LEI OU TEORIA? EIS A QUESTÃO.

gravidade

Um das maiores dificuldades é compreender a diferença entre leis e teorias, especialmente no que diz respeito á evolução. Seria ela uma teoria ou uma lei?

A lei descreve determinados fenômenos naturais sob determinadas condições, assim, através de processos dedutivos pode estabelecer e prever padrões futuros. A teoria, por outro lado, explica como a natureza funciona. Leis podem (ou não) ser matematicamente definidas, enquanto teorias normalmente não são explicadas matematicamente. Isso ajuda a explicar porque, físicos e químicos possuem diversas leis, enquanto na biologia existem apenas poucas leis e mais caracteristicamente teorias. Na biologia, é muito difícil descrever toda a complexidade da vida com simples termos matemáticos.  Sendo assim, lei é um fenômeno explicado diante de algumas condições controladas. Teoria é uma hipótese com o algo grau de comprovação científica.

Uma definição científica de teoria é a de que ela é uma síntese aceita de um vasto campo de conhecimento, consistindo-se de hipóteses que respeitam a estrutura popperiana, o falseamento. Nem por isso são erradas ou duvidosas, mas foram permanentemente confrontadas entre si e com os fatos científicos, fatos estes que integram um conjunto de evidências que, juntamente com as hipóteses, alicerçam o conceito de teoria científica.

É comum associar-se o conceito de teoria apenas a uma ou a um conjunto de ideias que tenta prever com alto grau de exatidão os fenômenos da natureza. Vários cientistas acabam muitas vezes por aderir a esta conotação. Sempre que observamos algum fato novo que venha a contrariar a teoria vigente, deve-se abandonar as ideias conflitantes e jamais ignorar o fato. Evidencias criam ou reformulam teorias de forma a integrá-las. Existe uma diferença grande entre usar as evidencias como algo que muda conceitos e teorias do que adequar as evidencias a uma concepção pré-concebida. Conclui-se que as teorias evoluem em virtude da descoberta de novos fatos, que necessariamente passam a integrar a versão evoluída da mesma. Em ciência, um paradigma pode ser substituído por outro que explique mais e melhor um determinado fenômeno.

Desta forma a evolução biológica é uma teoria tão válida quanto a gravidade (que possui suas leis, como a lei de gravitação), relatividade de Einstein, teoria atômica, tectonia das placas, eletromagnetismo e a termodinâmica. São conceitos tão importantes e aceitos naturalmente e as pessoas não percebem que ao chamar a evolução de teoria estão validando ela ainda mais como uma explicação cientificamente viável, e de fato é.

A lei da gravitação de Newton foi criada a partir de teorias de atração de corpos formados por massa descrita por Galileu e Kepler.

Uma teoria é um modelo que comporta leis, hipóteses e até mesmo outras teorias, que também descreve um fenômeno. É por esse motivo que as leis tendem a ser mais simples que as teorias. E Teorias nunca se tornam leis.

Lei da Gravidade apenas correlaciona a força da gravidade com os fatores massa e distância, e uma constante gravitacional, ela não explica por que a gravidade existe, qual sua natureza. Lei de Boyle estabelece a relação inversamente proporcional entre pressão e volume. Defensores da criação inteligente alegam que ela seja uma teoria científica e buscam fundamentalmente redefinir a ciência para que ela aceite explicações sobrenaturais. Isso não e nem teoria, nem lei nem hipótese, é uma doutrina e compõem uma forma de interpretar o mundo que é tradicionalmente respectiva a religião.

