FALÁCIA DE EBERLIN (Comentado)

Por Francisco Quiumento

De maneria similar à falácia de Hoyle [Nota 1], a falácia de Eberlin apresenta como impossível um passo de seleção de moléculas de determinada quiralidade destacadamente para os aminoácidos, monômeros das proteínas, e outras específicas para as diversas moléculas constituintes das grandes moléculas bioquímicas, como os carbohidratos e as bases nucleicas, e que “portanto”, tal seleção “tem de ser” a ação de um design inteligente

A falácia está em que desconsidera-se que as polimerizações já sejam um fator de seleção para a constituição de moléculas homoquirais, por impedimentos estéricos[Nota 2], existam evidências de mecanismos inorgânicos, minerais, de síntese seletiva em quiralidade, o que chama-se catálise assimétrica[1], que as polimerizações dos primeiros aminoácidos poderiam perfeitamente ter produzido formas enzimáticas capazes de catálise assimétrica e que posteriormente, na biopoese[Nota 3], as enzimas mantém a quiralidade sendo selecionada e perpetuada, pois as enzimas são indiscutivelmente catalisadores assimétricos.

falaciade eberlinLembrando a falácia de Hoyle e o comentário feito sobre ela por John Maynard Smith, biólogo: “O que está errado com isto? Essencialmente, é que nenhum biólogo imagina que estruturas complexas apareçam em um único passo.”; afirmamos, similarmente: “Essencialmente, é que nenhum bioquímico envolvido com a biopoese ou com formas de vida extintas e vivas imagina que estruturas moleculares homoquirais tenham aparecido miraculosamente e contra as leis da Química na história da vida em um único passo, de um ambiente completamente enantiomérico[Nota 4] , e muito menos que hoje perpetuem-se por milagre, ainda que com suas exceções, como proteínas de venenos de moluscos e paredes de diversas bactérias”.


Notas
1. Francisco Quiumento; Falácia de Hoyle – Scientia

2. Efeito estérico – Wikipédia.

3. Biopoese (do grego bio, vida, +poiéo, produzir, fazer, criar) – Teorização sobre a origem química da vida – Wikipédia.

4. Termo usado em Cristalografia e em moléculas na Química. Algo formado das mesmas partes dispostas em ordem inversa, de tal modo que sejam simétricas em relação a um plano.

Referências bibliográficas

Catálise assimétrica e o Prêmio Nobel de química 2001 – QNEsc

 .

Comentários do autor

Essa semana ficou evidente que mesmo as pessoas com altos parâmetros curriculares acadêmicos estão sujeitas a refutações científicas de pessoas sem alta graduação. Esta semana houve uma grande mobilização de pessoas da área das ciências biológicas na internet que se dedicaram a refutar uma série de alegações criacionistas falsas. Comunidades criacionistas em sites de relacionamentos e representantes do criacionismo sofreram um grande ataque as suas alegações falaciosas. Talvez o que tenha sofrido mais com essas refutações, e sentiu seu orgulho ferido, foi o químico criacionista Marcos Eberlin que há algumas semanas recebeu diversos artigos científicos que deixaram em dúvida sua credibilidade como defensor do designer inteligente. Isso se deu especialmente pela sua fuga do debate. Acima vemos um texto final que evidencia a falácia de Eberlin. Foi escrito por Francisco Quiumento, que apresentou a grande maioria dos artigos que deixou Marcos Eberlin sem resposta. A história da falácia de Eberlin começa com uma publicação de seu web-book “Fomos planejados” e suas respectivas críticas. Parte das críticas foi direcionada a área especifica de Eberlin, a química e a homoquiralidade de moléculas, a outra, a uma tentativa “infantil” de negar (e não refutar) a evolução biológica.

