AO MENOS 5 ESPÉCIES DE MARIPOSA ESTÃO AMEAÇADAS NA GRÃ-BRETANHA. (Comentado)

Outras três foram extintas na última década, segundo relatório. Perda de habitat e diminuição de áreas rurais afeta animais, afirma ONG.

Um relatório divulgado pela ONG Butterfly Conservation na sexta-feira (1º) aponta a diminuição das populações de várias espécies de mariposas na Grã-Bretanha nos últimos anos, inclusive com extinções ocorrendo ao longo da última década.

Pelo menos cinco espécies de mariposa – a Macaria wauaria, a Euxoa nigricans, a Tholera cespitis, a Ennomos fuscantaria e a Graphiphora augur – tiveram perdas de 97% ou mais nas populações entre 1968 e 2007 no país. Para a Butterfly Conservation, elas estão ameaçadas de extinção na Grã-Bretanha.

Mariposas como a 'Ourapteryx sambucaria', encontrada na Grã-Bretanha, tiveram redução de 60% no número de indivíduos nos últimos 40 anos, diz relatório (Foto; Divulgação,Butterfly Conservation)

Mariposas como a ‘Ourapteryx sambucaria’, encontrada na Grã-Bretanha, tiveram redução de 60% no número de indivíduos nos últimos 40 anos, diz relatório (Foto; Divulgação,Butterfly Conservation)

Outras espécies, como a Ourapterys sambucaria, tiveram redução de 60% da população em 40 anos, segundo o relatório.

Três espécies de mariposa – a Jodia croceago, a Heliophobus reticulata e a Oria musculosa – foram extintas na Grã-Bretanha desde o início da década, diz o documento, intitulado “Condições das Grandes Mariposas Britânicas em 2013”.

Em todo o século 20, foram 62 espécies de mariposas extintas na Grã-Bretanha, segundo a ONG. A perda de habitat e a diminuição de áreas rurais, cada vez mais urbanizadas e sendo substituídas por cidades, são os principais fatores para o declínio das populações, de acordo com o documento.

Pelo menos 66% das maiores espécies de mariposas, mais comuns em várias regiões britânicas, sofreram diminuição e estão mais vulneráveis do que há 40 anos, diz o estudo.

No mesmo intervalo de tempo, ao menos 37% das espécies de mariposas britânicas tiveram reduções de mais da metade de sua população. As mariposas são um “indicador” da qualidade ambiental de uma determinada região e têm papel na cadeia alimentar em áreas de mata na Grã-Bretanha, segundo a ONG.

A diminuição das populações pode afetar a polinização das plantas e causar uma redução em populações de animais silvestres, como pássaros, pequenos mamíferos e morcegos que se alimentam delas, afirma a Butterfly Conservation.

Mariposa da espécie 'Smerinthus ocellata', encontrada na Grã-Bretanha (Foto; Divulgação,Butterfly Conservation)

Mariposa da espécie ‘Smerinthus ocellata’, encontrada na Grã-Bretanha (Foto; Divulgação,Butterfly Conservation)

Fonte: G1

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Comentários do autor

Dois terços das 337 espécies de mariposas britânicas têm passado um declínio substancial nas últimas quatro décadas. A mariposa Marcaria wauaria que era bastante comum em jardins, registrou uma queda de 99% de 1968 a 2007. A perda de habitat e agricultura são os elementos chaves por trás de tanto declínio. Os resultados foram produzido pelo Butterfly Conservation e Rothamsted Research. Da mesma forma com que algumas espécies sofrem declínio em diversidade e populacional outras apresentaram um aumento significativo como pode ser visto na tabela ao lado.

Perdas e ganhos

A Butterfly conservation é uma ONG e uma entidade que produz grandes conhecimentos científicos a respeito de borboletas e mariposas do Reino Unido. É bastante conhecida por lepidopterologistas, inclusive brasileiros.

Esse relatório da Butterfly conservation não inclui somente as mariposas, mas também uma redução considerável em um grande número de espécies de outros grupos de animais, particularmente borboletas.

No geral, quatro décadas de dados mostraram que a abundância total de mariposas grandes diminuiu 28%. A mariposa Marcaria wauaria agora se restringe a poucas áreas. Suas lagartas se alimentam de folhas de groselha e apesar de não saber por que a espécie tem diminuído, especula-se que seu declínio pode estar associado aos hábitos de jardinagem.

Pode ser que as pessoas tenham colocado menos pés de groselhas em seus jardins, ou que o uso de pesticidas tenha aumentado muito mais do que no passado.

Teoricamente não deveria haver nenhuma evidência para o declínio, mas os estudos constataram que a perda de habitat pode estar diminuindo as fontes de alimento. A intensificação da agricultura retirou árvores, margens de campo onde teria havido flores silvestres crescendo. Apesar de não ter uma base de dados anterior ao período da agricultura na Grã-Bretanha, há diversos estudos que têm mostrado que nas fazendas onde haviam árvores hospedeiras e grandes margens do campo havia grande variedade de mariposas. O estudo também identificou alterações da gestão florestal e urbanização como mecanismos de declínio em mariposas.

Embora os resultados revelem um declínio generalizado em geral, cerca de um terço das espécies mostraram um aumento populacional.

Algumas lagartas de mariposa se alimentam de liquens e algas. De fato, a solução mais coerente parece estar ligada a qualidade do ar que foi muito reduzida durante a época de chuva ácida e poluição do ar no Reino Unido. Se houver melhoria de qualidade do ar, os liquens sobrevivem e consequentemente as lagartas de mariposas também. Temos também de ter um ambiente cada vez mais rico em nitrogênio que pode ser benéfico para as algas.

Mais de 2.500 espécies de mariposas foram registradas na Inglaterra, País de Gales e Escócia, dos quais cerca de 900 são descritas como as mariposas de grandes dimensões chamadas de macromariposas e 1.600 microlepidopteras.

Eles acrescentaram que o declínio geral apontou para uma crise mais ampla a biodiversidade de insetos, como quedas de borboletas, abelhas e besouros carabídeos.

Em uma visão sistêmica, as quedas populacionais e de diversidade poderiam ter um efeito na polinização de plantas e animais dependentes de mariposas para se alimentar, como pássaros silvestres, morcegos e pequenos mamíferos.

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Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Lepidóptera, Mariposas, Reino Unido, Ecologia.

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Referências.

Moths Suffer 40-Year Crash. 1 February 2013.

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