Outra confusão é entre teoria e fato. Teoria não é fato, mas sim composta por afirmações e modelos sobre fatos. O modelo vigente ou teoria vigente é chamado de paradigma. Dizemos que a evolução é um fato, e que a teoria da evolução explica o fato. Como comparativo muito adequado, a gravidade é um fato muito claro, embora não a conheçamos completamente em seus mecanismos, mas a teoria da gravitação trata os fenômenos ligados ao fato gravidade com grande confiabilidade. É de se observar que teorias científicas não precisam ser completas e tratar perfeitamente os fatos que modelam e sobre os quais produzem afirmações e descrições. Um exemplo disto vem da física, onde ainda se encontra uma incompatibilidade entre a Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica, sendo uma adequada aos fenômenos de maior escala, e a outra à escala micro da natureza, e mesmo assim, aplicando-se cada uma a seu campo de ação, são teorias confiáveis.

Pérola Cornelliana.

Para seguir esta argumentação poremos em prática o exercício do uso de artigos científicos que realmente validam as afirmações. São eles que validam ou não uma ideia como ciência ou das pseudo-ciência. Em um texto do criacionista Cornelius Hunter (na qual não há referencia bibliográfica) ele promove exatamente uma fundamentação descontextualizada, e obviamente não científica. Ao tentar argumentar que a evolução não é ciência porque não é observável ele afirma;

Mas nós não observamos os seres humanos evoluírem de ancestrais simiescos. Essa é a afirmação da evolução, e é uma afirmação que sofre de problemas científicos substanciais. E esses problemas não são um detalhe sobre a evolução, são um fato científico. Sim, evolucionistas debatem explicações rivais sobre como as espécies se originaram, mas nesse caso, não há nenhuma observação da evolução que [como a gravidade] ”permaneça, ou não vá embora” durante o debate. Não há fato da evolução observado no qual podemos nos firmar, enquanto as explicações evolutivas encontram problemas científicos.

O fato de não observarmos algo ocorrendo não significa que não exista. O fato de não observarmos aspectos fundamentais da historia da humanidade como o Concilio de Nicéia em 325d.c não significa que ele não tenha ocorrido. O que nos permite inferir que ele ocorreu foi a documentação histórica, as evidencias arqueológicas que nos proporcionou pensar na sua validade, inclusive como validou as escrituras sagradas que é pilar da fé cristã. Não observar não significa não existir. A mesma coisa é com a evolução, mas as evidências apontam exatamente para isto, e isso a fundamenta em teoria. Não podemos ver, observar fisicamente a gravidade, ou observar com nossos olhos o eletromagnetismo, tão pouco um átomo ou se a energia do universo respeita a termodinâmica, mas todas elas são aceitas como teoria porque são fundamentadas por diversos artigos científicos segundo uma metodologia. Esta é a metodologia cientifica, a mesma usada para tratar a evolução como um fato. Portanto, argumentar que a evolução é diferente da gravidade em termos teóricos porque não pode ser observada a olho nu não é um argumento válido. É descontextualizar uma teoria desconsiderando o fato de haver evidências claras dela. Poderíamos desconsiderar a existência do ar, senão posse as folhas das arvores se movendo em um dia de ventos fortes?

É exatamente este tipo de pensamento que Cornelius esta propondo em sua retórica pseudo-científica ao tentar argumentar que evolução não é ciência. Assim, podemos inferir parentesco entre espécies a partir de uma série de evidências; no DNA, comportamento, fósseis, na biologia do desenvolvimento, morfologia e anatomia… e pode ser falseável.

Encontrar um fóssil de coelho no cambriano certamente impactaria a teoria da evolução. Encontrar um mecanismo que explique melhor tamanha diversidade de formas de vida no planeta poderia substituir a evolução. A teoria da evolução segue todos os princípios científicos com escancarada clareza. De fato, se espécies são capazes de criar variações ecológicas de acordo com o ambiente em que estão condicionadas de tal modo a criar morfologias distintas mostra que o fixismo não ocorre, e permite-nos inferir que essas modificações podem transcender o limite da espécie. Como podemos inferir isto?

A partir das evidências do DNA, dos fósseis, das relações ecológicas estabelecidas. Eis um exemplo, borboletas do gênero Papilio (Familia Papilionidae) compõem diversas espécies no mundo todo. Todas ela são relacionadas entre si pelas evidências moleculares a partir do gene CO I, DNAmit, comportamento e registro fósseis.

