A FILOSOFIA BARATA POR DE TRÁS DO ARGUMENTO COSMOLÓGICO E OUTROS ARGUMENTOS CRIACIONISTAS.

Em muitos debates entre defensores da biologia evolutiva e do criacionismo (bem como os do designer inteligente) um dos argumentos mais citados é o da Causa Primeira, Causa Primordial ou Argumento cosmológico. Erroneamente os defensores do designer e/ou do criacionismo alegam que o argumento cosmológico, da causalidade, argumento ontológico e a aposta de pascal são evidencias científicas da existência de um Criador.

Nenhuma destas alegações são de fato científicas, talvez nem mesmo filosóficas. Existe uma diferença clara entre a argumentação filosófica que tem sua metodologia baseada em linhas de pensamento, e a científica baseado em uma metodologia materialista/naturalista especificamente empirista.

Filosofia não é ciência, ao menos do ponto de vista de “como se faz ciência”. A filosofia é um dos acervos da humanidade para a construção de conhecimento, mas não é uma ciência no modo na qual se produz conhecimento científico. A maioria dos defensores do designer inteligente não aceita isso por uma questão de tentar validar uma filosofia proselitista vã como ciência. Muitos alegam que Demócrito era filósofo e descobriu o átomo e portanto a filosofia constitui uma ciência. Ora, toda a filosofia desenvolvida na Grécia era uma filosofia baseada nem um pensamento amplo, inclusive materialista, atomista e por consequência não é de se assustar que o conceito de Demócrito não estivesse errado (se é que realmente foi Demócrito que o desenvolveu, segundo algumas linhas de pensamento o real dono do termo átomo seria o filósofo Leucipo). Isso não faz da filosofia uma ciência nos moldes experimentais.

Portanto, nenhuma dessas linhas argumentativas sustenta a ideia de que exista um criador para o universo, pelo simples fato de que todos esses argumentos já foram refutados filosoficamente e aqueles que desejam argumentar cientificamente, há evidencias claras de que o universo não precisa necessariamente de uma mente sobrenatural arquitetônica por de trás dos panos.

O argumento cosmológico de Kalam faz uma tentativa de justificar a existência de Deus fundamentando-se na ideia da impossibilidade do universo ser eterno, portanto, para tal, precisa necessariamente de um criador. A origem deste argumento começou com o filósofo muçulmano Al-Ghazali que justificou a existência do criador especialmente a filósofos cristãos, judeus e muçulmanos. Atualmente, o principal representante deste argumento é o teólogo cristão William Lane Craig. Sua argumentação é bastante simples; 1)Tudo que começa a existir, tem uma causa, 2) o universo passou a existir e portanto 3) tem uma causa.

William Lane Craig

William Lane Craig

A questão é; isto são premissas filosóficas e não cientificas, tanto que Craig justifica que “do nada, nada vem”. A segunda premissa trás implicações e derivações da cosmologia contemporânea e especialmente da Teoria da Relatividade Geral.

Craig usa então argumentos filosóficos e de pesquisas em áreas da ciência a fim de sustentar sua cosmovisão. A dedução de que a causa do universo é Deus então é defendida observando-se que dada a natureza da questão, tal causa deve ser não-causada, sem começo, atemporal, imutável, não-espacial, imaterial e pessoal com inimaginável poder.

O argumento é simples e portanto, sua refutação é de fato também muito simples porque tal argumentação é um conceito que puxa outro, seguindo uma linha de pensamento meramente dedutiva. Pensamento dedutivo não é ciência e meramente dedução ou expectativa de que uma coisa siga a outra. Se pensarmos cientificamente não há motivação estatística ou probabilística alguma, pois dizer que a probabilidade de que A ocorra se B ocorrer pode ser bastante diferente da probabilidade de que B ocorra se A ocorrer. É um problema como o que os estatísticos encontram em determinados casos e que foi descrito pela primeira vez no século XVIII e ficou conhecido como o Teorema de Bayes. Quando, e se o argumento da causa primeira realmente se tornar um argumento científico, ainda tem de mostrar a relação entre uma probabilidade condicional e a sua inversa, ou ainda, a probabilidade de uma hipótese dada a observação de uma determinada evidência e a probabilidade da evidência dada pela hipótese. Afinal, mesmo que o designer venha a ser aceito sob circunstâncias científicas, ele será meramente uma hipótese não testável.

Outra questão é; o argumento cosmológico de Kalam atende necessidades meramente pontuais. Isso fica evidente quando se visualiza quais filósofos se identificam com elas, ou seja, aqueles que seguem religiões abraâmicas. Isto tem importância?

Sim! Muita importância, pelo fato de serem religiões monoteístas e portanto a causa primeira é única, sempre. O argumento é meramente circunstancial de várias formas. Atende somente monoteístas. Se considerarmos que todas as religiões são donas da verdade ou que qualquer uma delas seja estatisticamente ou probabilisticamente a dona do real caminho para a salvação, então o argumento de Kalam não atende as necessidades para a causa primeira, somente a de religiões monoteístas. Em algumas vertentes do budismo a causa primeira simplesmente não existe, o universo e tudo que nele existe sempre existiram e tudo apenas começou a ser da forma como conhecemos quando Buda despertou de seu sono eterno. Portanto no budismo o argumento cosmológico deixa de funcionar.

Para a religião dos Incas o deus Viracocha é a causa primeira de três mundos distintos, o dos céus, da Terra e do submundo, portanto a origem de tudo vem de um deus que jamais esteve em qualquer plano de criação. Para outras religiões, especialmente as politeístas, a criação de tudo depende não de um deus, mas de várias divindades, sendo então resultado de diversas causas. Portanto, tal argumentação é meramente filosófica/cristã ou proselitista.

Os mesmo conflitos com o argumento cosmológico ocorrem independente da doutrina religiosa seja no mito da criação Enûma Eliš  dos babilônios ou mitologias

De acordo com a mitologia nórdica, que um dia foi uma religião tão factual quanto o cristianismo afirma ser, os animais tem grande representação no mito da criação, em especial Ragnarok. No principio surgiu o gigante Ymir e dele todas as outras espécies de gigantes que representavam o Caos. Essas forças caóticas deram principio a existência, a natureza era caótica; fogo, gelo, chuva, terremotos, mas eis que surge a manifestação primeva de vida e esta é a vaca sagrada Audhumbla. De suas tetas jorravam rios leite que alimentavam Ymir (o caos) e do sal que ela lambia insistentemente após três dias, surgiu Buri, o primeiro Deus, o principio da ordem. Audhumbla é um signo de fecundidade, origem de toda manifestação de vida, a energia formativa.

Audhumbla

Audhumbla

A segunda questão é a do teólogo William Craig. Muitos criacionistas argumentam que a filosofia do argumento cosmológico justifica a existência do criador e Craig é o filósofo que prova isto. A refutação é justamente o palestrante Craig.

