SEMELHANÇA GENÉTICA DE 99% COM CHIMPANZÉS ERA MITO. (Comentado)

Não sei como a Nomenklatura científica e a Grande Mídia internacional e tupiniquim vão reagir diante da confissão feita por Jon Cohen na revista Science desta semana. [1] Gente, eu quase caí para trás diante da honestidade cristalina de Cohen: esta noção amplamente divulgada na Grande Mídia internacional e tupiniquim, e por todos os nossos melhores autores de livros didáticos: a noção de que humanos e chimpanzés são 99% geneticamente idênticos é um MITO é deve ser abandonada.

Historiadores da ciência têm agora um prato cheio, oops uma linha de pesquisa interessante: desde 1975, os livros didáticos, a Grande Mídia, e, pasmem, até os museus científicos enfatizaram esta semelhança próxima. Cohen citou um bom número de cientistas afirmando que, possivelmente, o número não pode ser assim tão pequeno, e provavelmente não pode ser quantificado. Uma vez que a estatística durou mais do que a sua utilidade, este percentual deve ser descartado.

Quem deu origem a tudo isso foi Allan Wilson em 1975 com as pesquisas de substituições de bases quando os genes foram comparados lado a lado. Outras comparações, contudo, deram resultados muito diferentes, mas não teve a repercusssão devida. Os genomas de humanos e chimpanzés diferem ACENTUADAMENTE em:

1. Grandes porções de DNA ausentes

2. Extra genes

3. Número e estrutura dos cromossomos

4. Conexões alteradas nas redes de genes

5. Indels (inserções e deleções)

6. Número de cópia de gene

7. Genes coexpressados

Nesta última medição, por exemplo, uma diferença de 17.4% foi encontrada em genes expressos no córtex cerebral. Cohen chamou a atenção para uma pesquisa do PLoS One de dezembro de 2006 onde Matthew Hahn encontrou uma “enorme diferença de 6.4%” nos números de cópias de gene, levando-o a dizer que “a duplicação e a perda de gene pode ter desempenhado um papel muito maior do que a substituição de nucleotídeos na evolução dos fenótipos exclusivamente humanos e certamente um papel muito maior do que tem sido amplamente apreciado.”

Se pararmos para refletir um pouco sobre esses cálculos, até os 6.4% de Hahn induz ao erro. Se as medidas diferentes produzem tais resultados diferentes, é provavelmente impossível chegar-se a um único percentual de diferença que não descreva enganosamente a situação. Os cientistas não estão seguros quanto a priorizar as medidas a pesquisar porque “permanece uma tarefa desanimadora ligar o genótipo ao fenótipo.” Depreender as diferenças importantes é “realmente difícil”, disse um geneticista. Um pedaço de DNA que parece sem-sentido pode, na verdade, ser vital para a regulação dos genes.

…Mas, “a verdade seja dita”, Cohen inicia sua próxima frase, A INEXATIDÃO DA ESTATÍSTICA ERA CONHECIDA DESDE O INÍCIO: Mas a verdade deve ser dita, Wilson e King também perceberam que a diferença de 1% não era a história toda. Eles predisseram que deveria haver profundas diferenças fora dos genes — eles focalizaram na regulação dos genes — para dar conta das disparidades anatômicas e comportamentais entre os nossos ‘primos’ e nós. Diversas pesquisas recentes têm revelado os percentuais novamente perspicazes, levantando a questão se a BANALIDADE do 1% deve ser retirada.

“Por muitos, muitos anos, a diferença de 1% nos serviu bem porque não era devidamente considerado quão semelhantes nós éramos” disse Pascal Gagneux, zoólogo da Universidade da Califórnia em San Diego. “Agora é totalmente claro que isso é mais um impedimento ao entendimento do que uma ajuda.” Já no fim do artigo, Cohen citou Svante Paabo, que disse algo ainda mais revelador. Após admitir que ele não pensava que houvesse alguma maneira para calcular um só número, Paabo disse, “No final, é uma coisa política, social e cultural sobre como nós percebemos as nossas diferenças.”

