POR QUE VOCÊ ACREDITA EM HORÓSCOPO, ESPÍRITOS, ETS E RELIGIÕES? (comentado)

A resposta está no cérebro, uma máquina de projetar crenças. Conheça o que a ciência sabe sobre nossa necessidade de construir noções espirituais ou supersticiosas e como ela pode afetar suas escolhas.

Fotos; Iara Venanzi

África, 3 milhões de anos atrás. Um dos nossos ancestrais caminha por uma trilha cercada de arbustos. De repente, ouve um barulho no mato. Pode ser o vento, mas também pode ser um bicho pronto para o bote. Se o hominídeo se apega à segunda possibilidade e corre, mesmo não existindo fera por perto, comete um engano, mas continua vivo. Se, no entanto, atribui o ruído a uma brisa e segue a passos lentos, seus minutos estão contados caso exista um animal à espreita. É a esse exemplo que recorre o psicólogo americano Michael Shermer em seu novo livro, Cérebro e Crença, para sintetizar nossa necessidade biológica e evolutiva em criar e reforçar crenças.

“O cérebro conecta pontos em busca de padrões, mas nem sempre distingue o que é real. É como se estivesse programado para crer em qualquer coisa por precaução”, explica a GALILEU. Essa mesma lógica abre as portas para o sobrenatural. Imagine a cena: você, que já ouviu falar em assombração, está sozinho em casa à noite. Escuta, então, um ruído estranho na cozinha. O barulho pode ser um móvel rangendo ou… um espírito vagando. Na dúvida, precisamos crer em mais de uma possibilidade para agir, mesmo que seja ficar encolhido no sofá.

Shermer, Ph.D. em história da ciência, baseia suas conclusões em evidências que ligam a origem das crenças a nossos instintos mais primitivos. A seleção natural teria privilegiado os mais “crentes” porque os propensos a acreditar, seguindo nosso exemplo inicial, no predador, mesmo sem ter informações suficientes para deduzir isso, aumentaram suas chances de sobrevivência. Como nosso cérebro muitas vezes não identifica os erros, tendemos a acreditar em muitas coisas, principalmente se não temos como negá-las — bem-vindo ao mundo dos fantasmas, ETs e cia. A questão, como você vai ver, é que os genes, a personalidade e o ambiente se misturam na receita que nos faz mais ou menos adeptos a crenças. 

Nascido para crer 

Estudos apontam que a nossa maneira de adquirir informações sobre o mundo é criar padrões e generalizações em nossas mentes. “Há grupos de neurônios responsáveis por criar espécies de protótipos internos. Logo que vemos um objeto, não processamos todas as informações, mas tentamos encaixá-lo nesses protótipos”, explica o filósofo João de Fernandes Teixeira, professor da Universidade Federal de São Carlos.Um exemplo prático de como isso funciona: alguém que normalmente tem dificuldade para achar uma vaga para estacionar perto do trabalho observa que, ao chegar em um horário diferente, a rua está cheia de espaços livres. 

Outro dia, nesse mesmo período, encontra vaga de novo. Sem precisar pensar muito, ele cria um padrão (horário diferente = rua livre) e passa a chegar sempre nesse novo horário, embora não tenha identificado razão lógica para isso. Esse modus operandi também pode funcionar de outro jeito. Vamos supor que nosso amigo em busca de uma vaga toque no seu chaveiro com um símbolo da sorte e, em poucos minutos, encontra um lugar para deixar o carro. Ele já tinha uma ideia da função do amuleto e, quando ele lhe traz uma vantagem, liga uma coisa à outra. Pronto: nasceu outro padrão (tocar o chaveiro = achar vaga). As superstições, assim, compartilham de um mesmo mecanismo de associações rápidas que nos fazem deduzir uma porção de coisas úteis. 