Essa discussão seguiu em frente até se transformar em textos, os quais foram publicados no site Evolution Academy onde suas alegações foram refutadas uma a uma pelo biólogo Fabiano Menegidio. O doutor Marcos Eberlin teve seu direito de replica e reconheceu grandes erros em suas alegações, especialmente referente á história da ciência. Após a tréplica de Fabiano o doutor Marcos Eberlin não se pronunciou e os sites criacionistas jamais postaram as réplicas, somente os textos de Eberlin, por uma questão lógica, o criacionismo essencialmente é positivista e doutrinarista. A única manifestação de Eberlin que houve após alguns dias de silencio foi um texto disponibilizado em um site de relacionamentos onde recebeu diversos artigos científicos refutando suas alegações de que moléculas L-aa seriam uma “assinatura de Deus”, especialmente de Francisco Quiumento.

Depois deste debate Eberlin abandonou a conversa e emitiu um texto em um blog criacionista partindo para alegações pessoais, recheada de enxadrismo em relação ao debate na qual foi gentilmente convidado a participar, como ele mesmo disse.

Grande parte desta discussão pude acompanhar, e quando questionei suas afirmações no que se refere ao capitulo 3 de seu web-book onde ele afirma não haver quaisquer evidências a respeito da trajetória evolutiva de certos animais, em especial dos morcegos e lepidópteros, Eberlin mostrou que as alegações eram puramente um sentimento pessoal e extremamente superficiais. Eberlin jamais procurou saber da existência de artigos científicos que respaldam a evolução dos morcegos e lepidópteros, e pior, jamais pensou em refuta-las. Apenas as negou. Negar não é refutar.

Há diversos exemplares que retratam a evolução dos morcegos e estudos anatômicos e moleculares que sustentam as hipóteses a respeito da origem dos morcegos datada em mais de 50 milhões de anos e dos lepidópteros a mais de 100 milhões de anos como um grupo irmão dos tricópteros segundo estudos moleculares, anatômicos e celulares. Eis aqui a série de artigos científicos e de divulgação em que tratam da trajetória evolutiva destes animais; Comparative anatomy of wings and antennae in Trichoptera and Lepidoptera: all dressed up but inordinately indifferent?Kinetic organization of metaphase I bivalents in spermatogenesis of Lepidoptera and Trichoptera species with small chromosome numbers e Early evolution of the Lepidoptera + Trichoptera lineage: phylogeny and the ecological scenario. In: Grandcolas, P. (Ed.) The Origin of Biodiversity in Insects: Phylogenetic Tests of Evolutionary Scenarios. Mémoires du Muséum national d’histoire naturelle (1997).

Para a biologia dos morcegos temos Phylogenetic relationships of Icaronycteris, Archaeonycteris, Hassianycteris, and Palaeochiropteryx to extant bat lineages, with comments on the evolution of echolocation and foraging strategies in Microchiroptera. Bulletin of the AMNH ; no. 235, Auditory features and affinities of the Eocene bats Icaronycteris and Palaeochiropteryx (Microchiroptera, incertae sedis) / Michael J. Novacek. American Museum novitates ; no. 2877,  Auditory Features and Affinities of the Eocene Bats Icaronycteris and Palaeochiropteryx (Microchiroptera, incertae sedis)A evolução do morcego: ele voa na ponta dos dedos e Primitive Early Eocene bat from Wyoming and the evolution of flight and echolocation

Tais artigos foram apresentados a Marcos Eberlin que não se pronunciou sobre o caso. Se quer teve interesse em olha-los e comenta-los. Se Marcos acredita que a evolução é uma hipótese falsa e incoerente, que refute-a com artigos e não com alegações de apelo a ignorância e misticismo. Além de diversas refutações e levantamentos incoerentes feitos por ele, o criacionista Enézio também apresentou uma série de textos na qual não tem coerência ou mesmo referências bibliográficas, se retendo apenas a sua cosmovisão fragilizada, superficialista e não ao que cientificamente é constatado. Um desses textos foi pontuado em SEMELHANÇA GENÉTICA DE 99% COM CHIMPANZÉS ERA MITO. O outro foi uma publicação em seu site em referencia as ideias do doutor Douglas Groothuis, Ph.D na qual avalizaremos em breve, mas desde já disponibilizo;

 Um argumento moral contra o darwinismo 

1. Se o darwinismo for uma descrição adequada da bioesfera, então os seres humanos não têm nenhuma natureza essencial, uma vez que eles evoluíram sem design intencional até às suas formas atuais.

