DESIGNER INCOMPETENTE – QUANDO A FILOSOFIA BATE A PORTA NA CARA DA TELEOLOGIA.

Teleologia

Não é recente a ideia de que tudo que existe foi concebido segundo um propósito. Tão pouco com sua rejeição. Aristóteles não postulava a existência de uma mente consciente guiando os propósitos da natureza, o que ele propunha é uma criação imanente e inconsciente, um fim em si próprio. Ainda hoje as pessoas confundem metafísica com religião, acreditam que o fato de discursarmos sobre existência de vida após a morte ou se Deus existe é tudo que envolve a metafísica. Ela estuda a essência das coisas e vai muito além da religião, buscando estudar o ser, a realidade, o que é a vida, o que é ser humano, o que é natural e o que é sobrenatural.

Nessa perspectiva sobrenatural se busca intencionalidade nas coisas. Da mesma forma que se advoga a existência de um criador, e nos dias atuais a ideia de um Deus ou superioridade divina que se tenta justificar cientificamente com o nome de designer inteligente. Grande parte dessa problemática remete a séculos de historia e de discussões. Para o filosofo Veleio, o epicurista, não é possível conceber um deus que esta sob o controle de tudo e nunca descansa. Ele questiona como o mundo pode ter sido criado para os homens quando tantos são tolos e tão poucos são sábios. Esse argumento é oposto ao de Balbo de que só os homens dispõem de inteligência para admirar a criação.

Para o filosofo Lucrécio rebater o argumento do desígnio divino é possível quando se observa as imperfeições do cosmos e da Terra. Grandes porções da Terra são inúteis e por vezes hostis a natureza do homem. Muitas dessas áreas são cobertas por altas montanhas, florestas densas repletas de feras, rochas e pelos mares que separam os litorais da Terra. Essa visão é contrastante com a dos teleologistas que acreditavam em falácias como a de que o mar tinha a finalidade de favorecer o comércio, a navegação e o intercâmbio entre os povos.

Sabemos que quase dois terços da Terra são tomados por áreas de calor extremo ou de um frio incessante, e mesmo a pouca terra restante só pode ser usada pelo homem após uma luta incessante para mantê-la livre da vegetação. A terra não foi criada para sustentar a humanidade, seja a humanidade fruto da evolução onde o homem esta sujeito as situações hostis da ecologia, seja ele criado pela ser divino já que de qualquer forma o homem tem de modificar o mundo ao seu redor adaptando-o ao seu desejo. Lucrécio conclui que a natureza pode até ser criadora, mas suas intenções criativas certamente não estão voltadas para o homem. Não há finalidade alguma em favorecer o homem.

Teofrasto, aluno de Aristóteles também não aceitava a visão teleológica e por vezes afirmou não ser tão fácil assim determinar uma finalidade na natureza, pois muitas coisas ocorrem não com uma finalidade, mas por coincidência ou necessidade. Ele citou vários exemplos de fenômenos celestes e terrestres que seguem esse argumento. Teofrasto claramente acredita na existência da desordem física na natureza, e que a ordem deve ser provada ao invés de presumida, como tem ocorrido até hoje.

Aristóteles teve suas ideias distorcidas e tidas como erradas para que fomentasse a ideia do cristianismo. Da forma com que as ideias de Platão foram usadas por Agostinho para justificar a crença em deus em um argumento racional deixando de lado questões metafísicas dos gregos sobre a imortalidade da alma. As ideias de Aristóteles foram vistas como erradas por Tomas de Aquino, Guilherme de Ockham, Roger Bacon, Duns Scotus  e vários outros filósofos cristãos.

Isso ocorreu porque Aristóteles, assim como Platão buscou um argumento imutável diante de um mundo cheio de mudanças. Na idade média, após as traduções das obras de Aristóteles feita pelos árabes a igreja católica começou a se sentir ameaçada com a filosofia aristotélica e então começou a adapta-la a teologia cristã pois fornecia justificativa racional para a crença em deus embora tenha sido olhado com muito ceticismo pelos sacerdotes.

Aristóteles argumentava que o universo era infinito e isso gerou muita desconfiança de filósofos cristãos como Filopono. Após uma serie de argumentações de desvio da literatura original de Aristóteles, Filopono alegou erros na filosofia aristotélica e que o universo não era infinito. Dizia exatamente isto para justificar a necessidade de acreditar que o universo deveria ter sido criado, portanto, pelo Deus cristão. Mas mesmo o relato da criação no Gênesis quanto as outras descrições da natureza na Bíblia são muito breves, tornando inevitável a construção da literatura exegética. A literatura exegética é a área da teologia cristã que estuda e interpreta os livros sagrados.