Craig é formado em filosofia, mas não exerce sua profissão. Suas palestras são proselitistas e não filosóficas. A filosofia na religião deveria discutir o papel de uma linha teológica específica em diversos em um contexto social e/ou histórico, como faz Luiz Felipe Pondé ou mesmo o historiador filósofo Leandro Karnal no Brasil.

Craig é proselitista e como pastor defende uma vertente teológica e a filosófica é usada convenientemente para sustentar sua cosmovisão. Isso quer dizer que o proselitismo justificado com o argumento cosmológico levanta serias questões sobre a confiabilidade dos argumentos que sustentam a existência de um criador. De fato, são argumentações meramente filosóficas, especificamente tendenciosas e não científicas.

A terceira é uma questão de causa e origem. É falacioso dizer que tudo o que começa a existir tenha uma causa para sua existência. Nas palavras de Ernesto Von Ruckert “a causa é uma propriedade de eventos e não de seres. O que pode ter causa é o evento da passagem da inexistência para a existência de um ser e não o próprio ser

Nem tudo precisa ter uma causa, ou seja, uma motivação para que ocorra, mas em algum momento tem de surgir, seja lá por qual motivo, se é que há motivo. E aqui Craig e todo argumento cosmológico abre uma exceção bastante conveniente quando diz que tudo tem uma causa para existir, menos o Criador.

Obviamente é uma estratégia meramente anti-filosófica que foge da pergunta básica que não precisa ser filosofo, cientista ou teólogo para saber; Qual é a origem de Deus? Quando ele passa a existir?

Ora, nenhum ser é a causa da própria existência. Uma das premissas do argumento é justamente a de não precisar justificar a existência da única coisa que dá existência as coisas, porque ela é supostamente infinita, atemporal, imutável, não-espacial, imaterial e pessoal com inimaginável poder. Ainda que criacionistas como o matemático John Lennox argumente que a pergunta é medíocre (ORIGEM DE DEUS É QUESTÃO ABSURDA) essa argumentação não é científica e deixa de ser filosófica tomando uma postura anti-crítica e meramente doutrinária.

Ai justifica-se então que Deus é eterno e imutável e não precisa de uma causa ou origem para existir, mas o universo constatado cientificamente pelos físicos deve ter uma causa e uma origem, para que invalide a proposta dos físicos e justifique a existência de deus a partir de exceções filosóficas. A causa seria então Deus e sua origem seria o mito da criação cristão, segundo o argumento cosmológico. A falha é lógica no argumento; se o universo corre em direção ao eterno então ele também não precisa de causa e nem de origem e portanto não precisa de um criador. Seria até uma aproximação da teológica não-deista que o budismo segue. A questão é que de alguma forma Deus ou o universo tem uma origem, seja ele eterno ou não, o raciocínio é valido aos dois lados da moeda. Essa argumentação a respeito do argumento cosmológico já foi derrubada até mesmo pelo filósofo Bertrand Russell no livro Porque não sou Cristão. Veja o que ele diz:

Talvez o mais simples e mais fácil de entender seja o argumento da Causa Primordial. (Defende-se que tudo o que vemos neste mundo tem uma causa e, à medida que retrocedermos cada vez mais na corrente de causas, chegaremos obrigatoriamente à Causa Primordial, e essa Causa Primordial recebe o nome de Deus.) Tal argumento, suponho, não tem muito peso nos dias de hoje, porque, em primeiro lugar, já não é mais o que era. Os filósofos e os homens de ciência têm estudado muito a causa, e ela já não tem nem de longe a vitalidade que tinha; mas, fora isso, dá para ver que o argumento de que obrigatoriamente existe uma Causa Primordial não pode ter nenhuma validade.

Posso dizer que, quando eu era jovem e debatia essas questões com muita seriedade em minha mente, durante muito tempo aceitei o argumento da Causa Primordial, até o dia em que aos dezoito anos, li a autobiografia de John Stuart Mill e lá encontrei a seguinte frase: “Meu pai me ensinou que a pergunta ‘Quem me fez?’ não pode ser respondida, já que imediatamente sugere a pergunta seguinte ‘Quem fez Deus?'”. Essa frase extremamente simples me mostrou, como ainda penso, que o argumento da Causa Primordial é uma falácia. Se tudo precisa ter uma causa, então também Deus deve ter uma causa. Se é possível que exista qualquer coisa sem causa, isso tanto pode ser o mundo quanto Deus, de modo que não pode haver validação nesse argumento.

Trata-se exatamente da mesma natureza da visão hinduísta de que o mundo repousava sobre um elefante, e que o elefante repousava sobre uma tartaruga; e quando alguém pergunta “Mas e a tartaruga?”, o indiano respondia: “Que tal mudarmos de assunto?”. O argumento, de fato, não é melhor do que isso. Não há razão por que o mundo não possa ter passado a existir sem causa nenhuma; tampouco, por outro lado, existe qualquer razão que o impeça de ter sempre existido. Não há razão para supor que o mundo teve alguma espécie de inicio. A ideia de que as coisas precisam obrigatoriamente ter um início na verdade se deve a pobreza da nossa imaginação. Portanto, talvez eu não precise mais perder tempo com o argumento relativo à Causa Primordial.

A argumentação mais ouvida é a de que o universo precisa de uma causa e que nada existe sem causa. É evidente que muitos eventos ocorrem sem causa alguma e a física postula que o universo não teve causa para surgir e que sua origem seja resultado de eventos quânticos, especificamente em flutuações no vácuo quântico. A melhor explicação para como o universo surge é a sua origem a partir do nada. Ao contrário da argumentação de Craig que afirma que nada vem do nada, e pensamento cientificamente e não filosoficamente, o nada para a física não é a ausência absoluta do tudo. O nada é para a física o vácuo quântico onde partículas virtuais são criadas e destruídas por processos de aniquilação em um curto espaço de segundo. Por exemplo, cientificamente foi constatado que 90% de um próton é representado por nada e que a ausência de matéria no universo não faria diferença alguma a seu funcionamento, suas constantes, ele continuaria a ser o que exatamente é. Quem explica isso é o físico Lawrence Krauss:

Essa segunda premissa a respeito do “nada” trás implicações e derivações da cosmologia contemporânea e especialmente da Teoria da Relatividade Geral segundo a visão dos defensores do designer inteligente, já que justificaria a existência de um criador. Entretanto, cientificamente não tem relação alguma. De certa forma, a explicação de Einstein demonstra bem como o universo se comporta. Uma coisa é compreender o que Einstein quis dizer com a Teoria da Relatividade Geral e outra é não entende-la e portanto descarta-la como lixo como faz o “filósofo” Olavo de carvalho. Ele afirma em um de seus vídeos que a ideia da mecânica quântica não é uma teoria científica e sim uma confusão, ou um “engodo” para ideias para justificar o injustificável. Assume que não compreende e não saber é diferente de dizer que algo não funciona ou não existe. O fato é que Einstein conjugou um conjunto de ideias e que muitos outros construíram conceitos que se casaram claramente com a relatividade e explicam a origem do universo.