2. Se (1), então as várias raças de humanos podem ser mais evoluídas (isto é, adaptavelmente mais bem sucedidas) do que as outras raças. Darwin mesmo afirmou isso no seu livro The Descent of Man.

3. Se (2), não existe nada intrinsecamente valioso sobre a raça humana como um todo. Isto é, algumas raças podem prevalecer sobre outras raças devido às suas vantagens seletivas devido à sua trajetória evolucionária exclusiva.

4. Se (3), então não existe nenhuma base filosófica para a afirmação de que os seres humanos qua seres humanos têm direitos humanos objetivos e universais.

5. Mas (4) é falso. As nossas intuições morais e a história da lei ocidental tratam a cada ser humano, sem distinção de raça, como possuindo dignidade humana intrínseca e deve ser tratado como tal. A Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas afirmam isso, por exemplo, como faz a Declaração de Independência dos Estados Unidos – “Todos os homens são criados iguais”.

6. Além disso, se (4) for verdadeiro, então nós não temos nenhuma base objetiva para condenar moralmente a escravidão ou até mesmo a eliminação das “raças menos favorecidas” (termo usado por Darwin).

7. Mas (4) é falso, por causa de (5).

8. Portanto (6) é falso por causa de (5).

9. Portanto, (1)— o darwinismo — é falso. Isso por meio do modus tollens que, neste caso, é um reductio ad absurdum (reduzir a afirmação ao absurdo).

Nota: modus tollens (ou negar o consequente):

a. Se P, então Q.

b. Não Q.

c. Portanto, não P.

Os criacionistas sempre puxam as ideias do Darwin para fora do contexto, tentando atribuir valores morais á aspectos científicos mesmo quando os cientistas deixam claro que as alegações científicas explicam fenômenos naturais e não justificam os atos das pessoas. Dizer que o darwinismo fundamenta comportamentos imorais é um equivoco triplo do darwinismo social. 1) é diluir a especificidade da natureza humana a uma natureza genérica, desconsiderando o fato de que somos natureza com atributos próprios que nos definem como espécie (cultura, trabalho, história e etc) 2) acaba forçando o ideológico discurso de orientação liberal de que é natural para a evolução a eliminação dos mais fracos, ou seja, que é eticamente válido a desigualdade socioeconomica e a miséria. Geralmente os criacionistas não sabem o que Darwin quis dizer com evolução por seleção natural como levam as suas alegações para um discurso anti-ético e descontextualizado. 3) ignora o contexto histórico em que Darwin formula os paradigmas dominantes naquele momento de expansão do capitalismo, cultura européia como a única válida e de afirmação das abordagens positivistas cartesianas. Distorcida biologização da política e politização da biologia no nazismo, num uso tendencioso da antropologia para justificar a existências de raças ou de desigualdades. Mesmo assim, durante o debate houve criacionistas afirmando que a Eugenia fomentou as ideias de Darwin quando na verdade a Eugenia foi um termo criado posteriormente as ideias de Darwin. Historicamente fica claro que houve uso descontextualizado da ciência para fomentar tais atrocidades.

