ESTUDO CULPA AQUECIMENTO POR MEGAEXTINÇÃO HÁ 250 MILHÕES DE ANOS. (comentado)

Um surto de efeito estufa há 250 milhões de anos foi uma das principais causas do evento de extinção de espécies mais catastrófico da história do planeta, sugere um novo estudo.

Analisando o peso atômico do oxigênio contido em fósseis da época, cientistas calcularam que a temperatura média anual de águas equatoriais chegou a um pico de 40°C, tornando a vida impraticável na maior parte das áreas tropicais.

O trabalho, publicado na edição desta semana da revista “Science”, oferece pela primeira vez evidências de que o calor contribuiu diretamente para extinção, e não era apenas um coadjuvante de outros fatores, como a falta de oxigênio na água ou a deterioração da camada de ozônio.

 

Concepção artística de listrossauro, um dos poucos animais sobreviventes da Grande Extinção.

Todos esses problemas geológicos que criaram dificuldades para seres vivos na época estão ligados a um período extremamente intenso de atividade vulcânica na Sibéria. Numa escala de um a dez anos, a poeira de vulcões faz a terra resfriar. Mas, no longo prazo, o gás carbônico emitido via erupções faz o planeta se aquecer.

É o que foi verificado na transição do período Permiano para o Triássico, estudado pelos pesquisadores, quando o planeta perdeu 96% das espécies marinhas e 70% dos vertebrados terrestres.

Segundo os cientistas, o problema do efeito estufa acentuado não apenas esteve envolvido na extinção desenfreada como também atrasou a recuperação da biodiversidade e o repovoamento dos trópicos.

“Quando se olha para a extinção em si, ela está ligada a atividades vulcânicas. Mas, depois do início da extinção, o aquecimento começou a dominar a tendência”, disse à Folha Paul Wignall, da Universidade de Leeds (Reino Unido), um dos autores do trabalho. “O problema que aconteceu depois é que o planeta perdeu uma das maneiras que possuia para tirar o gás carbônico da atmosfera: as plantas.”

Não há medidas diretas sobre áreas terrestres, mas os cientistas estimam que o pico de temperatura pode ter chegado a 60°C em algumas regiões. O estudo estima que, de 252 milhões a 247 milhões de anos antes do presente, não havia praticamente nenhum vertebrado terrestre vivendo numa faixa de latitude que vai do Uruguai aos Estados Unidos.

Os animais que sobreviveram, por sua vez, encolheram de tamanho para se adaptar a temperaturas mais altas. Segundo o pesquisador, todas essas são coisas que devem ocorrer com o aquecimento global atual, em grau menor.

“Estamos mostrando o quanto um aquecimento global pode ser ruim”, afirma Wignall. “Não acho que veremos algo nesse nível em nosso futuro próximo; certamente não nos próximos cem anos.”

Segundo o cientista, as temperaturas do fim do Permiano subiram até os níveis registrados em algumas poucas centenas de milhares de anos, o que é bastante rápido em termos geológicos. “Hoje, porém, o que vemos acontecer é equivalente a uma subida de temperatura instantânea”, diz.

Fonte: Folha

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Resenha do autor

Existe uma tendência negativa muito grande por trás dessas reportagens. Elas são projeções do passado e justificam eventos de massa em grande escala como esta mostrada acima. Indiretamente essas reportagens nos projetam a pensar se vamos passar ou se já estamos passando por isso novamente. Nada mais abusivo do que estimular o medo das pessoas, afinal, somos seres extremamente negativos e pessimistas.

A questão não é o ceticismo de tal evento catastrófico, de fato essa é uma evidencia forte de que grande parte da fauna e flora do Permiano se foi devido a condições climatológicas extremas.

Este tipo de estudo abordando o aquecimento global e seu poder destrutivo é super valorizado diante da dialogo apresentado hoje junto aos problemas ambientais que o mundo passa. Tende-se a juntar tudo em um único problema ambiental quando na verdade regionalmente há problemas ambientais muito mais sérios que contribuem significativamente para a extinção de espécies, muito mais do que a própria mudança climática. A perda de habitat é um fator que contribui muito mais para a extinção de espécies do que mudanças climáticas. Desmatamento, urbanização e a fome (diminuição da taxa de natalidade) são problemas que deveriam ser prioridades no mundo atual.

Se por um lado esse aquecimento global custou cerca de 80% da biota do Permiano por outro, vale lembrar que no Cretáceo, quando a temperatura atingiu seu pico, houve a maior radiação do planeta, ou seja, o surgimento dos maiores animais da história, dinossauros. Além disso, o aquecimento global dito acima foi extremamente atípico.

Ora, existe um ciclo de milhares de anos de aquecimento global e outros milhares de resfriamento global. Esse período mostrado na reportagem evidencia que por alguns milhões de anos a temperatura se manteve extremamente alta nas áreas inter-tropicais. Essa é uma exceção, eventos como este são raros.

Outra questão é; se por um lado um período de aquecimento global foi responsável por tamanha extinção, vale lembrar que houve períodos em que a Terra passou por períodos de resfriamento global muito mais intensos do que aqueles previstos pelos climatologistas. Por volta de 700 e posteriormente 600 milhões de anos o planeta Terra parece ter passado por um período de resfriamento global total. Isso quer dizer que se em um período de resfriamento global normal a Terra congela certa de 35% de sua superfície (em um período de aquecimento global esse número é de 10%). No passado o congelamento foi total e responsável por grandes extinções muito mais significativas, talvez piores que a do próprio Permiano. Um período de resfriamento global é extremamente mais ofensivo a biota do que o aquecimento. A queda da temperatura aumenta o custo energético dos animais em um ambiente cuja demanda alimentar se torna cada vez mais restrita. Essas variações climáticas ao longo do tempo são responsáveis pela dinâmica na qual a evolução ocorre. Além disso, o resfriamento global dura muito mais que o período de aquecimento global. Uma de 90 mil anos de resfriamento para cada 10 ou 12 de aquecimento global.

A reportagem acima vem somente como reforço a uma tendência catastrofista que a própria mídia vem impondo a nós. Estão aumentando muito um problema e esquecendo de muitos problemas ambientais piores. Luc Ferry tem muita razão em suas argumentações.

Projeções sobre a climatologia do planeta existem aos montes, feitas por cientistas do IPCC e já se sabe qual futuro podemos esperar se tudo continuar como está. Esse discurso pode ser abandonado e já pode ser substituído pelo discurso e principalmente pela prática de como e o que os governos e cidadãos vão fazer para evitar um futuro desgraçado. Não precisamos mais de projeções e sim de atitudes, mudanças sociais, políticas, valores individuais e coletivos. Afinal, tecnologia não vai solucionar os problemas da humanidade. A crise é civilizatória e não tecnológica.

Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Resfriamento global, Aquecimento global, Problemas Ambientais, permiano, Evolução, Climatologia.
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