Hoje a filosofia não se foca mais tanto na concepção teleológica de motivos ou razões pelas quais o universo e tudo que nem existe foi criado intencionalmente. Grande parte da filosofia se foca em questões muito debatidas e polemicas sobre a origem do universo sob a perspectiva da física devido ao seu avanço no que diz respeito a organização e propriedades da matéria. Mesmo assim, são poucos autores que realmente fazem isto com uma concepção filosófica pura. Em seu livro “O grande projeto” o físico Stephen Hawking afirma que a filosofia morreu. Ela morreu no que diz respeito ao pensamento pré-socrático sobre as origens do cosmo. O que se nota hoje é um grande avanço da filosofia da ciência em questionar e argumentar em quais pontos a ciência falha e avança, sobre a origem do universo e quais os limites epistemológicos da ciência.

Para o filosofo Leibniz nem a visão de natureza de Descartes nem a de Newton descrevem uma explicação correta para a ordem do mundo. Ele era um defensor das causas finais e abordou a questão do caos e da desarmonia na natureza sustentando que elas não passam de uma primeira impressão.

A doutrina das causas finais foi rejeitada por Spinoza que afirmava que a natureza não se coloca um fim e todas as causas finais não passam de meras ficções humanas. A objeção de Spinoza é a de que as causas finais são criações da mente humana baseada na analogia das atividades humanas. Se nossas atividades são criadas com a finalidade de buscar determinados objetivos então certamente o universo teria sido criado sob essa mesma concepção segunda a visão deísta. A questão é metafísica, afinal, qual é então a finalidade de tudo existir ao invés do nada?

Spinoza não atribui à natureza beleza ou feiura, ordem ou confusão, pois tudo isso não passa de produto da imaginação, assim a criação intencional pode ser vista também como uma criação puramente humana. Natureza e Deus então são a mesma coisa, assim como extensão (fisicalidade) e mente (pensamento) são a mesma coisa, quebrando o dualismo cartesiano de Descartes.

Para Spinoza, isso explicava o puro antropocentrismo quando diz-se que a natureza não faz nada em vão, afinal, a fundamentação que se segue após esta frase é a de que tudo foi criado para nos satisfazer. Assim também, para ele mostrar que a natureza não faz nada em vão acaba demonstrando que a natureza, os deuses e o homem são igualmente loucos.

Lineu, o pai da taxonomia em biologia acreditava nessa visão teleológica de que tudo foi criado segundo uma finalidade divina. Para ele o relevo, bem como a posição da Terra eram evidências claras de ordem planejada, pois expressam os fundamentos estéticos e utilitários agradáveis à vista e aumentam a superfície da Terra. Uma visão teleológica baseada naquilo que estamos fundamentados a ver, funcionalidade e intencionalidade no que nos cerca, portanto, tudo deve ser intencional.

Lineu aponta a sabedoria na qual ciclo hidrológico segue e descreve a vasta existência de gramíneas como alimento para o gado, do húmus como elemento essencial para a fertilidade do solo e das plantas.

Ele nota muitos aspectos ecológicos como a maior capacidade reprodutiva dos menores animais ou a forma com que são úteis como alimento para outros. Lineu envereda-se de reflexões sempre mais antropocêntricas ao sugerir que os minerais, vegetais e animais foram projetados pelo criador para o homem ressaltando sua capacidade de modificar a natureza já que é divinamente dotada de criatividade semelhante a do criador. Um silogismo encantador, mas ao mesmo tempo controverso.

Entre os críticos da teleologia no século XVIII o Barão d’Holbach também acreditava que a ordem natural das coisas é uma criação humana derivada das observações dos movimentos periódicos, regulares e necessários no universo, e aquilo que o homem denomina confusão na verdade não passa de coisas que não se encaixam em seu ideal de ordem natural. Sugerindo assim uma visão sem causas finais nas quais as relações da natureza baseiam-se em leis naturais cuja operação pode ser averiguada se os homens conhecerem o suficiente.

Um dos maiores nomes do combate contra a doutrina das causas finais do século XVIII é David Hume.

Para Hume, a argumentação de que a existência de ordem, propósito, funcionalidade especial visto no mundo não são provas do desígnio divino. Ele argumentava que animais saudáveis morriam da mesma forma, e que consequentemente também seria assim com o universo. A aparente ordem pode ser apenas inerente à matéria, podendo assim dizer que a constituição lhe permite funcionar da forma que conhecemos, sem a necessidade de criadores propositais. Sendo assim, o universo até poderia fundamentar a ideia de um criador inteligente, mas ele não nos permite inferir sobre sua existência. Isso quer dizer que afirmar não é o mesmo que corroborar.

David Hume

David Hume

Hume criticou profundamente o argumento teleológico e hoje muitos filósofos aceitam que a teleologia esta morta. Para Hume, a única forma de o argumento teleológico funcionar seria o homem se dar conta de que essa ordem resulta do desígnio especial. Mas o homem vê ordem constantemente, resultante de processos presumivelmente sem consciência, sem padrões aleatórios, como a geração e a vegetação. Portanto o argumento de desígnio é incoerente. A criação diz apenas respeito a uma pequena parte da nossa experiência de ordem que o homem esta condicionado. Sendo assim, o argumento da criação intencional, mesmo que real, não fomentaria a fé em Deus. Tudo que o homem pode esperar é concluir uma criação especial, porém, de um criador (ou criadores) moralmente ambíguo, não inteligente, cujos métodos de criação são semelhantes ao do homem, imperfeitos, ou simplesmente não existe desígnio algum. Outra pontuação de Hume é de que a ordem mental de Deus e a funcionalidade necessitam de explicação, caso contrário, podemos considerar que tal ordem é inexplicada. Muitas vezes é melhor explicada pelo processo da filtragem onde algo não existe senão em função de outra se não possui um caractere especial. Isso demonstra claramente uma projeção humana de objetivos, etapas, consciência intencional da natureza.