Essa fome cerebral por padrões é o que define como ele lida com um universo marcado por fenômenos aleatórios. Para encontrar coerência nesse mundo caótico, dizem os cientistas, ele estabelece crenças justificadas por uma série de acontecimentos captados e editados ao longo da vida. Assim surgiria, segundo Shermer, nossa tendência a aderir a uma religião. As ideias de Deus e céu, por exemplo, nos ajudam a entender o mundo e o destino, e ainda balizam nossas atitudes e preceitos morais. Pense como isso pode facilitar a vida em sociedade e estimular um grupo a prosperar. “Não é por menos que há quem defenda que as pessoas geneticamente inclinadas a acreditar em religiões auxiliavam umas às outras e geravam mais filhos, espalhando, assim, os genes da religião”, diz o teórico evolucionista Craig James, autor do livro O Vírus da Religião. 

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Tá no sangue

Será que a vocação de cada um para a crença no sobrenatural ou em elementos religiosos estaria no DNA? “Há evidências de que o peso genético é decisivo e o ambiente cultural atuaria como um fornecedor de alternativas de crença”, diz o neurocientista Ricardo de Oliveira, do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. Mas como é possível medir isso? Estudos têm acompanhado gêmeos que vivem em ambientes diferentes para ver o quanto compartilhar os mesmos genes interfere na crença deles. Uma série dessas pesquisas, feitas na Universidade de Minnesota, concluem, por exemplo, que cerca de 40% da propensão a uma crença religiosa tem base genética. “Em tese, alguém criado numa família religiosa, mas sem essa base favorável à capacidade de crer, dificilmente preserva tal comportamento fora desse contexto”, analisa Oliveira.


Apesar de terem mecanismos em comum, religião e pensamentos mágicos não podem ser colocados no mesmo barco. “As emoções são mais intensas nas experiências espirituais, que transmitem uma maior sensação de realidade”, conta o neurologista Andrew Newberg, que tem 5 livros analisando cientificamente a crença. Já se observou, por meio de ressonância magnética, que os cérebros de pessoas religiosas e céticas têm diferentes padrões de ativação. “Em um trabalho que fizemos com pessoas que rezam e meditam, visualizamos isso em estruturas cerebrais como o tálamo, ligado à nossa competência de construir uma visão de mundo”, relata Newberg.

A fé também está sendo relacionada a mensageiros químicos que excitam os neurônios. Uma quantidade maior do neurotransmissor dopamina, por exemplo, normalmente vem acompanhada de uma predisposição aumentada a endossar crenças no sobrenatural. Em um trabalho do Hospital Universitário de Zurique, 40 pessoas (metade crentes e metade céticas) foram submetidas a imagens de rostos normais e alterados. Constatou-se que os crentes tendiam a enxergar menos as distorções, sinal de que têm maior capacidade de estender padrões para situações em que eles não existem. Na segunda parte da pesquisa, todos os voluntários tomaram uma dose de dopamina sintética. E, veja só: não é que eles passaram a considerar rostos deformados como normais mais vezes?! Sobretudo os céticos. “A dopamina está associada ao aprendizado e a recompensas. Se você se sente bem ao presenciar ou ver alguma coisa, ela fará com que você repita essa atitude”, explica Shermer, que também é professor da Universidade Claremont Graduate.

Outra substância associada à crença é a serotonina. Um estudo do Ph.D. em psiquiatria sueco Lars Fade mostrou por meio de scanners cerebrais que uma quantidade baixa de receptores de serotonina no cérebro está relacionada a pessoas que dizem ser mais religiosas. Mesmo diante de estudos como esses, ainda não há um consenso sobre um elo entre fé e neurotransmissores. Aliás, a polêmica discussão em torno da existência de um “gene de Deus” diz respeito à identificação de trechos do DNA que regulam justamente a fabricação dessas substâncias. 

O peso do ambiente 

Dá pra dizer então que as nossas crenças são definidas só pela nossa carga genética, certo? Errado. Tomemos como exemplo um daqueles estudos feitos pela Universidade de Minnesota, no qual mais de 250 pares de gêmeos responderam a perguntas sobre a frequência a cultos, orações e discussões teológicas em suas vidas. Quando os gêmeos eram mais novos e conviviam com outros membros da família, todos apresentavam um nível de espiritualidade parecido, demonstrando forte influência do ambiente; na idade adulta, somente os gêmeos univitelinos (que têm carga genética semelhante) continuavam compartilhando os mesmos índices. “Crenças partilhadas no meio em que nos desenvolvemos são tomadas como naturais, enquanto as cultivadas por outros grupos nos parecem improváveis”, analisa o cientista cognitivo da religião Ilkka Pyysiäinen, da Universidade de Helsinque, na Finlândia.