Eu fui darwinista de carteirinha, e um artigo desses é muito perturbador. Se você for um darwinista honesto. Pense bem, aqui nós ficamos sabendo que os cientistas darwinistas enganaram DELIBERADAMENTE todo o mundo por mais de 30 anos. Preste bem atenção no que disse Gagneux: “Por muitos, muitos anos, a diferença de 1% nos serviu bem”. Cara-pálida, quem é esse “nós” em “nos serviu bem”? O “nos” ali são os cientistas que mentiram descaradamente em nome da Ciência. .. São 32 anos enganando todo o mundo, sem nenhum remorso, mas tão-somente o expediente orwelliano da Novilíngua de que uma mentira é útil, e caso descoberta, inventa-se outra mentira.

NOTA BENE: Svante Paabo disse que eles tinham uma agenda socio-politico-cultural. Cohen disse que “A VERDADE DEVE SER DITA”, mas levou 32 anos. Tarde demais. Eles nem sabem, eticamente, o que é verdade. Verdade que evolui por ser tão-somente uma propriedade emergente de partículas materiais, por acaso e necessidade, por mutações filtradas pela seleção natural e outros mecanismos evolutivos, não é verdade: é ilusão da projeção da mente mesmerizada pelo naturalismo filosófico mascarado de ciência.

Fonte: Fórum Gospel Brasil

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Comentários do autor

Pautarei aqui mais do que a refutação de afirmações anticientíficas feitas por criacionistas. O que trataremos aqui é algo sério, mais do que a simples obsessão de refutar as ideias dos cientistas com o uso da má fé, mas como ela é feita de forma injusta e através da desonestidade intelectual. Apresento aqui um excelente exemplo do porque criacionistas não são referências na divulgação e discussão de artigos científicos. Tratarei de 4 exemplos claros de desonestidade intelectual que claramente são usados por criacionistas para tentar invalidar a evolução biológica.

Genoma 1

A começar pela reportagem acima, poderíamos pressupor que a ideia de descendência do homem foi derrubada pela ciência segundo o que diz o autor. O problema é que elas alegações são marketeiras, dizem mais do que o artigo original, e veremos isso conforme uma analise simples da própria reportagem. A primeira coisa a se observar é a fonte. No caso, um site evangélico cujo texto foi escrito por alguém que já tem o histórico de desonestidade intelectual e prestígio não em entidades acadêmicas, mas sim em ministérios religiosos e publicações pobres e descontextualizadas. Uma informação científica é sempre apresentada por uma revista especializada cujo trabalho é re-avaliado antes de ser publicado. Por exemplo, a afirmação de que o genoma do gorila é bem parecido com o de humanos foi uma informação publicada no ano de 2012 pela revista Nature. Esta é uma das maiores referências científicas mundiais e não uma revista com discurso chapa branca que fabrica informações.

Outra questão é de cunho metodológico, e isto, o autor do texto usou marketing puro. O artigo não diz que o genoma humano e de chimpanzés tem diferenças maiores que 1%. Existe uma informação construída a partir do título e do corpo do texto que induz as pessoas a pensar que essa diferença mínima foi refutada. A metodologia usada nos trabalhos é de fundamental importância para reconhecer a honestidade e validade do trabalho, e este trabalho em si não analisou o genoma inteiro, somente o de uma estrutura. Eis aqui o grande golpe!!!

O trabalho acima comparou os genes do córtex cerebral de homens e chimpanzés e mostrou uma diferença de 17%. Comparar geneticamente determinados genes de uma única estrutura não é o mesmo que analisar um genoma inteiro. Aliás, o que nos torna essencialmente diferentes em relação aos chimpanzés é a nossa capacidade cognitiva de articular ideias, manipulação da fala, estágio de consciência como resultado da integração paralela de diferentes áreas do sistema nervoso, do córtex. Ora, o que mais nos diferencia dos chimpanzés são nossos aspectos neurológicos, portanto é de se esperar que as diferenças não só genômicas, mas anatômicas do sistema nervoso sejam grandes. Veja bem, a reportagem acima cita as principais diferenças encontradas no genoma humano e do chimpanzé (1.Grandes porções de DNA ausentes, 2. Extra genes 3. Número e estrutura dos cromossomos 4. Conexões alteradas nas redes de genes, 5. Indels (inserções e deleções), 6. Número de cópia de gene, 7. Genes coexpressados) mas desconsidera o que é cientificamente aceito, que essa diferença é resultado de pelo menos 8 milhões de anos de evolução, tempo que em o ancestral comum entre homens e chimpanzés existiu. O autor usa de desonestidade intelectual para redigir algo que não é verdade.  Se ele ousasse estudar o que cientificamente é aceito a respeito da evolução do sistema nervoso e dos genes envolvidos na evolução do córtex procuraria literatura científica como artigos de Jon H. Kaas. Vejamos mais a fundo o artigo em si e como a informação emitida por Enézio é muito mais uma construção tendenciosa do que o que o artigo em si trás. Aqui então levantaremos tudo aquilo que intencionalmente, ou incompetentemente Enézio deixou de lado. Eis o artigo ipsis litteris:

Artigos mito

O que o trabalho analisa não é uma comparação concreta entre os genomas, mas a dinâmica dos genes de uma determinada característica dos dois grupos. Por isso trás essa caracterização sobre a co-expressividade de genes e seus aspectos. Há 3 aspectos que Enézio descaracterizou totalmente. O primeiro é que o autor deixa claro explicitamente que não há uma única maneira de expressar distância genética entre dois seres vivos (There isn’t one single way to express the genetic distance between two complicated living organisms). Isso quer dizer que ele fez essa comparação segundo outros critérios que não uma comparação pau-a-pau do genoma de chimpanzés com humanos. O segundo, é que o estudo do autor que usou esta metodologia, com foco na co-expressividade de genes em comparação com outros grupos animais, e o chimpanzé, a diferença genética entre ambos é de 6% e não de 17% como dito. Os 17% correspondem a conexões nervosas específicas da espécie humana e não a diferença genética entre chimpanzés e humanos (Veja no artigo original). E em terceiro, o artigo ainda da um tiro no pé de Enézio. Pois a filogenia apresentada mostra tanto genes sendo perdidos ao longo do tempo evolutivo como genes, e portanto informação genética, sendo criadas, se consolidando no genótipo e fenótipo das espécies e refletindo no fitness dos indivíduos. O artigo não só mostra a relação entre genética e de mecanismos ligados a hereditariedade como também explicita como a informação é perdida, e criada ao longo do tempo em uma escala de milhões de anos que contraria completamente a concepção criacionista de Enézio.

O trabalho tem um foco, a divulgação do resultado dada pelos criacionistas tem mais informações do que o artigo em si tem. É como analisar única e exclusivamente a estrutura social de um grupo de chimpanzés e de bonobos, que geneticamente são comprovadas como espécies irmãs, e dizer que por serem diferentes socialmente não tem parentesco em comum, descartando a comparação de DNA, morfologia e outros comportamentos. Isto é desonestidade intelectual pura, suja e descarada.

O mesmo tipo de desonestidade é usado por criacionistas como Michelson Borges e Marcos Eberlin ao afirmar que seres humanos e bananas tem 50% das mesmas proteínas e portanto deveriam ser considerados parentes evolutivos. Além de ser uma regressão a um argumento reductio ad absurdum (que é um tipo de desonestidade intelectual e apelo a ignorância) mostra que ambos os autores não compreendem o básico da genética; a diferença entre DNA e proteína. Qualquer bioquímico sabe que o fato de haver proteínas iguais não significa necessariamente que o DNA seja idêntico. Isso ocorre pelo fato de que cada aminoácido ter cerca de 3 ou 4 códons distintos. Portanto uma proteína com dois aminoácidos idênticos por exemplo, pode ser códons distintos.

Além disto, segundo um artigo publicado na Revista Nature (The banana (Musa acuminata) genome and the evolution of monocotyledonous plants) a banana é um organismo triploide. Uma análise genética mostrou que a informação extra foi obtida a partir de duplicações genômicas ocorridas a cerca de 100 milhões de anos e outra a 60 milhões de anos. Isso refuta a ideia dos criacionistas de que informação genética não pode ser criada por erros na biologia celular. Bem como, o estudo ainda mostra que a banana foi domesticada pelo homem a cerca de 7, quase 8 mil anos, tempo que segundo os criacionistas não poderia ocorrer já que a Terra e o Universo foram criados somente a cerca de 6 mil anos. De fato, este tipo de desonestidade é adotada por esses criacionistas que jamais se preocuparam em responder porque a luz de estrelas demorou milhões de anos para chegar até a Terra, extrapolando o limite de tempo da Terra jovem. Evidências contrárias as suas convicções religiosas simplesmente são ignoradas.

