FÓSSIL DE ANIMAL DE 520 MILHÕES DE ANOS TEM CÉREBRO BEM PRESERVADO. (Comentado)

Artrópode fossilizado tem estrutura neural similar a insetos, dizem cientistas. Estudo publicado na ‘Nature’ indica que cérebro evoluiu antes do imaginado

Fóssil de artrópode encontrado por cientistas; detalhe mostra estruturas do cérebro fossilizado (Foto; Divulgação,Xiaoya Ma,Nicholas Strausfeld)

Fóssil de artrópode encontrado por cientistas; detalhe mostra estruturas do cérebro fossilizado (Foto; Divulgação,Xiaoya Ma,Nicholas Strausfeld)

Uma pesquisa da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, em conjunto com o Museu de História Natural de Londres, na Inglaterra, analisou o fóssil de um artrópode pré-histórico com estruturas do cérebro bem preservadas. O estudo do fóssil descoberto, segundo os cientistas, indica que cérebros anatomicamente complicados evoluíram antes do que o imaginado na história da vida na Terra.

A pesquisa foi publicada no site da revista “Nature”, nesta quarta-feira (10). Encontrado em pedras depositadas na China há cerca de 520 milhões de anos, o fóssil é um dos mais antigos já identificados a ter estruturais neurais, dizem os cientistas. “Nós reconhecemos como sendo um cérebro devido ao seu tamanho e posição, comparáveis ao cérebro de um crustáceo, como um tipo de camarão pequeno”, disse o paleontólogo Gregory Edgecombe, do Museu de História Natural de Londres, ao site da “Nature”.

Para Edgecombe, existe uma semelhança impressionante na anatomia neurológica do artrópode com os insetos modernos e alguns tipos de crustáceo. Essa semelhança indica que o cérebro do artrópode evoluiu para permitir que ele tivesse uma boa estrutura de visão.

A espécie de artrópode encontrada (Fuxianhuia protensa) está extinta há muito tempo, e foi descrita na pesquisa publicada. Os artrópodes são um grande filo de animais que incluem atualmente insetos, aracnídeos e crustáceos.

O fóssil pode ser o “vínculo perdido” que ajudará a entender a história da evolução dos artrópodes e de seus cérebros, dizem os pesquisadores. O cérebro do animal fossilizado é composto de três segmentos, todos unidos na entrada da boca, e há traços de tecidos neurais no lugar onde estariam os olhos.

“Ninguém esperava que um cérebro assim tivesse evoluído tão cedo na história dos animais multicelulares”, disse no estudo o neurobiólogo Nicholas Strausfeld, da Universidade do Arizona, um dos co-autores da pesquisa.

Segundo Strausfeld, biólogos e paleontólogos ainda têm muitos pontos a discutir sobre como os artrópodes evoluíram, especialmente sobre como era o ancestral comum que deu origem aos insetos. A descoberta de um cérebro complexo como o do artrópode pré-histórico pode ajudar a esclarecer algumas da hipóteses sobre a evolução destes animais.

Fonte: G1

Comentários do autor

Não pretendo me focar exatamente no fato de haver um endomolde bem preservado nesse animal. De fato, a fossilização já foi bem discutida em ANÁLISE CONCEITUAL DE FÓSSIL E ESTRATIGRAFIA DESMONTAM CERNE DO CRIACIONISMO.O que o texto mostra é que a origem e evolução do sistema nervoso pode ser mais antiga do que prevista pelos modelos explicativos científicos. Isso é perfeitamente comum no mundo acadêmico, é uma calibração natural que ocorre conforme novas evidencias aparecem.  Essa não é a primeira vez que isso acontece. Existem evidencias de que a nossa espécie tenha surgido a muito mais tempo do que os 190 mil anos que hoje é mais aceito no meio acadêmico. Algumas evidencias podem sugerir que nossa espécie Homo sapiens tenha surgido a quase 400 mil anos, embora isso seja bem controverso.

Um exemplo mais completo se refere a origem da fecundação interna. O animal com fertilização interna mais antigo que se tem conhecimento é o placodermo. Os placordemos viveram no período denominado Devoniano e dominaram os oceanos por cerca de 70 milhões de anos. Eles surgiram a 375 milhões de anos e são os animais sexuados com fertilização interna mais antigos que se tem conhecimento.

Pesquisadores acreditavam que a fecundação interna, ou seja, a capacidade de carregar a prole no interior do corpo ate o nascimento constituíam uma forma de reprodução especializada que surgiu pela primeira vez nos tubarões e em seus ancestrais a 350 milhões de anos. Entretanto vários registros fósseis apontam que isso ocorreu bem antes do que se esperava. Foram encontrados registros fósseis de placodermos datados em 375 milhões de anos com filhotes fossilizados dentro de seus corpos. Se os placodermos já possuiam este tipo peculiar de reprodução é bem provável que a fecundação interna tenha surgido a muito mais do que 375 milhões de anos.

O mais impressionante é que do ponto de vista evolutivo os placodermos encontram-se bem na linha de frente dos organismos que constituem hoje o grupo dos tetrápodes, grupo na qual nos pertencemos. De fato é possível ver nos registros fósseis os rudimentares aparelhos sexuais que hoje fazem parte de nossa anatomia. É facilmente visível como o aparato anatômico mudou ao longo desses milhões de anos até chegar nos tipos morfológicos que conhecemos hoje.

As barbatanas pélvicas que permitiam o placodermo depositar seus espermatozóides na fêmea são homólogas aos aparatos sexuais e pernas dos tetrápodes.

 .

Scritto da Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Evolução, Ciência, Biologia, Fóssil.

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