É por isso que alguns pesquisadores têm certo receio dessa onda recente de determinismo em relação à fé e ao pensamento. “Assim como a ciência já sabe que o ambiente interfere na atividade de genes e predispõe doenças, a capacidade de crer parece ser moldada pela combinação de fatores biológicos e culturais”, avalia Teixeira, que também é Ph.D. em ciência cognitiva.

Por falar em influência, já parou para pensar no poder da mídia sobre as crenças? Glenn Sparks, professor de comunicação da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, avaliou o impacto da série Arquivo X sobre uma audiência aleatória de 200 americanos. Ele constata que os espectadores, ao acompanharem a série, se tornaram mais dispostos a dar crédito a fenômenos sobrenaturais e conspiratórios. “As representações ficcionais buscam ser verossímeis, tornando-nos propensos a acreditar que aqueles eventos são plausíveis na TV e fora dela”, diz Sparks. É por isso que até alguém mais cético pode ficar com a pulga atrás da orelha após ver filmes que tratem de exorcismos, aparições do além…

Crer ou não crer? 

Não são poucas as pessoas que se consideram céticas, mas espiam o horóscopo ou evitam, de todo jeito, passar debaixo de uma escada. Seria paradoxal? De acordo com Shermer, nosso cérebro contaria com uma espécie de compartimento para crenças e outro para nosso lado mais pé no chão. “A racionalidade que usamos em alguns aspectos da vida, como no trabalho, nem sempre é utilizada em outros, como nossa postura diante do Universo, da política e de relacionamentos afetivos”, diz o psiquiatra Alexander Moreira-Almeida, da Universidade Federal de Juiz de Fora. “Se todo mundo fosse totalmente cético, ninguém jogava na loteria”, exemplifica Teixeira. Ao levarmos isso para o domínio religioso, encontramos inúmeros casos de cientistas que acreditam em Deus. “Fé e razão podem ser conciliadas até porque dividem o mesmo cérebro. São irmãs”, diz Jorge Claudio Ribeiro, professor de ciências da religião da PUC-SP.

Há momentos, porém, que aguçam nosso lado espiritual ou supersticioso. Logo após os atentados de 11 de setembro de 2001, o número de americanos que passaram a frequentar igrejas aumentou, segundo o instituto de pesquisa Barna, em 25% — o que, no entanto, durou apenas algumas semanas. O drama nem precisa ser coletivo. Pense em alguém acamado, deprimido ou frente a frente com um incêndio. “Quanto mais inesperada e difícil a situação, maior a tendência a nos comportarmos de modo supersticioso”, afirma Wellington Zangari, professor de psicologia da Universidade de São Paulo. Se por um lado crer nos dá forças para seguir adiante, por outro nos deixa mais vulneráveis. É por isso que Shermer alerta para a necessidade de termos em mente nossa queda por crendices. Afinal, ela pode, num contexto de fraqueza, nos tornar vítimas de charlatões.

Acreditar faz bem? 
Chegamos a essa incontornável pergunta. “Centenas de estudos indicam que um maior envolvimento religioso está relacionado a menores índices de mortalidade, taxas mais baixas de depressão e uso de drogas e maior tempo de vida em doenças graves”, diz Moreira-Almeida. Um levantamento da Universidade Yeshiva, nos EUA, por exemplo, analisou dados de 92.395 mulheres e concluiu que as religiosas assíduas apresentaram uma redução de 20% no risco de mortalidade.

Há quem diga, no entanto, que o poder medicinal da fé se resume ao efeito placebo, a habilidade da mente de induzir melhoras diante de uma expectativa. Será? Neurologistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, perceberam, lançando mão de ressonância magnética, que a crença religiosa propicia um efeito analgésico ao regular processos cerebrais. Placebo ou não, o fato é que a dor diminui… quem não deseja isso num momento de aperto?

