O HOMEM DA O VERDADEIRO PROPÓSITO A SI.

A existência precede a essência. 

Jean-Paul Sartre

Jean-Paul Sartre

Jean-Paul Sartre foi um filósofo existencialista que nasceu na França, suas obras influenciaram grandes revoluções intelectuais, especialmente em 1968. Ganhou o Prêmio Nobel e a Medalha da Legião de Honra, embora tenha recusado tal reconhecimento alegando que tal reconhecimento alienaria sua liberdade de escrever e o tornaria uma instituição.

Como existencialista, Sartre seguia a corrente filosófica segundo a qual as nossas ideias são produtos de nossas experiências na vida real, sendo que a existência precede a essência e o homem é livre para projetar sua vida.

Discorrendo sobre essa característica existencialista do propósito que damos a vida, da liberdade e do otimismo que ela oferece, ao assumir a responsabilidade pelo impacto de nossas ações sobre os outros foi que Sartre justificou seu ateísmo. Ele deu uma cartada final á concepção de projeção inteligente do universo, ou seja, desmontou a ideia de que a essência de um universo feita pro Deus precedeu a criação.

Ao caracterizar o homem, Sartre faz uma digressão interessante na questão da essência e existência do homem e consequentemente do universo.

Sartre mostrou que as abordagens feitas na questão da natureza humana sempre foram feita de maneira equivocada. De fato, a analogia usada pelos grupos religiosos para explicar a existência da vida e de um universo segundo uma concepção divina limitam a humanidade como resultado da mente humana, como sendo essência divina e existência concebida a partir dela. Essa deficiência teológica (ou teleológica) é desmontada por Sartre. A grande maioria dos líderes religioso fazem esta abordagem respaldando suas convicções de propósito na vida ou no universo criado com uma finalidade específica (no caso especifico do Brasil, o cristianismo, pela sua história cultural e colonial). Sartre criticou sabiamente esta concepção viciada e descreveu que a analogia por si só é deficiente.

Sartre afirma que para o homem a existência precede a essência. Enquanto as raízes do pensamento religioso afirmam que a essência precede a existência humana. Para os lideres religiosos a essência do que é o homem vem primeiro do que a existência em si. A essência para Sartre é o propósito na qual algo é criado.

Segundo o lideres religiosos, Deus concebe a ideia, ou a essência do ser humano e o cria segundo descrito em seus respectivos mitos de criação recheados de misticismo e alegorias. Portanto, o propósito do homem, a sua essência, a concepção do homem precede a existência. Esse pensamento religioso respalda-se em criticar aqueles que dizem que o propósito da humanidade não existe desta forma, porque todo propósito segue após a aceitação da existência. Segundo Sartre “primeiramente, o homem existe, se descobre, surge no mundo e só depois se define

Isso quer dizer que se o homem projeta um abridor de garrafas, a essência, função, propósito do abridor de garrafa precede a existência em si do abridor que é confeccionado segundo nossa essência dele. Sendo assim, tudo que o homem faz precede a essência bem como tudo que existe no mundo precede a existência, já que foi idealizado pelo criador. Seguindo essa linha religiosa, tudo que existe foi essência antes de existir, portanto, o homem foi projetado antes de existir.

Entretanto, a analogia é falha. Sartre quebra essa ideia ao defender que a existência precede a essência. Isso quer dizer que devemos retornar a pergunta inicial; qual é o propósito do homem? O que é ser humano?

Para Sartre não há natureza humana fixa universal porque não há Deus algum. Isso porque o homem é quem da essência a sua vida, e reconhecemos isso em vida. Justificando assim o ateísmo existencialista. Para Sartre a definição de natureza humana é a questão da finalidade, mas não a finalidade teleológica que tantos filósofos preconizaram. Então, não somos feitos para qualquer propósito e nossa existência precede a essência. Alguém poderia perguntar; então o homem não tem essência?

Óbvio que tem, mas não um propósito teleológico. Somos seres compelidos a determinar o propósito para nossas vidas. Sendo assim, nós nos definimos, e é isso caracteriza o homem. O propósito de sua vida é definido em sua existência enquanto que um abridor de garrafa não pode definir o seu propósito. De fato, um abridor de garrafa foi desenhadontes de existir definitivamente, mas o fato dele ter sido projetado para tal não implica que tudo seja desta forma. Como seres que criam propósitos, tendemos a pressupor que tudo deve ter um propósito a como uma projeção de si para tudo no universo. Mas o homem não tem propósito, (exceto até estabelecer isso a si mesmo) senão o propósito pré-concebido nos regraria, tiraria nossa liberdade de escolha, nosso livre arbítrio. Assim, a finalidade na questão do universo é uma criação humana, nada é criado para nos servir, não há intenções divinas nobres nos eventos de nossa vida. Somos o verdadeiro proposito de nós mesmo. Sartre dizia que “Existir é assumir o seu ser, ser responsável por ele em vez de recebe-lo de fora como faz uma pedra

