DNA DE VERME LEVANTA DÚVIDA SOBRE CLASSIFICAÇÃO DE ANIMAIS. (comentado)

Animal marinho conhecido como ‘verme-pênis’ foi analisado na Noruega. Nomenclatura biológica por formação da boca e do ânus poderia mudar.

A análise de um verme marinho do filo Priapulida, conhecido como “verme-pênis” levanta dúvidas sobre a nomenclatura de animais do grupo dos protostômios, que têm simetria bilateral e formam a boca antes do ânus. A pesquisa foi publicada na revista “Current Biology”.

Dados genéticos e de desenvolvimento desse bicho, o Priapus caudatus, sugerem que a atual definição é incorreta. Por isso a classificação poderia mudar e mexer em um dogma que já dura mais de um século, segundo informa o site da revista “Nature”.

De acordo com o biólogo especializado em evolução Andreas Hejnol, que liderou o estudo na Universidade de Bergen, na Noruega, é preciso repensar como nossos ancestrais mais antigos se desenvolveram.

Verme-pênis’ forma o ânus antes da boca, ao contrário do que pensavam os biólogos (Foto; Reprodução)

São pequenas diferenças na formação dos embriões que distinguem os seres vivos ou extintos na árvore de classificação científica – chamada taxonomia –, que agrupa todos eles em reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. Essas mínimas distinções no desenvolvimento embrionário podem levar a enormes mudanças na vida adulta.

Um grande avanço na evolução dos seres vivos ocorreu quando as células começaram a separar o ânus da boca em diferentes aberturas – o que ainda não acontecia com anêmonas e medusas. Em 1908, os animais com boca e ânus em canais separados foram divididos em dois grupos: os protostômios (que formavam primeiro a boca) e os deuterostômios (que desenvolviam primeiro o ânus).

Atualmente, os protostômios incluem o filo Priapulida e outros invertebrados. Já os deuterostômios reúnem alguns invertebrados e vertebrados como os humanos. As atuais técnicas de sequenciamento de DNA, porém, têm permitido rever tudo isso e saber melhor como cada célula embrionária se divide.

Na análise do genoma do verme-pênis, por exemplo, os cientistas viram que ele se desenvolve como um deuterostômio. Esse animal é considerado um “fóssil” vivo, pois é quase idêntico a seus antepassados que cobriam o fundo dos oceanos no período geológico Cambriano, entre 542 milhões e 488 milhões de anos atrás.

Outras informações genéticas, porém, colocam o filo Priapulida intimamente ligado a seus parentes protostômios. Agora, os biólogos tentam chegar a um consenso sobre o que usar como base da classificação – a formação da boca e do ânus ou outras características.

Fonte: G1

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Resenha do autor

Os priapulideos são seres que aparecem no registro fóssil a partir do Cambriano. São bentônicos, ou seja, vivem fixos ou no assoalho do oceano e encontrados no mundo todo, vivem em diversas profundidades. Tem preferência por águas frias, mas sabe-se da presença destes animais em águas de regiões tropicais. São asquelmintos e não tem o corpo segmentado.

Apesar de ser classificado como um protostômios, dados genéticos apontam para um desenvolvimento deutorostomio. Isso porque essas duas formas de classificação são uma ferramenta usada para classificar os organismos, e elas estão sujeitas a mudanças casos novas evidencias surjam. O modo na qual uma espécie se desenvolve pode ser usado como uma ferramenta que estabelece relacionamento evolutivo entre as espécies. Espécies próximas certamente se desenvolvem de forma relativamente semelhante, mas mesmo próximas, determinadas características do desenvolvimento se modificam. E então podem complicar o método de classificação. Muitas vezes os animais se diferem em sua forma de desenvolvimento, mas geneticamente é possível encontrar evidencias clara de relacionamento evolutivo entre ele. Eis um exemplo; a indução da lente pelo cálice óptico é um dos dois exemplos paradigmáticos de indução embrionária. Descobriu-se que em duas espécies de rãs; Rana fusca e R. esculenta que elas diferem neste estado embora sejam espécies muito próximas.

R. fusca usa o cálice óptico para induzir a lente mas a R. esculenta não o faz. Este é um exemplo de como divergências nos processos de desenvolvimento  produzem  características homólogas embora o relacionamento evolutivo entre os dois animais sejam claros.

Não é possível saber qual é o modo ancestral e primitivo de desenvolvimento da lente. O único modo de saber qual é o modo ancestral e o derivado é fazer um truncamento do processo de desenvolvimento quando comparado com a condição ancestral. Aqui poderíamos explicar a diferença entre as duas espécies que claramente são espécies irmãs, mas que na condição embriológica de formação do olho usam vias de desenvolvimento distintas.