O perigo, contra o qual lutam céticos como Shermer, é negar a ciência e dar margem a pensamentos enganosos (e às vezes lucrativos para alguém). Na outra ponta, pode ser angustiante viver sob um ceticismo dogmático, que quer demolir tudo e se transforma, ele próprio, em uma visão extremista. Nesse mundo onde quase todo dia deparamos com um ou outro ponto de interrogação, resta a certeza de que trabalho não vai faltar para a máquina de crenças herdada do nosso longínquo ancestral.

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Deus, entidades e religião

A crença em um ente superior que governa o Universo representa, segundo os defensores dos princípios biológicos, uma narrativa perfeita para resolver ou minimizar dúvidas e angústias: atribui sentido aos perrengues e êxitos da vida, dá uma ideia do que o futuro nos reserva… De acordo com Michael Shermer, esse conceito, disseminado pela religião, tem um potente efeito sobre o coletivo: o de promover altruísmo e coesão social, algo útil para um grupo sobreviver. Apesar do aspecto tribal e cultural, há fortes indícios de que a genética e a personalidade contribuam para que um indivíduo tenha mais fé. Tudo isso justifica a predominância das religiões ao redor do globo. O IBGE calcula que mais de 90% dos brasileiros têm uma.

Horóscopo, tarô e astrologia

Não importa se você é mais supersticioso ou cético, não negue que aceitaria de bom grado se lhe dessem o poder de prever o futuro. Visualizar o que o destino nos reserva é uma antiga obsessão humana. E não é à toa que tanta gente lê o horóscopo quase todo dia (veja o fenômeno Susan Miller, a astróloga mais acessada do planeta) ou recorre a cartomantes, quiromantes e afins. A despeito de esses métodos funcionarem ou não, buscamos encaixar suas previsões em eventos posteriores da nossa vida, especialmente se elas forem pouco claras. É uma forma de construir padrões, já que permite conectar pontos entre a configuração dos astros e eventos do dia a dia, ignorando as informações que não batem. “Por trás da tentativa de conhecer o futuro há uma angústia frente ao desconhecido, de modo que saber o destino amortece esse sofrimento e nos dá a impressão de estarmos mais no comando da situação”, explica o psicólogo Wellington Zangari, da USP.

Superstições e destino

Se não é o seu caso, ao menos você conhece um torcedor mais fanático que tem uma camisa da sorte. Um belo dia ele a vestiu e o time ganhou de virada. Na partida seguinte (camisa no corpo), venceu de goleada. No terceiro jogo, foi empate… e, outro dia, o time perdeu. Mas não faz mal, vai voltar a dar show na próxima partida porque o torcedor estará com aquela camisa. É assim que nasce e se viabiliza um padrão supersticioso, ignorando que os elementos que o compõem sejam verdadeiros ou não. Na dúvida, é melhor vestir a camisa. Esse hábito dá confiança e reduz o estresse antes e na hora do jogo. Nessa mesma linha, precisamos descobrir ou dar significados a uma porção de eventos porque uma mente “crente” tende a se nortear por uma noção de destino. O fato de um padrão (camisa da sorte) não render o resultado esperado pode ser suavizado pela interpretação de que forças operam no mundo e nem sempre conciliam com o nosso desejo. A questão é que muitas vezes driblamos esse conflito de padrões (sorte X destino), elegendo um ou outro para nos confortar. Se o time marcou um gol foi porque você colocou a camisa-amuleto. Se perdeu, é porque já estava escrito.
As crenças dos internautas 

Fizemos uma enquete em nosso site para saber se as pessoas acreditavam ou não em diferentes conceitos e fenômenos. Durante uma semana, 1.704 internautas participaram. Veja abaixo o resultado:

Fonte: Galileu

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Resenha do autor

A grande questão nesse debate, e que gera bastante controversa é a definição de certos termos. Isso porque, a reportagem acima foi comentada por Luciano Ayan que se auto-intitula como um “desmascarador de charlatães políticos. Isso inclui marxistas, humanistas, neo ateus, progressistas, positivistas e qualquer um que pertença a linhagens deste tipo”.

Ora, o termo cético originalmente não se refere a pessoas que não acreditam em absolutamente nada, ou duvidam de absolutamente tudo. O cético, ou aquele que realmente pratica o ceticismo é a pessoa que entra na raiz de um assunto, na base de uma determinada ideia e levanta questionamentos de seus pilares. Segundo Descartes o cético é aquele que deve levar a duvida a seu mais alto grau, de tal forma a buscar a radicalidade, ou o que chamou de dúvida hiperbólica.

