CONTATO COM PREDADOR AFETA TAMANHO DE OLHO E MANCHA DE PEIXE, DIZ ESTUDO. (Comentado)

Cientistas analisaram espécie da Grande Barreira de Corais, na Austrália. Alterações no corpo das presas são vantagem evolutiva para sobrevivência.

Peixes da espécie 'Pomacentrus amboinensis' foram expostos a predadores por 6 semanas. Na imagem F, é possível ver ocelos maiores e olhos menores em relação ao grupo de controle (C) (Foto; Scientific Reports)

Peixes da espécie ‘Pomacentrus amboinensis’ foram expostos a predadores por 6 semanas. Na imagem F, é possível ver ocelos maiores e olhos menores em relação ao grupo de controle (C) (Foto; Scientific Reports)

As cores brilhantes e os padrões marcantes do mundo animal servem tanto para esconder indivíduos quanto para atrair a atenção alheia. Alguns peixes, como os amarelos da espécie Pomacentrus amboinensis, abundantes na Grande Barreira de Corais da Austrália, possuem “ocelos” (círculos) falsos na nadadeira dorsal traseira que crescem com a exposição a predadores quando as presas ainda são jovens, segundo um novo estudo publicado na quinta-feira (25), na revista online “Scientific Reports”.

Acima, peixe exposto a predador e abaixo, animal do grupo de controle (Foto; Scientific Reports)

Acima, peixe exposto a predador e abaixo, animal do grupo de controle (Foto; Scientific Reports)

Essas manchas grandes e escuras, rodeadas por um anel colorido que representa uma íris ao redor da pupila, imitam a aparência de um olho dos vertebrados. Após décadas de pesquisas, sua função ainda não foi definida pela ciência, mas há algumas hipóteses: confundir os predadores, intimidá-los, conduzi-los a regiões não vitais do corpo, sinalizar a presença da presa ou ser simplesmente um resquício evolutivo não mais utilizado.

Esse tipo de mimetismo (estratégia para confundir os predadores por meio de cores, texturas, formato do corpo ou comportamento) há muito tempo fascina os ecologistas evolucionários, que agora, pela primeira vez, observaram que a exposição a predadores é capaz de aumentar o tamanho dos ocelos dos peixes jovens.

Além disso, o contato com eventuais ameaças pode reduzir o tamanho dos olhos verdadeiros das presas, causar alterações morfológicas e até de comportamento. Essas mudanças poderiam prevenir ou deter ataques e acelerar a velocidade de fuga, o que significa uma vantagem de sobrevivência aos indivíduos em seu ambiente natural.

Segundo os autores – da Universidade James Cook, na Austrália, e da Universidade de Saskatchewan, no Canadá –, os peixes expostos por seis semanas a predadores naturais, da espécie Pseudochromis fuscus, tiveram uma sobrevida maior, com apenas 10% de mortalidade, enquanto os animais do grupo de controle apresentaram 60% de mortalidade 72 horas após serem lançados aos perigos do recife.

Fonte: G1

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Comentários do autor

O importante é notar como fenótipo se altera diante de uma pressão seletiva que pune com a morte certos indivíduos cujo genótipo não é favorável a situação. Darwin acertou ao dizer que os indivíduos que compõem uma espécie são ligeiramente diferentes, isso se deve a variação no genótipo e como ele se expressão nas características fenotípicas do animal. Embora a seleção natural atue punindo os indivíduos de uma espécie os responsáveis pelo sucesso competitivo são os genes e como eles se expressam nessa gama de variedade de tal forma a permitir que algumas populações favorecidas sobrevivam na luta pela vida. Eis outro exemplo com peixes; no peixe Bosmina longirostris descobriu-se que quando vivem em áreas associadas a predadores tinham o diâmetro do olho e pigmentação significativamente menor do que B. longirostris de áreas sem predação. É uma variação natural da espécie que através de acúmulos de micro-mudanças pode favorecer a origem de espécies. Essas pequenas mudanças podem ocorrer por pequenas mudanças, duplicações, alterações ou deleções genomicas. Por exemplo, uma análise do tamanho do genoma em formigas (Formicidae) mostrou que o tamanho do genoma é uma característica variável que pode evoluir gradualmente ao longo de períodos de tempo longos. Podendo assim aumentar gradualmente através de processos cumulativos ou rapidamente por meio de processos que podem incluir ocasional duplicação de todo o genoma. As pequenas dimensões do genoma das formigas, combinadas com a sua importância ecológica, evolutiva e agrícola, sugerem que algumas destas espécies podem ser bons candidatos para futuros projetos de seqüenciamento de todo o genoma.