Muitos deles justificado pelas equações Friedmann/Lemaître/Robertson/Walker (ou equações FLRW) que demonstram como o universo pode esta em expansão ou contração ou ser homogêneo e isotrópico. De fato, a própria equação de Einstein já demonstra muito sobre isso na relação íntima existente entre energia e massa em E=m.a2. Se toda energia esta concentrada em um ponto e uma oscilação desencadeia um efeito de expansão (dada a gravidade repulsiva) quando essa energia for desacelerando a matéria se forma. Portanto energia e matéria estão relacionadas. Se pegarmos uma bola de baseball e arremessa-la a velocidade da luz, ela vira uma bola de energia e todo o espaço se adequará a sua viagem.  A oscilação quântica é um evento casual que justifica a existência de tudo e pode até justificar a existência do multiverso (veja MULTIVERSO FORA DE NOSSO ALCANCE. UMA ANÁLISE COMPARATIVA E A ESTRUTURA CIENTÍFICA POR TRÁS DE TAL CETICISMO). Portanto o universo não precisa de uma causa para existir, ele não surge do acaso, mas simplesmente é um evento que pode não ter uma causa assim como tantos eventos e incertezas que ocorrem cotidianamente.

É importante destacar que sua origem é sem causa e não um evento aleatório, pois aleatoriedade ainda que presente no nosso cotidiano significa que determinados fenômenos ocorrem sem seguir um padrão. Desta forma incertezas nos rodeiam em muitas de novas atividades cotidianas nas ciências sociais, humanas, na política, economia, órbita de planetas e estudos estatísticos e probabilísticos.

Sob estas perspectivas o argumento da causa primeira não tem sustentação científica alguma, pois não é uma descrição científica, somente com “enxertos” pseudo-científicos feitos por proselitistas que buscam conveniência. Também não é filosófico porque ele é tendencioso e simplesmente refutável em uma comparação teológica ou meramente lógica. Em conclusão, temos agora três caminhos; 1) Se Deus existe então ele deve ser fruto de algo maior que ele já que nenhum ser é auto-criador, portanto a linha teológica é uma verdadeira casa de bonecas russas; 2) Se Deus não tem uma origem ele pode ser simplesmente nossa imagem e semelhança, assim como deduzimos tantos passos para a sua origem, o mito da criação e a sua omniciência, ainda sim é mais simples deduzir que o criamos pela simples lógica de Occkam.

Outro argumento que ainda se utiliza muito é o argumento ontológico de Santo Anselmo que já foi refutado á muito tempo, afinal, nenhum desses argumentos foi construído de tal forma a sustentar uma democrática existência de Deus. Todos os argumentos foram criados pressupondo que existência de um deus específico, o de religiões monoteístas, presumindo ele existir e não discutir se ele existe. Além disto, parte do pressuposto que ele já exista. Pensando desta forma nenhuma dessas alegações filosóficas são reais e sim meramente proselitistas ou auto-promocionais.

Um exemplo clássico é o argumento de que Deus existe porque em quase todas as sociedades as pessoas acreditam nele. A aceitação generalizada de uma crença não é uma boa razão para aceita-la. A falácia de “Maria vai com as outras” não é a viável, assim como a resposta mais rápida geralmente não é a correta e sim o senso comum agindo.

No argumento ontológico o que idealizei passa a existir porque seu o idealizei de forma suprema e portanto, como um ser perfeito poderia não existir?

Deus existe a partir da mera análise do conceito de Deus, sem utilizar qualquer evidência com origem na experiência. Portanto, unicamente pela idealização de algo ele se torna existente. Por exemplo, o monstro do spaguetti existe. Você poderia argumentar que não, então sua argumentação não é a de que ele não existe, mas de que voce não aceita que ele exista.

O monstro do spaguetti existe? Sim, porque o criamos, bem como toda sua trajetória histórica também, divulgamos mandamentos sagrados ainda que seja uma criação coma intenção anti-religiosa. A partir do momento em que se idealiza algo e passa-se adiante ele passa a ser idealizado por você como uma entidade representante de alguma religião. Você pode não aceita-lo, ou não crer que ele existe, mas ele existe de acordo com o argumento ontológico. Isto vale para qualquer entidade sobrenatural e inclusive se encaixa com definição de designer inteligente. Portanto o designer poderia ser Jeová, Odin, Extraterrestres, Leprechauns ou qualquer outra entidade sobrenatural.

Outro argumento ainda utilizado por defensores do designer inteligente e do criacionismo é a Aposta de Pascal. A aposta de pascal é também um argumento que não tem relação alguma com a comprovação matemática ou empírica de que Deus existe. É novamente uma aposta feita por alguém que tinha uma visão religiosa especifica e tentou justificar sua existência a partir de uma matemática precária. Pascal foi um excelente matemático dentro de seus limites históricos, o pai da probabilidade que estudou jogos de azar e no final de sua vida ficou louco em um processo de devoção fundamentalista ao cristianismo. A aposta de pascal é simples, segue algumas premissas:

1) se você acredita em Deus e estiver certo, você vai para o céu;

2) se você acredita em Deus e estiver errado, você sai perdendo;

3) se você não acredita em Deus e estiver certo, você saiu ganhando;

4) se você não acredita em Deus e estiver errado, você vai queimar no inferno.

Pascal concluiu então que sairia ganhando se acreditasse em Deus. Pascal partiu de um principio probabilístico arbitrário, ou seja, existe 50% de chance de Deus existir e 50% de chance dele não existir. Sua posta desconsidera argumentações a favor e contra a existência de Deus isso porque talvez em sua época não existia um modo de calcular isso, talvez hoje ainda não exista ou como quantificar isso. A segunda coisa que fez erroneamente foi desenvolver um conjunto de opções em que só se sai bem quem aposta na existência de Deus presumindo a expectativa de que sua religião seja a dona da palavra verdadeira a respeito do criador. Ele baseou seus cálculos segundo sua crença do que era o criador e de que céu e inferno realmente existem. Se todas as religiões do mundo tem a mesma probabilidade de serem as certas, então qual é a probabilidade de que a religião de Pascal seja a que realmente garanta o reino dos céus? Pascal não calculou isso porque jamais pensou desta forma. O que pascal fez com essa aposta foi dar as bases para aquilo que hoje chamamos de teoria dos jogos.