Poucos filósofos depois de Hume se dedicaram a estudar a teleologia como um argumento filosófico valido e que justifica desígnio inteligente. O que procede depois são argumentações de segmentos religiosos que tentam validar a concepção teleológica mesmo que filosoficamente ela já tenha sido abandonada pela grande maioria dos pensadores. Há algumas tentativas de se demonstrar a existência de elementos na natureza que tem sua complexidade biológica irredutível ou filosoficamente com os argumentos de Al-gazali. Grande parte desses argumentos não tem base filosófica e sim religiosa fomentada por argumentos desarticulados e sem base critica ou científica (Veja A FILOSOFIA BARATA POR DE TRÁS DO ARGUMENTO COSMOLÓGICO E OUTROS ARGUMENTOS CRIACIONISTAS e CONTRADIÇÕES E CONTRAPONTOS AS IDEIAS DE WILLIAM L. CRAIG). Pensando na complexidade irredutível, de acordo com o bioquímico Michael J. Behe, um dos principais defensores do design inteligente, o “mecanismo de Darwin para a evolução não explica muito do que é visto sob um microscópio as células são simplesmente complexas demais para terem evoluído ao acaso; inteligência foi necessária para produzi-los“. Cientificamente este é um assunto encerrado desde 2005 quando em um trabalho de revisão por pares deixou evidente que não há nenhum exemplo na natureza que seja irredutivelmente complexo. Nem o olho, o sistema de coagulação ou o flagelo da bactéria citado em seu livro “A caixa preta de Darwin”. De fato, o próprio Behe assume em seu livro a validade das ideias de Darwin e deixa claro que não acredita na alegação criacionista sobre a Terra jovem (veja aqui).

Designer inteligente e Criacionismo são a mesma coisa?

O designer inteligente não tem uma definição concreta do que é, ou vem a ser o designer. Existe uma divergência grande sobre o que ele seria; um deus, o Deus cristão, uma força natural, uma energia, uma entidade extraterrestre ou simplesmente a inteligência natural que o universo contém em si mesmo, além de tantas outras visões pessoais a respeito de sua identidade. Alguns defensores ainda argumentam que a identidade deste autor ou mesmo sua onipotência é irrelevante. Mas se realmente assim for, então é irrelevante como argumento filosófico ou científico. Existe também aqueles que separam o criacionismo do designer inteligente, pois não aceitam a interpretação cristã como aquela que define a identidade do designer sendo o Deus Abraâmico. Segundo site criacionista Discovery Institute.

Creationism is focused on defending a literal reading of the Genesis account, usually including the creation of the earth by the Biblical God a few thousand years ago. Unlike creationism, the scientific theory of intelligent design is agnostic regarding the source of design and has no commitment to defending Genesis, the Bible or any other sacred text. Instead, intelligent design theory is an effort to empirically detect whether the “apparent design” in nature observed by biologists is genuine design (the product of an organizing intelligence) or is simply the product of chance and mechanical natural laws. This effort to detect design in nature is being adopted by a growing number of biologists, biochemists, physicists, mathematicians, and philosophers of science at American colleges and universities. Scholars who adopt a design approach include biochemist Michael Behe of Lehigh University, microbiologist Scott Minnich at the University of Idaho, and mathematician William Dembski at Baylor University.

Ainda sim é uma definição vazia, pois dicotomiza a relação clara entre criacionismo e designer inteligente que é defendida pela maioria, especialmente pelo membros do próprio Instituto Discovery. No Brasil o químico Marcos Eberlin é assumidamente criacionista e em um debate na Universidade Mackenzie deixou claro que toda noite antes de dormir ora com a bíblia na mão para o designer inteligente. A sociedade brasileira criacionista defende o conceito de designer inteligente.

A segunda questão referente a classificação feita acima é sobre a definição de identidade do que vem a ser um designer, que não é descrita, pois o instituto se refere a ele como o deus cristão e aparentemente se isenta de qualquer posicionamento, o que não corresponde a prática de quem realmente acredita em um argumento teleológico fundamentado no criacionismo bem como sua práxis nos EUA. Na pratica essa dicotomia é deixada de lado e as intenções do instituto é de divulgar também o designer inteligente como filosofia ou ciência, ou seja, Deus cristão. Ao se apresentar como uma teoria científica, não corresponde a realidade acadêmica como veremos adiante e esbarra no conteúdo filosófico que o desígnio inteligente carrega e diante da estruturação filosófica e histórica da ciência, em suma, aspectos filosóficos discutidos por Hume e tantos outros filósofos citados acima.