Um estudo fóssil mostrou que o fóssil da extinta borboleta Praepapilio é um grupo irmão só das borboletas Papilio (Papilionini) e Baronia com uma única espécie primitiva viva hoje somente no México).

Um estudo relações filogenéticas usou uma amostra de 18 espécies do gênero Papilio e cinco do grupo externo pelo seqüenciamento de dois trechos de DNAmit, que correspondem aos segmentos 12886-13370 e 12083-12545 e DNAmit de Drosophila melanogaster que consiste em seções dos genes RNAr e uma sub-unidade da NADH desidrogenase. O estudo mostrou que dentro do grupo vários subgrupos são tradicionalmente reconhecidos se organizaram. Do ponto de vista comportamental ficou demonstrado que elas estão condicionadas a usar como planta hospedeiras somente dois grupos de plantas. Espécies pertencentes a grupos que utilizam principalmente Rutaceae como plantas hospedeiras formam dois grupos, correspondendo a Velho Mundo e taxa do Novo mundo.  O grupo irmão de Papilio é encontrado no Sul da Ásia e o gênero Meandrusa também passa a se alimentar de Lauraceae. A família de plantas deste último é, por conseguinte, o hospedeiro larval provável do Papilio ancestral e a mudança para Rutaceae (que quatro quintos da espécie Papilio existentes usam como hospedeiros) é mais provável que tenha ocorrido apenas após a diversificação inicial do gênero. E mais, no Brasil vemos borboletas da mesma família, porém do gênero Heraclides se tem preferência por se alimentam de Citrus spp em estágio larval. A preferência é embasada em plantas do mesmo gênero. As análises de DNA estabelecem parentesco evolutivo, as lagartas têm estruturas únicas no grupo Papilionidae (que é o osmetério, órgãos que é exclusivo do grupo). As evidências claramente nos permitem inferir que cada um delas detém uma correspondência histórica em comum sem a necessidade de terem sido criadas propositalmente.

Então, quando Cornelius cita as supostas explicações que são rivais, elas assim são exatamente porque as evidências apontam para este pensamento. A evolução pode não ser observada em tempo real (pois se fosse estaríamos tratando de saltacionismo), mas as evidências apontam para tal, seja com borboletas, com seres humanos, seja vertebrado, invertebrado, planta, microoganismo ou fungo.

Agora invertamos o jogo e sigamos a ponderação feita anteriormente em nossa discussão a respeito de designer inteligente. Como poderia o designer inteligente ou o criacionismo se apresentar como teoria, lei ou hipótese? Designer não é testável, não se pode aplicar princípios popperianos sobre ele e a retórica geralmente é feita por grupos religiosos ou ideólogos fundamentalistas ultra-direitistas americanos com propósitos pessoais.

O consenso da comunidade científica é de que a criação inteligente não é ciência, mas na verdade pseudociência. A Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos já declarou que o “criacionismo, design inteligente e outras alegações de intervenção sobrenatural na origem da vida” não são ciências porque elas não podem ser testadas por métodos científicos, não são falseáveis e se respaldam apenas em aspectos pessoais, intuitivos e não científicos..A Associação de professores de ciências dos Estados Unidos e a Associação Americana para o Avanço da Ciência a classificaram como pseudociência. A Sociedade Brasileira de Genética publicou oficialmente que não há qualquer respaldo científico no design inteligente e outras teorias criacionistas, explicando que esta posição é consensual na comunidade científica.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Lei, Teoria, Hipótese.

 .