A teoria dos jogos aprimorada no século XX hoje não é mais tendenciosa porque não justifica seres sobrenaturais. De fato, é usada para ver qual a melhor estratégia adota em certas ocasiões. Em biologia ela serve para mostrar qual a melhor estratégia adotada por um determinado animal, lutar ou fugir. Usada no ponto de vista empirista é uma excelente ferramenta, mas sustentar uma verdade metafísica não se mostra tão eficiente, ainda mais usada de forma proselitista.

O que Pascal propôs foi meramente uma expectativa pessoal, íntima e não uma argumentação a favor de Deus. A mesma coisa pode ser vista abaixo com um matemático que criou uma nova aposta de Pascal e que apresenta claramente em seu discurso que aquela conta respalda sua crença pessoal. Isso é proselitismo e não é ciência ou filosofia;

O que vemos é que todas essas manobras são na verdade uma tentativa pseudo-científica e pseudo-filosóficas de sustentar deduções e principalmente expectativas. As expectativas são elementos importantes não somente nessas apostas e argumentos, mas em todo processo de decisão. Estudos experimentais mostram como a expectativa diante de uma incerteza afeta diretamente as decisões tomadas. Um dos melhores exemplos já citados para mostrar como expectativas definem nossa tomada de decisões esta na enologia. Especialistas em degustação de vinhos participaram de um experimento que deixou isto claro. Dois grupos de enólogos foram selecionados e encarregados de definir quais vinhos eram mais doces, entre as opões estavam o vinho tinto e o vinho Rosé. Entretanto, o vinho Rosé era na realidade vinho tinto com um corante sem açúcar que tornou sua coloração igual a do Rosé. Os especialistas em vinho Rosé preferiram o falso vinho Rosé. Criou-se uma expectativa em torno do material a ser estudado. De fato, muitos outros estudos com vinho e com outras metodologias foram feitos e mostraram exatamente como a expectativa muitas vezes afeta os resultado de nosso experimentos.

Sendo assim, permanece ainda em aberto uma linha de pensamento filosófica que seja neutra do ponto de vista religioso, mas que busque argumentações convincentes a respeito da existência de um criador. De fato, todo esse proselitismo começou com Santo agostinho que abandonou a essência da filosofia grega que dentre tantas coisas perguntava se haveria um deus ou se a alma seria imotal e partiu de um principio de que Deus sim existe e toda sua linha de argumentação a partir de então seguiu-se proselitista, baseando-se em reinterpretações convenientes de Platão e muito dificultosamente de Aristóteles

Grande parte dessas argumentações citadas acima são argumentações proselitistas e não científicas. De fato, o que Craig e tantos outros proselitistas fazem não é visualizar evidências para tirar conclusões. Eles ajustam as evidências cientificas a concepções pré-concebidas de sua religião de tal forma a “costura-las” com a premissa de que seu Deus exista, nem que pra isso seja necessário distorcer argumentos e descartar a argumentação oposta. Um exemplo claro disto são as datações de registros fósseis que mostram uma Terra com milhões de anos. Ou simplesmente fogem da questão; se nosso planeta tem 6 mil anos porque a luz das estrelas demora milhões de anos para chegar a Terra?

Outra questão não discutida acima, mas que também faz parte do discurso criacionista é suposta contradição existente no conceito de origem da vida. Criacionistas defendem a biogênese, ou seja, a ideia de que a vida só pode vir de outro ser vivo. Sendo assim a abiogênese, ou seja, a origem da vida a partir de matéria não viva pode ser descartada dentro da biologia.

É preciso fazer distinções entre as hipóteses e comparações com o modo de pensar criacionista. Primeiramente porque o termo é usado em referência à origem química da vida a partir de reações em compostos orgânicos originados abioticamente. Esta designação é ambígua, pois de acordo com pesquisadores pode ser referir a biogênese propriamente dita, ou seja, a gênese da vida. É preciso diferenciar então a ideia da abiogênese da geração espontânea, sendo a segunda realmente descartada por Pasteur.

A biologia não diz que a vida surge espontaneamente. A geração espontânea parte da suposição de que organismos complexos não se originam apenas de seus progenitores, mas de qualquer ser inanimado. A biologia afirma que compostos abióticos deram origem aos elementos básicos a vida, portanto se trata da gênese, ou origem da vida sob a perspectiva da química. De fato faz sentido se pensarmos que nossos corpos são formados por elementos básicos da matéria e as moléculas que comportam nossa existência são encontradas nos 4 cantos do universo, o mesmo carbono que é liberado por supernovas é o que compõem as cadeias básicas de nosso DNA. Suporte tal teoria tem e de fato muitos elementos orgânicos foram criados a partir de elementos inorgânicos. Portanto a biologia e a bioquímica buscam compreender como a primeira célula surgiu, ou seja, como os elementos que suportam o básico para a vida existir se formaram. Cientificamente isso pode ser testável e divulgado cientificamente.

Entretanto, alegação criacionista é de que isso seja geração espontânea, mas a geração espontânea parte da suposição de que organismos complexos se originam a partir de qualquer ser inanimado, e nem a biologia nem a química pregam isto. A visão da criação da vida, especialmente humana segundo o livro de gênesis é de que a vida surge a partir de um naco de barro que recebeu um sopro divino e a vida surgiu. Posteriormente, a partir de uma costela do homem surge então a mulher.

De fato, o criacionismo é quem apresenta um conceito de geração espontânea em gênesis, o de que seres complexos surgem a partir de matéria inanimada.

São conceitos que os criacionistas e defensores do designer inteligente maquiar para descaracterizar as afirmações cientificas e mascar a criação com ciência, tentando mostrar confiança em suas alegações. Sendo assim, nenhuma dessas alegações são realmente filosóficas ou científicas, são meramente proselitistas e por vezes fundamentalistas. Se olhado com atenção, sob um olhar filosófico crítico o argumento cosmológico fornece muito mais subsídios a um pensamento ateísta do que propriamente teísta.

Saiba mais em: AUSÊNCIA DE INTENCIONALIDADE E IMPERFEIÇÕES DESESTABILIZAM O CRIACIONISMO E FAVORECEM O VERDADEIRO DESIGNER ou ainda UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA SOBRE A FINALIDADE, OU SUA FALTA NA COMPOSIÇÃO DO UNIVERSO.

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Scritto da Rossetti

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Referências

* Craig, William Lane (1999). A Swift and Simple Refutation of the Kalam Cosmological Argument?  Religious Studies 35 (1999): 57-72. Página visitada em 7 de novembro de 2010.
* Craig, William Lane. The New Atheism and Five Arguments for God (em inglês). Reasonable Faith. Página visitada em 24 de abril de 2010.
* Refutação do Argumento cosmológico. Ernesto von Ruckert.
* Walter Isaacson. Einstein. Sua vida, seu universo. Editora Companhia das Letras. 2007
* Quentin Smith. Argumentos Cosmológicos Kalam a Favor do Ateísmo.
* Leonard Mlodinow. O andar do Bêbado. Editora Zahar. 2011.
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22 thoughts on “A FILOSOFIA BARATA POR DE TRÁS DO ARGUMENTO COSMOLÓGICO E OUTROS ARGUMENTOS CRIACIONISTAS.