Nos peixes do estudo acima é evidente que a chave da sobrevivência esta ligada a pigmentação deste animal, que favorece ocelos maiores (ou mais próximos aos olhos de verdade) sobrevive devido á presença de uma estratégia mimética. O sucesso esta na forma com que os pigmentos se agregam, ou seja, de forma distinta daqueles que tinha ocelos menores e portanto estavam mais sujeito ao ataque de predadores. As conclusões do estudo sugerem que os falsos ocelos pode ser uma adaptação direta de curto prazo para a presença de predadores, funcionando para desviar ataques predadores e/ou proteger a região da cabeça de ataques fatais. Portanto, a estratégia só é vantajosa como mecanismo anti-predador em determinadas circunstâncias, como um ambiente rico em predadores. Isso mostra como o ambiente molda genótipos selecionando fenótipos. Algo parecido foi encontrado em peixes de cavernas. Flexibilidade e degeneração no crescimento olho foram encontradas em outros teleósteos, principalmente no México com o peixe Astyanux mexicanus. Esta espécie tem duas variações morfológicas, uma que vive em superfície com os olhos pigmentados, e várias sem olhos e despigmentadas. É evidente que o desenvolvimento do olho (ou seja, a expressão do gene pax-6) é plástico e pode evoluir para satisfazer certas condições ambientais, na realidade, em muitos animais jovens são os estímulos visuais recebidos que as influências o padrão de crescimento do olho.

Estudos recentes na evo-devo de Astyanax e na genética têm fornecido novas informações sobre como os olhos e pigmentos são perdidos durante a evolução deste peixe cavernícola, ou seja, eles têm revelado alguns dos mecanismos celulares e moleculares envolvidos na modificação do traço, o número e a identidade dos genes envolvidos em ais processos e quais mutações estão envolvidas neste silenciamento, bem como a base molecular da evolução paralela, e as forças motrizes evolutivas adaptação ao ambiente caverna. Sabe-se por exemplo, que o embrião de Astyanax  cavernícola desenvolve um primórdio óptico composto por uma vesícula onde esta o primórdio da lente e o cálice óptico, e traços rudimentares do desenvolvimento dos olhos que se degenera ao longo do desenvolvimento do individuo. A degeneração do olho é acompanhada por uma extensa apoptose e regulação negativa do gene Pax-6 no cristalino em desenvolvimento. Os resultados sugerem que alterações no desenvolvimento de lentes são fatores importantes na regressão olho durante a evolução deste animal. Muitos outros animais tiveram regressão de olhos ou ocelos. Em insetos geralmente há ocelos que tem acuidade visual baixa, e borboletas eles não ocorrem embora eles existam rudimentarmente próximo ao escalpo das antenas do animal. Alguns pesquisadores classificam alguns destes animais como possuidores de ocelos, ainda que sejam rudimentarmente presentes em camadas internas do tecido do animal. No que diz respeito a manchas ocelares em borboletas, um grupo de pesquisadores descobriu que elas evoluíram e continuam a evoluir sobre a pressão seletiva não somente das aranhas, mas das aves também. Experimentos comportamentais realizados pelo russo Sourakov com a borboleta Calycopis cecrops mostrou que os pontos da cauda do animal que imitam uma falsa cabeça fez com que a borboleta escapasse com sucesso de todos os 16 ataques da aranha papa-mosca Phidippus pulcherrimus. Quando outras 11 espécies de borboletas e mariposas (de sete famílias diferentes) foram expostas à aranha saltadora, eles foram incapazes de escapar do ataque.

Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Ocelos, Genes, Evolução, Genótipo, Fenótipo, Peixes, Borboletas

Referências bibliográficas

* Oona M. L önnstedt,      Mark I. McCormick          & Douglas P. Chivers. Predator-induced changes in the growth of eyes and false eyespots. Scientific Reports 3, Article number: 2259 doi:10.1038/srep02259 Received 03 June 2013
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* Andrei Sourakov. Two heads are better than one: false head allowsCalycopis cecrops(Lycaenidae) to escape predation by a Jumping Spider,Phidippus pulcherrimus(Salticidae). Journal of Natural History, 2013; : 1 DOI: 10.1080/00222933.2012.759288

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