Darwin nunca diz que o correto seria eliminar todos os fracos no sentido social, disse que na natureza os animais vivem em constante competição pelos recursos de sobrevivência e constatou os inaptos ou fracos perecem e os fortes sobrevivem. Darwin jamais pregou qualquer ato de crueldade usando sua teoria, mesmo porque quando passou pelo Brasil repugnou a escravidão. Todas essas atitudes tomadas com finalidade eugênica ocorreram muito depois da publicação da origem das espécies. Seria como descontextualizar o fato de que Louiz agassiz (que foi um criacionista) explicou a origem do homem branco e negro usando a poligênia. Os aspectos morais disto podem ser perigosos. Conheço cristãos que dizem que o homem branco é criação de Deus e o negro veio do macaco. Isso é racismo pregado por certos grupos ou indivíduos cristãos que usam a ciência e a religião para sustenta seu preconceito. Vale lembrar também que a Ku Klux Klan (KKK) tem toda sua ideologia racista e doutrinaria embasada no cristianismo. Se a alegação é de que o evolucionista não tem direito para falar de moralidade então os cristãos também não teriam. A ciência não define aspectos da moralidade por que é amoral. O que ela explica são fenômenos, e pode explicar a moralidade como fenômeno biológico, mas nunca seu exercício dela em definir o que é certo ou errado. (veja aqui)

Quando se faz analises deste tipo é preciso considerar os aspectos culturais do homem. Darwin era um liberalista, a própria estrutura familiar dele deixou isso bem claro. Portanto, não há razões para dizer que o nazismo usou a ciência e a evolução de Darwin para tentar perpetuar um conceito de raça ariana porque o nazismo não somente usou a ciência para se justificar como também a filosofia, artes e religião para sustentar seu regime de atrocidades. Vejam o que a irmã de Nietzsche fez com as obras do irmão quando ela se filiou ao regime nazista, vejam como as obras de Wagner foram erroneamente usadas para fomentar sua ideologia nazista, como a igreja católica financiou as armas da Schutzstaffel, e como a igreja protestante participou de tal insanidade; Apoio a Hitler: A Igreja Adventista em Péssima Companhia e The Nazi War on Cancer. Se usarmos o nazismo como parâmetro para justificar o evolucionismo como sendo uma ideologia política de biologizaçao que fomentou as desgraças do nazismo, devemos lembrar que Hitler também justificou suas atrocidades usando a religião, o cristianismo. Deixou isso bem claro no seu livro Mein Kampf:

1. Conduta de acordo com o Criador

“Acredito hoje que minha conduta está de acordo com a vontade do Criador Todo Poderoso.” (vol. 1, capítulo 2)

2. Agradecimento de joelhos 

“Até hoje não tenho vergonha de dizer que, dominado pelo entusiasmo de tempestade e com um coração transbordante, caí de joelhos e agradeci aos céus pela concessão e boa fortuna de viver neste momento.” (vol. 1, capítulo 5)

3. Testemunha no Tribunal Divino 

“Eu tinha tantas vezes cantado Deutschland über alles (“Alemanha acima de tudo”, em tradução literal) e gritado “Heil” com a total força dos meus pulmões, que me pareceu um ato tardio de agradecimento por me ser permitido servir como testemunha no Tribunal Divino do Juiz Eterno e proclamar a sinceridade dessa convicção.” (vol. 1, capítulo 5)

4. Graça do Senhor sorriu 

“Mais uma vez as canções da pátria rugiram para os céus ao longo das colunas de marcha sem fim, e, pela última vez, a graça do Senhor sorriu para os seus filhos ingratos. (vol. 1, capítulo 7, em uma reflexão sobre a I Guerra Mundial)

5. Missão do Criador 

“Temos de lutar pela existência e o proliferação de nossa raça, das pessoas, pela subsistência de seus filhos e manutenção de nossas ações contra a mistura racial, pela liberdade e independência da pátria, para que nosso povo possa ser estimulado a cumprir a missão que lhe foi atribuída pelo Criador.” (vol. 1, capítulo 8)

6. Pecado contra a vontade de Deus 

“Em suma, os resultados da miscigenação são sempre os seguintes: (a) O nível da raça superior torna-se reduzida, (b) conjuntos de degeneração física e mental […]. O ato de tal desenvolvimento é um pecado contra a vontade do Criador Eterno. E, como um pecado, esse ato será vingado.” (vol. 1 Capítulo 11)