Outra forma de desonestidade intelectual usada por criacionistas foi á criação de um animal que simplesmente não existe. O pica-pau verde da Europa existe, mas as alegações anatomicas de que sua língua é tão comprida que deu a volta ao crânio e saiu pela boca através da fosseta nasal é falsa, inexistente jamais corroborada por qualquer ornitólogo no Brasil e jamais encontrada em guias de identificação de aves da Europa.

Uma busca simples em um desses sites pude encontrar de fato a presença do pica-pau verde, uma descrição bionômica, mas as suas atribuições anatômicas de tal aparato anatômico e de que só poderia ter sido criadas por um designer simplesmente não existem, foram inventadas por um criacionista americano para validar uma crença pseudo-científica.

A outra alegação é feita por Enézio de Almeida filho. O uso da desonestidade intelectual e autoritarismo é tão grande que seu endereço virtual não tem espaço para diálogo e as informações apresentadas por ele leva as pessoas acreditar nesse absolutismos religioso disfarçados de ciência. Enézio publicou um texto apresentando supostas razões do por que a teoria da evolução de Darwin através da seleção natural haveria sido refutada. Inicialmente, vale dizer que o que vale hoje não é somente as alegações da evolução pela seleção natural, mas uma série de mecanismos evolutivos foram descritos culminando na síntese evolutiva, com respaldo na genética e biologia molecular.

Enézio cita essas três razões; 1) A descoberta de que todos os genomas em vários organismos diversos mostram que 30 % dos genes não têm uma história evolucionária detectável. Os cientistas nomearam esses genes de Orphan; 2)Pesquisas em epigenética estão revelando que uma grande quantidade de mecanismos moleculares nas células afetam a expressão de genes e podem inibir totalmente sua expressão. Isso pode ser passado para a próxima geração; e 3) Análise matemática do DNA parece ter revelado códigos detalhados escondidos dentro da estrutura do DNA. Esses padrões matemáticos não têm nenhuma função biológica concebível, e podem sugerir a evidência de que a origem do DNA foi intencional e planejada.

Há grandes problemas epistêmicos nessas afirmações. O primeiro é que seu texto não oferece qualquer referência bibliográfica desta conclusão. Isso leva a pessoa critica a suspeitar que essas informações podem ser criadas por um julgamento pré-concebido devido a cosmovisão do autor. Fica no ar então questões básicas do tipo: quem disse que esses genes não tem história evolutiva? Segundo quais autores? Quais metodologias? Em que revista essa informação foi publicada? É uma revista de cunho cientifico ou religioso como a reportagem acima? Como foi aceito pela comunidade científica séria? Em que ponto essa afirmação considera as propostas criacionistas ou de designer inteligente? Elas estão sendo aceitas?

Ora, se a informação realmente for coerente, cientifica, ainda sim não é razão para se aceitar o criacionismo como ciência, afinal, invalidar uma teoria não é aceitar misticismo de outra. O fato de genes não terem história evolutiva detectável não significa que foram criados divinamente, significa que seu rastreamento pode oferecer resultados ambíguos. Que indivíduos que carregavam estes genes ainda não foram encontrados. Existe uma série de possibilidades, científicas coerentes, naturalistas antes de presumir tal premissa como fato consolidado. Outro erro grave esta em pressupor que fatores epigenéticos não são mecanismos evolutivos. Erro gravíssimo!!! Obvio que são e fazem parte das considerações dos geneticistas já que influenciam a forma, a intensidade, quando, como e onde os genes vão ser expressos ou não. Fazem parte da história evolutiva de cada espécie e portanto Enézio da um tiro no próprio pé ao afirmar que a epigenética influencia. Ele só não esta atualizado por não saber que a ciêencia já considera a epigenética uma mecanismo evolutivo importante..

A última alegação é tendenciosa, é uma informação que ele gostaria que tivesse saído, mas que não saiu. O fato de existir padrões matemáticos que não têm nenhuma função biológica não é evidencia de que o DNA foi planejado. Mesmo porque modelagens matemáticas podem ser tendenciosas. O search for extraterrestrial intelligence (SETI) afirmou ter encontradas padrões matemáticos deste tipo e muitos ufólogos (e ate defensores do designer inteligente) pressupuseram que tinham encontrado evidência de vida inteligente fora da terra. Mas o artigo do SETI jamais fez qualquer menção sobre esses padrões serem evidencias concretas de vida inteligente fora da Terra.