Referências Bibliográficas

* MENDONÇA, A. L O.A & VIDEIRA, A. A. P. REVOLUÇÀO DE KUHN, Ciência hoje, vol 32, n 189 Dezembro de 2002.
* ALEXANDRE MARQUES. A DOUTRINA DO FALSEAMENTO EM POPPER
* O LIVRO DA FILOSOFIA. GLOBO LIVROS. NA MEDIDA EM QUE UMA AFIRMAÇÃO CIENTIFICA TRATA DA REALIDADE, ELA DEVE SER FALSIFICÁVEL.
* Bertrand Russell: “Ciência é o que você sabe. Filosofia é o que você não sabe.” – Citado em Singh, Simon – Big Bang – Capítulo: “O que é ciência?” – Editora Record – 2006 – pág.: 459
*  Konrad Lorenz “É um bom exercício para o pesquisador livrar-se de uma hipótese favorita todo dia, antes do café da manhã. Isto o tornará jovem.” – Citado em Singh, Simon – Big Bang – Capítulo: “O que é ciência?” – Editora Record – 2006 – pág.: 462
* VAZRICK NAZARI, EVGUENI V. ZAKHAROV1, FELIX A.H. SPERLIN. PHYLOGENY, HISTORICAL BIOGEOGRAPHY, AND TAXONOMIC RANKING OF PARNASSIINAE (LEPIDOPTERA, PAPILIONIDAE) BASED ON MORPHOLOGY AND SEVEN GENES. MOLECULAR PHYLOGENETICS AND EVOLUTION. VOLUME 42, ISSUE 1, JANUARY 2007, PAGES 131–156.
* JOSIANE AUBERTA, B, 1, LUC LEGALA, 1, HENRI DESCIMONB, FRANÇOIS MICHEL. MOLECULAR PHYLOGENY OF SWALLOWTAIL BUTTERFLIES OF THE TRIBE PAPILIONINI (PAPILIONIDAE, LEPIDOPTERA). MOLECULAR PHYLOGENETICS AND EVOLUTION VOLUME 12, ISSUE 2, JULY 1999, PAGES 156–167.
* MILLER, JAMES STUART. PHYLOGENETIC STUDIES IN THE PAPILIONINAE (LEPIDOPTERA, PAPILIONIDAE). BULLETIN OF THE AMNH ; V. 186, ARTICLE 4.
* NAZARI, V., ZAKHAROV, E.V., SPERLING, F.A.H., 2007. PHYLOGENY, HISTORICAL BIOGEOGRAPHY, AND TAXONOMIC RANKING OF PARNASSIINAE (LEPIDOPTERA, PAPILIONIDAE) BASED ON MORPHOLOGY AND SEVEN GENES. MOLECULAR PHYLOGENETICS AND EVOLUTION, 42: 131-156.
* BRYK, F., 1934. BARONIIDAE, TEINOPALPIDAE, PARNASSIIDAE, PARS.I. DAS TIERREICH, DEUTSCHEN ZOOLOGISCHE GESELLSCHAFT IM AUFTRAG DER PREUSSISCHEN AKADEMIE DER WISSENSCH. BERLIN UND LEPIZIG, 64: I-XXIII, 1-131.
* List of scientific societies rejecting intelligent design 2) Kitzmiller v. Dover page 83. 3) The Discovery Institute’s A Scientific Dissent From Darwinism petition begun in 2001 has been signed by “over 700 scientists” as of August 20, 2006. A four day A Scientific Support for Darwinism petition gained 7733 signatories from scientists opposing ID. The AAAS, the largest association of scientists in the U.S., has 120,000 members, and firmly rejects ID. More than 70,000 Australian scientists and educatorscondemn teaching of intelligent design in school science classesList of statements from scientific professional organizations on the status intelligent design and other forms of creationism. According to The New York Times “There is no credible scientific challenge to the theory of evolution as an explanation for the complexity and diversity of life on earth”. Dean, Cordelia. “Scientists Feel Miscast in Film on Life’s Origin”, The New York Times, September 27, 2007. Página visitada em 2007-09-28.
* Teachernet, Document bankCreationism teaching guidance. UK Department for Children, Schools and Families (September 18, 2007). Página visitada em 2007-10-01. “The intelligent design movement claims there are aspects of the natural world that are so intricate and fit for purpose that they cannot have evolved but must have been created by an ‘intelligent designer’. Furthermore they assert that this claim is scientifically testable and should therefore be taught in science lessons. Intelligent design lies wholly outside of science. Sometimes examples are quoted that are said to require an ‘intelligent designer’. However, many of these have subsequently been shown to have a scientific explanation, for example, the immune system and blood clotting mechanisms.
Attempts to establish an idea of the ‘specified complexity’ needed for intelligent design are surrounded by complex mathematics. Despite this, the idea seems to be essentially a modern version of the old idea of the “God-of-the-gaps”. Lack of a satisfactory scientific explanation of some phenomena (a ‘gap’ in scientific knowledge) is claimed to be evidence of an intelligent designer.
* Nature Methods Editorial. (2007). “An intelligently designed response”. Nat. Methods 4(12): 983. DOI:10.1038/nmeth1207-983.
* Mark Greener. (2007). “Taking on creationism. Which arguments and evidence counter pseudoscience?”. EMBO Reports 8 (12): 1107–1109. DOI:10.1038/sj.embor.7401131.
* National Academy of Sciences, 1999 Science and Creationism: A View from the National Academy of Sciences, Second Edition
* National Science Teachers Association, a professional association of 55,000 science teachers and administrators in a 2005 press release: “We stand with the nation’s leading scientific organizations and scientists, including Dr. John Marburger, the president’s top science advisor, in stating that intelligent design is not science. …It is simply not fair to present pseudoscience to students in the science classroom”.National Science Teachers Association Disappointed About Intelligent Design Comments Made by President Bush National Science Teachers Association Press Release August 3, 2005.
* SBG – SOCIEDADE BRASILEIRA DE GENÉTICAsbg.org.br (2012 [last update]). Página visitada em 8 de julho de 2012.