7. Sacrilégio contra Deus 

“Quem se atreve a colocar as mãos sobre a maior imagem do Senhor comete um sacrilégio contra o benevolente Criador e contribui para [sua] a expulsão do paraíso.” (vol. 2, capítulo 1)

8. Ouro e Deus

“[…] ouro se tornou hoje o governante exclusivo da vida, mas o tempo virá quando o homem voltará a se curvar diante de Deus.” (vol. 2, capítulo 2)

O uso do termo raça em ciência não é mais usado, porque independente da cor, gênero ou qualquer outra característica, somos todos humanos. O que pode ocorrer são variações geográficas (ou ecótipos) que qualificam todos com o mesmo grau de importância biológica ou ecológica, embora com características regionais.

Não há equivoco moral ou ético algum com o darwinismo porque a ciência não justifica atos morais, ela explica fenômenos. Quem atribuiu esses valores a eugenia foram pessoas que fizeram mau uso da ciência, bem como do cristianismo, filosofia, artes e tudo que encontrou pela frente. É evidente que qualquer cristão em sua sanidade mental jamais justificaria atos de violência em nome de Deus. É isso que tem de ficar claro, que o nazismo é exemplo do que não deve ser feito e que se justificou da maneira mais errada possível. O fato da moralidade ter explicação natural não significa que a maldade seja banalizada e vista como um ato normal e comum. Pensar desta forma é novamente jogar o aspecto cultura, crítico do ser humano pela janela. A ideia de que se a moral é uma característica biológica então a maldade esta sendo justificada é uma interpretação pessoal, em nenhum momento dizemos que a maldade esta liberada por ser algo natural de nossa biologia. Nem sabemos se realmente faz parte da nossa biologia ser mal. Alegar isso é determinismo biológico, e o que vejo é muitos criacionistas pensando desta forma, retrógrada!!!

Sabendo disto, vejamos agora as alegações de Doutor Douglas Groothuis postadas no site de Enézio. 1) “Se o darwinismo for uma descrição adequada da bioesfera, então os seres humanos não têm nenhuma natureza essencial, uma vez que eles evoluíram sem design intencional até às suas formas atuais” Os seres humanos não tem nenhuma razão especial para existir, alias, eles definem a essência de suas vidas, o objetivo dela, por isso são seres humanos. Se Enézio quer falar de filosofia e existencialismo que leia Sartre primeiro (O HOMEM DA O VERDADEIRO PROPÓSITO A SI). A condição 2 não tem correlação com a condição um. Não há como estabelecer superioridade de raças a partir da ausência de essência. Essa alegação não é ciência e anti-filosófica, embora esteja mascarada para justificar aspectos morais. Desconsidera que a ciência é amoral (e não imoral), portanto não deveria descontextualizar as ideias de Darwin e a síntese darwiniana. Nas condições 3 e 4 o autor se esquece da capacidade de julgamento e dos aspectos morais, éticos e culturais que o ser humano tem e faz parte da sua vida. O fato de ocorrer na natureza não significa que sejamos imorais, novamente, isso é determinismo biológico. Na proposição 5 o fato da Declaração de Independência dos Estados Unidos dizer que “Todos os homens são criados iguais” é tendenciosa na sua maneira de ver. A forma de interpretar é religiosa aos olhos de Anézio. Ora, poderíamos dizer que todos são iguais não porque sua crença pessoal diz, mas porque biologicamente somos iguais independe da parte do mundo que viermos. O que a declaração diz é que todo americano é igual.