Ateus não são céticos a tudo, são céticos exatamente a questão de eventos e seres sobrenaturais, crenças supersticiosas, o que Ayan chama de superstição e ao definir como céticos humanistas manipulam as pessoas;

1) Defina como “crença” (que na verdade é tudo aquilo em que se pode acreditar) e “superstição” (que na verdade é toda crença não sustentada logicamente) somente aquilo que for relacionado a paranormal, Deus ou UFO’s;

2) Se a platéia não perceber o truque em (1), use até a ciência para dizer que existe uma forma de subserviência humana às crenças e superstições – é aqui que a “inserção” funciona perfeitamente, pois se todas as crenças e superstições são relacionadas ao paranormal, Deus ou UFO’s, então as crenças injustificadas do humanista não estarão sob julgamento.

A crença é estabelecida dentro da humanidade, sob diversas maneiras e circusntâncias que a reportagem vem evidenciando, mas existe uma diferença muito grande em crer em elementos sobrenaturais e eventos naturais. Todos cremos no sentido de acreditar em fenômenos naturais (como o sol nascendo amanha de manha, ou ganharmos na mega-sena, como dito no texto) ou em Deus, Ufo’s, saci ou leprechauns.

O cético não é aquele que não crê em nada ou eleva o seu ceticismo ao grau universal. O ateu é cético em relação a sobrenaturalidade de eventos e isso fica claro no texto acima.  O que se faz é levantar e questionar as bases que levam as pessoas a crer, seja argumentos filosóficos, científicos, históricos ou quaisquer outros. O que é discutido do começo ao fim são fenômenos sobrenaturais.

O interessante é que ao criticar o ceticismo dos autores acima Luciano toma um posicionamento interessante e igualmente ingênuo (como ele diz) que envolve mais do que ceticismo em relação a superstições.

Ele toma um posicionamento contra a esquerda, e muito bem fundamentado já que de fato a tendência é que o homem não abra mão de si em benefício da sociedade. Mas o seu criticísmo é uma característica de esquerda. Por mais que a esquerda seja um sistema político que promova a emancipação do homem pela intelectualidade (o que é humanista); como se posicionar diante do mundo? Se a esquerda é ingênua em pressupor na crença do homem, por outro lado temos uma direita extremamente tradicionalista e ditatorial, e um sistema de centro que é conivente com quem esta no poder. Qual o posicionamento melhor?

Se por um lado os representantes da ciência são vistos como os “donos da razão” e tão céticos a ponto de serem os “céticos universais” e “auto-céticos” por outro lado Luciano Ayan também amplia seu horizonte de ceticismo em diversas direções, inclusive para filosofia da ciência, conceitos religiosos e políticos.

Ora, o posicionamento de Ayan e muito mais político do que religioso, mesmo porque, ele deixa bem claro em seu blog “De qualquer forma, não me declaro como “o cético universal”, pois de acordo com meu modelo de ceticismo político, lançado em 2011, esta seria uma alegação a ser comprovada. Portanto, eu posso crer em um monte de coisas, mas eu não tenho crenças no sobrenatural e nem no homem

Ayan critica o positivismo, e critica o socialismo e a esquerda, mas pressupor que o homem jamais abra mão de si em benefício da sociedade é um pensamento positivista. Será que somos assim ou estamos condicionados socialmente a agir assim? Será Ayan um poço de contradições? O que é perfeitamente natural! Os ateus são céticos por justamente entrarem na essência de suas crenças e convicções pessoais e emergir com essas dúvidas em relação a existência de divindades. São céticos do ponto de vista religioso e não devem estender seu ceticismo a universalidade e cair no falso ceticismo da descrença absoluta, nesse sentimento patético.