 

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6 thoughts on “LEI OU TEORIA? EIS A QUESTÃO.

  1. rapaz, uma sugestão.
    Aumenta um pouco a fonte dos textos, desse tamanho cansa rápido a vista. Apenas uma sugestão.

  2. Esse excerto de Feynman diz um pouco sobre o caráter mutável das leis e teorias: “Suponha que algum de vocês tem uma bela hipótese, calcula, obtém resultados e descobre que eles estão de acordo com os experimentos, reiteradamente. Então a teoria está certa? Não, ela simplesmente não foi descartada como errada. É por isso que leis como as de Newton para o movimento dos planetas duraram tanto tempo. Ele propôs a lei da gravitação, fez cálculos, obteve todo tipo de previsões para o sistema, comparou-as com os experimentos e assim por diante. Foram necessários vários séculos até que se detectasse um pequeno erro no movimento de Mercúrio. Durante todo esse tempo a teoria não havia sido refutada e podia ser considerada certa, temporariamente. Mas nunca poderíamos provar que estava certa, porque o experimento de amanhã talvez viesse a provar o contrário. Nunca estamos definitivamente certos, só podemos ter certeza de estarmos errados. Mas é notável como podemos ter ideias que duram tanto tempo.”
    Feynman, Sobre as leis da física (p.164)
    Excelente artigo.

  3. Quanta confusão. Argumentação longa e repleta de equívocos. Darwin não propôs teoria alguma. A teoria de que as espécies mudam ao longo do tempo (evolução) precedem Darwin. Darwin, acertadamente, notando que a evolução é uma ideia altamente plausível propôs um mecanismo (seleção natural). Em todo caso, a seleção natural é um componente importante para explicar a evolução, mas não está sozinho. Transferência horizontal de genes e deriva genética são mecanismos que ocorrem e são tão importantes quanto a seleção natural. Esse tipo crítica é típico de quem nada entende de evolução :/

    • Como quiser.
      1. “O fato é que ambas dependem da racionalidade pessoal de quem procura defini-las, e de forma satisfatória para si mesmo.”
      Não há nenhum “fato” em sua afirmação. Teorias e leis usadas em ciência nada têm de subjetivo para depender exclusivamente da racionalidade de um proponente. Quando se fala de ciência, caro amigo, pouco importa se sua teoria lhe agrada ou lhe parece satisfatório. Para uma teoria ser aceita é preciso que ela faça sentido à luz do que se sabe sobre a realidade. Você pode alegar que nada sabemos sobre a realidade e a isto só posso responder que é um pensamento improdutivo.