De acordo com Numbers, Ronald L. da Universidade de Harvard o designer inteligente é uma forma modernizada do conhecido e tradicional argumento teleológico para a existência de Deus, obviamente adaptado com a finalidade de evitar especificações sobre a natureza ou identidade do criador. Exatamente para se apresentar como ciência e não ser desvalorizado filosoficamente, isso implica em problemas epistêmicos, metafísicos e agora científicos uma vez que teleologia não se prova cientificamente, especialmente sobre desígnios externos, especiais. Em uma analogia simples, seria como uma pessoa esta andando na rua em um dia chuvoso, um carro passa em uma poça e espirra água no pedestre. Como determinar cientificamente se o dono do carro passou na poça de água intencionalmente para molhar o autor ou foi involuntariamente? É exatamente este tipo de defesa que os inteligentistas fazem, de que o designer, cuja a identidade é irrelevante ou mesmo divina, existe e age voluntariamente de tal forma a favorecer o universo. Uma ação inteligente na qual as leis naturais conspiram em favor da vida, da existência com esta finalidade específica. Eis a metafísica do porque ele faria isto desta forma?

Apesar de reconhecer que Kant matou e reviveu a metafísica (talvez por medo da Prússia) o discurso criacionista/inteligentista é de que a metafísica não esta morta, mas a pergunta persiste; porque ele faria isto desta forma?

A definição de designer inteligente foi criada por um grupo de criacionistas americanos que reformularam o argumento em face à controvérsia da criação/evolução para contornar a legislação americana que já vinha proibindo o ensino de criacionismo como ciência. Seus principais defensores? Todos eles, e não coincidentemente, os associados ao Discovery Institute, (citado acima) sediado nos Estados Unidos, acreditam que o criador é o Deus do cristianismo. Apesar de se assumirem criacionistas, especialmente no documento Wedge, o discurso de seus membros, especialmente em debates é de defesa ao designer inteligente.

Os inteligentistas buscam no mundo natural (especialmente em estruturas biológicas) sinais de intencionalidade, propósito e planejamento. A pesquisa se foca nas evidências biológicas e não nas conseqüências das descobertas. Defensores da criação inteligente alegam que ela seja uma teoria científica, e buscam fundamentalmente redefinir a ciência para que a mesma aceite explicações sobrenaturais, ou seja, desejam que teleologia e metafísica seja tratada como ciência no sentido empírico, experimental e paradigmático. O que corresponde a tratar dogmas como conceito científico e experimentação como aspecto religioso.

O consenso da comunidade científica hoje é claro, de que a criação inteligente não é ciência, mas na verdade pseudociência. A Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos já declarou que o “criacionismo, design inteligente e outras alegações de intervenção sobrenatural na origem da vida” não são ciências porque elas não podem ser testadas por métodos científicos. A Associação de Professores de Ciências dos Estados Unidos e a Associação Americana para o Avanço da Ciência a classificaram como pseudociência. A Sociedade Brasileira de Genética publicou oficialmente que não há qualquer respaldo científico no design inteligente e outras teorias criacionistas, explicando que esta posição é consensual na comunidade científica.

O grupo Intelligent designer associado ao Instituto Discovery afirma ainda

Intelligent design refers to a scientific reserch program as well as a community of scientists, philosophers and other scholars who seek evidence of design in nature. The theory of intelligent design holds that certain features of the universe and of living things are best explained by an intelligent cause, not an undirected process such as natural selection. Through the study and analysis of a system’s components, a design theorist is able to determine whether various natural structures are the product of chance, natural law, intelligent design, or some combination thereof. Such research is conducted by observing the types of information produced when intelligent agents act. Scientists then seek to find objects which have those same types of informational properties which we commonly know come from intelligence. Intelligent design has applied these scientific methods to detect design in irreducibly complex biological structures, the complex and specified information content in DNA, the life-sustaining physical architecture of the universe, and the geologically rapid origin of biological diversity in the fossil record during the Cambrian explosion approximately 530 million years ago. 

Existe uma incoerência profunda nessas afirmações, pois argumentos teleológicos não são científicos. Pela estruturação e definição de ciência, baseada no modelo de Thomas Khun em relação á experimentação e paradigmas pela revolução científica, modelos explicativos científicos só podem ser substituídos por modelos que também são científicos e que expliquem mais ou melhor, o que o modelo anterior não fazia. Para Kuhn, um paradigma antes de se estabelecer, passa por diferentes etapas. A parte pré-paradgimatica, onde escolas científicas permanecem disputando e discutindo entre si questões fundamentais. Posteriormente aprofundam-se em resolver um determinado “quebra-cabeça” e ampliar seus conhecimentos de um fato. Durante esse processo os cientistas percebem que sua pesquisa cresceu de forma cumulativa e finalmente pode propor novas teorias candidatas a ocupar o cargo de teorias antigas que não mais explicam, ou que explicam menos do que as novas teorias. Então esse novo paradigma deve ser aceito por uma comunidade de praticantes. Por exemplo, a grande explosão do Cambriano, hoje é explicada por uma série de eventos biológicos e climatológicos que ocorriam na ecologia deste período geológico. As evidencias coletadas a partir de fósseis, taxas de mutação, aspectos desenvolvimentais de artrópodes e químicos dos oceanos Cambriano sustentam uma explicação natural para a explosão de filos de artrópodes em um período de 20 milhões de anos.