Esse tipo de informação pode levar as pessoas a enxergar aquilo que elas querem ver e não o que realmente os resultados apontam. São inconclusivos por ora. Muitos artigos contém menos informação do que realmente os divulgadores oferecem, e é preciso ficar atento a isto, pois muitos grupos fundamentalistas estão manipulando informação para poder obstruir a produção de conhecimento científico em nome de uma verdade absolutista, do controle de massas e para validar informações pessoais. Essa manipulação de informação é mais do que desonestidade intelectual, é considerada charlatanismo pseudo-científico pelas comunidades competentes e sérias.

Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Marcos Eberlin, Enézio, Michelson Bogs, Criacionismo, Pseudo-ciência, Desonestidade intelectual.

 .

Referências

* Vladimir I. shCherbaka, , Maxim A. Makukov. The “Wow! signal” of the terrestrial genetic code. Icarus. Available online 6 March 2013
* Angélique D’Hont, France Denoeud,       Jean-Marc Aury,        Franc-Christophe Baurens, Françoise Carreel,            Olivier Garsmeur,      Benjamin Noel,         Stéphanie Bocs,         Gaëtan Droc, Mathieu Rouard,        Corinne Da Silva,       Kamel Jabbari,           Céline Cardi, Julie Poulain, Marlène Souquet,      Karine Labadie,            Cyril Jourda,  Juliette Lengellé,       Marguerite Rodier-Goud, Adriana Alberti, Maria Bernard,          Margot Correa,           Saravanaraj Ayyampalayam, Michael R. Mckain,   Jim Leebens-Mack. The banana (Musa acuminata) genome and the evolution of monocotyledonous plants. Nature 488, 213–217 (09 August 2012)
* SIMON E. FISHER* AND GARY F. MARCUS – THE ELOQUENT APE: GENES, BRAINS AND THE EVOLUTION OF LANGUAGE – NATURE REVIEWS | GENETICS VOLUME 7 | JANUARY 2006 | 9
* Jon H. Kaas. Evolution of the neocortex. Medical University of Vienna, Center for Brain Research, Spitalgasse 4, A-1090. Vienna, AustriaCurrent Biology Vol 16 No 21

9 thoughts on “SEMELHANÇA GENÉTICA DE 99% COM CHIMPANZÉS ERA MITO. (Comentado)

  1. Quase de acordo com você, exceto por alguns detalhes dogmáticos que você também usa. O primeiro é achar que bibliografia dá credibilidade a conteúdo ruim. É questão mesmo de crença.

    O biólogo em geral é como um mecânico, como conceito, que se metesse a “analisar e projetar” um possivel OVNI que lhe caisse nas mãos. A única diferença é que o mecânico jamais iria “acreditar” que aquilo fosse “obra ocasional” da naturezas, mesmo que algum outro “mecânico famoso” lhe dissesse que era assim mesmo.
    Estamos apenas “arranhando” na tecnologia do DNA, começamos a fazer “imagens” do mesmo, onde a estatística é prato cheio para qualquer cientista. A velha lenga lenga do cara com cabeça no forno e pés no congelador, ERA UM DEFUNTO TERMICAMENTE PERFEITO.
    Comparando o OVNI com um simples automóvel, alguem que não coheça o projeto e fosse “imaginar” analisando seus órgãos, iria concluir que um avião também é muito semelhante ao automóvel, principalmente os mais antigos. E poderia lascar a mesma teoria de Arwin, SELEÇÃO NATURAL. É claro que foi “seleção inteligente”, não tem nada de “natural”.
    Até poderia estar usando os mesmos órgãos principais, mas nenhum mecânico por mais chucro jamais iria “imaginar” que tudo era feito de forma “burra” pela própria natureza, a menos que fosse como aquele biólogo dogmático que disse que a diferença entre um artefato e um “ser-vivo”, é que o artefato tem utilidade e o ser-vivo não tem utilidade alguma, MERA IGNORÂNCIA DE PONTO DE REFERÊNCIA..