  1. Ciência no sentido experimental, acho que é isso que discutimos aqui desde sempre. Como acervo a filosofia é parte do conhecimento da humanidade mas não é ciência no sentido experimental. Se vc chamar de conhecimento da humanidade, estará dando um sentido de gnose ou de conhecimento, filosofia é amor ao conhecimento. Portanto não é ciência, e saber distinguir isso é fundamental para não misturar conceitos fundamentais.
    Precisa fazer essa distinção sim Ariovaldo, embora haja uma relação de correspondência entre filosofia e ciência, não são a mesma coisa não. De fato, ciência é um mecanismo que deriva da filosofia mas não são mais a mesma coisa pela metodologia que usam para produzir conhecimento. Veja o caso de Platão e Aristoteles. Platão por ser um filosofo da metafisica dentre tantas outras coisas foi extremamente bem adaptado ao cristianismo por Agostinho….Aristoteles apesar de ser filosofo foi alguém que produziu experimentação nos moldes científicos. Suas alegações naturalistas foram bastante difíceis de se encaixar com a doutrina cristã na idade média. Alias, só foi encaixada porque foi toda distorcida.
    Desta forma há filosofia da ciência, filosofia da metafisica que estuda os dogmas de religiões, filosofia epistemológica e assim por diante, somente correspondendia ou intercambio de informacão, porque tem metodologias distintas de produzir conhecimento. Assim como filosofia e religião são coisas distintas.
    A questão das causa é uma questão básica Ariovaldo, nenhum ser é causa de si mesmo, embora eventos tenham causas. Agora o que Kalam diz sobre causa é muito mais do que a simples motivação para algo surgir. Acho que o texto trata da causa no sentido aristotélico em que o conceito é dito. De fato, a “causa” seria a explicação de como algo surgiria e não a origem em si.
    O que discuto aqui não é um posicionamento de torcida organizada e não creio que seja sexo dos anjos. De fato, o que esta em discussão é a filosofia por trás das alegações de existência de Deus sendo elas tendenciosas ao cristianismo. A filosofia deve discutir sim a existência de Deus sem tendencias sem bandeiras, sem rótulos, talvez como fez Espinosa, ou seja em um abordagem nova porem não proselitista. Não tem nada a ver com Dawkins.
    Confundir esses conceito é exatamente o que fazem os criacionistas. Defendo que questões elementares a respeito de Deus não foram respondidas e sim abandonadas pela filosofia barata do proselitismo, alias, para o proselitismo. Há um Deus? A alma é eterna? Do que tudo é feito são perguntas básicas ainda não respondidas. Questões estas, que não foram mais discutidas com integridade depois de Agostinho e que é de fato um fantasma que permeia a certeza humana a respeito de Deus, especialmente o deus cristão. O Deus cristão esta morto!
    Não é uma filosofia ateísta o que proponho, o que mostro é que este conjunto de de argumentos do texto surgem após Agostinho, e vem não como argumentos filosóficas mas sim proselitistas. Quais argumentos temos de fato em relação a existência de um Deus ou Deuses na formação de tudo?
    Portanto, o resumo da obra não é provar que Deus não existe, mas propor que a busca por Deus, pela sua existência seja feita de modo neutro, e precisa ser feita mesmo que eu não acredite em Deus. Se não procurar a Deus talvez nunca encontremos. Busquemos a Deus!!!

  2. Não estou definindo ciência para mim, estou mostrando como ciência e filosofia se definem para a comunidade acadêmica. Nenhum filosofo vai dizer que é cientista. Não sou eu quem define o limite de um ou de outro, é a própria forma de construir conhecimento. Vc esta pondo tudo num saco de gatos e chamando tudo de doutrina. O que define um conceito é a forma com que ele funciona e não o que eu acho que é. Por isso ha uma diferença clara entre ciencia, religiao, filosofia, arte, senso-comum e etc

    Nem tudo no mundo é doutrina, o fato de eu não acreditar em Deus não significa que a inexistência de Deus seja um fato. Até eu estou aberto a ideia de que uma entidade divina ou criadora possa existir. Deus não é objeto da ciência porque não é perceptível a metodologia dela. A metodologia filosófica certamente esta aberta a isto, mas da mesma forma que filosoficamente há argumentos para sua existência há para sua não existência. É uma questão de posicionamento pessoal e não doutrinário. Quem faz disto uma doutrina é quem escolhe este caminho. Contesto a existência de Deus sob a perspectiva filosófica, mesmo porque a ciência não prova que Deus existe ou não. Ciência e religião são magistérios não interferentes e aqui cabe a critica a Dawkins e aos criacionistas (quando Dawkins tenta promover o ateísmo usando ciência [o que é errado] e quando os criacionistas tentam fazer das revelações divinas uma ciência)
    Não tenho uma concepção de Deus, nenhuma das apresentadas até agora são realmente convincentes, essencialmente porque a maioria delas surge com base no cristianismo agostiniano. Talvez algumas sejam genuínas como a de Bento Spinosa ou a concepção de deus por George Berkeley mas nenhuma é integra a tal ponto de explicar porque tudo existe ao invés do nada, ou se a alma existe, pelo fato de que a concepção que se tem é vaga…não há uma separação de fatos e especulações, nem mesmo consenso do que é Deus, universalmente falando. Quem não garante que tudo é resultado de um conjunto de deuses? ou que Deus não exista e que seja meramente uma força motriz para existência de algo, ou que o Deus de Einstein é o mais coerente, ou que tudo sempre existir ad infinitum? ou que o deus correto é o monstro do spaguetti em um reductio ad absurdum rsrsrss. São questões básicas que atá mesmo a filosofia abandonou por causa de agostinho.
    São especulações, nada do que eu, vc ou um sacerdote disser aqui sobre Deus vai caracteriza-lo, cientifica ou filosoficamente…,apenas teologicamente e sob uma alegação proselitista. Falta quem possa explicar Deus sem uma queda por uma religião especifica. Um Deus sem proselitismo.
    Não há um Deus meu para ser contestado, se quer temos ideia de que haja um deus, ou esses elementos sobrenaturais do espiritismo, da igreja cristã, hindu ou Pachamama dos incas. São explicações místicas e por assim ser, acredita quem quer, ou quem tem fé. Agora, quem faz disso uma doutrina, um roteiro absoluto de vida para atribuir valor e sentido a ela é um pobre coitado, afinal, do que adianta basear sua vida em olhos fechados para a possibilidade de algo não existir?
    Cada um é cada um, minha liberdade de escolha permanece aberta, a aceitação ou rejeição de verdades cientificas, religiosas ou filosóficas. Acompanho as coisas na forma com que elas se desenrolam, se alguém conseguir demonstrar que Deus existe ou desconstruir a evolução, estamos ai para dobrar os joelhos para ele e assumir o erro, posso fazer o que?…errei em minha colocações. Estar errado pode ser um privilégio e a certeza um erro absoluto!!!! Como dizia David Hume “Em nossos raciocínios a respeito dos fatos, existem todos os graus imagináveis de certeza. Um homem sábio, portanto, ajusta sua crença á evidência”