O que vemos é uma conclusão pré-concebida, teleológica na qual as evidências devem se encaixar no discurso, e caso não se encaixem com as premissas teleológicas, são reduzidas a supostas falácias ou tratadas com desleixo, reductio ad absurdum. Seguindo ainda a definição do Instituto Discovery

Yes. The scientific method is commonly described as a four-step process involving observations, hypothesis, experiments, and conclusion. Intelligent design begins with the observation that intelligent agents produce complex and specified information (CSI). Design theorists hypothesize that if a natural object was designed, it will contain high levels of CSI. Scientists then perform experimental tests upon natural objects to determine if they contain complex and specified information. One easily testable form of CSI is irreducible complexity, which can be discovered by experimentally reverse-engineering biological structures to see if they require all of their parts to function. When ID researchers find irreducible complexity in biology, they conclude that such structures were designed.

It’s quite a simple exercise to know and understand the actions of humans, who happen to be intelligent designers. For example, by studying the actions of humans in the world around us we can construct a variety of testable predictions about intelligent design.

A definição permanece genérica, onde trata o desígnio com finalidades pré-determinadas por agentes, sem qualquer definição especifica, e assume que é hipotética. De fato, não é nem mesmo hipotética, pois a grande maioria das hipóteses (ao menos sob a perspectiva científica) é testável ou tem base teórica/empírica para ser especulada. O conceito de multiverso, apesar de inacessível aos físicos do ponto de vista prático tem base teórica para ser postulado. Como hipótese é valida, pois não se restringe no campo único da especulação. De fato, em uma carta minha a revista Scientific American isto fica claro:

Nota

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 O astrônomo Carl Sagan em seu documentário “Cosmo” faz várias pontuações pessoais especulativas direcionadas a existência de vida (inclusive inteligente) em outros planetas. Tais especulações se baseiam em dados obtidos pela ciência, e ainda que postulem algo não testado ou comprovado, tem base teórica. Designer inteligente não possui, pois trata somente de desígnio, supremacia em escala atemporal e externa ao que virtualmente chamamos de natureza ou universo. Sendo assim, designer inteligente se baseia em especulações intuitivas sem respaldo filosófico e empírico. A parte final do fragmento do Discovery Institute se enquadra especificamente na descrição feita por Hume sobre desígnio teleológico ao afirmar que “’e um exercício simples para conhecer e compreender as ações dos seres humanos, que por acaso são os designers inteligentes”. Ela fortalece a concepção de que o desígnio diz apenas respeito a uma pequena parte da nossa experiência de ordem, como humanos. Portanto o desígnio inteligente é uma projeção de nosso desígnio metafísico, onde Deus é nossa imagem e semelhança.

Podemos predizer que são fruto da ação humana, em uma relação de causa e efeito, é dedutivo inferir que tais ações são de cunho inteligente, portanto humano, mas no caso do universo ou da vida e sua complexidade de sistemas não é claro tal desígnio pois não podemos inferir a existência do designer. Coisas aparentemente projetadas não são evidencias de que um projetista existe, pois há exemplos de complexidade criados sem intencionalidade aparente. A formação de polímeros ocorre de forma casual durante o acoplamento de moléculas, a rocha pirita naturalmente agrupo seus minerais e sua estrutura molecular de tal forma a formar um cubo. Bolhas de sabão se acomodam de forma esférica, pois é a forma com que as moléculas de água e sabão se agrupam da forma mais simples possível. Rochas como a Elephant Rock Formation ou as geleiras da Antártida criar designers impressionantes. A orbita de planetas conta com componentes seguem qualquer tipo de ordenamento.

antartida

Como disse David Hume, o desígnio criação diz apenas respeito a uma pequena parte da nossa experiência de ordem e objetivo, especialmente aquele em que o humano esta, portanto trás a concepção de que vivemos em nosso mundo projetado, portanto tudo é projetado, mas mesmo em nossas estruturas, projetadas por nós estamos sujeitos a falta de desígnio. Portanto a ideia de que nos construímos uma variedade de predições testáveis sobre o designer inteligente ao nosso redor, esta extremamente ligada a nossa forma de ver nossa interação social, coletiva, construtiva, a percepção de que criamos ferramentas com funções pré estabelecidas e deixamos de lado, inclusive, concepções contrapostas como o existencialismo onde a essência nem sempre precede a existência, ou onde a essência é dada pelo outro. Ao tentar argumentar que a nossa vida segue um propósito divino, espiritual ao lado de Deus, ou segundo um desígnio pré-estabelecido é simplesmente assumir que essa concepção existencialista surgiu após o indivíduo que afirma, afinal, como presumir que este aparato teleológico poderia ter sido concebido antes da existência?