      2. “NÃO CONSIGO VER NADA QUE SEJA LEI OU TEORIA, ONDE A BASE NÃO SEJA ALGO INTELIGENTE”
      De fato, teoria, por definição exige base inteligente e aqui sua crítica não passa de sofismo. A natureza não cria teorias, nós as criamos para entender a natureza dentro de um modelo inteligível. Neste caso, o que lhe falta é observar a realidade à sua volta. É muito mais fácil ver leis em estruturas simples que em estruturas complexas dado que precisamos perceber padrões. Leia mais sobre teoria da informação. É um campo muito explorado (muito mal, por sinal) por defensores do Designer Inteligente.

      3. “Darwin estabeleceu um “teoria” similar à Tabela Periódica, e deu um “palpite pessoal” que se transformou em teoria e até mais, em doutrina, […] A teoria é a “Árvore da Vida”, o palpite é a “seleção natural”.”
      Mais uma vez sua inferência é equivocada. Darwin nunca estabeleceu uma teoria. Conforme eu já mencionei, a ideia de ancestralidade comum precede Darwin. Erasmus Darwin, Lamarck, Saint-Hilaire, entre outros, já sustentavam esta ideia há décadas. Você erra novamente quando chama de “palpite pessoal” a seleção natural. Em outras circunstâncias, talvez eu concordasse com você, mas vejo que o uso do termo “palpite” por você é depreciativo. A diferença de um palpite como o seu e o de alguém como Darwin ou outro cientista é que ele se baseia na observação da natureza e em testes controlados e não num mero insight criativo. Seleção natural não é e jamais se transformou em teoria. Trata-se de um dos mecanismos pelo qual as espécies mudam ao longo do tempo. No mais, o que você chama de árvore da vida é apenas uma alegoria poética entre cientistas. Construir uma crítica com base nisso é tolice. Conforme já mencionei, há outros mecanismos que concorrem com a seleção natural, como a deriva genética e a transferência horizontal de genes. Isto dá suporte muito mais a uma rede que a uma árvore.

      4. “Aí vem o tal do modelo científico, que no fundo é um “ritual” que se torna “lei”, por que se impõe. Alguns escritos para se tornar “científica” tem que seguir algumas regras “impostas”, e daí para a frente, o conteúdo é outra questão.”
      Pois é, por isso é tão importante fazer distinção entre uma mera opinião e uma alegação científica. Nossas opiniões pessoais não passam por testes controlados, não exigem reprodutibilidade, não são revisadas por pessoas qualificadas, etc…

      5. “Claro que se esquecem de dizer que Darwin falava dos “organismos vivos”, sequer definiu como até a ciência moderna, o que se entende por “ser-vivo” e por extensão a Vida. […] E SE QUER DEFINIU TAMBÉM O QUE SEJA O TAL “AMBIENTE”,”
      Falácia detectada. A ideia de unidades selecionáveis não exige a definição de vida para fazer sentido. Note que muitos biólogos adotam a ideia de seleção de grupo, Kin selection, seleção sexual, seleção de indivíduos, etc. A ideia de ambiente é bem compreendida entre pesquisadores de ciências da vida. Se você encontrar alguma dificuldade em distinguir entre indivíduos e ambiente num frasco com meio de cultura e bactérias, devo presumir que você tem sérios problemas. De fato, o problema de definir vida é a principal matéria epistemológica da biologia. No entanto, há sim um consenso geral sobre uma definição (teoria celular da vida) e mesmo que não houvesse, isso não impediria os avanços em outros campos da biologia. Seria tolice não avançar porque não estamos de acordo numa definição básica. Se você tirar o termo vida da história e chamar de qualquer outra coisa, tudo vai permanecer exatamente da mesma forma.