  3. Obrigado pelas palavras, mas tenho interesse sim em saber o que é Deus. E acho que o termo é este; o que é Deus e não quem é Deus. e ainda re-afirmo, se Deus existe, realmente não sei o que é, e digo ainda mais, talvez nenhuma dessas interpretações religiosas ou físicas de Deus se aproximariam do que ele poderia ser. Sendo uma realidade mítica ou mistica, ou ainda física…nada se aproximaria pelo grau de bizarrice que deve ele ser.

    Bom, a entropia tende a aumentar, essa é a primeira coisa. Se pegarmos uma biblioteca sem um bibliotecário a tendencia é que com o uso dos livros pelas pessoas a entropia aumente, ou seja, os livros tendem a ficar bagunçados cada vez mais até virar uma zona total. Portanto, o bibliotecário faz exatamente o trabalho dele, organizar o livro para manter a coisa sempre certa.
    A mesma coisa com as coisas materiais do mundo, tendem a degradar, a vida tende a terminar, os materiais ferrosos tendem a oxidar, o sistema solar tende a desaparecer um dia e assim por diante, o gelo tende a derreter.
    Uma vez destruído acabou. Morrermos, não temos como voltar ao que eramos, o ferro oxidado não volta a ser a mesma barra de ferro, o sistema solar destruído não volta a ser o mesmo sistema solar, e o gelo derretido não volta a ser gelo. Para produzir gelo ou manter a integridade do cubo de gelo, ou mesmo da vida usa-se energia. Uma geladeira precisa consumir energia para manter o gelo como é, a vida precisa de energia para se manter, especificamente energia química…mas sempre, a entropia vence, o estado de degradação vence. O que talvez mantenha essas coisas integras ou existente por um período de tempo na historia da existência seja a energia que foi usada para manter o gelo ou a vida existindo.
    Alguns interpretam essa energia como sendo Deus, eu particularmente vejo esta energia como aquela com propriedades físicas de um sistema fechado ou no caso da terra, um sistema aberto, que sofre influencia do que esta ao redor.
    Parece estranho achar que em um universo que tende a entropia, existir elementos que são organizados, eu entendo essa discordância que as pessoas tem, mas o resultado é sempre o mesmo, a morte, a destruição, a degradação.
    Mesma um ser vivo constituído de trilhões de células no final sempre morre, mesmo animais com altos graus de especialização dentro da cadeia evolutiva e esta gerando seres complexos (ou não, porque não é regra evolutiva criar complexidade) a morte sempre ocorre, mesmo seres que biologicamente seriam “imortais” porque se duplicam e teoricamente não morrem, mas individualmente morrem e sua duplicação da continuidade ao processo, que também morrerá. especies entram em extinção, é sempre assim e sempre será. Não fugimos da entropia do universo, por isso acho uma incoerência das pessoas dizer que no futuro a humanidade vai ser imortal. Besteira, ninguém foge de algo assim, é como acreditar que é possível viver eternamente tapando a respiração e que nunca mais vai destapar o nariz para respirar.
    A aparente complexidade que vemos em todos os níveis do universo, desde a formação da vida, até moléculas complexas sempre acabam entrando em entropia, são destruídas. Assim como um dia a vida vai desaparecer do universo, e talvez não haja sentido para ela existir, a menos que nós como seres conscientes imponhamos tais sentidos e objetivos. Propositadamente por Deus, não, é uma questão teleológica que talvez nós devemos impor a nós mesmos. Se a nossa intenção é ter filhos e constituir família, ou ser feliz, ou fazer o bem, pregar a palavra ou estudar o mundo ao nosso redor é um objetivo teleológico que nós criamos a n;os mesmo e não uma dádiva divina.

    Espero que tenha entendido sua pergunta!!!

  4. Não há inteligencia por trás da natureza. Porque deveria ter? Porque fazemos coisas de forma consciente o universo deveria ser fruto de algo consciente?
    A natureza faz coisas que o homem não pode fazer e o homem faz coisas que a natureza jamais fez, isso é evidencia de inteligencia suprema. Pode ser que a natureza nunca faça coisas que o homem vai fazer ou controlar e que o homem jamais faça coisas que a natureza sabe fazer, evidencia de não existência de inteligencia suprema. Não acho que seja por ai. A questão da inteligencia ou da criação consciente para cumprir um propósito é a nossa e projetamos a alguém acima de nós por ser incompreensível o fato de estarmos aqui, do universo ser assim e etc e tal. O único ser que cria coisas com intenção é o homem, porque tem consciência. Se o universo é criaçao de alguem inteligente como nós (porem evoluído) deve ser externo ao universo. E o que é o externo? como o externo afeta o interno? Como o santo, ou especial, o kadoshi, ou altíssimo nos afeta cotidianamente? o que há lá? Quem o criou já que nenhum ser pode ser a razão existencial de si mesmo? Se uma concepção naturalista como a evolução já é difícil de se entender ou mesmo de se acreditar (embora a ideia seja simples) como vc mesmo tem dificuldade de aceitar, entao como faria para compreender ou aceitar algo externo, sobrenatural, eterno, atemporal, supremo? O que significa ser superior, criador? Ontologia funciona para provar tanto que deus existe quanto o papai noel, saci, leprechauns, shiva e monstro do spaguetti . Basta pensar nele com superioridade e temor!!!!

    Voce esta fazendo a pergunta errada “Se não foi Deus e muito menos o “nada” que fez a natureza como conhecemos e vemos, QUEM FOI?” porque tem de ser quem? Não acho que haja alguém por trás, eu apostaria minhas fichas na ideia de que não é preciso algo ou alguém por trás da existência. Alias, quem dita a finalidade para que as coisas ocorrem é o homem, inclusive a sua vida, como dizia Jean-Paul Sartre. A origem do universo ou de tudo do ponto de vista da física esta explicada no vídeo do texto acima, é uma explicação cientifica que pode ou não estar certa. Se estiver errada procuremos outra ou deixamos a questão em aberto. Agora, se não sabemos a origem das coisas e ai atribuímos isso a uma inteligencia acima da gente é mais fácil dizer que não sabemos do que responder um mistério com outro.

    A morte é o cessar da atividade biológica de um ser vivo em diversos níveis, especialmente celular, já que a célula é a unidade básica e estrutural da vida.