Em analogia ao que os defensores do designer inteligente dizem é assumir que tudo existe segundo um propósito pré-estabelecido inteligente, mas sim estabelecido por uma concepção que foi posteriormente estabelecida.

Uma não ciência

Intuitivamente, ao ler a critica dos filósofos, especialmente de Hume sobre o propósito nas coisas, vemos que não há mais suporte filosófico na teleologia cristã inteligentista. Tão pouco a vemos nos defensores do designer inteligente e sob a sua falta de definição. Além do obvio, de que explicações sobrenaturais que não são testáveis, quando conduzido ‘experimentos’ testáveis, ​suas conclusões não apoiam ou refutam qualquer coisa com relação ao design inteligente. Portanto, não é falseável. O que torna uma teoria cientifica segundo Popper não é o fato de ela ser provada, mas que pode ser demonstrada como falsa. Isso quer dizer que uma teoria falsificável não é uma teoria falsa, mas que uma teoria científica pode ser provada como falsa graças á observação do fenômeno. O filosofo Karl Popper afirmou que o que caracteriza uma teoria cientifica é a capacidade que nos temos de refuta-la. Se não é possível refutar então certamente não é uma teoria científica. Algo que é cego á ciência não significa que não exista, mas que necessariamente não pode ser provado cientificamente porque não é observável, não é empírico. Como a intencionalidade do motorista que passa na poça de água. Como a presença de algo externo ao universo cuja descrição tradicional se refere a mortalidade.

Sendo assim, designer inteligente não é teoria e tão pouco hipótese, e sim uma especulação ora engajada da evangelização cristã ou no suporte de uma concepção íntima de um criador diante de uma insatisfação individual no que tange uma questão metafísica; de onde viemos e para onde vamos após a morte?

Uma outra questão esta relacionada ao documento Wedge que foi escrito pelo Discovery Institute e que “discretamente” defende o suporte ao ensino do designer inteligente. Há pessoas que realmente defendem o conceito de designer inteligente sem estar relacionada com a teologia cristã, embora o conceito em si permaneça vago. Geralmente os defensores do designer inteligente tem maior peso estão nos EUA, país com o maior numero de cristãos fanáticos do mundo com polarização ultra-conservadora e fundamentalista, mostrando uma faceta muito mais ideológica do que propriamente religiosa. Isso é de se esperar, pois geralmente os defensores do designer inteligente são em sua grande maioria criacionistas,  ninguém esperaria ver um muçulmano defendendo tal conceito. Portanto, via de regra, o criacionismo e designer inteligente estão extremamente relacionados.

A massa desses defensores esta nas igrejas, especialmente adventistas e presbiterianas. Essa é uma falha conceitual que os defensores do designer inteligente tem de sanar, a falta de uma definição clara a todos seus defensores, especialmente no que diz respeito a identidade. Não faz parte da vida do cientista e dos filósofos ficam defendendo conceitos que não fazem parte de sua disciplina, portanto é de responsabilidade dos defensores apresentarem uma definição clara sobre o que é ou vem a ser um designer inteligente. A dicotomia entre os inteligentes já existe, existe os que são cristãos e os que apenas deístas sem uma denominação religiosa clara.

Isso levanta questões mais profundas, pois estabelece então um abismo entre presumir intencionalidade na criação e isso ser evidência de um designer cuja identidade esta fora do nosso alcance. Se ela esta fora do nosso alcance, como se presume que tudo foi designado por um agente?

Se postular a identidade do designer não é uma postura interna do designer inteligente então o que faz um defensor inteligentista senão advogar em função desse personagem cuja definição é uma incógnita? Como podemos postular desenho das coisas se a identidade do designer não é uma postura interna?

Outros defensores do designer inteligente afirmam que a postura de onisciência é suspensa, e que o designer não precisa ser necessariamente um perfeccionista na arte da criação, justificando assim falhas anatômicas, desarranjos biológicos e a ausência de otimização de determinados mecanismos biológicos e talvez até ambiguidade moral, se ele não for amoral. Por exemplo, se o objetivo da criação fosse perfeito, a melhor maneira do corpo humano ou de um animal que vive no deserto excretar nitrogênio de seu corpo seria pelas vias aéreas e não pela urina. Evitaríamos a desidratação e excretaríamos o nitrogênio com maior eficiência.

Se a sua caracterização não é perfeccionista então que validade ele tem como criador supremo?

Outra questão; se ele não segue a caracterização cristã o que explica sua origem ou existência? Se a alegação de que ele existe é embasada na ideia de que ele deve ser algo tão natural quanto a própria natureza então porque não é testável ou viável cientificamente quanto uma descrição de um fenômeno natural? E pior, qual é sua origem?