    Caro Rossetti não se preocupe em responder, estou apenas PENSANDO E ESCREVENDO. Conheço seu ponto de vista, que não é o mesmo do meu, O QUE ESTOU ESCREVENDO É PARA QUEM LÊ, tirar suas próprias conclusões.
    arioba

  2. Caro colega,

    Com licença, mas acredito que você está entendendo de forma enviesada e equivocada o processo pelo qual a ciência avança. Não fui convencido de que os cientistas darwinistas estavam ‘enganando deliberadamente o publico leigo’. Veja, nenhum ser humano é onisciente, qualquer modelo científico padrão apresenta os seus problemas, qualquer afirmação cientifica tem um grau de falha mais ou menos maior. Se você perguntar a um físico se há problemas com a teoria padrão sobre o cosmo, ele quase com certeza vai dizer que há sim. Mas quando ele está divulgando ciência ou dando aulas, ele afirma, por exemplo, que a ‘nada no universo viaja mais rápido do que a luz’. Ainda que em sua mente ele veja algum probleminha nessa afirmação, ou que não concorde absolutamente com ela. Isso faz desonesto? Claro que não! Exite um diferença entre um texto didático para o publico leigo, e artigos científicos entre pares. Para o publico, e no ensino médio, ensina-se os conhecimentos que estão melhor alicerçados, ainda que esse não sejam perfeitos. Sinto na sua afirmação uma falta de sensibilidade para os contextos.

    Um outro ponto, se os cientistas estivessem tentando enganar as pessoas, porque então eles publicariam na sua revista mais conceituada justamente o contrário? Colega, pense bem, Acontece que, a importância atual dada aos material genético regulador é muito recente. A menos de um ano atrás acreditava-se que o 99% do DNA era lixo, literalmente lixo. Agora sabe-se que essa parte possui uma importante função regulatória e novas formas de se medir a distância genética entre os seres vivos serão apresentadas. Ninguém está tentando enganar ninguém aqui, este é apenas o ‘velho’ processo de revisar conhecimento estabelecidos, a partir de novas evidências. Nada de surpreendente, ou desonesto aqui.

    Muito legal você chamar a atenção para as novas descobertas da ciência, mas por outro lado, peço para que você faça isso com mais atenção e consideração pelo método científico. Li seu texto, e você me pareceu alguém honesto que quer aprender, então pense bem nessa pergunta. Você realmente acha que o cientistas estavam tentando enganar o ‘grande publico’?

    Espero que depois de alguma reflexão você reconsidera a sua afirmação. Apenas para deixar claro, essa medida não refuta o Darwinismo, ainda acredita-se que os animais evoluem. Também não refuta a ideia de que o chimpanzé é o animal mais próximo ao homem, se a distância entre o homem e o chimpanzé aumentou, então a distância entre o homem e qualquer outro animal vivo vai aumentar também. O que está em jogo aqui é muito mais uma questão de detalhe, como se soubéssemos onde está algo, mas ainda tenhamos de recalibrar a metragem exata.

    Saudações,

    Tiago.

  3. A verdade é que TUDO que envolve o ser humano pode, e na maioria das vezes é, manipulado de forma a criar “verdades” que sirvam a interesses discutíveis e, por iso mesmo, espúrios. Devemos ser como São Tomé, primeiro ver, para depois crer, em princípio!

  4. Caro Rossetti, como sempre um ótimo texto!

    Tenho uma pequena ressalva no nessa parte

    “O segundo, é que o estudo do autor que usou esta metodologia, com foco na co-expressividade de genes em comparação com outros grupos animais, e o chimpanzé, a diferença genética entre ambos é de 6% e não de 17% como dito. Os 17% correspondem a conexões nervosas específicas da espécie humana e não a diferença genética entre chimpanzés e humanos (Veja no artigo original).”

    Não me parece ser “conexões nervosas!” .E sim que, 17% dos genes homólogos expressos nessas espécies, não seguem o mesmo padrão de co-expressão em um mesmo dado estado.
    ou seja,
    em humanos
    gene 1 aparece expresso sempre com gene 2 no momento X
    já para o chimpanzé isso não é verdade….

    Ao meu ver, essas redes não são uteis nesse dado contexto da discussão para expressar valores de (di)similaridades entre as especies. Uma vez que esse dado é oriundo da transcriptômica e que as comparações feitas no resto das analises são dadas a nível de DNA cromossômico !

    abç.