    Faço das palavras de nietzsche as minhas; Gott ist tot

    Abraço!!!

  5. Se as opções são essas, ver o mundo por instrumentos ou não ver e acreditar numa intuição cega eu prefiro um jiló bem cozinhando com os instrumentos da ciência.
    Sem mais…abraço!!!

  6. A tática dos religiosos: disfarçar-se em ciência, para confundir a própria ciência. Deus criação humana, profundamente humana, sem uma evidencia qualquer, desejando competir com a materialidade. Qual Deus criou o mundo? O dos cristãos, islâmicos, dos indianos, chineses, dos africanos, indios brasileiros? Claro que Arivaldo defende o duende imaginário pelo qual foi ensinado desde criança a acreditar. E interessante: ele acredita na santa alienação a qual sempre foi submetido, de que seria mais inteligente acreditar na criação do mundo por um ser superior, no caso o Deus criado pela tradição judaica. Entre um acaso que ele produz a um Deus que também ele produz, ele opta pela produção Deus como a mais evidente. Qual evidencia aqui? A crença dele? Por favor, o dia que o duendinho aparecer por aí dando por certo ser o autor da materia, chama-me para que eu possa verificar. Criaram um ser imaginario, fizeram teologia em anos sobre esse duende e brigam por um conceito cuja realidade é impossível verificar. Deus que é apenas um conceito é nada mais que expressão da vontade dos religiosos. Sinceramente, não sei como Rosseti permaneceu tanto tempo discutindo por causa de um conceito, apenas por causa de algo inventado sem nenhuma evidencia.

    • O Ariovaldo não conseguiu suportar quando se chocou com a realidade dura e fria da ciência. E então o que ele fez? Ora, ele fez aquilo que os seres fazem quando se encontram a beira da extinção, ele mudou (evoluiu). Abandonou as religiões e o próprio bom senso (a ciência), para criar a sua própria religião, fundamentadas no vazio.

  7. A entropia tende a aumentar somente em um sistema fechado, localmente ela pode diminuir. A Terra e até mesmo o sistema Solar são sistemas abertos, recebendo energia e dispersando a mesma pelo universo. Portanto a evolução não contraria as leis da termodinâmica, pelo detalhe de não acontecer em um sistema fechado.
    A questão do universo é semelhante, pois na singularidade do big bang a entropia era infinitamente grande e o espaço infinitamente pequeno, ao longo dos bilhões de anos esse quadro foi “invertendo-se”, o espaço foi crescendo e a entropia foi “ilhando-se” dando espaço para a ordem surgir, o efeito disso foi a condensação da matéria e seu resfriamento. Perceba que a quantidade de entropia continua a mesma de antes, ela era infinitamente grande para o diminuto espaço em que estava confinada.

  8. Me desculpe, mas fiquei deslumbrado com a sua ignorância (no bom sentido). O fato de os seres humanos passarem o seu conhecimento para as gerações futuras é justamente o que nos diferencia dos outros animais. É por isso que as sociedades não morrem, a matéria morre mais o conhecimento a pessoa passa adiante.

  9. É assim que a ciência funciona, “ela pode parecer primitiva e infantil se comparada ao universo, mas é a coisa mais preciosa que temos” (Albert Einstein). Quais leis que conhecemos contraria as teorias do big bang? Você está de brincadeira comigo? Você acha que isso é brincadeira? Você acha que algum cientista iria deixar seu par ganhar um Prêmio Nobel assim de graça? Você acha que um esse mesmo par não enxergaria uma falha grosseira como essa que você pobre leigo está sugerindo? A ciência é como o capitalismo, todos os cientistas vão fazer de tudo para ganhar algum crédito, calma!, ao mesmo tempo os colegas cientistas de quem fez a descoberta vão fazer de tudo para que aquele que fez a descoberta esteja errado. Se algo é publicado, se algum cientista ganha um prêmio Nobel é porque todos concordam com ele.

  10. Temos maneiras de medir a gravidade e a temperatura, espíritos ou almas não.
    Você sabe o que significa a palavra espiritual?
    Inteligência incompetente essa não é?
    A inteligência no universo é desnecessária, não é só porque você não sabe a resposta que você tem que desistir assim tão fácil, meu caro.
    Acreditar é inerente ao ser humano, simples assim.
    Não é assim que um cientista vê uma nuvem, um cientista nunca se preocuparia com o formato de uma nuvem (a não ser para classifica-la), ele se preocuparia em como ela se forma, por que ela se forma e de que é feita.
    A melhora da sociedade está ligada intima e unicamente ao bom senso, apenas. Aliás a ciência não passa disso: do bom senso exercitado e organizado.
    Cara, você parar de usar entorpecentes pesados.

  11. Você tem que entender que ninguém está dizendo que o universo não tem uma causa ou um criador, a questão está em aberto (justamente porque não é objeto de estudo da ciência). O que estamos dizendo é que tudo isso (o Criador e a teleologia) até agora se mostrou desnecessária.
    A ciência não coloca a carroça na frente dos bois.