Um mecanismo natural por definição não é intencional, nem fruto da aleatoriedade, ele simplesmente é, ou ocorre. Ele não segue um padrão. A gravidade é intencionalmente criada pelo designer? Porque? Qual sua intenção já que se espera que seja proposital? Qual a finalidade de intencionalmente favorecer a vida e/em mecanismos complexos? É possível inferir isso pelo design e chegar as intenções do designer assim como a poça de água?

Neste momento se torna vidente que já não se fala mais sobre a estruturação e a metodologia cientifica, mas meramente de filosofia ou teleologia pura. A ciência rechaça teleologia, foge de seu escopo e a filosofia hoje rejeita aspectos teleológicos. Os inteligentistas estão sozinhos neste barco.

Ao que consta, filosófica e cientificamente ainda não há uma relação clara entre fenômenos da natureza e intencionalidade, nem como o designer pode estar contido nos processos naturais como um fenômeno natural. Se é intencional como sugere alguns, e que a natureza e seu fenômenos são inteligentes, isto é um posicionamento pessoal, e não é testável ou embasado filosoficamente.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Filosofia, Teleologia, Criacionismo, Designer inteligente, Pseudo-Ciência, David Hume, Popper, Aristoteles.

Referências bibliográficas

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* “The Discovery Institute is the ideological and strategic backbone behind the eruption of skirmishes over science in school districts and state capitals across the country“. In: Wilgoren, J. “Politicized Scholars Put Evolution on the Defensive” (PDF), The New York Times, 2005-08-21.
* Who is behind the ID movement? Frequently Asked Questions About “Intelligent Design”. American Civil Liberties Union (2005-09-16). Página visitada em 2007-07-20.
* Kahn, JP. “The Evolution of George Gilder. The Author And Tech-Sector Guru Has A New Cause To Create Controversy With: Intelligent Design“, The Boston Globe, 2005-07-27.
* Who’s Who of Intelligent Design Proponents. Science & Religion Guide. Science & Theology News (November 2005). Página visitada em 2007-07-20. (PDF file from Discovery Institute).
* “The engine behind the ID movement is the Discovery Institute“. Attie, Alan D.; Elliot Sober, Ronald L. Numbers, Richard M. Amasino, Beth Cox4, Terese Berceau, Thomas Powell and Michael M. Cox (2006).
* Defending science education against intelligent design: a call to action. Journal of Clinical Investigation 116:1134–1138. doi:10.1172/JCI28449. A publication of the American Society for Clinical Investigation.
* Science and Policy: Intelligent Design and Peer Review. American Association for the Advancement of Science (2007).
* The writings of leading ID proponents reveal that the designer postulated by their argument is the God of Christianity“. Kitzmiller v. Dover Area School District (2005), Ruling p. 26.

9 thoughts on “DESIGNER INCOMPETENTE – QUANDO A FILOSOFIA BATE A PORTA NA CARA DA TELEOLOGIA.

  1. Uma pena que você ainda não se descobriu em Spinoza!
    Não existe no Universo Pensamento sem Extensão e nem Extensão sem Pensamento, isto é um conceito novo para este ser da COCRIÇÃO, um consórcio Deus que está fora do mundo e Cogitatio et Extentio que está fora de Deus. Jo.I O Verbo é Deus – O Verbo estava….se estava não está mais! Carta de nº 4 à Oldenburg – nota de rodapé 5 – Spinoza distingue entre criar e engendrar. Criar é produzir a essência e a existência ( o principio-Cogitatio, starta de Deus e engendra-se, e cocria-se no Extentio, gera-se a si mesmo – cocriador). Criar é produzir a essência e a existência; engendrar-se é promover a existência. Deus cria. Os homens e Todas as criaturas engendram-se uns aos outros ( N.do T ) Leia o § 5 desta carta. Para Spinoza, não aleatoriedade no Universo, não há acasos. E sim uma Filosofia que Geométrica explicitada por Ciclotrons desta modernidade.
    KRUG, pediu para Hegel, deduzir nem que fosse a caneta pela qual escrevia, não hesitou em dizer que ali não era momento e hora, mas amanhã com uma nova ciência poderia fazê-lo. Os Empíristas erraram em não desvendar esta essência do Universo que tem propriedades! Spinoza determina de como aparece a matéria para este Universo de um DI, como Fenomenal Intelecto Divino!
    Rossetti, obrigado por esta publicação. Ninguém cita Spinoza de medo de ser Salgado. Romeu filósofo de Spinoza

  2. O enorme artigo procura apenas defender teses indefensáveis nos dias de hoje, ainda que baseada em depoimentos de cientistas, filósofos etc. A questão é de razão e racionalidade.
    As duas correntes em discussão, “evolucionista e criacionsita” pecam pelo mesmo motivo, OU DEUS SERIA O GRANDE “OBREIRO DO MUNDO”, OU, ENTÃO, SERIA UM “NADA” QUE TERIA DE FAZER OS MESMOS MILAGRES QUE SE NEGAM A DEUS.
    O ponto de partida é muito, SEM SER O HOMEM CAPAZ DE FAZER COISAS INTELIGENTES, O RESTO SÓ PODE SER MERO ACASO DA NATUREZA. O mero acaso da ciência sequer é capaz de definir o que seja a Vida, E LASCA QUE É OBJETO DE UM ACASO QUALQUER.
    E, no entanto, o homem está “criando espécies” se, ser Deus e muito menos por mero.. Que tal os evolucionistas explicarem questões tão simples e óbvias como seja a Vida ou as obras que o homem faz ‘copiando’ a natureza, e por mera inteligência, e na natureza tudo tem que ser “burro e cego” como o relojoeiro do tal Dawkins.
    Só o homem ou Deus podem ser inteligentes para se construir o Universo como vemos, E APENAS VEMOS POUCO MAIS DE 4% DELE?

    arioba.