A atuação de Shermer é como cético religioso, teológico ao sobrenatural e seu ceticismo cessa nesse assunto. A ideia de que ele é um cético universal cheio de supertições mais bizarras e incoerentes são presumidas por outras pessoas, mesmo porque se sabe do seu destaque único e exclusivo é no ceticismo em relação a divindades. O que Ayan esta fazendo é universalizando a atuação de Shermer para além de sua área de atuação. Ayan esta universalizando as competências de Shermer pressupondo que seu ceticismo seja para as coisas mais banais e desconhecidas até mesmo por Shermer. Shermer pode ser um bom cético em relação a divindades, mas seria um péssimo argumentador das bases de outros assuntos, como política filosofia oriental.

Será Ayan um poço de contradições? O que é perfeitamente natural, até mesmo para quem vos escreve!

Saiba mais em Cético e ateu. Algumas definições

 .

Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Ceticismo, Supertição, Crenças, Luciano Ayan.

3 thoughts on “POR QUE VOCÊ ACREDITA EM HORÓSCOPO, ESPÍRITOS, ETS E RELIGIÕES? (comentado)

  1. Caro Rossetti, como não é indicado o autor do texto acima, deixo para depois se você me enviar o mesmo, que com certeza é algum PhD em algum assunto específico, falando sobre generalidades do alto do trono de sua sabedoria baseada na sua própria crença específica e fanática, é claro que isso não tem nada a ver com seu cérebro, ou neurônios ou genes de porcaria nenhuma. Os demais nomes mencionados no texto, também fica na dependência do próprio texto.

    De modos que vou comentar apenas sua resenha.
    Você está certo quanto às definições, que chamo de premissas. As discussões partem de premissas diferentes, e concluem de formas diferentes, é como duas pessoas vendo dois objetos diferentes numa mesma nuvem a partir de pontos diferentes, e se engalfinhassem em discutir o que de fato cada um está vendo: UMA ILUSÃO DE PONTOS DE PARTIDA.
    Quando se fala em crenças, automaticamente nos referimos aos crentes religiosos e aos descrentes ateus, AMBOS FANÁTICOS NAS SUAS RESPECTIAS CRENÇAS DE INDÍCIOS, TEORIAS, DOUTRINAS, “SÁBIOS”, ETC. ETC., mas é evidente que crenças são comportamentos de seres-vivos, sequer exclusivo do homem.
    O Ateu é aquele que não acredita no que o crente acredita, ambos envolvidos numa enorme discussão de sexos de anjos.
    Por que você acha que qualquer ser-vivo, inclusive e especialmente o próprio homem, APRENDE ALGUMA COISA? Por obra e graça de algum acaso da seleção natural da natureza ou de seus respectivos cérebros, ou neurônios ou genes? Um animal pode ser domesticado se não acreditar no domesticador?
    Não, PORQUE O SER-VIVO ACREDITA EM ALGUÉM OU EM ALGO PARA PODER APRENDER, que é um processo de repetição. Isso explica inclusive sua própria visão sobre “esquerdas e direitas”, na realidade outras crenças equivocadas, socialismo é uma religião cujo deus é o “Estado dono de dinheiro”, e que sem crença, SERIA UM ABSURDO RACIONAL SOB QUALQUER ÂNGULO QUE SE ANALISE, e seus resultados comprovam isso!
    Sobre as questões relgiosas, altamente parciais e sem nexo de coerência, deixo para comentar se tiver o autor do texto acima, TAMBÉM DIRETAMENTE AO MESMO, SE CONSEGUIR CONTATOS.
    ABS.
    arioba.