Citar os EUA neste caso não é algo muito inteligente, pois o mesmo país que foi construído com uma perspectiva cristã fervorosa e por vezes fundamentalista em relação ao criacionismo também o rejeita como ciência no ensino, já que fere a Primeira Emenda Americana que diz “ O Congresso passa a ser impedido de: Estabelecer uma religião oficial ou dar preferência a uma dada religião (a “Establishment Clause” da primeira emenda, que institui a separação entre a Igreja e o Estado)“. O mesmo país que determina direitos igualitários a dignidade humana é a mesmo que proíbe o ensino de criacionismo no país mais criacionista do mundo. Trocando em miúdos; nem o país com maior número de criacionistas aceita o criacionismo como ciência, no mínimo vergonhoso. A condição 6, parece que o evolucionista não tem “moral alguma” para condenar aspectos imorais como a escravidão eu gostaria de lembrar novamente que Darwin repugnou o Brasil quando viu negros sendo açoitados. Não devemos esquecer que a base cristã também fomentou diversas desgraças na Idade Média em nome de Deus e hoje uma série de escândalos morais de teologia de prosperidade e fundamentalismo cristão (como o grupo do ETA e o já citado Klu Kux Klan) podem fazer dos criacionistas um bando de falsos moralistas. O resto de suas enumerações são ilógicas, pois seguem premissas meramente pessoais, proselitistas, nada diferente da finada Aposta de Pascal e das ideias de William Craig (CONTRADIÇÕES E CONTRAPONTOS AS IDEIAS DE WILLIAM L. CRAIG e A FILOSOFIA BARATA POR DE TRÁS DO ARGUMENTO COSMOLÓGICO E OUTROS ARGUMENTOS CRIACIONISTAS). São alegações montadas segundo uma linha de pensamento tendenciosa, em que conceitos obrigatoriamente puxam outros de forma descontextualizada e sem compromisso com a vontade de realmente entender o que significa dizer que as espécies evoluem. Sempre proselitistas, muito mais pastorais, pregadoras e nunca realmente respaldada nas evidências e nos aspectos Científicos. Para quem se assume como criacionista científico as alegações estão muito mais sendo afirmadas do que realmente confirmadas, corroboradas. Isto não é ciência!!!

Esse sistema de pensamento de Douglas e Enézio em que A leva a B que leva a C é uma sistema artificial, cru, e acima de tudo positivista. As afirmações de Enézio não são científicas, minimamente filosóficas e claramente teológicas proselitistas. As alegações científicas Enézio jamais tendem a ser comentadas. Em sua página mesmo postou o recente artigo em que cientificamente se aponta como os peixes pulmonados e não os celacantos mais próximos dos anfíbios (o que era de se esperar uma vez que o que a ciência afirma é que o peixe ancestral dos anfíbios deve ter tido peculiaridades parecidas com os celacantos, e não o celacanto em si, veja aqui). Mas sequer se atenta a comentar tal afirmação científica, quem dera refuta-la (veja o artigo origina da revista Nature: The African coelacanth genome provides insights into tetrapod evolution. Além de toda pretensão de Enézio em refutar 150 anos de darwinismo com meia página do Word, o texto é claramente enxadrista e apesar dele falar em redução ao absurdo o corpo do texto em si é extremamente reducionista.

Para concluir, ficam algumas perguntas no ar; a partir de uma eventual queda do darwinismo, passa a valer imediatamente a ideia do designer inteligente? Onde e como pode ser provado a existência de tal designer? O que é o designer? Onde estão ás evidências científicas que mostram um designer criador dotado de toda moral universal? Onde estão os artigos, papers, as revisões por pares e publicações em revistas científicas que mostram o criacionismo reconhecido como ciência? Afirmar não é confirmar, negar não é refutar!!! Enézio Kaputz

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Sugestões de Leitura para refutações das alegações de Marcos Eberlin

Blaber offers clues on origins of life

New Study Points to Proteins and Salt for Life’s Origin

Conformational and Functional Effects Induced by D- and L-Amino Acid Epimerization on a Single Gene Encoded Peptide from the Skin Secretion of Hypsiboas punctatus

Hitler enaltece Deus em oito passagens do ‘Mein Kampf’. Paulopes

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Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Criacionismo, Designer inteligente, Marcos Eberlin, Enézio de Almeida, Evolução, Filosofia, História da ciência, Homoquiralidade, Ciência.

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