    • Exatamente, e pelo pouco que criamos intencionalmente acreditamos, ou melhor, projetamos, que todo o resto deva ter sido criado por Deus assim como criamos diversas coisas. Neste pouco mais de 3 ou 4% do que conhecemos pouco parece ter sido intencionalmente criado, afinal oque sabemos que foi criado esta aqui onde vivemos, e faz parte da nossa capacidade de criar. Que padrões inteligente podemos encontrar na orbita dos planetas, nas reações da química orgânica que é a mais comum em todo o universo….Qual a função de tudo isto? Tudo gira e conspira e tal forma a favorecer nossa existência? Se parece estranho achar que tudo surgiu sem padrão ou aleatoriamente, a partir do caos, é também implausível acreditar que tudo existe segundo uma conspiração de diversos elementos criados intencionalmente.

  3. ” OU DEUS SERIA O GRANDE “OBREIRO DO MUNDO”, OU, ENTÃO, SERIA UM “NADA” QUE TERIA DE FAZER OS MESMOS MILAGRES QUE SE NEGAM A DEUS”. Ariovaldo aparenta desejar brincar com as mentes menos desavisadas. Oferece, a partir de um silogismo barato, duas opões meramente convenientes à sua causa. Quem disse que apenas essas duas opções são válidas? O conceito Deus não deveria se quer está fazendo parte desse debate, se insiste em colocá-lo por que não inserir também os conceitos de zéus, thor, fada madrinha, ou os diversos conceitos mitológicos de outras religiões mundiais? Qual a diferença entre todas, quais os critérios de validade de um e outro senão minha subjetiva fé? Arivaldo, então insere “o nada” para supostamente contrapor ao conceito do deus cristão. Ora bolas, quem disse que precisa ser assim, a ciencia trabalha para desvendar nossa origem e o NADA não faz parte do plano de sua ciencia e muito menos Deus. Vejamos: ah o mundo foi criado pelo deus dos cristãos minha gente, afirmam cientistas. Não sabemos nada desse deus cristão, mas temos uma certeza não foi criado pelo deus dos islamicos, xintoistas, indianos, e tantos outros deuses, criações da mente fértil humana claro. Alguém pergunta com qual prova a ciencia se baseia nisso. a devolutiva é: bem não temos nenhuma, não temos inclusive evidencia de que esse deus exista, mas não entendemos a origem da vida, então parece ser o deus que os cristãos dizem existir. A ciencia deixaria de ser ciencia, o mundo deixaria de pesquisar, de investigar, pois, sem fundamento algum, optamos por escolher o deus cristão como fonte da vida. Pois do nada não vem nada. Essa frase me remete ao hábito antropoforme de criar seres imaginários próprio das religiões. Na verdade, a ciencia está em busca e não parte de crenças, mas de verificações empiricas, não parte do já dado e estabelecido, foi Deus, mas investiga para oferecer respostas, mesmo que tardias. O bóson de Higgs”, uma particula que faz referencia ao surgimento do universo que era prevista em teoria agora realidade. Já configura como um grande passo para a origem do universo. A ciencia está caminhando, pesquisando e obtendo resultados. Enquanto a ideia de Deus continua como há milhares de anos atrás, só muda nas versoes.

    • Caro Costa, desculpe o atraso, parece que estamos falando a mesma coisa de formas diferentes. NÃO ESTOU DIZENDO QUE SÓ EXISTEM AS DUAS OPÇÕES, ESTOU “CONSTATANDO” QUE SÓ EXISTEM ESSAS, e o que estou é exatamente contestando ambas, que parece ser o mesmo caso de você. Mas qual é a sua opção para a origem do Uiverso?
      Primeiro, VOCÊ ACREDITA MESMO QUE TENHA HAVIDO O BIG BANG? Baseado em quê? E você acredita que o Big Bang também teve oirgem ou não?
      Você acredita que só a ciência tenha resposta para tudo, MESMO QUE TENHA APENAS ALGUNS SÉCULOS, QUE ESTÁ “DESCOBRINDO” O DNA QUE JÁ “FUNCIONA” SÓ NA TERRA HÁ 4 BILHÕES DE ANOS?
      Você não acha que estamos falando da mesma coisa, apenas com linguajar diferente?
      Arioba.

  4. Parabéns, é um texto muito bom, com referências, o que desejava ler a muito tempo, espero que alguém faça uma réplica a altura.

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