Ser, vir a existir, permite ao homem estabelecer qual o sentido de sua vida que por sua vez caracteriza o ser humano já que nenhum objeto criado tem liberdade ou capacidade de se auto-reconhecer e criar seus propósitos. Universo não pode ser concebido, ele simplesmente existe, o homem simplesmente existe e sua essência é fruto da sua vida enquanto tudo que ele cria, a essência precede a existência. Assim sendo, a afirmação de que já que tudo foi concebido segundo a essência humana, inteligente, desenhada não implica em dizer que tudo seja desta forma, pois o propósito nem sempre depende de um desenhista, mas sim do ser em questão, o homem! O homem é o verdadeiro criador, o único designer inteligente.

Leia mais em:  UM OLHAR COMPARATIVO ENTRE FILOSOFIA, RELIGIÃO E CIÊNCIA SOB A PERSPECTIVA DA COMPOSIÇÃO DO UNIVERSOA FILOSOFIA BARATA POR DE TRÁS DO ARGUMENTO COSMOLÓGICO E OUTROS ARGUMENTOS CRIACIONISTAS e UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA SOBRE A FINALIDADE, OU SUA FALTA NA COMPOSIÇÃO DO UNIVERSO

Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Jean-Paul Sartre, Existencialismo, Essência, Ser humano, Filosofia, Universo, Propósito, Finalidade, Função.

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Referências.

* JEAN PAUL SARTRE. ESBOÇO PARA UMA TEORIA DAS EMOÇÕES. L&PM POCKET 2009.
* O livro da Filosofia. A existência precede a essência. Editora Globo livros. 2011.
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One thought on “O HOMEM DA O VERDADEIRO PROPÓSITO A SI.

  1. Claro que são metodologias diferentes. O fato de ser uma criação do homem não significa que sejam inúteis, podem ser erradas, mas mesmo o erro é útil!!! Sem elas, sem os senso-comum, sem a religião, sem a ciência nada ocorreria na nossa espécie, como ser dotado de cultura, fala e consciência. A religião tem sim sua metodologia que é baseada na crença de uma divindade. É uma invenção humana sim, como é a ciência, o seu espiritismo etc. Se voce exclui isso pelo simples fato de ser uma coisa humana não sei o que ta fazendo aqui escrevendo isso tudo. Afinal, tudo que vc disse, parte da sua forma de pensar. O “ritual” faz parte do conteúdo porque este é diferente meu querido. Por exemplo, como vc contestaria a ideia de que a existência do homem precede a essência? De alguma forma sua resposta carrega um conteúdo que se respalda em um desses modos de se construir conhecimento, ou seja o método, ou o que vc chama de ritual que por sinal é exatamente a introdução de uma metodologia em outra. Confundir dogma com metodologia é exatamente o tipo de coisa que nem criacionista, nem evolucionista, nem cristão faz ou tenta fazer, e vc esta fazendo!!! Tudo em um saco de gato. Não é questão de compartimentalizar o conhecimento mas definir a identidade de cada um. O que o criacionistas alegam é que a ciência com seu método pode corroborar a existência de Deus. Os cientistas dizem que a ciência é cega para Deus ou qualquer coisa sobrenatural devido a sua metodologia e ponto. Este é o debate, tudo gira em torno disto. Voce esta colocando chifre em cabeça de cavalo.
    Vc não pode oferecer uma explicação divina usando outra forma de construir este conhecimento. A explicação religiosa (chamada de dogma) é por revelação divina, a ciência o faz pela experimentação e falseamento de fenômenos naturais. São incompatíveis ponto, mesmo porque se Deus fosse comprovado cientificamente então não seria sobrenatural e sim parte da natureza intrinsica do universo. Portanto, filosoficamente sobrenatural não existe!!!
    O método não é um dogma, é a identidade do conteúdo. A discussão entre cientistas e criacionistas é útil sim, ela delimita o poder de cada magistério e como cada um trabalha em um todo. Essa discussão seria útil especialmente para voce, porque vc tem concepções extremamente ambíguas que não fazem sentido algum. O que faz sentido é dizer que todas as formas de construir conhecimento fazem parte de algo maior, os acervos da humanidade. Se não houvesse metodologia diferente não haveria diversidade de pensamento e sim doutrinação. E essa diversidade essa contradição que move a ciência, a religião a filosofia e o modo de pensar do individuo em relação ao mundo e vice e versa.

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