Constantemente esses paradigmas são impactados pelas novas evidencias e descobertas. Novas formas de classificar são desenvolvidas com a finalidade de demonstrar com maior clareza a forma com que a vida esta relacionada em suas diversas formas. Essa forma de classificação dos organismos usando o tipo de desenvolvimento é, ou foi, uma boa ferramenta que estabeleceu relacionamentos evolutivos importantes.

O uso de estudos embrionários também é uma ferramenta importante que mostra o relacionamento evolutivo entre as espécies. Darwin, Haeckel e muitos outros naturalistas visualizaram com clareza essas semelhanças estudando embriões de animais. De fato, o estudo com embriões e a gênese da vida já era feito até mesmo por Aristóteles. (veja A BIOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO SEGUNDO AS TEORIAS EPIGENISTAS E PRÉ-FORMACIONISTAS)

O fato é que se há falhas em um determinado método, exige-se então uma nova abordagem, um novo paradigma e não um dogma como pressupõem a reportagem

Infelizmente, existe uma tendência natural das pessoas em responder perguntas com respostas absolutas acabam postulando que os conceitos científicos são religiosos. Segundo a wikipédia o dogma é uma crença estabelecida, ou doutrina de uma religião, ideologia ou qualquer tipo de organização, considerada um ponto fundamental e indiscutível de uma crença. A ciência trabalha com modelos explicativos, perfeitamente substituíveis de acordo com sua metodologia, mas principalmente, muda diante das evidencias. Evidencias mudam fatos, diferente de verdades na qual exige que as evidencias devam se encaixar na pressuposição de que aquela verdade seja realmente absoluta. Não se descarta evidencias em ciências. De fato é a duvida que faz o mundo científico seguir em frente.

O que se entende por fato dentro da ciência é uma determinada ideia que é suportada por uma teia de experimentos e resultados que corroboram aquela ideia dentro de especificações claras.

Aqui nesta reportagem temos um impacto a uma ferramenta de classificação que certamente será substituída por outra dentro do que se entende por fazer ciência. Assim como eventualmente uma queda do modelo atual da evolução biológica pressupõem uma nova teoria que deve ser criada segundo suas bases naturalistas e não teológicas ou teleológicas como presume os criacionistas. Por essa razão fica claro a diferença entre criacionismo e ciência. Mesmo que eventualmente a evolução biológica caia por terra, ainda sim o criacionismo segue como uma mera hipótese uma vez que não é testável a concepção da criação presumida por essa linha teológica de pensamento. Nem mesmo a baraminologia que pressupõem que as espécies foram originalmente criadas por Deus, surge como uma explicação considerável cientificamente, apenas filosoficamente sem possibilidade de teste.

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Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Protostômios, Deuterostômios, Desenvolvimento, Zoologia, Evolução, Desenvolvimento.

One thought on “DNA DE VERME LEVANTA DÚVIDA SOBRE CLASSIFICAÇÃO DE ANIMAIS. (comentado)

  1. Apenas confirma o que já defendi várias vezes neste site. A evolução de Darwin tem dois aspectos, um que considero científico que é a Árvore da Vida, equivalente à Tabela Periódica dos Elementos, Apenas que a química já era muito mais adiantada do que a biologia, que sequer existia na época, onde existiam “zoólogos” fazendo observações pessoais e subjetivas. A Árvore foi construida e ainda é assim entendida em cima dos recursos de observações pessoais, com alguns avanços de observações apenas onde aquilo que parece que é, às vezes não é. A Tabela foi feita tendo como critério, o átomo, e um século e meio depois os “biólogos” começam a descobrir que o critério equivalente ao átomo para a biologia, SERÁ COM CERTEZA O DNA, mas é evidente é pnto de dúvida dos biólogos evolucionistas, afinal, Darwin é um Papa infalível!!
    Essa é a “teoria científica” de Darwin, a “seleção natural” é um palpite errado como foi o de Aristóteles sobre o geocentrismo, Palpites se sustentam por crenças, é o que tenho repetidamente dito aqui.
    O evolucionista fanatizado confunde teoria com doutrina, e mete tudo num mesmo saco e “jura por Deus” que nega, que está certo, tudo o resto está errado! E apresenta “provas” nas quais somente ele acredita!
    Felizmente este site mostra de vez em quando os dois lados de uma moeda claramente falsa.

    arioba.

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