NOVOS ESTUDOS BRITÂNICOS DISCUTEM ORIGEM DA MONOGAMIA

Enquanto um grupo de cientistas alega ter encontrado evidências de que a monogamia surgiu como mecanismo para proteger os filhotes, uma segunda equipe acredita que ela foi criada para defender a fêmea.

Primatas teriam passado a se dividir em pares para garantir segurança de filhotes contra infanticídios (Thinkstock)

Primatas teriam passado a se dividir em pares para garantir segurança de filhotes contra infanticídios (Thinkstock)

A monogamia é uma opção rara entre os mamíferos. Isso porque, períodos de gestação e lactação acabam deixando mais vantajoso para os machos procurar outra parceira com quem se acasalar — e continuar espalhando seu material genético. O surgimento da monogamia entre os primatas é alvo de constante debate e hipóteses controversas entre cientistas. Esta semana, duas pesquisas publicadas em periódicos científicos de renome trazem novamente o debate à tona. Enquanto um estudo no PNAS defende a monogamia como um mecanismo para defesa da prole, evitando o infantícidio por machos concorrentes, um estudo publicado na revista Science alega que a monogamia teria surgido como uma estratégia dos machos para proteger as fêmeas.

Realizado por uma equipe de pesquisadores de universidades britânicas, o estudo publicado pelo PNAS alega que alguns machos estariam dispostos a matar as crias de uma fêmea com quem desejam se acasalar. Com os filhotes de um macho concorrente fora do seu caminho, eles teriam uma fêma disponível ao acasalamento — e à preservação de seu material genético. Para proteger a prole desse infanticídio, os primatas começaram, então, a se dividir em pares. Assim, o casal teria mais força e união para defender sua ninhada. Na visão deles, nascia a monogamia.

Para chegar a essa conclusão foram analisados dados estatísticos de 230 espécies de primatas. Além da tese relacionada ao infanticídio, outras duas hipóteses também foram consideradas: a de que a monogamia surgiu para evitar que fêmeas se acasalassem com machos rivais, e a de que a contribuição paterna no cuidado dos filhotes melhoraria o sucesso reprodutivo do par, ou seja, conduzisse ao aprimoramento da prole. Segundo os pesquisadores, porém, a principal razão que levou à monogamia foi mesmo o infanticídio — a importância do cuidado paternal surgiria apenas depois disso.

De acordo com Eleonore Setz, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), já era sabido que os machos tinham um papel importante na criação da prole: eles ajudavam, por exemplo, no transporte dos filhotes, já que a mãe talvez não conseguisse cumprir as funções de amamentar e transportar sua cria. “Suspeitava-se, no entanto, de que essa necessidade do cuidado paternal teria dado origem à monogamia”, diz. Segundo ela, a ideia sugerida pelo estudo da PNAS traz à discussão uma nova visão sobre o início da monogamia.

As fêmeas — A tese defendida pela equipe da Universidade de Cambridge, também no Reino Unido, e publicada na revista Science, no entanto, vai por outro caminho. De acordo com o trabalho, a monogamia teria surgido entre os mamíferos como uma estratégia usada pelos machos para proteger as fêmeas, e evitar que elas se acasalassem com machos rivais. No cenário estudado pela equipe, as fêmeas viviam isoladas uma das outras, para evitar a competição entre elas.

Os pesquisadores de Cambridge analisaram dados de mais de 2.500 espécies de mamíferos. Descobriram que se reproduzir com várias fêmeas e estar perto de todas elas a fim de defendê-las era uma tarefa árdua e desgastante para os machos. Para conseguir isso, eles precisavam percorrer as grandes distâncias que separavam as fêmeas uma das outras.

Segundo o estudo, para conseguir defender a fêmea com eficácia, os mamíferos teriam passado, então, a se dividir em pares. Assim, cada macho se tornou responsável pela proteção de apenas uma fêmea, que viria a se tornar sua companheira.

Fonte: Revista Veja

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