  2. Esse autor é um jogador de basquete?
    Então, vou entender que o texto é seu, como um apanhado de opiniões de vários autores.
    Acredito que a confusão se origina na premissa equivocada do que seja um “er-vivo”, QUE OS BIÓLOGOS SE ISOLAM APENAS NO ORGANISMO MATERIAL, que circunstancialmente se torna vivo. Por isso um automóvel também é um ser-vivo como ouro qualquer. Alguém estaria aqui discutindo crença do automóvel como expressão de seu processador eletrônico?Alguém estaria aqui discutindo comportamento do automóvel? E qual a diferença entre o automóvel sob o comando de um homem, e o próprio homem como seres-vivos? NENHUMA, EXCETO PELOS SEUS RESpECTIVOS ORGANISMOS MATERIAIS.
    Então, caro Rossetti, enquanto não se define direito na ciência o que se entende por ser-vivo, FICAMOS DISCUTINDO SEXO DE ANJOS.
    O cérebro para o organismo do homem é a mesma coisa que o processador para o organismo do automóvel, DIFERENTES APENAS NA TECNOLOGIA, MATERIAL DE CONSTRUÇÃO, ETC. São organicamente diferentes, mas quando em conjunto, SE TORNAM SERES-VIVOS COMO UMA BARATA OU UMA FORMIGA, que nascem, vivem e morrem, exatamente como uma bactéria ou uma baleia.
    Ah, mas não se reproduzem! E O HOMEM SE REPRODUZ?
    Aqui se começam conclusões mais equivocadas ainda. Um casal praticam o sexo (um trabalho de duas pessoas), a partir do qual um ovo é “enxertado” no útero da mulher, QUE DURANTE 9 MESES TRABALHA PARA GERAR SEU FILHOTE, que nem de longe é reprodução nem da mulher e nem do homem que praticaram o sexo.
    ONDE ESTÁ A REPRODUÇÃO QUE BIÓLOGO FALA, em particular inventando termo genéricos como replicação, etc. ete.?
    Nenum ser-vivo de fato se reproduz, talvez alguns micro-organismo uni-celular se reproduz por divisão de sua célula, MAS NÃO COMO ACIDENTE DA NATUREZA. Nem sequer uma célula (que não é ser-vivo, apenas um organismo digamos unitário dentro do ser-vivo) se divide (replica) sozinha, e você como biólog sabe disso. ENTÃO, O QUE É A TAL REPLICAÇÃO OU REPRODUÇÃO? Um Acidente ocasional da natureza OU MEO TRABALHO DE OUTRO SER-VIVO? E trabalho por acidente faz algum sentido lógico?
    Obviamente que não. Sem o motorista que é um homem, o automóvel jamais adquiriria vida, jamais teria surgido ou “nascido”, etc., mas o homem NASCE POR ACASO POR UM REPLICAÇÃO DE CÉLULAS?
    E aí entramos no comportamento. Se você conseguir me explicar de fato o que é o comportamento humano, através de seu “computador” chamado cérebro, fica fácil entender o que seja a crença, nada mais do que um comportamento mental do homem, ou de qualquer outro ser-vivo, pois qualquer ser-vivo é capaz de aprender, por isso a planta procura o sol, suas raízes se orientam etc. O grande problema do cientista é entender que inteligência é atributo do cérebro, um mero computador sofisticado. CRENÇA É EVIDÊNCIA DE INTELIGÊNCIA, SE VOCÊ ME EXPLICAR O QUE TENDEN POR INTELIGÊNCIA, PODEMOS COMEÇAR A DISCUTIR A TAL CRENÇA, SEJA DO HOMEM, DA FORMIGA OU ATÉ DE UM EUCALITO. Sem isso, crença é um monte de explicações sem nexo algum.
    Aliás, você pode me dizer qual a diferença entre crença e fé? Alguém consegue entender o que de fato alguém “pensa”? Esse monte de gente que expõe no texto suas respectivas crenças, estão de fato pensando no que escrevem? COMO VOCÊ PODERIA TER CERTEZA DISSO? A mente é indevassável, e nem pela transmissão de pensamento, de fato se pode saber o que alguém pensa ou acredita, etc. Então, estamos falando do que alguém fala que acredita ou não?
    Dá para entender o que seja crença (um sentimento) e fé (uma ação)?
    Agora é evidente que o texto e você mesmo confunde o comportamento humano da crença, COM A CRENÇA MIÚDA QUE SE EXPRESSA NOS RELIOSOS QUE ADOTAM UMA IGREJA OU RELIGIÃO, OU NA OUTRA DESCRENÇA TÃO MIÚDA QUANTO QUE SE EXPRESSA NO ATEU, que apenas não acredita no que o outro acredita. O ateu pode me dizer no que acredita, que seja direrente do que o crente acredita?
    Crença é expressão de inteligência, SE VOCÊ PUDER ME EXPLICAR SEM O FAMOSO “ENIGMA” O QUE SEJA A INTELIGÊNCIA, VOCÊ MESMO PODE RE-EXAMINAR O TEXTO E VER QUANTAS IMPRECISÕES SÃO DITAS AÍ.

    arioba

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