  5. Tentando responder a todos, estamos fazendo uma confusão de “palpites ou comentários”, com posicionamento pessoal de fulano ou beltrano.
    Primeiro, que não critico a “etodologia científica”, tanto quanto o “ritualismo religioso”, o que critico é colocar o molho como mais importante do que o frango.
    O segundo ponto é que a metodologia científica até peló próprio conceito, parte de se fazer “análises” e só se pode analisar o que existe ou se conhece de alguima forma. Na ciência, se confunde “conhecer” com analisar dados de instrumentos, de cálculos etc. É assim por exemplo que se conhece o Big Bang, NÃO FOI REVELADO POR ALGUÉM, MAS POR UM INSTRUMENTO QUE LEVOU A CÁLCULOS PELO QUE SE CONCLUIU SOBRE UM FATO IMPOSSÍVEL DE SE CONSTATAR, TANTO QUANTO O DEUS INFINITO QUE SE DISCUTE COMO “SEXO DE ANJOS”. O ritualismo religioso parte exatamente do contrário, PROPÕE REVELAÇÃO DO QUE NÃO SE CONHECE OU NÃO SE SABE NADA A RESPEITO.
    Do ponto de vista estritamente de conhecimentos, são exatamente iguais, o maniqueísmo de “partidos” nos coloca em geral de um ou de outro lado. Desse ponto de vista há sentido em tomar partido no “modelo científico” praticamente só analítico, ou na “revelação religiosa” praticamente sintética? AMBOS NÃO SÃO MERAS REVELAÇÕES QUE UM DIA PODEMOS COMPROVAR OU NÃO. AÍ SIM HÁ O PARADIGMA DA CIÊNCIA DE TORNA CLARO o que até então é mera revelação. Uma metodologia “científica” é através dos efeitos, como conhecemos a temperatura, a gravidade, a eletricidade etc.
    Respondendo ao Tiago, primeiro que não entrei em detalhes pessoais com ninguém, e o fato de criticar a ciência, é a mesma coisa do que criticar a religião que se sustenta no ritualismo das igrejas, tanto quanto os “cientistas religiosos” nos respectivos “modelitos” adotados como “verdades”. Os doloridos evidentemente têm todo o direito de expternar suas dores, mas isso não implica que se tenha de ver nos comentários se está mexendo na ferida de alguém fanatisado por mera crença. Já disse aqui por exemplo que a SS Trindade é uma “idolatria” da Igreja, que qualquer religioso católico pode e se sente dolorido ou ofendido, mas é verdade ou não é? A SS Trindade não é apnas um “ídolo” do que se entende por Deus? Alguém pode me explicar como se “chegou ao tal Big Bang” a não se por meras interpretações de observações de um instrumento que se aprimora hora a hora?
    Crenças pessoais não são objetos de crítica pelo menos nos meus comentários, apenas reconhece-se o direito de se acreditar no que quiser, é por que ainda existe o Papai Noel.
    arioba

  6. O “artigo” gospel:
    —————————-
    1. 1+1=2
    2. 4-2=2
    3. 2+6=8
    Pelos itens 1, 2 e 3 é obvio que 7*9= 12
    Basta somar as colunas, é muito claro isso.
    —————————-

    Na MINHA opinião, a lógica religiosa faz tanto sentido quanto a lógica acima.

  7. O autor desse artigo faz a seguinte conclusão:

    “Por muitos, muitos anos, a diferença de 1% nos serviu bem”. Cara-pálida, quem é esse “nós” em “nos serviu bem”? O “nos” ali são os cientistas que mentiram descaradamente em nome da Ciência…”

    Mas o autor tentou dar outra justificativa, que mais lhe convém, citando apenas a afirmação do cientista que o engano “nos serviu bem”, omitindo a justificativa que o próprio cientista apresentou para a afirmação “nos serviu bem”. Vejam:

    “Por muitos, muitos anos, a diferença de 1% nos serviu bem POR QUE NÃO ERA DEVIDAMENTE CONSIDERADO QUÃO SEMELHANTES ÉRAMOS” disse Pascal Gagneux…

    Analisando a justificativa, fica fácil perceber que o cientista NÃO afirma que foi um erro “deliberadamente” disseminado. O que ele diz é que o erro acabou nos servindo bem, para nos mostrar o quão parecidos somos com os chimpanzés, fato que antes não nos dávamos conta.

    Se a diferença genética real venha ser quantificada em 1%, 5%, 10%, ou 20%, não importa para a realidade: De qualquer forma, somos extremamente parecidos com eles, e não precisa nada além de breve observação para perceber e ter isso em consideração. Mas antes desse mito científico, nossas crenças e orgulho nos tapavam a visão.

    Quando ele diz “nos serviu bem”, não se refere aos cientistas apenas. Mas a toda humanidade. Também pode ser entendido dessa forma: “serviu bem a nós (humanos)”

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