no inverno ( para não perder água pelo processo de evaporação) ela vai expressar essa característica que foi estampada na biologia (no genoma) dessa espécie como uma condição de sobrevivência que surgiu de acordo com sua adaptação climatológica que surgiu ao longo da história evolutiva da planta. Uma planta como um girassol não vai conscientemente criar essa característica porque esta ali, naquele momento, naquela geração, vivendo em um ambiente frio. Ela não tem consciência e nem a informação genética para fazer isso, não faz parte da biologia dela, nem da história evolutiva que ela passou, pois é uma planta de clima quente e não frio. Certamente em um ambiente de frio onde as plantas decíduas sobrevivem um girassol morreria
      A diferenciação em sexo não esta ligada ao orgão sexual que o organismo tem, mas o tipo de célula germinativa que ela oferece. Sou um homem, macho, não porque tenho um pênis mas porque meu aparato reprodutivo produz espermatozóides, um tipo peculiar de célula cuja função é encontrar outra célula germinativa, o óvulo, que por sua vez determina uma fêmea.
      Não importa a aparêcencia sexual, o que determina o sexo da pessoa é o tipo de célula germinativa que ela produz.
      Não ha seleção natural em um local onde só ha um indivíduo de um determinado sexo incapaz de gerar uma próxima geração. A seleção atua no nível das gerações, especificamente nos indivíduos que compõem os avós, pais, filhos netos e etc.
      Um girassol não tem aptidão alguma a climas muito frios, portante a seleção natural pune ele com morte. Se eventualmente uma variação permitir um comportamento ou uma estratégia que permita ele sobreviver ao frio certamente ao longo de gerações os indivíduos que portarem tal adaptação poderá povoar uma área gélida. Caso contrário, sera morto pela seleção natural.

      Abraço!!!!

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