      6. “o ambiente só existe, porque também existe a Vida”
      Um pensamento simplista e errado. Se nós não estivéssemos aqui para observar os planetas, as coisas continuariam a ser da mesma forma. Na natureza, as coisas não estão esperando nossa anuência para acontecer. Se uma árvore cair ela fará barulho, estando você lá para ouvir ou não, é um evento físico independente de sua existência como observador. O fato de você não saber que a árvore caiu não muda o fato de que isto ocorreu. Se não houvesse vida o ambiente seria bem diferente, mas ainda existiria. Pense num planeta inóspito, ele é um ambiente havendo vida ou não.

      7. “SELEÇÃO EM RELAÇÃO AO QUÊ?
      Se não é ao meio ambiente, porque um depende do outro, QUAL É O CRITÉRIO QUE HAVERIA PARA ESSA SELEÇÃO? E ainda mais, natural? O QUE SIGNIFICA NATURAL? QUE NÃO É ARTIFICIAL? E O QUE É ARTIFICIAL? ALGO QUE SEJA INTELIGENTE?”
      Uma das coisas que precisamos fazer é articular perguntas da maneira correta. Há questões que não estão ao alcance da ciência, outras que só interessam à metafísica e assim por diante. Uma unidade selecionável é selecionada entre seus semelhantes. As adversidades ambientais infringem sobre indivíduos a necessidade de adaptação. A seleção não é aleatória, as mutações é que o são. O critério é que o indivíduos consiga elevar seu fitness frente aos demais. As demais perguntas são estéreis. Uma seleção artificial é o que você faz quando cruza espécies de plantas para gerar flores numa estufa. A diferença é que, possivelmente, a seleção natural não favorecesse a combinação de cores de flores que você favoreceu. Não há nada de inteligente na seleção natural. E, aqui, o natural diz respeito ao que não é orientado por uma mente inteligente.

      8. “ARTES, RELIGIÃO, CIÊNCIA, TEORIAS, DOUTRINAS, MODELOS DISSO OU DAQUILO, LEI, ETC. ETC. são meras “invenções intelectuais do homem”, e só fazem sentido para ele na sua condição de “mente evoluída”.”
      Conclusão equivocada. Se nenhum de nós fosse inteligente o bastante para pensar em todas estas coisas que nossos livros registram ainda assim, o que chamamos de evolução continuaria a ocorrer, a gravidade, eletromagnetismo, forças forte e fraca continuariam a exercer sua ação sobre os corpos. De maneira mais simples, a chuva continuaria senda a chuva caso não fossemos capazes de compreendê-la.

      8. “Darwin falou dos “seres-vivos” sem sequer entender o que fossem, lascou seu palpite que se tornou dogma de fé dos evolucionistas.”
      O único ponto de sua crítica com o qual tenho parcial acordo. Darwin entendia muito bem os problemas filosóficos que sua proposição levantava e admitiu isso em dois de seus livros. Este problema nada tinha a ver com o conceito de vida, mas sim com o conceito de espécie. Conforme já mencionei, nada na biologia munda se você omitir a palavra vida (exceto o nome). Novamente, deixar de avançar seria tolice. Meu acordo repousa no dogma de fé. Há muita gente por aí que não entende (sequer lê sobre evolução) e empreende uma defesa acrítica do assunto. Por isso termos como Darwinismo, evolucionismo, etc me incomodam. Contudo, para alguém que tem conhecimento do assunto, estas pessoas são rapidamente detectadas e prontamente ignoradas. Pessoas honestas intelectualmente não procuram debater com alguém que sabem ser apenas um entusiasta desconhecedor do assunto.