  12. Achei muito interessante suas opiniões Rosseti.Eu sempre gostei de ler sobre essa questão, quando se mantém o nível, claro.
    Bem eu creio em Deus, e tenho uma visão muito particular sobre o assunto é já tive discussões homéricas com criacionistas, pois eles tem uma visão literal das escrituras. Acredito que se eu criar alguma coisa, por maior que ela seja, essa criação estará contida no universo ao qual pertenço, mas ela poderia ser completamente independente do meu universo. A grosso modo e simplista é assim que vejo Deus. Por isso o universo criado tem suas próprias leis e princípios para poder existir e eles estão restritos a ele mesmo. Por isso eu particularmente acho que perguntar quem criou Deus não é válido, porque colocaria ele no mesmo universo criado, mas ele está fora desse universo, ele pertence a sua própria existência e que a princípio é eterno, que não tem início ou fim. Acredito que nossa idéia de Deus está mais longe do que o número 1 do infinito. Tem um trecho nas escrituras que diz que o homem não conhecerá Deus por meio da ciência, eu entendo isso como que cientificamente não se poderá provar sua existência,mas que a ciência é uma ferramenta válida para conhecimento do nosso próprio universo.
    O problema que vejo é o homem mistificar Deus e coloca-lo nos nossos próprios ideais e pensamentos de perfeição. Um exemplo foi quando Galileu ao apontar o telescópio para lua os reliosos da igreja se recusaram a ver porque para eles Deus é perfeito e sua criação também portanto eles viam a lua como uma esfera perfeita, não admitiam a idéia de imperfeições na face da lua,como crateras e montanhas.
    Acredito que todo esse esforço de querer provar que ele não existe ou que existe é inútil, mas divertido. Quem já viu a série Cosmos de Carl Sagan no segundo capítulo, tem o “ano cósmico” onde ele condensa a existência em um ano do calendário, sendo que o Big bang seria no dia 1′ de janeiro. Nós apareceriamos somente no final de dezembro, e nossa civilização como alguns minutos. Por isso não somos nada, mas que também somos o resultado de todo esse trabalho de bilhões de anos. Uma ilustração que também achei muito interessante que tem na série, mas está mais detalhada no livro. É a idéia das dimensões, imaginando que figuras bidimensionais pudessem ter vida e por serem bi dimensionas não tem a mais remota idéia da existência de uma terceira dimensão, e quando uma figura de três dimensões interage é um reboliço. Mas claro isso são conjecturas, e não se pode obviamente aceitar como verdade absoluta. Portanto permanece a fé, a única coisa não material que une o homem a Deus. Todo o resto está entregue a vaidade. Em uma parte também tem essa expressão :”o universo se tornou inútil não por sua vontade,mas por causa do que o sujeitou”
    Nessa minha idéia de Deus em um universo atemporal e alheio as nossas leis, para ele o tempo não existe o tempo é uma realidade nossa, eu me atrevo a dizer que pra Deus tudo, absolutamente tudo está exposto a sua frente, o passado o presente e o futuro e todas as mais provaveis possibilidades possíveis de nossas decisões ou heventos possíveis de acontecer sobre o universo. Tudo está claro e patente em sua frente, mas nós é que vamos escolher o caminho que iremos seguir. Mas claro que como criador ele tem o poder de fazer o que bem entender sobre sua criaçã. Eu acho que ele curtiu muito os dinossauros,porque eles existiram por 65 milhões de anos e nós não chegamos a 1 milhão ainda.
    Essas idéias são loucas? Dá uma olhadinha na física quântica, quer mais louco que aquilo kkkk, os cientistas não entendem, mas sabem que é assim que funciona.

  13. Gostaria de colocar mais um pensamento que me intriga.
    Imaginem que poderíamos viajar pra qualquer lugar que sonhamos, Paris NY, Havai, etc, com tudo pago por um mês, que maravilha não é? Mas tem uma condição, quando vc voltasse da viagem vc esqueceria completamente que teria feito a tal viagem. Acham que vale a pena? Nós somos fruto de nossas lembranças, Bladerunner já mostrava isso kkkkk.
    Se nós morremos e tudo acaba é como se estivéssemos nessa viagem, uma inutilidade tremenda. Eu me esforço em imaginar de como usufruir dessa viagem que eu fiz mas que nunca fiz.

    • Esta se queixando de não lembrar algo que nunca fez?
      A utilidade a nossa vida quem dá somos nós. Se por um lado parece que a vida só se torna útil quando é lembrada, por outro lado achar que merece uma segunda vida pode parecer egoísmo.
      Se a vida eterna é melhor que a vida que vivemos aqui e agora…suspeito que o cristão deveria torcer frenética e cotidianamente para morrer o mais rápido possível para poder viver neste lugar maravilhoso que é o seio de abraão.
      Saggiattore, uma vida bem vivida vale mais do que qualquer crença de uma outra vida eterna.
      A vida só tem significado quando vc sabe que um dia ela acaba!!!

      • Desculpe meu amigo, mas acho que tu não entendeu, tudo o que fazemos só tem sentido pela memoria que temos deste feito. Se voce tem desejo de jogar uma boa pelada com os amigos, logo depois tudo é passado tu sao só lembranças, um segundo depois que tu leu isso é passado, seja um segundo ou um seculo. Por mais que tu aproveite essa vida ela não te servirá de nada porque voce não viveu ela. O tempo é produto desse universo, e nós somos sujeitos a esse tempo. Pra mim, Deus é criador desse universo, e por ele ser alheio a esse universo ele não está sujeito ao tempo. E por ter o tempo como regente desse universo, por mais que viva bem vivida essa vida voce nunca vai saber, se tudo acaba na morte. Sabemos que conceito de eternidade é algo que nunca tem fim,por isso ser eterno é ter conciencia eterna. E esse universo é tão gigantesco pra nos que se poderia ser eterno, mesmo atingissimos a mais alta tecnologia, teríamos quase q sermos eternos para desfrutarmos dele. Independente de prova ou não, acho um tremendo disperdicio tudo isso para fraçoes de sgundos de memoria.
        Bem, já que citou Abraão, me permita citar algo que li:”o universo foi entregue a vaidade (se tornou inútil)não por sua vontade, mas por causa de quem o sujeitou”
        Voce só é voce por causa de suas memorias.

      • ” Por mais que tu aproveite essa vida ela não te servirá de nada porque voce não viveu ela. ”

        Bom, ela é a unica que tenho certeza que posso viver. Acho que já é motivo suficiente para vive-la intensamente sem esperar outras, afinal, não vejo porque deveríamos ter outra vida. Seria egoísmo de minha parte achar que merecemos algo a mais.
        Acho que temos concepções distintas.
        Se eu ainda fosse cristão e acreditasse numa vida de felicidade absoluta em outro plano, acho que o mais coerente seria desejar diariamente a morte para viver logo no seio de abrãao!!
        Mas como só tenho esta para viver, é ela que vou aproveitar da melhor maneira possivel, afinal, que certeza tenho de que há outra?
        Nenhuma, não é porque um livro escrito a 3 mil anos atras por pastores e beduínos me disse isso que acreditarei.
        Se isso te faz bem Saggiattor…e se o sentido da sua vida é esperar uma outra vida em outro plano, siga em frente e boa sorte, só é uma pena porque acho que sua vida sera mal vivida. Mas a vida é sua, faça o que quiser com ela. Deseje a morte diariamente.
        A minha é única e precisa ser intensamente aproveitada.

        Abraço Saggiattor!!!

      • resposta para o “saggiattore ”

        Cara você é uma cegonha cega!!! O propósito da vida, é a vida.

        Só uma dica!!! Uma pessoa que nasce com cegueira, não sonha com imagens..

        Teu ser imaginário só dá este “dom” para pessoas que pelo menos enxergaram por um período em vida.. kkkk

        Sou ateu sem paciência com #Crentelhos fervorosos como você… então toma..
        Para religiosos otários como você: Teu ser imaginário só existe na tua cabeça e morre contigo, mas você é livre como uma cegonha cega para fazer tuas escolhas. Tudo tem um fim, o Sol, a Terra e até tua tremenda ignorância!

  14. Olha, a palavra “nada” significa ausência de qualquer propriedade. Outro ramo do saber pode até resignificar a palavra, mas só faz adiar o problema. Por exemplo : supondo que “nada ” na física é simplesmente flutuações quânticas, a pergunta ainda seria: qual a causa ou como surgiu essas flutuações quânticas? Isso demonstra um problema sério de lógia LNC.

    Sds,

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