      9. “EXISTE UM ÚNICO EXEMPLO OU CONSTATAÇÃO NA TERRA ONDE UM “ESPÉCIE” TENHA GERADO DE FATO OUTRA ESPÉCIE, E AINDA MAIS POR “SELEÇÃO NATURAL”?”
      Alguém aqui anda muito empolgado com Ray Comfort. O buraco é mais em baixo meu caro. Esta é uma pergunta falaciosa. A história evolutiva de como uma espécie de bactéria ambiental se tornou uma espécie de bactéria patogênica para o homem (Yersinia pestis) é um belo exemplo de como isso ocorre. Você já ouviu falar em espécies em anel? Nestes casos você encontra todos os intermediários que procura (o google pode ajudar!). Mas não é aí que se encontra a falácia. O termo espécie é apenas uma definição para organizar os indivíduos no táxon. É compreensivo que pessoas não iniciadas em ciência tenham dificuldades em compreender como isso funciona. Esta pergunta evoca uma ideia de descontinuidade entre os seres vivos. De fato, o próprio termo espécie carrega um pouco desta conotação. A maneira adequada de olhar para a evolução é ver um gigantesco recorte temporal com transições minúsculas pouco observáveis.

  4. Se em algum momento mencionei termos próprios da biologia é porque o assunto que você entrou é de interesse da biologia. Se estivéssemos falando a respeito de gravitação você usaria termos próprios de sua área e eu teria que me sujeitar a isso. Se não conheço uma área como posso discutir sobre ela? A propósito, não sou biólogo, e ainda assim entendo o suficiente de biologia e você não. Pelo que vejo, você nada entendeu do que expliquei. Aqui quem está defendendo uma crença é você. Eu apenas apontei o que você encontra, com o mínimo de esforço, na literatura científica publicada. Você continua insistindo em falar de evolução como sinônimo de seleção natural e como se não houvessem outros mecanismos que não a seleção natural. Assim realmente fica difícil debater. Ou você procura ler mais sobre o assunto para poder debater ou não vamos avançar em nada aqui. Vi que você não leu sobre as espécies em anel que mencionei, caso tivesse feito isso encontraria sua resposta. Não sou nenhum guru para ter todas as respostas que você busca, mas algumas das perguntas que você faz não tem nenhum mistério, basta ler sobre o assunto. É claro que me refiro à literatura adequado (jornais indexados) e não à wikipedia ou páginas pessoas de internet. As únicas questões realmente filosóficas que você mencionou dizem respeito ao conceito de vida e espécie. Sobre a vida, está mais do que claro que não faz a menor diferença na discussão proposta aqui. Sobre espécie, é um problema real. Embora exista uma definição padrão sobre isolamento reprodutivo, isso não passa de mera formalidade para nos ajudar a catalogar entidades que chamamos vivas. Por fim, sim, existem muitos casos de espécies que “tornam-se” outras espécies ao longo do tempo e isso não parou de ocorrer. Mostrei-lhe um exemplo claro de uma espécie de bactéria que se tornou outra espécie na resposta anterior e você simplesmente ignorou por preguiça de procurar ler a respeito. Inclusive o mecanismo pelo qual isso ocorreu está registrado e ainda assim você vai dizer (como os apologéticos) “mas é uma bactéria que se tornou outra bactéria!” Ao que posso pacientemente explicar, bactéria não é uma espécie então sua pergunta de como uma espécie se torna outra espécie está plenamente respondida. O que vc esperava? uma bactéria tornando-se uma galinha? Temos, inclusive, modelos de evolução da multicelularidade (http://goo.gl/bYlMT1). O caso é bem mais simples do que aparenta. Suas referências filosóficas não são as melhores. Esqueça o vídeo do Ray Comfort, ele não entende nada de biologia e sim meu amigo, é preciso ler sobre biologia para discutir biologia.

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